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G e Q eram consistentemente difíceis de descodificar.

Legibilidade da letra e sequências de letras

B, G e Q eram consistentemente difíceis de descodificar.

Conforme o autor, muitas letras maiúsculas possuíam fraca legibilidade relativa, uma vez que eram frequentemente confundidas com outras letras — o B era frequentemente confundido com R, o G com o C, o Q com o O e o M com o W.

Da análise das sete investigações realizadas entre 1885 e 1928, sobre a legibilidade relativa das letras minúsculas, Tinker sintetizou, dispondo por ordem decrescente de legibilidade os seguintes resultados: k d q b p m w f h j y r t x v z c o a u g e i n s l .

A análise da conformidade dos resultados das sete investigações demonstrou a seguinte tendência: d, m, p, q,

w, como letras de alta legibilidade; c, e, i, n, l, como letras de

fraca legibilidade; j, r, v, x, y, como letras de legibilidade média. Entre os estudos, a análise de vários relatórios demonstrou uma tendência para que as letras consideradas de fraca legibilidade sejam confundidas com outras letras — o c com o e, o i com o j, o

O estudo epistemológico de Lund (1999) acerca da história da investigação sobre legibilidade revelou que entre 1896 e 1997, foram realizados mais de 72 estudos sobre a legibilidade relativa das letras. Concentrando-se sobre a manipulação dos estímulos tipográficos aplicada à investigação, Lund avaliou sob o ponto de vista da validade interna – condição necessária à investigação científica –, 28 investigações, concluindo que, de um modo geral, os resultados obtidos entre as investigações mais antigas e as investigações mais recentes, não produziram um aumento significativo de conhecimento. Segundo o investigador, de acordo com alguns arguentes, não estamos muito longe do que estávamos em 1886. Embora o número de investigações sobre o assunto seja vasto, as diferentes abordagens racionais e métodos operacionais aplicados foram incapazes de clarificar teorias. De acordo com o investigador, a falta de validade interna das investigações sobre a legibilidade deve-se essencialmente à manipulação inadequada dos estímulos tipográficos apresentados, um claro reflexo do desconhecimento da ciência no domínio da tipografia. Contudo, nem toda a investigação foi infrutífera. Embora com alguns defeitos e não obstante o contexto histórico de uma época, marcada pelo positivismo das ciências sociais, Lund considera as investigações de Tinker e Paterson investigações moderadas, reconhecendo o seu esforço e contributo para a criação de uma base científica para o Design Tipográfico.

A partir de uma revisão do trabalho de Tinker (1969), Sofie Beier (2009) estendeu e sintetizou os resultados de vários estudos, publicados entre 1888 e 1984. A análise dos resultados demonstrou que diferentes tipos de letra produzem diferentes erros de identificação. À semelhança de Tinker (1969), Beier considera que a existência de resultados pouco consensuais entre os estudos, deve-se a diferenças nos tipos de letra utilizados. Nesse sentido, Beier reporta-nos o caso do estudo de Bouma (1971). Segundo a investigadora, os erros de reconhecimento do tipo de letra Courier dificilmente podem ser extrapolados para outros tipos de letra. Isto porque se trata de um tipo

monoespaçado que, ao contrário dos restantes tipos de letra, onde a largura dos caracteres varia proporcionalmente com a forma, o formato peculiar dos caracteres do tipo Courier está circunscrito ao mesmo espaço, comum a todos caracteres. Este espaço implica que caracteres estreitos, como por exemplo o i, sejam estendidos com o recurso a serifas largas evitando contraformas exageradas, e caracteres largos, como por exemplo o m, sejam forçosamente condensados. Para esta investigadora, tais especificidades, intrínsecas ao tipo, poderão influenciar os resultados dos testes de legibilidade na medida em que carecem de validade externa.

Figura 70 Erros de leitura mais frequentes na caixa baixa (Beier, 2012). Estudos Sanford

(1888) Bouma(1971) Tinker(1928) Sanford(1888) Geyer(1977) Bouma(1971) Dockeray(1910)

Métodos

Distância Distância Curta Exposição Curta Exposição Curta Exposição Curta Exposição Visão Parafoveal

Tipos Old Style Roman Courier Didone (baixo contraste)

Old Style

Roman TactypeFutura Courier Old Style Roman

Err os de leitur a y  p l  i h  b m  w e  o l  i a  n u s i  l g  q j  l j  l f  l s  a b  h w  v m  n b  h l  i b  h g  q c  e o h  b w  v f  t r  f e  a c  e e  c o g s m  w e  o t  f h  b n i  l b  h f  l t i b  h i  l c  e i  l c  r n  m g  s p  r c  e e  c l  j z  x z  a h  b k n  a h  b i  l y  v t  l e  a i  j l t h  k b  h i  j i  j f  j c  o j  I l t  i r  f m  n o  e t  i k  h l  j t f e  c z  i n  a t  i p  n s  e n  m u l  i t  i u  a b  h a  o z  e o  n f  r g  v l  j i  t o  a h  b p  m l  j o  n q  d e  c s  n k  b q  o k  x c  o w  u f  i y  v x  a r  f t c  e s  e y  v t  l l  i r  f s  g o  c s  o k  h k  h f  r r  t t  f v  r k  h v  y v  w o  e z  r u  n q  g z  r m  w j  i q  g o  e v  y y  r y  r p  b w  a j  l u  n w  v j  l y  p x  z y  p z  r t  i x  y v m  u f  t f  l z  x c  i i l y  v c  o a  d w  v q  o l  j e  m z  x

Contudo, não obstante os diferentes métodos e tipos de letra utilizados, a análise dos dados demonstrou a existência de um padrão de erros de leitura recorrentes, incidindo principalmente em dois grupos de caracteres com altura de x [figura 70]. O grupo

Figura 71 Erros de leitura mais frequentes na caixa alta, ordenados de forma decrescente (Beier, 2012). Estudos Townsend condition 1 (1971) Banister Table II (1927) Tinker

(1928) Loomis(1982) Philips et al.(1983) Van der Heijden (1984) Fisher et al. Table I (1969) Métodos Curta Exposição Curta Exposição Curta Exposição Indefinição por difusão Distância Curta Exposição Curta Exposição

Tipos Sans serif Sans serifGreen’s type

Didone (baixo contraste)

Helvetica

Extra Light Helvetica Sans serif FuturaMedium

Err os de leitur a Q  O Q  G Q  O Q  O Y  T Q  O T  I B  R V  Y P  F M  U M  W X  Y Q  O F  T Q  O H  B Q  G F  T S  G J  I T  I G  C F  P H  N H  M F  P X  K J  I M  N R  B Y  V R  A E  F F  I H  N Y  V C  G P  F B  P Q  G D  O L  I O  D X  N F  P K  X V  Y L  I D  O R  N N  S V  Y W  M K  X V  Y G  O W  N K  R G  O G  Q T  I K  N O  G C  G D  B B  D Y  V O  Q C  O U  H T  I N  X C  G E  C W  K F  P Q  G H  N Y  V M  W B  R O  G I  T E  L X  K R  H E  C H  W M  H S  B I  L K  N L  I D  O H  N B  G F  T O  Q W  M O  Q Y  F Q  O L  I G  O M  H H  M T  I Y  T Z  J R  P R  K A K F  P Y  X G  Q X  A W  R U  O X  K K  R E  F O  Q K  A N  K P  I G  H B  D E  L R  N Q  G W  X C  G R  H Q  D U  I M  H D  P O  C E  I P  F X  N U  L B  S O  D O  D E  L F  I C  O G  C W  M P  F I  T H  N I  T D  O G  O S  B T  I B  R I  J V  Y K  L F  I R  H Z  I W  M K  R W  H B  N H  U X  K E  J P  R L  T I  J D  G H  R Z  J E  K B  S E  F G  C P  F J  I B  O X  K X  K Q  G B  N T  Y K  X N  M P  F M  N C  L H  M O  M Q  D B  N B  R B  R G  N W  N M  N T  F S  R D  R U  W J  T W  M Q  C K  R I  J

formado pelo conjunto e, c, a, s, n, u, o e o grupo formado pelo conjunto de letras estreitas i, j, l, t, f.

Entre as letras maiúsculas verificaram-se igualmente erros de confusão, nomeadamente entre as letras de formas curvas

O, Q, D, C, G; formas diagonais: V, Y, W, M, K, X; formas com

hastes verticais: T, I, J, L; formas com diversos traços verticais e horizontais como F, B, P, R, T, H; e formas com duas hastes verticais H, N, M [figura 71].

De acordo com os dados apresentados, perguntamo-nos até que ponto tais confusões são importantes no seio de uma Língua? Como já foi referido, o reconhecimento da palavra envolve competição entre vários níveis de processamento. Os estudos demonstram que palavras semelhantes competem entre si (McClelland & Rumelhart, 1981). O número, e especialmente a frequência, relativa a palavras «vizinhas»69, são aspectos fundamentais no tempo de reconhecimento da palavra. Segundo Dehaene (2009), de acordo com Ludovic Ferrand, por vezes o número de vizinhos ortográficos ajuda, i.e., quanto maior o número de vizinhos de uma palavra mais facilmente esta é reconhecida como válida no léxico de uma Língua e mais eficiente a sua codificação por via fonológica ou visual. No entanto, demasiados vizinhos podem ter um efeito adverso e actuar como agentes perturbadores, uma vez que a descodificação inequívoca de uma palavra implica seleccioná- la entre palavras concorrentes, ou seja, entre os seus vizinhos ortográficos. Caso estes sejam mais frequentes e possuam um melhor desempenho ao nível lexical, o tempo do reconhecimento da palavra aumenta consideravelmente. Portanto, se confusões recorrentes entre caracteres, suscitam equívocos (visuais) entre vizinhos ortográficos no Português, seria de esperar uma diminuição do desempenho do leitor e uma maior ocorrência de erros de leitura. Tal análise implicaria contudo, um cruzamento de estudos conclusivos sobre a legibilidade relativa das letras e o denominado efeito de vizinhança

ortográfica70. Estudos esses, cuja natureza interdisciplinar, ultrapassa o domínio técnico da presente investigação.

De modo a contornar os problemas de validação interna decorrentes de uma incorrecta manipulação dos estímulos, verificada em estudos anteriores (Lund, 1999), Beier (2009) criou três tipos de letra de teste com diferenças paramétricas entre si, conforme a função a que se destinavam – sinalética, texto corrido ou pequenos parágrafos. Para cada tipo de letra, a investigadora criou variações de letras consideradas críticas do ponto de vista da legibilidade relativa, confrontando as variações dentro de um mesmo tipo de letra, com o objectivo de localizar qual ou quais as características responsáveis pelo melhor desempenho na identificação das letras que permitissem uma validação externa dos resultados. Os testes realizados incidiram sobre os métodos de curta exposição na visão parafoveal e limite de visibilidade à distância.

Os resultados demonstraram que: a visibilidade de tipos de letra para visionamento à distância parecem beneficiar do uso de serifas no topo da haste da letra i; a espinha do s e a parte central do arco da letra a de imprensa beneficiam de um arco mais curvo do que diagonal; a visibilidade de versões não familiares das letras a e s, com ascendentes e descendentes, é igual à das suas versões familiares; a visibilidade do a manuscrito, comparativamente ao a de imprensa é menor; a caixa alta das letras n e t com altura de x é visivelmente idêntica, na parafóvea, às suas respectivas versões em caixa baixa; a barra da letra e deve ser colocada sobre o centro visual favorecendo a dimensão da sua contraforma; na visão parafoveal, versões com contraformas fechadas da letra c são igualmente visíveis em versões com contraformas abertas; um terminal em forma de gota diminui a visibilidade à distância da letra c; à excepção da letra f, caracteres estreitos como o i , j, l e t beneficiam de proporções mais largas.

70 Efeito que palavras similares, em termos ortográficos, desencadeiam no processo de reconhecimento de um estímulo-alvo (Reis Justi & Pinheiro, 2007).