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Forma pseudo-K¨ ahler SU(2)-invariante em SL(2, C)

No documento Geometria diferencial em grupos de Lie (páginas 118-130)

A partir dos resultados estabelecidos na se¸c˜ao anterior, o diagrama abaixo esquematiza as id´eias a serem trabalhadas nessa se¸c˜ao com o objetivo de construir uma estrutura pseudo-K¨ahler em SL(2, C). A principal referˆencia para os resultados dessa se¸c˜ao ´e [9].

V1,1 (SL(2, C))C π1  V1,1 (SO+(1, 3))C ϕ∗ oo π2  V1,1 (T∗(SO(3)))C (f−1)∗ oo π3  SL(2, C) ϕ //SO+(1, 3) f −1 //T(SO(3))

Onde πα, α = 1, 2, 3, s˜ao as proje¸c˜oes canˆonicas associadas `as fibra¸c˜oes.

Primeiramente, Para (J X, g) ∈ T∗(SO(3)) denotemos p = eJ X. Definamos o operador Ap: so(1, 3)J → so(1, 3)J, tal que Ap = (I+Ad(p)2 )−1, observando que Ad(p) n˜ao possui

J t × SO(3) = {(J X, g) | nπ /∈ σ(ad(X)), n ∈ Z},

onde σ(ad(X)) ´e o conjunto dos autovalores (Espectro) de ad(X). Agora, considerando que exp : J t → G ´e n˜ao-singular quando ad(J X) n˜ao possui autovalores do tipo 2nπ, com n ∈ Z, e que o produto (exp(JX), g) → exp(JX)g ´e isomorfismo quando Ad(eJ X) n˜ao possui autovalor -1 segue o resultado, mais detalhes em [9], p´agina 599. Para o operador Ap temos o seguinte lema que utilizaremos posteriormente.

Lema 9.5 O operador Ap, onde p = eJ X, satisfaz a identidade

κ(Z, ApW ) = κ(Ad(p) ◦ ApZ, W )

Demonstra¸c˜ao. Denotando Z0 = ApZ e W0 = ApW obtemos

κ(Z, ApW ) = κ(( I+Ad(p) 2 )Z 0, W0) = 1 2κ(Z 0, W0) + 1 2κ(Ad(p)Z 0, W0),

κ(Ad(p) ◦ ApZ, W ) = κ(Ad(p)Z0, (I+Ad(p)2 )W0)

= 12κ(Ad(p)Z0, W0) + 12κ(Ad(p)Z0, Ad(p)W0).

Assim, da Ad-invariˆancia da forma de Cartan-Killing segue que o resultado.

Consideremos agora a proje¸c˜ao canˆonica π : T∗(SO(3)) → SO(3), podemos definir uma 1-forma λ em T∗(SO(3)), tal que para todo α ∈ T∗(SO(3)) e v ∈ Tα(T∗(SO(3))), temos

λα(v) = α(π∗v) (ver [2], p´agina 202).

Temos µ = dλ uma 2-forma fechada n˜ao-degenerada definida em T∗(SO(3)) = J t × SO(3), obtemos assim uma estrutura de variedade simpl´etica na variedade J t×SO(3). Da identifica¸c˜ao de T∗(SO(3)) com J (t)×SO(3), dada uma curva (J X(t), gt) em J (t)×SO(3)

temos λ(dtd t=o(J X(t), gt)) = κ(X(0), d dt t=0gtg −1

0 ). Considerando a a¸c˜ao de SO(3) × SO(3)

nos campos canˆonicos definida por (g1, g2) eZ = Ad(g^2)Z, pela Ad-invariˆancia de κ segue

que λ ´e invariante. Estamos interessados em calcular λ( eZ), sendo assim consideremos o seguinte teorema que reune express˜oes convenientes para curvas associadas ao campo eZ. Teorema 9.6 Seja (J X, g) ∈ T∗(SO(3)), com p = eJ X, e seja Z ∈ so(1, 3)J. Definimos

as seguintes curvas em T∗(SO(3))

γJ X,g,Z: t → (log(petAp◦Ad(g)JIm(Z)), et(Ad(g)Z−Ap◦Ad(g)JIm(Z))g),

δJ X,g,Z: t → (12(log2J X(pgetZe

−tZg−1p), p(t)−1pgetZ)),

onde logW = log ´e a inversa local da aplica¸c˜ao exponencial numa vizinhan¸ca de eW em uma vizinhan¸ca de W em so(1, 3)J, e

p(t) = exp(12log2J X(pgetZe−tZg−1p)).

Ent˜ao temos dtd

t=0γ = eZ(J X,g), e δ ´e a curva integral de eZ iniciada em (J X, g).

Demonstra¸c˜ao. Segue em [9], p´agina 600.

De acordo com [9] a curva γ tem eZ como vetor tangente em (J X, g) mas o mesmo n˜ao acontece em outros pontos da curva. Para (J X, g) ∈ T∗(SO(3)), com p = eJ X, e Z ∈ so(1, 3)J, pelo teorema 9.6 podemos escrever γ(t) = (J X(t), gtg), onde

(J X(t), gtg) = (log(petAp◦Ad(g)JIm(Z)), et(Ad(g)Z−Ap◦Ad(g)JIm(Z))g).

Considerando a identifica¸c˜ao de T∗(SO(3)) com J t × SO(3), temos λγ(0)(dtd t=0γ(t)) = αγ(0)((Rg)∗ d dt t=0gt) = κ(X(0), d dt t=0gt),

como γ(0) = (J X, g), e al´em disso

d dt t=0γ(t) = eZ(J X,g) e d dt t=0gt= Ad(g)Z − Ap◦ Ad(g)JIm(Z), temos λ( eZ)(J X,g)= κ(X, Ad(g)Z − Ap◦ Ad(g)JIm(Z)).

Obtemos o seguinte resultado.

Proposi¸c˜ao 9.7 Para todo (J X, g) ∈ T∗(SO(3)) e Z ∈ so(1, 3)J, λ( eZ)(J X,g)= κ(X, Ad(g)Re(Z)).

Demonstra¸c˜ao. Primeiramente observemos que Ad(p)X = X, visto que Ad(eJ X) =

ead(J X), assim A−1p X = (I+Ad(p))2 X = X. Agora, pelo lema 9.5 temos κ(X, Ap◦ Ad(g)JIm(Z))) = κ(Ad(p) ◦ ApX, Ad(g)J Im(Z)),

como Ad(p) ◦ ApX = X, temos

κ(X, Ap◦ Ad(g)JIm(Z))) = κ(X, Ad(g)JIm(Z))).

Assim, segue que

κ(X, Ad(g)Z − Ap◦ Ad(g)JIm(Z)) = κ(X, Ad(g)Re(Z)),

como queriamos mostrar

Agora, novamente para (J X, g) ∈ T∗(SO(3)) denotemos p = eJ X. Definamos o opera- dor

FJ X: so(1, 3)J → so(1, 3)J, tal que FJ X(Z) = d ds s=0log(pe sZ).

Pela p´opria defini¸c˜ao temos FJ X = (logJ X◦Lp)∗, consideremos o seguinte teorema.

Teorema 9.8 (ver [7], p´agina 185) Seja G um grupo de Lie com ´algebra de Lie g. Para todo X ∈ g seja (exp)∗X a diferencial do mapa exponencial em X. Ent˜ao

(exp)∗X = (LeX)◦P∞n=0 (−1) n

(n+1)!ad(X) n.

Em particular, o mapa (exp)∗X ´e bijetor se, e somente se, o endomorfismo ad(X) n˜ao

possui autovalores da forma 2nπi para n ∈ N. Em uma vizinhan¸ca do elemento neutro, temos

I = (Lp−1◦L

p)∗ = (Lp) −1

∗ ◦ (exp)∗JX ◦ (logJ X◦Lp).

Como (Lp)−1∗ ◦ (exp)∗JX: g → g (considerando a identifica¸c˜ao TJ Xg ∼= g), temos

I = (Lp−1 ◦ Lp) = (Lp)−1 ◦ (exp)∗JX◦ (logJ X◦Lp) = ∞ X n=0 (−1)n (n + 1)!ad(J X) n◦ F J X, (9.1)

O operador FJ X satisfaz a seguinte propriedade que utilizaremos posteriormente.

Lema 9.9 Seja (J X, g) ∈ T∗(SO(3)), denotemos p = eJ X. O operador FJ X satisfaz a

seguinte identidade

κ(X, FJ XW ) = κ(X, W ),

para todo W ∈ so(1, 3)J.

Demonstra¸c˜ao. Primeiro observamos que pela defini¸c˜ao de FJ X temos FJ X(W ) = W

sempre que [X, W ] = 0. Denotando TZ =

P∞

n=0 (−1)n (n+1)!ad(Z)

n, para todo Z ∈ so(1, 3)J,

pela associatividade de ad(J X) com rela¸c˜ao a forma de Cartan-Killing segue κ(T−JX(W ), Z) = κ(W, TJ X(Z)),

para todo W, Z ∈ so(1, 3). Assim obtemos a seguinte igualdade

κ(X, FJ XW ) = κ((T−JX ◦ F−JX)X, FJ XW ) = κ(X, (TJ X◦ FJ X)W ),

como (por (9.1)) (TJ X◦ FJ X)W = W segue o resultado.

Consideremos agora o mapa φ : J t × SO(3) → R, (JX, g) → κ(X, X), temos que φ ´e invariante com rela¸c˜ao a a¸c˜ao de SO(3) × SO(3) em J t × SO(3), ou seja

para (g1, g2) ∈ SO(3) × SO(3) e (J X, x) ∈ J t × SO(3). Agora observamos que como

J t × SO(3) ´e uma variedade complexa temos d = ∂ + ∂, onde ∂∂ = −∂∂, pois d2 = 0. Definindo dc = i(∂ − ∂), temos ddc = 2i∂∂ = −dcd. Temos dcφ( eZ) = ˜J eZ(φ) = dφ( ˜J eZ), temos o seguinte resultado.

Teorema 9.10 Seja φ : J t × SO(3) → R, o mapa SO(3) × SO(3)-invariante definido por φ(J X, g) = κ(X, X), ent˜ao 2λ = dcφ.

Demonstra¸c˜ao. Calculando dcφ obtemos

dcφ( eZ)(J X,g)= ( ˜J eZ(φ))(J X,g) = dtd t=0φ(γJ X,g,J Z)(t) = 2κ(−Jdtd t=0log(pe tAp◦Ad(g)JIm(JZ)), X),

onde essa ´ultima igualdade segue da defini¸c˜ao de φ e do teorema 9.6. Assim da defini¸c˜ao do operador FJ X e considerando que Im(J Z) = Re(Z), segue que

2κ(−Jdtd

t=0log(pe

tAp◦Ad(g)JIm(JZ)), X) = 2κ(F

J X(Ap◦ Ad(g)Re(Z)), X),

pelos lemas 9.5 e 9.9, temos

2κ(FJ X(Ap◦ Ad(g)Re(Z)), X) = 2κ(Ad(g)Re(Z), X),

pela proposi¸c˜ao 9.7 temos 2κ(Ad(g)Re(Z), X) = 2λ( eZ)(J X,g).

Temos o seguinte corol´ario.

Corol´ario 9.11 µ = dλ = 12ddcφ = −i∂∂φ. A 2-forma µ = dλ ´e ˜J -invariante, µ( ˜J eZ, ˜J fW ) = µ( eZ, fW ), para todo Z, W ∈ so(1, 3)J.

Demonstra¸c˜ao. Como J t × SO(3) ´e uma variedade complexa temos d = ∂ + ∂, onde ∂∂ = −∂∂, pois d2 = 0. Definindo dc = i(∂ − ∂), temos ddc = 2i∂∂ = −dcd. Assim, do

teorema 9.10 segue que dλ = 12ddcφ = −i∂∂φ.

Vamos mostrar que ddcφ ´e ˜J -invariante. Primeiro observamos que se α ´e uma 1-forma

sobre uma variedade, temos a seguinte f´ormula para diferencial exterior

dα(X, Y ) = X(α(Y )) − Y (α(X)) − α([X, Y ]). (9.2) Assim, da formula para diferencial exterior e considerando que dcφ( eZ) = ˜J eZ(φ), obtemos

ddcφ(X, Y ) = X(dcφ(Y )) − Y (dcφ(X)) − dcφ([X, Y ]) = X(dφ( ˜J Y )) − Y (dφ( ˜J X)) − dφ( ˜J [X, Y ]),

e por isso

ddcφ( ˜J X, ˜J Y ) = ˜J X(dφ(−Y )) − ˜J Y (dφ(−X)) − dφ( ˜J [ ˜J X, ˜J Y ]) = − ˜J X(dφ(Y )) + ˜J Y (dφ(X)) + dφ( ˜J [X, Y ]) = −dcdφ(X, Y ) = ddcφ(X, Y ), assim temos µ = 12ddcφ = −i∂∂φ ˜J -invariante.

O seguinte teorema nos fornece uma express˜ao para a 2-forma µ, que ser´a ´util na hora de mostrar a invariˆancia por SU(2) da estrutura obtida em SL(2, C). Segue o resultado. Teorema 9.12 Seja (J X, g) ∈ T∗(SO(3)) = J t × SO(3), com p = eJ X, temos

µ( eZ, fW ) = Im(κ(EJ X◦ Ad(g)Z, Ad(g)W )) = Im(κ(EJ Ad(g)−1XZ, W )),

onde EJ X = FJ X◦ Ad(p) ◦ Ap, e eZ, fW s˜ao campos canˆonicos em T∗(SO(3)).

Demonstra¸c˜ao. A demonstra¸c˜ao deste fato segue de (9.6), (9.7), da f´ormula (9.2) para diferencial exterior de 1-formas e de c´alculos utilizando as seguintes propriedades adicionais satisfeitas pelos operadores FJ X, Ap e EJ X:

• Ad(p) ◦ Ap = 2I − Ap; • ad(JX) = FJ X ◦ (I − Ad(p)−1); • FJ X ◦ Ap = FJ X ◦ Ap, e temos κ((FJ X ◦ Ap)Z, W ) = κ(Z, (FJ X ◦ Ap)W ), para Z, W ∈ so(1, 3)J; • Ad(p)−1◦ F J X = F−JX;

• κ(Z, FJ XW ) = κ(F−JXZ, W ), para todo Z, W ∈ so(1, 3)J.

A demonstra¸c˜ao para estas propriedades podem ser encontradas em [9]. Faremos aqui apenas a seguinte observa¸c˜ao: Para campos canˆonicos eZ e fW em T∗(SO(3)), no ponto (J X, g) ∈ T∗(SO(3)), denotando p = eJ X, temos

µ( eZ, fW )(J X,g)= dλ( eZ, fW )(J X,g)= eZ(λ(fW ))(J X,g)− fW (λ( eZ))(J X,g)− λ([ eZ, fW ])(J X,g).

De acordo com [9], para cada fator do lado direito da ´ultima igualdade da equa¸c˜ao acima temos

e

Z(λ(fW ))(J X,g) = −4iκ(FJ X◦ Ap◦ Ad(p)−1◦ Ad(g)(Z − Z), Ad(g)(W + W ))

−i

4κ(FJ X◦ (I − Ad(p)

−1) ◦ Ad(g)(2Z), Ad(g)(W + W )),

−fW (λ( eZ)) = i

+4iκ(FJ X◦ Ad(p)−1◦ (I − Ad(p)) ◦ Ad(g)(Z + eZ), Ad(g)(2W )),

−λ([ eZ, fW ]) = 4iκ(FJ X◦ (I − Ad(p)−1) ◦ Ad(g)(Z), Ad(g)W )

+4iκ(FJ X◦ (I − Ad(p)−1) ◦ Ad(g)( eZ), Ad(g)fW ),

somando esses termos e utilizando as propriedades adicionais citadas acima satisfeitas pelos operadores FJ X, Ap e EJ X chegamos na express˜ao

µ( eZ, fW ) = Im(κ(EJ X◦ Ad(g)Z, Ad(g)W )) = Im(κ(EJ Ad(g)−1XZ, W )),

os detalhes dos c´alculos omitidos aqui podem ser encontrados com detalhes em [9], p´agina 605.

Para uma variedade complexa, uma 2-forma fechada n˜ao-degenerada, para qual a estrutura complexa ´e uma isometria, fornece uma forma pseudo-K¨ahler. Assim, temos o resultado

Teorema 9.13 µ = dλ = 12ddcφ = −i∂∂φ ´e uma 2-forma fechada n˜ao-degenerada

SO(3) × SO(3)-invariante, ˜J -invariante em T∗(SO(3)) = J t × SO(3). Al´em disso, para A, B ∈ Tα(T∗(SO(3))), α ∈ T∗(SO(3)), temos

H(A, B) = µ( ˜J A, B) + iµ(A, B), uma estrutura pseudo-K¨ahler em T∗(SO(3)).

Observamos que a parte real de H, eZ, fW → µ( ˜J eZ, fW ), ´e uma forma bilinear, n˜ao- degenerada, ˜J -invariante (n˜ao necess´ariamente positiva definida) que determina uma pseudo-m´etrica em T∗(SO(3)), e a parte imagin´aria de H ´e a pr´opria 2-forma µ.

Para os campos canˆonicos (9.1), do teorema 9.12 temos a seguinte a seguinte ex- press˜ao

Teorema 9.14 A estrutura pseudo-K¨ahler associada a µ se expressa da seguinte forma nos campos canˆonicos

H( eZ, fW )(J X,g)= κ(EJ X◦ Ad(g)Z, Ad(g)W ) = κ(EJ Ad(g)−1XZ, W ),

onde (J X, g) ∈ T∗(SO(3)).

Consideremos so(1, 3) como ´algebra dos campos invariantes a esquerda, isto ´e, para todo X ∈ so(1, 3) vale

Defini¸c˜ao 9.15 Definimos a 2-forma ω em SO+(1, 3), tal que

ω(Zg, Wg) = µ(f∗−1(Lg)∗Z, f∗−1(Lg)∗W ), (9.3)

onde f : J t × SO(3) → SO+(1, 3) ´e o difeomorfismo associado a decomposi¸c˜ao de Cartan no n´ıvel de grupo citado anteriormente.

Como cada elemento g ∈ SO+(1, 3) ´e da forma g = f (J X, k), com (J X, k) ∈ J t × SO(3) = T∗(SO(3)), segue que

ω(Zg, Wg) = µ( eZ, fW )(J X,k), (9.4)

para g = f (J X, k) ∈ SO+(1, 3).

Pela defini¸c˜ao 9.15 e corol´ario 9.11, temos a compatibilidade de ω com a estrutura complexa invariante J , induzida de SL(2, C), isto ´e, para g = f (JX, k) ∈ SO+(1, 3)

ω(J Zg, J Wg) = µ( ˜J eZ, ˜J fW )(J X,k) = µ( eZ, fW )(J X,k) = ω(Zg, Wg).

Obtemos assim uma 2-forma fechada em SO+(1, 3) que ´e J -invariante. Agora, dado k ∈ SO+(1, 3), tal que k = f (0, k), assim

ω(Zk, Wk) = µ( eZ, fW )(0,k),

pelo teorema 9.12

ω(Zk, Wk) = Im(κ(E0◦ Ad(k)Z, Ad(k)W )) = Im(κ(Ad(k)Z, Ad(k)W )),

pois J X = 0 ⇒ EJ X = I. Como κ(Ad(k)Z, Ad(k)W )) = κ(Z, W ), temos

ω(Zk, Wk) = Im(κ(E0◦ Ad(k)Z, Ad(k)W )) = ω(Ze, We)

⇒ ω(Zk, Wk) = ω(Ze, We) = ω(Z, W ), com e = f (0, e) ∈ SO+(1, 3).

Temos o seguinte resultado

Teorema 9.16 Existe uma 2-forma fechada ω, compat´ıvel com a estrutura complexa J , SO(3)-invariante, n˜ao-degenerada que define uma estrutura pseudo-K¨ahler em SO+(1, 3), isto ´e, para campos Z, W

h(Z, W ) = ω(J Z, W ) + iω(Z, W ), ´

e uma estrutura pseudo-K¨ahler, SO(3)-invariante em SO+(1, 3).

Atrav´es do homomorfismo ϕ : SL(2, C) → SO+(1, 3), constru´ıdo no cap´ıtulo 7, pode- mos transferir a forma pseudo-K¨ahler de SO+(1, 3) para SL(2, C) via pullback. Definimos a 2-forma fechada η em SL(2, C), tal que

η(Vg, Ug) = ω(ϕ∗Vg, ϕ∗Ug), para todo g ∈ SL(2, C).

Considerando sl(2, C) como a ´algebra dos campos invariantes a esquerda, para cada V ∈ sl(2, C), temos um campo ϕ∗(Lg)∗V = ϕ∗Vg em SO+(1, 3), temos ainda que ϕ∗(Lg)∗V =

(Lϕ(g))∗ϕ∗V . Como ϕ∗(su(2)) = t = so(3), se g = eX, com X ∈ su(2), segue que

η(Vg, Ug) = ω(ϕ∗Vg, ϕ∗Ug) = ω((Lϕ(g))∗ϕ∗V, (Lϕ(g))∗ϕ∗U ),

para todo V, U ∈ sl(2, C). Mas, ϕ(g) = ϕ(eX) = eϕ∗X ∈ SO(3) ⇒ η(V

g, Ug) = η(V, U ),

pois ω ´e SO(3)-invariante. Como SU(2) = hexp(su(2))i, segue que η ´e SU(2)-invariante. Para ver que η ´e compat´ıvel com a estrutura complexa canˆonica J0, observamos que

η(J0Vg, J0Ug) = ω((ϕ∗J0Vg), (ϕ∗J0Ug)).

Como a estrutura induzida em SO+(1, 3) ´e dada por J = ϕ∗ ◦ J0 ◦ ϕ−1∗ , segue que

η(J0Vg, J0Ug) = η(Vg, Ug).

Dessas observa¸c˜oes segue o corol´ario

Corol´ario 9.17 Existe uma 2-forma fechada η n˜ao-degenerada, compat´ıvel com J0, SU(2)-

invariante que define uma estrutura pseudo-K¨ahler em SL(2, C), isto ´e, para campos V, U B(V, U ) = η(J0V, U ) + iη(V, U ),

´

e uma estrutura pseudo-K¨ahler, SU(2)-invariante em SL(2, C).

A constru¸c˜ao desta estrutura pseudo-K¨ahler atrav´es do pullback de estruturas geom´etricas de T∗(SO(3)) ´e semelhante a constru¸c˜ao feita em [22], onde se investigam as estruturas hiperkahler no fibrado cotangente de grupos de Lie complexos.

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