Esta seção descreve como o framework teórico foi construído. Primeiramente, discute-se as relações entre as dimensões, em seguida a construção propriamente dita do framework é apresentada.
5.1.1 A Relação entre as dimensões
Baseado nas informações de fontes e efeitos do Quadro 5 do item 4.2 e nos resultados apresentados no Apêndice C, é possível perceber as relações entre as dimensões devido a alguns riscos possuírem efeitos em mais de um tipo de sustentabilidade. Por exemplo, o risco de falta de interoperabilidade (RTT3), apesar de categorizado como Risco Tecnológico, também pode exercer efeitos sobre a sustentabilidade econômica. O contrário também é verdadeiro, pois o risco econômico REP1 (risco de imprecisão na implantação) pode gerar efeito tecnológico devido a causar desafios para adoção das tecnologias e conceitos da Indústria 4.0. Outros exemplos são os riscos RSC1 (risco de falta de mão de obra qualificada) e RAR1 (risco de aumento de consumo de recursos naturais) categorizados respectivamente nas dimensões de risco social e ambiental, que também podem gerar efeitos econômicos. E ainda, o risco tecnológico RTT2 (risco de incapacidade técnica da rede) também pode exercer o efeito ambiental de aumento do consumo de energia.
Além disso, também é possível perceber essa relação entre as dimensões, a partir do conceito de sustentabilidade tecnológica 4.0 desenvolvido, onde uma empresa que pretenda ser sustentável no contexto tecnológico da Indústria 4.0, também precisa seguir os princípios de design Hermann, Pentek e Otto (2015). Assim, um risco que pode afetar um desses princípios, também tem influência sobre esta definição de sustentabilidade. Apesar da maioria dos riscos mapeados que afetam
estes princípios serem de origem na Dimensão de Riscos Tecnológicos, outras dimensões também podem afeta-los. Por exemplo, o risco RSE1 (risco de consequências éticas provenientes de inteligências artificiais) tem influência direta sobre o princípio de Descentralização da Indústria 4.0, pois decisões de Inteligências Artificiais (IA) precisam ser avaliadas em suas possíveis consequências (TADDEO, FLORIDI, 2018; WINFIELD et al., 2019) podendo levar a um atraso na adoção dessas tecnologias.
5.1.2 Construção do Framework Teórico
Dessa forma, após verificar cada risco individualmente sobre suas relações em outras dimensões (Apêndice C), é possível construir um framework que possa representar tal condição.
Para esta construção, partiu-se do conceito do tripé da sustentabilidade (Triple
Bottom Line) de Elkington, na qual uma representação gráfica e teórica permite a
interseção entre três dimensões (Econômica, Social e Ambiental). Estas interseções podem ser utilizadas para representar os riscos com efeitos sobre mais de um tipo de sustentabilidade, como ilustrado na Figura 21.
Figura 21 - Triple Bottom Line de Elkington
Fonte: Baseado na teoria de Elkington (1998a; 1998b)
No entanto, a representação da Figura 21 não satisfaz esta pesquisa devido as questões tecnológicas não poderem ser representadas. Assim, para que uma construção gráfica possa ser desenvolvida e este desfalque possa ser suprido, as quatro Dimensões de Risco (Riscos Econômicos, Riscos Sociais, Riscos Ambientais e Riscos Tecnológicos) precisam ser representadas. Para isto, quatro elipses
dimensionais entrelaçadas foram construídas, onde tal condição é satisfeita. Além do mais, a questão regulamentar verificada durante o levantamento dos riscos do capítulo anterior (item 4.2.5) também pode ser representada na construção desta formação. Como existe a necessidade de regulamentações precisas para o contexto da indústria 4.0, a questão regulamentar será ilustrada como uma base de suporte para todas as dimensões.
Desta forma, o framework teórico proposto baseado nos efeitos dos riscos da Indústria 4.0 sobre os conceitos de sustentabilidade definidos pode ser finalizado em forma de quatro elipses dimensionais correlacionadas e suportadas pelas regulamentações (Figura 22).
Figura 22 - Framework teórico para os efeitos dos riscos da indústria 4.0
Fonte: Autor (2019).
Com a ilustração da Figura 22 pode-se verificar todas as áreas possíveis entre as quatro dimensões, assim os riscos da Indústria 4.0 podem ser alocados nesta diagramação de acordo com seus efeitos. Por exemplo, um risco com efeito sobre a sustentabilidade econômica pode ser alocado na área amarela e um risco que possua efeito em mais de um tipo de sustentabilidade pode ficar alocado em uma das interseções.
Com intuito de resumir os riscos levantados sem a distribuição individual nas áreas propostas, as quatro Dimensões de Risco descritas no capítulo anterior (Riscos Tecnológicos, Riscos Sociais, Riscos Ambientais e Riscos Tecnológicos) podem ser organizadas de acordo com a ilustração da Figura 23.
Dimensão de Riscos Sociais (DRS) Dimensão de Riscos Ambientais (DRA) Dimensão de Riscos Econômicos (DRE) Dimensão de Riscos Tecnológicos (DRT)
Figura 23 – Representação resumida dos riscos sobre as dimensões propostas.
Fonte: Autor (2019)
Apesar desta distribuição, representada na Figura 23, trazer uma forma de organizar os riscos esquematicamente, eles não estão organizados corretamente conforme o Apêndice C. Assim, para que estes riscos possam ser organizados de forma correta, primeiramente categorias de riscos serão construídas para denominar cada área proposta no framework. Esta categorização é apresentada no modelo do capítulo seguinte. • Risco de perda de posições de trabalho • Risco de consequências éticas provenientes de inteligências artificiais • Risco de invasão de privacidade e uso indevido de dados Riscos Sociais
• Risco de falta de mão de obra qualificada
• Risco de relutância a mudanças • Riscos à integridade física de
trabalhadores
• Riscos de problemas psicossociais • Risco de aumento das
desigualdades e tensões sociais
Riscos Ambientais • Risco de aumento de
consumo de recursos naturais para produção de tecnologias • Risco de alto consumo de
energia para operação de tecnologias
• Risco de aumento de lixo eletrônico e resíduos • Risco de aumento de consumo de combustíveis Riscos Tecnológicos • Risco de interferência nos sinais • Risco de sobrecarga da rede • Risco de falta de interoperabilidade
• Risco de caos tecnológico • Risco de ataque cibernético
• Risco de divulgação de dados privados • Risco de análise ineficaz dos dados • Risco de dados de má qualidade
Regulamentações
Riscos Econômicos • Risco de alto custo de
implantação • Risco de retorno financeiro incerto • Risco de autossabotagem sobre a cadeia de suprimentos • Risco de imprecisão na implantação • Risco de Dependência de parceiros • Risco de problemas de concorrências • Risco de intervenções negativas de clientes • Risco de dificuldade de aceitação declientes Legenda
Dimensão de Riscos Sociais (DRS) Dimensão de Riscos Ambientais (DRA) Dimensão de Riscos Tecnológicos (DRT) Dimensão de Riscos Econômicos (DRE)
DRT
DRE DRA