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CAPÍTULO II – ALUNOS COM DEFICIÊNCIA VISUAL

2.1. Funcionamento visual

O órgão sensorial da visão desempenha funções muito importantes na vida do ser humano, sendo considerado um órgão integrador da informação que recebemos desde o momento do nascimento. Para Dias (1995), é um órgão de extrema utilidade para nos ajudar a compreender o mundo onde nos encontramos porque “...integra, unifica, é veículo para a compreensão da relação causa-efeito, dando ordem natural aos acontecimentos, assinalando as propriedades e os perigos do universo físico, permitindo o domínio e controle de movimentos” (p.61). Por este motivo, Do Monte & Dos Santos (2004) mencionam que este é considerado um sentido integrador elementar de extrema importância para a aprendizagem. Dada a sua relevância para o desenvolvimento e a aprendizagem do ser humano, a existência de limitações no seu funcionamento condiciona a vida dos indivíduos a vários níveis.

O funcionamento deste órgão sensorial é um processo muito complexo, implicando a integridade de todas as suas estruturas, pois todas elas interferem na qualidade da visão. Essas estruturas permitem que a luz exterior penetre no olho, vá impressionar a retina e que, através das células nervosas aí existentes e do nervo óptico, seja enviada a informação para o cérebro. A informação que chega ao cérebro ajuda-nos a compreender o mundo onde nos encontramos. Segundo Bishop (1991), em termos genéricos, o funcionamento visual exige o uso de dois sistemas: o óptico (olhos, músculos oculares e nervo óptico) e o perceptivo (cérebro). Vejamos estes aspectos com um pouco mais de pormenor.

Como nos diz Descartes “o mundo é visto pelo cérebro a partir das imagens obtidas na câmara escura dos olhos” (Ladeira & Queirós, 2002, p.17). Perante esta afirmação, compreendemos que o aparelho visual é constituído por várias estruturas, como sejam:

O olho é o órgão de visão que tem a responsabilidade de captar os raios de luz que podem ser emitidos por diversas fontes luminosas: o sol, as lâmpadas, as telas da televisão ou do computador ou serem reflectidos por objectos: cadeiras, mesas, livros, etc. Está localizado no interior da cavidade óssea denominada órbita (“Anatomia”, 2009). Do ponto de vista anatómico, o olho é constituído por várias estruturas integradas em diversas partes: a externa; a intermédia e a interna.

Como se apresenta na figura 1, na parte externa do olho existe a córnea que é transparente e encontra-se no centro do olho, apresentando várias camadas13 (Hernández & Plaza, 2004). Encontramos ainda a esclera (conhecida também por esclerótica) que é constituída por uma membrana com muitas fibras resistentes que protegem o olho. É a parte opaca do olho.

Figura 1. Anatomia do Olho (Ladeira & Queirós, 2002, p. 15)

A parte intermédia do olho é a úvea que é constituída pela coróide, íris e corpo ciliar. A coróide está localizada entre o corpo ciliar e o nervo óptico, é formada por inúmeros vasos sanguíneos e tem como função nutrir a retina. A íris é também conhecida por disco da pupila ou “menina dos olhos” – situando-se atrás da córnea. A cor dos olhos é dada pela íris que tem como função controlar a quantidade de luz que entra no olho (ibid), através da dilatação e contracção da pupila nas situações de escuridão e/ou de iluminação elevada. Este é um sistema autónomo. O corpo ciliar é o músculo que

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envolve o cristalino, tem por função segregar o humor aquoso14 e ajustar o cristalino. O cristalino é uma lente biconvexa localizado atrás da íris, tendo como principal função a focagem das imagens que nos chegam deixando passar a luz a qual vai impressionar a retina. Quando o cristalino está intacto permite ao ser humano ver com nitidez as imagens a qualquer distância, considerando as situações ao perto e ao longe (“O olho humano – anatomia”, 2009). No “...espaço posterior do cristalino e retina...” encontramos o humor vítreo15 (Aranha, 2005, p.14).

Na parte interna do olho, encontramos a retina que é uma membrana muito sensível à luz que forra a porção interna do globo ocular e que contém células nervosas responsáveis pela visão. Estas células fotoreceptoras são especializadas na captação da luz vinda do exterior, existindo dois tipos de células: os cones e os bastonetes (Vilela, 2009). Os cones permitem a discriminação detalhada dos objectos ou das pessoas e a distinção de cores. Na ausência da luz deixam de funcionar. Os bastonetes são responsáveis pela visão a preto e branco em ambientes com pouca luz. A luminosidade faz com que substâncias presentes nos cones e nos bastonetes sofram transformações e gerem impulsos eléctricos que são captados por células nervosas e transmitidos ao cérebro, onde a imagem se formará. As células nervosas que se concentram na parte central da retina formam a mácula16, área muito pequena que rodeia a fóvea e que concentra muitos cones, sendo responsável pela qualidade da acuidade visual, permitindo uma visão detalhada e nítida do que se vê (Aranha, 2005).

Na parte interna do órgão da visão encontramos ainda o nervo óptico que é responsável pela condução da imagem da retina até ao cérebro, mais concretamente ao córtex visual, no lóbulo occipital, área de descodificação da mensagem. Ou seja, é aí que essas imagens são interpretadas, constituindo este o centro da visão (Bishop, 1991). É com base neste processamento da informação que o cérebro envia instruções para o corpo acerca de como se deve movimentar ou como são os pormenores de uma dada situação/objecto.

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“fluído transparente que ocupa o espaço entre a córnea e o cristalino, parte anterior” (Aranha, 2005, p.14).

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Para além das estruturas do olho acima mencionadas encontramos ainda outras como: pálpebras (dobras), sobrancelhas, cílios (pestana) e seis músculos em cada olho17, responsáveis pelo movimento18 do globo ocular.

Na opinião de Aranha (2005), na formação e interpretação da imagem visual há que considerar a interacção de vários aspectos: os psicológicos, os perceptivos, os sensório- motores e os fisiológicos. Para além destes aspectos há que considerar também a conjugação das experiências anteriores que o sujeito tem, bem como a recepção, selecção, descodificação e armazenamento dessas informações, as quais são funções próprias do cérebro. Segundo Mendonça, Miguel, Neves, Micaelo e Reino (2008) há outros factores que podem dificultar ou complicar ainda mais o funcionamento do órgão sensorial da visão, nomeadamente os factores pessoais (cognitivos e físicos) e os ambientais (como sejam a cor, o contraste dos materiais, as condições do tempo, e as condições de iluminação dos espaços onde a pessoa se encontra).

Hernández e Plaza (2004) resumiram o funcionamento visual em quatro fases distintas: - Percepção – fase que consiste na busca e focalização da imagem;

- Transformação – após a busca e focalização da imagem, os impulsos da energia luminosa são transformados em energia eléctrica;

- Transmissão – depois da transformação da energia luminosa em energia eléctrica, as fibras nervosas conduzem os impulsos eléctricos do olho até ao cérebro;

- Interpretação – quando os impulsos eléctricos chegam ao cérebro, mais concretamente ao córtex visual, responsável pela visão, a informação é interpretada e descodificada.

Em síntese e como referem Ladeira e Queirós (2002) “olhar constitui o primeiro passo para ver, mas entre o estímulo captado pelo acto de olhar e a percepção que define a qualidade do ver, há uma enorme distância, mediada por complexos sistemas corticais” (p. 17).

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Quatro rectos e dois oblíquos.

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Recto superior movimenta o olho para cima; recto inferior movimenta o olho para baixo; recto interno movimenta o olho para lado do nariz; recto externo movimenta o olho para lado temporal) e dois oblíquos (oblíquo superior e oblíquo inferior que são responsáveis pelo movimento de rotação dos olhos) (“O olho humano – anatomia”, 2009).