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Imagem superior:

A) cantando a nota Ré3, em registro modal e em direção ao falsete. B) Seguidamente, a nota Sol3, em registro de falsete.

Imagem inferior :

C) Nota Ré 3 em registro modal em direção à voz mista. D) Seguidamente, nota Sol 3, na voz mista.

33FONTE: Folia Phoniatr Logop 2010; 62h27min–287 / DOI: 10.1159/000312668.

Um ressonador vibra em simpatia com a energia sonora produzida por uma fonte sonora e situa-se entre a fonte sonora e o meio de difusão do som. Um ressonador não comunica energia à atmosfera como uma fonte sonora, mas reage ao som, vibrando com ele. Nesse processo, altera o som, comunicando ao sinal radiado as suas propriedades acústicas (NAIR, 2007).

O som produzido pelas pregas vocais inicialmente é um som pobre e pouco intenso. É a ação do ressonador constituído pelo trato vocal que amplifica e enriquece o som da voz humana, conferindo-lhe as suas características acústicas específicas (HENRIQUE, 2002).

33Disponível em: www.karger.com/fpl

B A

C

A grande versatilidade da voz humana, tendo como base o aspecto funcional, se deve ao seu poder de mudar de forma, alterando assim a qualidade do som produzido. Nenhum outro instrumento musical possui um ressonador capaz de tanta variação de forma (NAIR, 1999).

O movimento da mandíbula altera a dimensão do espaço oral. Ao baixar a sua posição, leva consigo a base da língua, criando um espaço maior de ressonância.

Esse processo tem implicações ao nível da sonoridade das vogais e exige mais trabalho da língua para a produção das vogais altas, mas no caso do canto lírico, as vantagens obtidas superam as desvantagens e o esforço adicional requerido é insignificante perante a qualidade da ressonância da voz (NAIR, 1999).

Resulta importante relatar que os autores pesquisados citam o trato vocal como sendo responsável por se obter um tubo único que amplifica toda a voz. Com exceção de Behlau (2001) e de Pinho (2003, 2008), nenhum dos autores pesquisados trata das cavidades paranasais como sendo parte integrante do trato vocal.

Tal posição vai contra a ideia de que a voz passaria pelas cavidades de ressonância, incluindo as cavidades paranasais, cujo conceito imagético seria a “voz na máscara” para obter brilho e projeção vocal.

Porém, a ideia de voz na máscara ajuda muito na compreensão de aspectos subjetivos da sensação sonora, principalmente do tenor, mas sem se esquecer de que a voz ocorre por um processo fisiológico e que distorções nesse aspecto podem prejudicar toda imagem de uma voz plena, sem tensão, com qualidade e projeção (BJÖRKNER, 2006).

A laringe pode alterar a ressonância da voz e favorecer os harmônicos graves ou agudos, consoante baixe ou eleve a sua posição, respectivamente. A glote

poderá atuar como um articulador ao encerrar antes do início da produção das vogais, originando o início glótico do som.

No entanto essa prática deve ser cuidadosamente dosada para não provocar lesões nas pregas vocais. As paredes faríngeas podem alargar o seu diâmetro, processo explorado pelas técnicas de canto para obter incremento das frequências acústicas (MILLER, 1996; NAIR, 1999).

A posição do pescoço ao cantar desempenha um papel importante no som vocal, pois afeta diretamente a forma do trato vocal, influenciando a sua ressonância (ARBOLEDA e FREDERICK, 2006).

O ato de cantar constitui uma das mais complexas atividades neuromotoras do ser humano, pois mobiliza o corpo como um todo. Saber como cantar significa desenvolver a consciência da audição e ser capaz de estabelecer padrões internos de monitoramento e avaliação estética. O cantor é o primeiro a escutar os sons que ele emite, porém o controle desses sons está atrelado a uma postura específica, chamada “postura áudio-vocal”. Nessa postura física e mental, o cantor está prestes a transmitir sua expressividade intelectual e artística. A cabeça deve permanecer em sincronia com a espinha dorsal, sem necessidade de esticar o pescoço para cantar notas agudas (TOMATIS 1974 apud MADAULE, 1998).

A voz possui uma qualidade específica de reforçar os harmônicos, ou seja, pode mudar a característica do timbre, a cor do som. Devido a essa possibilidade, é comum atribuir adjetivos, como som brilhante, claro, escuro etc. Também os professores de canto usam termos como “ter ponta” no som ou “ter corpo” vocal, que ilustram metaforicamente os extremos desejáveis no acabamento técnico de uma voz (NOÉ, 2006).

Para Dayme (2009), a ressonância da voz acontece fundamentalmente na faringe, porém como a faringe é ajustável, pode assumir formatos diferentes. Esses formatos obedecem ao comando mental e à elaboração imagética do

que o cantor pretende expressar, ajustando os músculos da faringe para produzir as diversas qualidades tímbricas da voz.

A ressonância vocal é o processo que permite que o produto sonoro formado no nível das pregas vocais seja ampliado, enriquecido e modelado de acordo com a facilidade técnica, musical e expressiva do cantor.

As cavidades de ressonância são os espaços que contêm o ar e que entram em vibração, produzindo um som composto por uma determinada banda de frequência, ou seja, os harmônicos (NOÉ, 2006).

Sensações proprioceptivas na mandíbula superior, no palato, na região da face, atrás dos olhos e na testa têm sido tradicionalmente descritas como “voz na máscara” (voce in maschera). Essas sensações são resultado de respostas da vibração simpática, advindas da energia supraglótica que ressoam nas superfícies ósseas da face e do crâneo. Embora sejam aceitas pelos cantores como cavidades de ressonância, cientificamente, elas não contribuem para o efeito sonoro que acompanha essa ideia. No entanto, se a unidade funcional de uma técnica eficiente permitir uma ótima resposta no canto, a sensação resultante será localizada “na máscara” (MILLER, 1993).