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2.4 O GAME-BASED LEARNING NO PENSAR E FAZER DE DOCENTES E

2.4.1 O Game SPORE

O SPORE é um game comercial criado por Will R.Wright, desenvolvido pela Maxis software e distribuído pela Eletronic Arts Inc em 2008. Esse artefato digital é uma simulação, em que o jogador cria e controla um ser vivo, desde o estágio célula até seu desenvolvimento, como uma espécie de raciocínio complexo e a criação de uma civilização.

O game é dividido em cinco estágios, a saber: o estágio célula, o estágio criatura, o estágio tribal, o estágio civilização e o estágio espacial. Só os dois primeiros interessam a esta investigação, porque são os únicos relacionados à evolução biológica. Cada um deles é praticamente um game diferente, pois seu estilo de gameplay e os desafios mudam completamente de um para o outro. Em cada estágio, um evento acontece e leva ao nível seguinte, como ilustrado na figura abaixo:

Figura 2 - Fluxograma dos estágios do SPORE

Fonte: Elaborado pelo autor com base nos dados da pesquisa

O estágio célula encerra-se com um evento icônico da evolução das espécies, que é o momento da transição da vida para o ambiente terrestre. E apesar de ser apenas uma cena curta, serve para abrir uma discussão sobre esse evento de grande relevância. O estágio criatura encerra-se com o desenvolvimento cognitivo da criatura, agora capaz de manusear ferramentas e com a descoberta do fogo.

No estágio tribal, há um desenvolvimento cultural, visto que cada uma das cinco tribos apresenta culturas diferentes voltadas para a pesca, a caça, a música etc. O estágio civilização apresenta o desenvolvimento tecnológico, que se mostra devido à existência de veículos e aeronaves, porém, na transição para o estágio final, leva à exploração do espaço onde as diferenças entre as civilizações são bem evidenciadas, e novos objetivos, como o de capturar espécies em extinção para serem preservadas, são apresentados novamente.

Durante os estágios do game, as escolhas vão exercendo influência no desenvolvimento do ser vivo. A primeira é feita logo no início e se refere ao tipo de dieta. À medida que a espécie avança e passa pelos estágios seguintes, suas maneiras de se comportar vão sendo somadas. Isso resulta em diferentes orientações, como mostra a figura abaixo:

Figura 3 – Fluxograma das principais escolhas feitas durante os estágios do SPORE

Fonte: Elaborado pelo autor com base nos dados da pesquisa

Por exemplo, caso opte por uma célula carnívora e se mantenha assim durante todo o estágio, no próximo, sua criatura terá a designação de predador, depois, de agressivo, militar e guerreiro, mas se pode transitar entre eles, e a depender das escolhas feitas, é possível atingir diferentes tipos de filosofia no estágio espacial, além das três principais.

Durante o estágio célula do SPORE (Figura 4), podemos escolher o tipo de dieta do indivíduo que vamos controlar - herbívoro ou carnívoro. Depois, passamos a controlar o organismo, com o objetivo de adquirir pontos de DNA obteníveis através da alimentação e administrá-lo para fazer upgrades nas criaturas, com o intuito de sobreviver e avançar para o estágio seguinte. Para modificar as características do ser vivo, ele deve se reproduzir e abrir o modo de criação para alterá-lo.

Figura 4: Captura de tela do estágio célula durante o gameplay

Fonte: Eletronic Arts Inc

Considerando os três elementos básicos necessários para a evolução - variação genética, seleção e reprodução – vemos que os dois primeiros estão ausentes no game, mas, mesmo assim, os seres criados no SPORE podem ajudar os alunos a entenderem como esse processo acontece, visto que o professor pode comparar as experiências durante o gameplay com os reais conceitos científicos e evidenciar o que aconteceria se os seres criados no SPORE fossem submetidos a todas as condições que afetam os seres da vida real.

No modo criação do estágio célula ilustrado na figura 5, podem-se alterar as características do organismo. Existem 12 partes diferentes para modificar o ser vivo, obtidos através da captura de meteoros espalhados no ambiente ou eliminando outras espécies. Nesse momento, podem-se alterar as características de acordo com a quantidade de pontos de DNA e as partes disponíveis, sendo que o formato, a cor e o comprimento também são modificáveis.

Figura 5: Captura de tela do modo de criação do estágio célula feita durante o gameplay

Fonte: Eletronic Arts Inc

O número de partes disponíveis aumenta imensamente no modo criação do estágio criatura (Figura 6), no qual estão disponíveis 228 partes diferentes divididas em sete categorias, com apenas o game básico, pois essa quantidade aumenta com a expansão de criaturas fofas e monstruosas. Com essa grande variedade de estruturas diferentes, pode-se utilizar a criatividade para criar seres únicos, e cada parte pode aumentar as habilidades do organismo, torná-lo mais resistente ao ataque de predadores e aumentar sua capacidade de predar ou de fugir de ameaças.

Figura 6: Captura de tela modo de criação do estágio criatura feita durante o gameplay

Fonte: Eletronic Arts Inc

O estágio criatura (Figura 7) conta com objetivos diferentes do anterior. Nesse momento, o jogador ainda precisa obter alimento para sua criatura, porém isso não mais fornece pontos de DNA. Agora, para adquiri-los, o jogador tem duas opções:

fazer amizade ou eliminar as outras espécies. Além disso, deve fugir dos predadores - criaturas muito grandes que podem eliminar facilmente o seu ser vivo.

Figura 7: Captura de tela do estágio estágio criatura

Fonte: Eletronic Arts Inc

Conforme já mencionamos, as escolhas tomadas exercem influência nos estágios posteriores e geram habilidades diferentes. Sempre que for alterar sua criatura, é necessário antes reproduzi-la.

Com algumas pequenas mudanças, o SPORE poderia ter correspondido completamente às expectativas da comunidade científica, que esperava muito dele desde que foi anunciado. Essas modificações poderiam adicionar a variação genética na população, a presença da seleção natural, a inclusão da separação geográfica durante a migração, entre outras. Esperamos que uma sequência desse título ou outro com a mesma proposta seja criado e leve mais os aspectos envolvidos na evolução biológica para o seu contexto. Assim, teríamos uma ferramenta ainda melhor para o ensino.