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Fundamentos de Transporte

No documento LOGISTICAEMPRESARIAL (páginas 186-200)

Fundamentos de Transporte

• O transporte é uma das principais funções logísticas. Além de representar a maior parcela dos custos logísticos na maioria das organizações, tem papel fundamental no desempenho de dimensões do serviço ao cliente. Do ponto de vista de custos, representa, em média, cerca de 60% das despesas logísticas, o que, em alguns casos, pode significar duas ou três vezes o lucro de uma companhia, como o setor de distribuição de combustíveis.

• As principais funções do transporte na Logística estão ligadas às dimensões de tempo e lugar. Desde os primórdios o transporte de mercadorias tem sido utilizado para disponibilizar produtos onde existe demanda potencial. Atualmente, mesmo com os avanços tecnológicos, a função do transporte permanece a mesma: disponibilizar produtos na hora certa e no lugar certo ao menor custo possível (CEL/Coppead).

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• Seleção de Modal e suas características:

– O usuário do serviço de transporte tem uma larga faixa de serviços a sua disposição, todos girando em torno dos cinco modais básicos (aquaviário, ferroviário, rodoviário, aeroviário, dutoviário). Através da combinação entre esses cinco modais (intermodalidade) a variedade de escolha torna-se ainda maior.

– Um serviço de transporte é um conjunto de características de desempenho adquiridas a um determinado preço.

– Para se escolher o serviço de transporte, além do preço, outras características são relevantes: tempo em transito, disponibilidade, confiabilidade, consistência

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VELOCIDADE

Dutoviário Aquaviário Ferroviário Rodoviário Aeroviário

CONSISTÊNCIA

Dutoviário Aquaviário Ferroviário Rodoviário

Aeroviário

CAPACIDADE MOVIMENTAÇÃO

Dutoviário Aeroviário Rodoviário Ferroviário Aquaviário

DISPONIBILIDADE

Dutoviário Aquaviário Aeroviário Ferroviário Rodoviário

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Evolução da participação (%) dos modais na Matriz de Transportes Brasileira 2002 2003 2004 2005 2006 Aéreo 0,3 0,3 0,3 0,3 0,3 Aquaviário 10,3 11,5 11,5 11,6 12,8 Dutoviário 4,0 4,0 3,8 4,5 4,4 Ferroviário 23,3 22,3 20,7 20,7 19,9 Rodoviário 62,1 61,9 63,7 62,9 62,6 Comparação da Matriz Brasil EUA Aéreo 0,3 <1 Aquaviário 10,3 16

Se for excluído os produtos primários (agrícolas e minérios), a participação do modal rodoviário sobe para 92% no Brasil

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• Características do Modal Ferroviário:

– Transportador de longo curso e movimentador lento de matéria-prima (carvão, minério, etc..) e manufaturados de baixo valor;

– Distância média de 720 milhas, 22 m/h de velocidade média, 64 milhas percorridas por dia em média, 86% do tempo com operações de carregamento e descarregamento (dados EUA, extraído de Ballou);

– Duas formas legais: comum e privado. O comum geralmente é oferecido a todos os embarcadores e regulamentado por alguma agência; o privado atende apenas o proprietário;

– Majoritariamente para cargas completas (carload), cuja taxa é menor que cargas incompletas (less than carload);

– Vagões com capacidade média de 83 toneladas, e para trens com mais de 100 composições de uma única mercadoria há descontos de 25% a 40% do frete normal;

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• Características do Modal Rodoviário:

– Transportador de média distância para produtos acabados e semi-acabados, extensão média de 646 mi. para cargas incompletas (less than truck load) e de 274 mi. para cargas completas (truck load);

– Mais da metade dos caminhões são de cargas incompletas ou pesam menos de 10 mil libras;

– Vantagem no porta a porta, não exige carregamento e descarregamento entre o destino e a origem;

– Alta velocidade, freqüência e disponibilidade do serviço;

– Grande variedade de veículos para diferentes tamanhos de carregamentos;

– Para consolidar o frete basta completar a carga, para o modal ferroviário, o trem não sai antes de completar 50 vagões;

– Pequeno tempo de carregamento e descarregamento em relação ao tempo em trânsito;

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• Características do Modal Aeroviário:

– Velocidade imbatível entre origem e destino, principalmente acima das 1.300 mi., 2 vezes mais caro que o rodoviário e 16 vezes mais caro que o ferroviário (velocidade cruzeiro aproximadamente 800 Km/h);

– Razoável tempo gasto carregamento e descarregamento; e também para pouso, decolagem e taxiamento;

– Média disponibilidade mas baixa consistência na entrega;

– Alta restrição na capacidade, as maiores aeronaves comerciais suportam de 125 t. a 150 t.;

– Grande disponibilidade, regularidade e aeronaves de porte nas principais rotas internacionais e doméstica, e somente vôos não regulares e pequenas aeronaves nas demais rotas;

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 Características do Modal Aquaviário:

 Transportador de baixa velocidade (de 5 a 9 mi/h. no Missisipi);  Extremamente limitado pela malha hidroviária existente no país;  Distância média de 500 mi. em rios e 1.775 mi. na costa litorânea;  Razoável confiabilidade (depende muito do clima);

 Grande capacidade de movimentação de carga;

 Pequena variabilidade se comparado com o tempo total gasto;

 Cargas líquidas em navios-tanque e mercadorias a granel (como carvão, areia

e grão) somam 80% do total movimentado;

 Requer embalagem protetora para manuseio e necessidade de contêineres

para movimentação;

 No Brasil são oito mil quilômetros de costa e 50 mil quilômetros de rios

navegáveis;

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 Características do Modal Dutoviário:

 Serviço extremamente limitado, basicamente petróleo cru e seus derivados;  Lenta movimentação do fluido no interior do duto: cerca de 5 Km/h;

 Consistente na entrega como nenhum outro modal (fornecimento 24 horas/dia,

7 dias/semana, o que compensa a lentidão);

 Alta capacidade de movimentação (um duto de 12 in. a 3 mph movimenta 89

mil galões por hora (~ 337 m3/h. ));

 Alta confiabilidade no tempo de entrega: o mais confiável dos modais;

 Experiências no transporte de sólidos imersos em um líquido condutor e

também dentro de cilindros podem ampliar a oferta deste serviço;

 No Brasil há o gasoduto Brasil-Bolívia e o oleoduto do Porto de Santos para as

Refinarias de Paulínia e Cubatão;

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• Definição de Serviço Intermodal:

– “ O movimento de bens em uma única unidade de carregamento, que usa sucessivos modais de transporte sem manuseio dos bens na mudança de um modal para outro”

European Conference of Ministers of Trasnsport (1993);

– “Transporte realizado por mais de um modal, caracterizando um serviço porta a porta com uma série de operações de transbordo realizada de forma eficiente e com a responsabilidade de um único prestador de serviço através de um documento único. Para o transporte intermodal que utiliza contêiner, a carga permanece no mesmo contêiner por toda a viagem” Intermodal freight Transportation (1995);

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• Exemplo de serviço intermodal:

– A soja produzida em Goiás segue, de caminhão, da lavoura até o porto de São Simão, em Goiás. De lá, segue para Pederneiras, interior de SP, pela hidrovia Tietê-Paraná. Chega finalmente ao Porto de Santos pela Ferroban, totalizando cerca de 1.340 Km. Nessa operação, um comboio de 2.200 toneladas de soja transportado pela hidrovia representa a ausência de 70 caminhões nas estradas. Embora o tempo de transporte seja maior, o custo do frete é consideravelmente menor, reduzindo em até 45% (CEL/Coppead).

– Embora seja possível combinar todos os modais entre si gerando uma quantidade muito grande de serviços intermodais, apenas duas categorias de serviço intermodal vem tendo grande aceitação: a combinação de ferrovia e rodovia (piggyback) e a combinação entre rodoviário e aquaviário (fishyback).

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• Integração entre modais

– Container on Flatcar (Cofc) : colocação de um contêiner sobre um vagão ferroviário. Possibilidade de posicionar dois contêineres sobre um vagão (doublesatck). Muito usado nos EUA e Europa, mas no Brasil há restrições, principalmente em relação a altura dos túneis;

– Trailer on Flatcar (Tofc) : conhecido como piggyback, consistem em colocar uma carreta (semi-reboque) sobre um vagão plataforma. Principal benefício é a redução do custo e do tempo no transbordo entre modais e isentando investimentos em equipamentos de movimentação;

– Car Less : conhecido como Truck Ferroviário. Consiste na adaptação de uma carreta que é acoplada a um vagão ferroviário igualmente adaptado, criando composições mistas, com vagões convencionais e truck ferroviários. No Brasil há o desenvolvimento

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• Alternativas do Transporte Intermodal rodo-ferroviário:

– Plano I: a ferrovia por meio de um vagão-plataforma movimenta a carreta do transportador rodoviário que é responsável pela carga (paga-se ao rodoviário que repassa ao ferroviário);

– Plano II: a ferrovia é responsável pela movimentação de carga. Tanto a carreta, quanto o vagão, são de propriedade da ferrovia. Existem variações (1/4, 1/2) desse tipo no que diz respeito à coleta e entrega.

– Plano III: o embarcador/cliente fornece a carreta e a ferrovia é responsável somente pela movimentação, recebimento e entrega são de responsabilidade do embarcador;

– Plano IV: diferencia-se do plano III apenas quanto à propriedade do vagão, que nesse caso é do embarcador e que paga a ferrovia pelo uso dos trilhos e pela tração da locomotiva.;

– Plano V: caracteriza-se pela joint venture entre transportador rodoviário e ferroviário. Um dos dois pode ser o responsável pela movimentação da carga;

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