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Fontes múltiplas de renda e a diluição de risco

No documento Plano B.pdf (páginas 55-59)

O que vai aprender neste livro

Capítulo 1: Conceitos iniciais

1.4 Aprendendo a vender tempo

1.4.2 Fontes múltiplas de renda e a diluição de risco

Uma estratégia inteligente é ter várias fontes de renda, principalmente passivas – ou seja, algo que lhe renda, dividendos sem você ter que produzi-los vendendo o seu tempo de forma tão desvalorizada quanto normalmente fazemos, como já expliquei quando falei sobre o valor de tempo e do trabalho. Entenda por renda passiva aquela que você construiu fazendo com que o dinheiro trabalhe por você, não que você tenha que trabalhar todo o tempo pelo dinheiro. Uma receita mensal que lhe rende frutos de um trabalho passado sem ter que continuar aquele trabalho de forma contínua para produzir renda. Quanto mais gera de receita por mês trabalhando menos, mais valor terá o seu tempo. Vejamos um exemplo:

João trabalha em dois empregos. Tem um salário de R$5.000 em um emprego e R$3.000 no segundo. Ao todo ele trabalha 12 horas por dia, das 08h às 17h (8 horas por dia, descontando o horário de almoço) em um deles e das 18h às 22h em outro. Aos sábados, ele conseguiu um emprego em que trabalha das 08h às 14h

ininterruptamente, ou seja, mais 6 horas de trabalho. Nesse trabalho de sábado, ele ganha mais R$2.000 por mês.

Ao todo, João trabalha, por semana, 66 horas. Bem longe das 40 horas semanais de que tanto ouvimos falar. No total, João gera uma receita de R$10.000 por mês, o que é um bom salário, porém às custas de muito sacrifício. Essa não é uma situação incomum. João faz parte de um grupo cada vez maior que trabalha mais de 40 horas por semana para melhorar o seu padrão de vida (ou apenas mantê-lo). Na realidade, 60% dos brasileiros têm jornadas de trabalho superiores a 40 horas semanais. Em recente pesquisa feita pela Organização Internacional do Trabalho, revelou-se que cerca de 20% dos brasileiros trabalham mais de 48 horas por semana (2008). No mundo, esse percentual é de 22% e, nos Estados Unidos, chega a 33%.

Ter um segundo emprego não chega a ser um Plano B. Ter um emprego a mais, só para complementar a receita do primeiro, aumenta a carga de estresse e a probabilidade de doenças causadas pelo cansaço excessivo, além de prejudicar a relação familiar. A chance de adoecer devido à jornada dupla não é pequena e, caso isso aconteça, não haverá mais nem a renda de um emprego nem de outro. O chamado Plano B, ou o seu “hedge”, deve lhe proteger contra os problemas que afetam os outros planos. É como manter um portfólio de investimentos variados.

Imagine que você tenha um imóvel alugado, um emprego formal, uma renda investida na Bovespa e uma atividade paralela vendendo perfumes no MercadoLivre. Se a bolsa cair, o seu aluguel continuará lhe mantendo. Se há uma crise imobiliária e os aluguéis baixam muito de preço ou você demora para conseguir um inquilino, você ainda tem seu emprego, porém, se perder o emprego, terá mais tempo para se dedicar a venda de perfumes no MercadoLivre.

As suas atividades não devem ser todas focadas no mesmo método - por exemplo, ter toda sua renda na Bovespa ou toda sua renda em aluguéis. Isso aumenta o risco de queda no setor e, consequentemente, na sua receita, já que ela só depende desse setor. Isso já aconteceu comigo. Tinha uma empresa que quebrou e deixou-me em uma péssima situação durante alguns anos, resultado da baixa diversificação de meus

investimentos. Todo o meu futuro imediato estava baseado em uma única fonte de renda.

Esse é um conceito antigo chamado de diversificação no portfólio de investimentos. O ideal ainda é que trabalhe em setores complementares, que, quando um está em baixa, o outro está em alta. Por exemplo, vender e-books sobre como aproveitar melhor sua viagem para os Estados Unidos (em épocas de dólar baixo) e sobre como vender infoprodutos para o mercado americano, utilizando o eBay (em épocas de dólar alto).

Você pode se perguntar porque eu teria qualificação para lhe ensinar tudo isso que venho falando neste livro. A resposta é muito simples: tudo o que eu estou lhe ensinando aqui, eu faço. Eu trabalho em casa e gero receita a partir do meu próprio conhecimento. Exploro uma grande miríade de possibilidades telepresenciais e presenciais, porém, tendo como base a internet. Já tive um Plano A. Construí o meu Plano B vendendo conhecimento e, atualmente, ele se transformou no meu novo Plano A.

Vendo infoprodutos diversos, presto serviços telepresenciais (consultorias por Skype, faço webinars no GoToMeeting, cursos online), vendo pela internet serviços presenciais (palestras, cursos e consultorias presenciais), produtos físicos (livros) e ainda licenciamentos de marca (explorando mais uma possibilidade da venda de informação, afinal, marca é basicamente informação). O mais conhecido certamente é o Curso 8Ps, que tem sua versão online e presencial – Os 8Ps são a teoria da qual esse livro foi desenvolvido.

Exploro todas as possibilidades em termos de produtos, infoprodutos, infoserviços e serviços possíveis para um profissional do conhecimento. Posso lhe garantir que dá muito certo. Ao longo do livro, vou lhe contar um pouco da minha história e das minhas atividades para que entenda como eu faço o gerenciamento dos meus ativos de conhecimento. Sou um investidor de conhecimento.

A primeira coisa que deve saber e que vai explicar muito da minha história é a minha constante busca pelo resgate da felicidade. Eu vejo as pessoas andarem pelas

ruas apressadas, correndo para seus empregos, e a maioria delas triste com seu cotidiano, querendo sempre estar em outro lugar. Muitos gostariam de estar viajando, outros de estarem dormindo mais de 6 horas por noite, outros ainda gostariam apenas de tirar as férias atrasadas dos últimos 5 anos.

É incrível como o ser humano se acostuma rápido com situações críticas e suporta cada dia mais um pouco de carga até que, aos seus 60 anos, olha para trás e pensa: “ah, se eu tivesse largado tudo naquele momento, eu teria sido mais feliz”. A dor de não ter pensado um pouco na sua própria felicidade é uma das piores que se pode ter, porém o tempo já terá passado. Ser infeliz no trabalho não deveria ser uma situação normal, uma vez que passamos 8 horas por dia durante mais de 30 anos das nossas vidas nele. É muito tempo para se ter apenas alguns dias felizes. Se você tem uma enorme preguiça de acordar e encarar mais um dia, algo está errado. Não deveria ser assim. Comece já o seu Plano B.

Há um poema que gostaria que lesse, agora ou depois. Chama-se “Instantes” (http://www.conrado.com.br/que-licoes-podemos-tirar-de-instantes).

Já fui uma dessas pessoas que vive sensata e produtivamente cada minuto da vida. Tive alguns empregos, poucos, confesso. Rapidamente, descobri que eu seria mais feliz, criando meu próprio trabalho. Passei a montar empresas, tive um cursinho pré- vestibular (que quebrou) e, depois disso, uma agência de marketing digital. Posso lhe dizer que vender sua mão de obra para uma empresa dá muito trabalho, mas ter uma empresa dá muito mais. Muitos empresários montam uma para dar um emprego a si próprio. Não é a melhor maneira de enxergar um negócio. Um pequeno empresário, espremido entre a alta carga tributária e o baixo poder de barganha junto a fornecedores e clientes está muito próximo, tanto do autônomo, quanto do empregado, porém com o pior dos dois mundos.

Corre todos os riscos com baixo faturamento. Trabalha mais do que todos e não consegue romper o ciclo vicioso que não o deixa crescer. Foi justamente nesse cenário em que me encontrei por diversas vezes. Durante anos, fui apenas empresário e quando uma de minhas empresas quebrou, que é algo muito pior do que ser mandado

embora de um emprego, eu descobri que não tinha um Plano B. O resultado disso foram 5 anos pagando dívidas. Trabalhando para isso. Não é um estilo de vida que eu aconselhe nem para um inimigo. Eu tinha colocado todos os meus ovos na mesma cesta, tinha apostado em um só caminho. Quando este me faltou, não tinha nenhum outro.

Sentir-se um fracassado pelo fato de não ter conseguido salvar nem a empresa nem a si próprio é um sentimento que mina sua capacidade de ser feliz. Sem felicidade, você não tem motivação e, assim, a situação só tende a piorar. Ter um Plano B é uma questão de sobrevivência. Outras fontes de receita podem lhe salvar em uma hora de aperto. E sabemos que a falta de dinheiro por conta de um imprevisto acaba com relacionamentos, produtividade, bens e, além disso, com o seu amor próprio.

Depois dessa experiência de ter passado tanto tempo me recuperando por conta do imprevisto, passei a trabalhar incessantemente nos meus Planos A, B, C, D e quantos mais tive tempo para construir. Vou explorar mais um pouco a minha história para que você veja um exemplo prático de construção de Planos B de sucesso e faça o mesmo.

No documento Plano B.pdf (páginas 55-59)