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3.3 Dados Criminais da PSP: registo de suspeitos

3.3.2 Furtos em Interior de Estabelecimentos Comerciais

Conforme brevemente referimos na introdução, sentimos necessidade de direccionar o nosso estudo num rumo diferente do inicialmente planeado, uma vez que, sobretudo no decurso da análise estatística e da realização de entrevistas, verificámos haver uma clara diferença entre o número e nacionalidade de suspeitos por crimes de furtos qualificados, distinguindo-se os cidadãos romenos dos cidadãos croatas e sérvios, pelo que decidimos procurar o motivo de tal confusão, procurando encontrar e determinar com a maior

“A intervenção de cidadãos romenos e servo-croatas em furtos a interior de residências”

precisão possível onde se verificava a intervenção de uns e de outros. Decidimos por isso inserir este ítem.

Tal como na secção anterior, estudamos aqui o número de ocorrências dos crimes de furto qualificado (Artigo 204.º do Código Penal), neste caso por furto em interior de estabelecimentos, pelo que mantivemos os critérios de análise anteriores. Desta feita, iniciamos a análise das nacionalidades dos suspeitos por este crime específico. Assim, numa visão geral e num total de 2159 registos de suspeitos, englobando os cidadãos nacionais e não nacionais, os resultados das ocorrências são os seguintes: Portugal (n=1913); Roménia (n=80); Angola (n=33); Cabo Verde (n=26); Brasil (n=17); Croácia (n=1); Sérvia (n=0) e Outros15 (n=89).

Ilustração 36: Suspeitos de Furtos em Interior de Estabelecimentos comerciais cometidos em Portugal, em 2008, por nacionalidades

Fonte: PSP

Em termos de representatividade dos cidadãos nacionais, verificamos que neste crime, o número de suspeitos portugueses é ainda maior do que no furto em interior de residências, com 88,7% d total das ocorrências.

No que respeita as ocorrências que envolvem os cidadãos não nacionais, verificamos que os cidadãos naturais da Roménia são os que apresentam um maior número de suspeitos associados a estes crimes, com 3,7% dos suspeitos. De seguida é Angola que encontra maior expressão com 1,5% de suspeitos, Cabo Verde com 1,2% de suspeitos e o Brasil com 0,8% de suspeitos. A Croácia, por só ter um suspeito, não encontra expressão percentual neste crime, tal como a Sérvia, por não ter qualquer suspeito. Já os restantes

15 São as outras nacionalidades as seguintes: África do Sul, Alemanha, Argélia, Argentina, Bulgária, China,

Espanha, Federação Russa, França, Geórgia, Grécia, Guiné, Guiné – Bissau, Índia, Marrocos, Moçambique, Moldávia, República Democrática do Congo, São Tomé e Príncipe, Suíça, Tunísia, Ucrânia e Venezuela.

“A intervenção de cidadãos romenos e servo-croatas em furtos a interior de residências”

países (4,1%) representam os restantes números de ocorrências. Decidimos uma vez mais comparar o número de suspeitos com o número de residentes de forma a apurar a incidência destes crimes. Assim verificamos que, apesar de existirem apenas registos, os cidadãos croatas apresentam 1,25% de incidências e suspeitos, os cidadãos romenos 0,2%, valor bastante mais baixo quando nos centramos nos dados dos cidadãos nacionais (0,002%). Os cidadãos servos não apresentam qualquer registo.

Ilustração 37: Suspeitos de furtos em interiores de estabelecimentos comerciais, em 2008, por nacionalidades

Fonte: PSP

Quanto ao sexo dos suspeitos não nacionais, aferimos a análise dos dados que os homens são em maior número com 194 suspeitos, enquanto que apenas 48 suspeitos são do sexo feminino e 4 não apresentam registo relativamente ao sexo.

A mesma tendência se verifica se analisarmos as ocorrências que envolvem os cidadãos nacionais, onde 1616 suspeitos são do sexo masculino e apenas 180 suspeitos são do sexo feminino, sendo que em situação indeterminada temos 117 indivíduos, conorme depreendemos da análise da ilustração 48.

Ilustração 38: Suspeitas de Furtos em Interiores de Estabelecimentos Comerciais cometidos por Não Nacionais, em 2008, por sexo

Fonte: PSP

Ilustração 39: Suspeitas de Furtos em Interiores de Estabelecimentos Comerciais cometidos por Nacionais, em 2008, por sexo

“A intervenção de cidadãos romenos e servo-croatas em furtos a interior de residências”

A centrarmos a nossa atenção nas 3 nacionalidades em apreço (romena, croata e serva), verificamos que a Roménia apresenta um maior número de suspeitos, imediatamente depois dos cidadãos nacionais, conforme já tivemos oportunidade de referir. O cidadão nacional da Croácia suspeito da prática deste tipo de furto é de sexo masculino. Tal como já vimos a Sérvia não tem qualquer representante.

No que respeita os cidadãos romenos, observamos que 54 são do sexo masculino e 23 do sexo feminino, existindo 3 suspeitos dos quais não se apurou o sexo, conforme apresentamos na ilustração 40.

Na ilustração 41 apresentamos uma visão geral das observações anteriormente realizadas.

Ilustração 40: Suspeitos Romenos de Furtos em Interior de Estabelecimentos Comerciais, em 2008, por sexo

Fonte: PSP

Ilustração 41: Suspeitos de Furtos em Interior de Residências cometidos por Portugueses, Romenos, Croatas e restantes nacionalidades, 2008, por sexo

Fonte: PSP

No que respeita as idades dos nossos suspeitos, e restringindo a análise aos cidadãos romenos e aos portugueses, dividimos os suspeitos em faixas etárias categorizadas do seguinte modo: 0-15, 16-24, 25-39, 40-64 e 65 e mais.

Constatámos numa primeira linha de observação que os suspeitos portugueses se destacam mais na faixa etária dos 25-39, seguida da dos 16-24. Verificamos ainda um elevado número de suspeitos cuja idade não se encontra especificada.

“A intervenção de cidadãos romenos e servo-croatas em furtos a interior de residências”

Fonte: PSP

Tal como afirmámos anteriormente, os suspeitos portugueses destacam-se na faixa etária16 dos 25-39 com 717 suspeitos (37,5%), seguido da 16-24 com 667 suspeitos (34,9%) e da 40-64 com 160 suspeitos, não se mostrando as restantes faixas com valores significativos, o que indicia uma população de idade média-jovem suspeitos deste ilícito.

Contrariamente ao que aferimos para a população portuguesa, na comunidade romena17 a faixa etária que mais se destaca, em mais de metade das ocorrências (61%), é a dos 16-24 anos de idade, seguindo-se a faixa dos 25-39 com 28% das ocorrências e posteriormente englobamos todas as restantes por não terem um peso significativo. Salientamos que, na comunidade romena, os suspeitos são mais jovens do que os portugueses, encontrando-se na sua maioria em idade activa.

Por fim, as restantes nacionalidades agrupadas num só grupo18 tornam explícita uma maior intervenção de suspeitos da faixa etária dos [16-24] com 48 casos, seguindo-se o escalão dos 25-39 com 22 suspeitos e que antecede o escalão dos 0-15 com 7 suspeitos e o dos 40-64 onde contabilizamos 5 suspeitos. Desta análise destacamos o facto de, à semelhança do constatado na comunidade romena, o escalão dos 16-24 de idade ser o mais representado. Desta feita, estamos na presença de indivíduos de idade jovem, em situação laboral activa.

16 Ver Anexo 2

17 Ver Anexo 3

18 São as outras nacionalidades as seguintes: África do Sul, Alemanha, Argélia, Argentina, Bulgária, China, Espanha, Federação Russa, França, Geórgia, Grécia, Guiné, Guiné – Bissau, Índia, Marrocos, Moçambique, Moldávia, República Democrática do Congo, São Tomé e Príncipe, Suíça, Tunísia, Ucrânia e Venezuela.

Ilustração 42: Suspeitos de Furtos em Interiores de Estabelecimentos cometidos por Portugueses e Romenos, em 2008, por escalão etário

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Fonte: PSP

Se fizermos uma análise dos Comandos da PSP onde foram registados os factos, verificamos que existe um maior número de casos em Lisboa, seguindo Porto, Leiria, Setúbal e Faro no caso dos cidadãos não nacionais e em Lisboa, Porto, Açores, Setúbal, Leiria e Braga, para os cidadãos nacionais, conforme depreendemos da análise da ilustração 55.

Ilustração 44: Número de suspeitos não nacionais por furtos em interiores de estabelecimentos comerciais, em 2008, por Comandos da PSP

Fonte: PSP

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