GANHOS E CUSTOS DE INTEGRAÇÃO

No documento 02-TEORIA-DO-COMERCIO-INTERNACIONAL (páginas 48-53)

3 DISTORÇÕES AO COMÉRCIO INTERNACIONAL

4 A REDUÇÃO DAS RESTRIÇÕES AO COMÉRCIO

4.2 GANHOS E CUSTOS DE INTEGRAÇÃO

A política de integração económica/regional deve como qualquer outra política económica, ser avaliada de 3 formas diferentes:

4.2.1 Do ponto de vista da eficácia global da economia

Podem existir vários ganhos potenciais:

a) a localização dos factores de produção pode ser alterada, dirigindo-se, tanto o trabalho como o capital, para onde a sua produtividade marginal é maior. Existe assim um ganho derivado da melhor afectação de recursos.

b) a eliminação de custos administrativos e barreiras alfandegárias constituí ganhos, susceptíveis de se traduzir em reduções de preço ao consumidor.

c) as empresas podem obter aquela que tecnicamente é a sua dimensão óptima, ou seja, maximizar as suas economias de escala.

d) a abertura das fronteiras traduz-se num aumento da concorrência, diminuindo o poder de monopólio das empresas até então dominantes (consequente redução de preços).

Convém notar que alguns destes ganhos de eficácia só existirão em sectores cuja dimensão seja afectada pela integração.

Por outro lado, um custo potencial é o criado pela "desnacionalização" de sectores estratégicos (como os serviços financeiros, transportes, telecomunicações) ou de indústrias chave (informática, equipamento de telecomunicações, armamento, etc.).

Seguindo o exemplo comunitário, o melhor sucedido dos processos de integração até ao momento, convém referir que os efeitos do Mercado Comum já se fizeram sentir em vários sectores (aço, químicos, metais não preciosos, etc.), enquanto que noutros a dimensão do mercado nacional era suficiente para se usufruir das economias de escala possíveis. Assim, os maiores ganhos de eficácia atribuíveis à comunidade não dizem respeito à fruição de economias de escala, mas sim ao reforço da concorrência.

De qualquer forma, segundo estimativas da Direcção Geral dos Assuntos Económicos e Financeiros da UE, os ganhos de eficácia derivados da criação do mercado interno deverão rondar 4,5% do PIB comunitário, o que é significativo.

Por outro lado, a redução do nível geral de preços resultante da liberalização interna e do aumento da concorrência é estimada em 6%. Assim, dependendo se é ou não devidamente acompanhada de uma política monoeconómica expansionista, a criação do mercado interno poder-se-á traduzir num crescimento do PIB de 7 a 4,5%, num período que se pode alargar de 3 a 6 anos.

Note-se que a integração comunitária tem tido efeitos vários ao longo dos anos, de modo que os acima referidos são apenas uma pequena parcela dum total que não é facilmente estimável.

4.2.2 Do ponto de vista da equidade ou distribuição de ganhos e perdas

Admitindo que se verificam ganhos no ponto anterior, quais os sectores de actividade, as regiões, as categorias sociais, as profissões, etc., que vão beneficiar dos mesmos. E quais os prejudicados? Como criar um sistema de transferências de modo a minorar as perdas liquidas?

A teoria diz-nos que o principal beneficiário da integração é o consumidor. A principal excepção a esta regra é o caso em que se verifiquem simultaneamente duas situações:

1ª. Estrutura fechada da zona integrada face aos países terceiros;

2ª. Forte preferência dos consumidores por produtos provenientes de países externos à integração.

Por outro lado, haverá por certo agentes prejudicados com a reafectação dos factores. Estes exercerão, por certo, pressões no sentido de limitar a integração. Os seus principais aliados serão os países terceiros, qualquer deles prejudicado com o desvio de comércio motivado pela integração.

4.2.2.1 Criação e Desvio de Comércio

Convém agora definir criação de comércio e desvio de comércio.

Suponhamos uma situação em que o mundo é composto por 3 países: A,B e C, sendo que A e B se vão integrar ficando C como país externo a nova região. Por hipótese, C é mais eficiente que B na produção do bem X pelo que A importava de C a quantidade de X que necessitava.

Com a eliminação dos direitos entre A e B, A passa agora a importar de B porque o preço de X proveniente de B (sem direito) passou a ser inferior ao preço de X proveniente de C (ainda com direitos). A esta deslocação de comércio do país C para o país B, chama-se desvio de comércio. Em termos finais, o desvio de comércio constitui um custo para o bem-estar mundial e é a motivação para que o país C esteja contra a integração de A e B. O custo é, essencialmente, causado pelo facto de se estimular a produção do bem X no país B, que é menos eficiente, ou, de outra forma, pior dotado para a produção do bem X que o país C.

Por outro lado, outra hipótese se pode considerar, que corresponde a criação de comércio (podendo sempre coexistir ambas as hipóteses, o que é a situação mais usual): O país B é o mais

protecção, a indústria Y do país A mantinha alguma produção, embora a custos superiores. Com a eliminação dos direitos entre A e B haverá um novo fluxo de comércio entre os 2 países no que diz respeito ao bem Y, enquanto no país a indústria Y se extinguirá (ou reduzir-se-á, conforme as hipóteses base) libertando factores produtivos para a indústria Z (em que o país A é mais eficiente). Haverá assim um ganho mundial de bem estar.

A este processo de geração de um novo fluxo de comércio chama-se criação de comércio.

4.2.3 Do ponto de vista do impacte sobre o crescimento de longo prazo

Neste ponto de vista há dois aspectos importantes a considerar:

a) Um primeiro que se prende com a possibilidade de a zona integrada poder melhorar a sua especialização a nível internacional.

b) Um segundo que se prende com o facto de a criação de uma zona económica maior aumentar a capacidade da mesma para influenciar o ambiente internacional, ganhando-se assim mais um grau de liberdade no prosseguimento das políticas macro-económicas.

A opção de integração, por mais apetecível que pareça à partida, merece pois ser bem avaliada de acordo com todos estes parâmetros, antes de se iniciar um processo que tem sempre implicações do ponto de vista político e, por vezes, de soberania.

BIBLIOGRAFIA

Autor Título Editora/Data Charles W. L. Hill “International Business – Competing in the

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José Luis Vilaça e Miguel Gorjão- Henriques

“Tratado de Amesterdão” Almedina,

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Manuel Carlos Lopes Porto

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Vários “Acordos UE / Países Terceiros – Brasil” ICEP, Dez.97

Vários “Cadernos Regulamentares – Documentos

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ICEP, Set.96

Vários “Cadernos Regulamentares - SPG

Comunitário”

ICEP, Nov.96

Vários “Comércio e Investimento Internacional” ICEP, Dez.97

Vários “The Global Competitiveness Report” WEF, 1996

Bibliografia Complementar

1. OSTRY,S - "A NEW INTERNATIONAL ORDER: THE REGIONALISATION TREND"

2. GILPIN, R - "THE NEW WORLD POLITICAL AND ECONOMIC ORDER"

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