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CAPÍTULO 5: RESULTADOS

5.2. Resultados qualitativos

5.2.3. Futuro profissional

O terceiro corpus foi denominado Futuro profissional e se constituiu por 224 respostas válidas, 223 textos, apresentando 898 formas gramaticais que ocorreram 4294 vezes, apresentando a média de 4,78 palavras por forma. Quinhentas e quinze palavras tiveram frequência igual a 1 (57,35% das formas e 11,99% das ocorrências). A CHD reteve 161 dos 223 textos, o que representou 72,20% do corpus. Para a descrição das classes e a construção do dendograma, consideramos além do valor do χ²≥3,84 com nível de significância de p<0,05, a frequência das palavras ≥ a 5 ou com 100% na classe.

Inicialmente o corpus se dividiu em dois subcorpora originando quatro classes diferentes. Em seguida, houve uma segunda partição que deu origem a classe 1 no primeiro subcorpus. Em uma terceira divisão, foi originada a classe 3 no segundo subcorpus. Por último, esse subcorpus sofreu uma nova partição, definindo as classes 4

e 2. O primeiro subcorpus (classe 1) revela as aspirações profissionais de jovens formados no ensino superior, enquanto que o segundo subcorpus (classes 3, 2 e 4) retrata as expectativas de futuro de jovens com ensino fundamental e médio (Figura 6).

Figura 6. Dendograma da CHD referente ao corpus Futuro profissional

Classe 1 – Concurso e qualificação

A classe 1 representa 19,88% do corpus e as palavras mais características são: pretender, minha, área e esperar. Elas refletem as expectativas de jovens com ensino superior (χ²=82,52, p<0,001) e pós (χ²=24,17, p<0,001) em ingressar em uma carreira pública, qualificar-se profissionalmente por meio de pós-graduação e atuar na área de formação: “Pretendo retornar a faculdade e aumentar minhas qualificações. Estou me

preparando para chegar em minha aprovação em concurso público” (Jovem 194,

masculino); “Conseguir um emprego o quanto antes para que possa ganhar independência de meus pais e pôr em prática meus planos profissionais como

especializações a serem feitas, visando sempre estar melhorando profissional e

pessoalmente, além de prestar concurso público” (Jovem 190, masculino).

Foi recorrente nas respostas a essa questão, o desejo de passar em um concurso público, sendo ele a perspectiva de futuro que mais se destacou entre esses jovens:

Ingressar no serviço público por meio de aprovação em concurso público que tenha a

ver com minhaárea de formação, e se não for possível, a curto prazo buscar emprego em alguma área distinta ou iniciar uma pós-graduação” (Jovem 210, feminino). Além

da escolaridade, contribuíram para a constituição dessa classe, pessoas sem filho (χ²=9,71, p=0,001) e com renda entre 4 e 7 salários (χ²=18,1, p<0,001), 8 e 12 (χ²=12,21, p<0,001) e 20 a 30 (χ²=4,06, p<0,05).

Classe 3 – Ensino superior

Essa é a classe mais representativa do corpus (31,06%). Contribuíram para a sua formação jovens com ensino médio completo (χ²=26,73, p<0,001), que estavam na condição entre 10 e 24 meses (χ²=7,51, p<0,01) e que não souberam informar a renda (χ²=4,17, p<0,05). Como ilustra o dendograma, as palavras mais características dessa classe foram: pensar, curso, ainda, faculdade e saber. Essas palavras refletem a realidade de jovens que finalizaram o ensino médio há cerca de um ano, e que planejam ingressar em um curso superior algum dia. Fundamentam a escolha por determinados cursos em gostos e habilidades: “Penso em fazer pedagogia ou psicologia. Sempre pensei em alguma dessas áreas porque gosto de trabalhar com criança... desde os 7 anos dou aula

na igreja para crianças” (Jovem 056, feminino); “Penso em trabalhar com Marketing e Design gráfico porque sempre tive facilidade com isso” (Jovem 090, masculino).

Nesse contexto, uma vez formados, os jovens pretendem trabalhar na área para ajudar financeiramente seus pais, conciliando dessa forma a dimensão instrumental e de realização pessoal do trabalho: “Sobre meu futuro profissional eu desejo fazer uma

faculdade de Jornalismo ou Direito, porque gosto muito e também porque quero

trabalhar para ajudar meus pais” (Jovem 162, masculino).

Classe 2 – Sonhos possíveis

A classe 2 é a segunda mais representativa do corpus (26,71%). Segundo ilustra o dendograma, suas palavras mais características são: querer, estudo, terminar, emprego e conseguir. Elas expressam a realidade de jovens que tem filhos (χ²=6,32, p=0,01), que estudaram até o ensino fundamental (χ²=4,57, p<0,05), cujas famílias possuem rendimento de até 1 salário mínimo e meio (χ²=6,33, p=0,01) e que estão na condição entre 34 e 72 meses (χ²=4,24, p<0,03).

Com relação ao conteúdo, esses jovens revelam que é difícil pensar em um futuro profissional, quando não se tem o nível de escolaridade básico concluído (nível médio). Assim, suas aspirações revelam uma tensão entre expectativas e realidade:

Penso em fazer Direito, mas tem que estudarpra isso... penso em trabalhar mesmo

como operador de máquina em outro estado, cavando túnel, essas coisas” (Jovem 024, masculino).

Penso em trabalhar no meio do mundo, porque é difícil, porque eu não terminei

os estudos, fica difícil você escolher... trabalho no que aparecer. Nunca

escolhi serviço bom ou ruim. Se alguém chegar agora e disser: “vamos trabalhar ali”, eu vou. Sou desse jeito (Jovem 123, masculino).

Não sei... é uma coisa que eu não falo nem pra minha namorada. Ela vive me perguntando e não respondo... se você estuda e termina os estudos você tem a oportunidade de emprego. Se você não termina os estudos ou não quer

terminar os estudos, você não tem futuro nenhum. de vez em quando dá

vontade de voltar a estudar, mas depois me lembro da escola e desisto (Jovem 077, masculino).

Classe 4 – Importância de trabalhar

Esta classe representou 22,36% do corpus. As variáveis que contribuíram para a sua formação foram: ensino fundamental incompleto (χ²=12,55, p<0,001), tempo na condição entre 34 e 72 meses (χ²=3,49, p=0,06), ter filhos (χ²=2,03, p=0,15) e renda de 1 salário mínimo (χ²=3,49, p=0,06), embora essas três últimas tenham contribuído de forma não significativa. As palavras mais características dessa classe foram: trabalhar, coisa, aparecer e minha.

Com relação ao conteúdo, ele revela a fala de jovens, principalmente de mães, que dizem aceitar qualquer tipo de trabalho que aparecer, mesmo que ele não atenda as suas expectativas profissionais, gostos e habilidades, contanto que supra as suas necessidades financeiras: “Eu pretendo trabalhar nem que seja em qualquer coisa, mesmo que eu não goste, mas eu pretendo, tem que trabalhar... eu estudei, então tem que servir pra algumacoisa” (Jovem 113, feminino).

Essa realidade ainda é evidenciada nesses trechos: “Penso em trabalhar em qualquer coisa que aparecer... o importante é trabalhar” (Jovem 139, feminino).

Eu penso tanta coisa, faço tantos planos, mas só na vontade de Deus mesmo. Se um dia eu chegar a me separar dele [marido] vou trabalhar, claro, pra

sustentar meu filho... Nem que eu troque essa casa e vá pra perto da minha

mãe ou vou para fora ou alguma coisa assim, mas terei que trabalhar para sustentar a minha vida e a dele... não importa em que, aparecendo, eu estou pegando tudo (Jovem 079, feminino).