• Nenhum resultado encontrado

_________________CAPÍTULO III_________________

3 – GEOLOGIA LOCAL E PETROGRAFIA

Os litotipos encontrados na área de estudo dispõem-se de forma alongada com direção geral N10ºE, apresentando foliação coincidente com este “trend” regional. Essa foliação apresenta mergulha entre 60° e 70° para SE (Figura 6 e 7).

3.1 – Rochas encaixantes de leste

3.1.1 – Ortognaisses – Migmatíticos

São rochas ortoderivadas pertencentes ao Bloco Jequié, localizando-se a leste do Sill, em contato tectônico com o mesmo. Possuem tonalidade rósea, granulação fanerítica média a grossa, sendo compostos por quartzo, feldspato, plagioclásio e biotita (Foto 1). Estão metamorfisados na fácies anfibolito. A foliação que se nota na foto corresponde a deformação da fase F1 superposta pela fase F2. Tem Direção N10° com mergulho de 70° para leste.

Foto 3 – Ortognaisse-migmatitico do Bloco Jequié nas proximidades do Sill.

3.1.2 – Granito Pé de Serra

Classificado como leucogranito-sienitico, apresenta cor cinza e aspecto homogêneo em toda a sua extensão (Figuras 4, 5, 6; Foto 6), localmente encontra-se gnaissificado e cortado por veios pegmatíticos. São equigranulares, com granulação fina a média (Marinho et al., 1979) e constituidos de quartzo, feldspato, biotita, moscovita e opacos. Trata-se de um granito magnético (Marinho,1991), colocados, seguindo o “trend” regional da área (Figuras 4, 5 e 6).

3.2 – Sill do Rio Jacaré

As rochas que fazem parte da intrusão ultramáfica do Sill do Rio Jacaré, estão deformadas segundo o contexto regional e exibem reequilibrio para a fácies anfibolito, compatível com o metamorfismo de alto grau que atingiu a região. O acamadamento ígneo reliquiar, às vezes observado nas litologias, está paralelo à foliação regional.

As exposições que melhor definem a estratigrafia são encontrados no Alvo Fazenda Gulçari A, onde também ocorre a maior reserva de magnetita vanadífera do Sill.

A alternância de níveis centimétrico a métrico das rochas meta-piroxeníticas, meta-gabróicas e meta-magnetíticas, observadas em afloramentos e em lâminas delgadas (Brito, 1984, 2000; Gomes, 1991) demonstram a existência de feições primárias reliquiares tais como: estratificação magmática, acamadamento rítmico e reliquiar cumuláticas, típicas de intrusões acamadadas, conforme descreve Irvine (1982).

Esta unidade geológica como referida anteriormente foi dividida em três zonas por Brito (2000). Neste trabalho não utilizou-se esta divisão, visto que, nas observações de campo, em seção geológica oeste-leste realizada no Sill, foram identificadas as seguintes litologias: (i) gabro de oeste sem magnetita, de posição duvidosa, possivelmente estão em contato tectônico com as rochas intrusivas do Sill; (ii) piroxenitos e magnetita-piroxenito, (iii) magnetititos; (iv) meta-gabros de leste com magnetita e (v) meta-anortosito. Essa subdivisão está de acordo com os dados litogeoquímicos mostrados no Capitulo 4.

3.2.1 – Meta-gabro de Oeste

Esta litologia ocorre do lado oeste dos meta-magnetititos (Figuras 6 e 7). São rochas de coloração cinza-esverdeado, com textura fanerítica grossa e pequenos níveis faneríticos finos (Foto 5).

Ao microscópio, esses meta-gabros apresentam textura nematoblástica com cristais ripiformes de plagioclásio com dimensões de 1,5 a 3mm. Em alguns casos estão muito saussuritizados, e dispostos de modo subtriangular. A rocha é composta basicamente por plagioclásio (60% a 70%), anfibólio (15% a 25%), clinopiroxênio (15%), quartzo (até 3%) e traços de apatita e titanita. A magnetita não está presente nessas rochas.

O plagioclásio apresenta-se como cristais ripiformes, com contatos retos e forte sericitização.

A hornblenda apresenta grãos subédricos, com contatos retos e tamanho variando de 0,3mm a 1,2mm.

O clinopiroxênio é uma augita, (Brito, 2000) com grãos hipidioblásticos a xenoblásticos com dimensões de 0,2 a 1,6mm.

A apatita e a titanita ocorrem inclusas no plagioclásio.

3.2.2 - Meta-piroxenito e meta-magnetita-piroxenito

Tratam-se de um litotipos em que a porcentagem de anfibólio é maior que a de piroxênio. Poderiam ser chamados de “anfibolito”, mas em respeito a estudos anteriores (Brito, 2000; Gomes, 1991) que classificaram o anfibólio como produto do reequilibrio do piroxênio, e mesmo assim mantiveram o nome da rocha como meta-piroxenito, optou-se por continuar com esta mesma nomenclatura.

Com relação ao meta-piroxenito, ele apresenta cor verde escura (Foto 6), com granulometria faneritica fina a média, e com textura nematoblástica (Gomes, 1991). É composta por mais de 80% de anfibólio, 5%-15% plagioclásio e tendo como minerais acessórios, biotita e óxido de Fe-Ti. Granada e quartzo aparecem raramente. Os minerais traços são a apatita, o esfeno e olivina (Brito, 2000; Gomes, 1991).

A hornblenda aparece ora substituindo o ortopiroxenio ora sob forma de cristais subédricos maiores, com tamanho médio de 0,7mm. Também ocorre sob a forma de grãos bem menores associados a finos cristais de plagioclásio.

O plagioclásio ocorre geminado segundo a lei albita.

A granada é encontrada raramente. Exibe cor rosa e está muito fraturada. Seu tamanho médio é de 2,3mm, muitas vezes mostrando-se sob a forma de sigmoides e com inclusões de hornbleda.

A biotita não ultrapassa 4% na rocha, sendo seus grãos em geral anédricos, com tamanho de até 0,4mm. A apatita ocorre como diminutos cristais disseminados, intersticiais. O esfeno aparece como manchas irregulares, finas (Brito, 2000; Gomes, 1991).

O meta-magnetita-piroxenito apresenta as mesmas características petrograficas do meta-piroxenito descrito, com o aditivo de possuir camadas finas (pequenas lâminas) de magnetita.

Foto 6 - Meta-piroxenito do Sill do Rio Jacaré

3.2.3 - Meta-magnetitito

Essa rocha apresenta cor escura. A análise microscópica de seções polidas desta litologia pemitiu a determinação mais acurada de sua composição, ou seja: mais de 60% de Ti-magnetita, e 35% de ilmenita (Brito, 2000), o restante constituído pela ganga silicática que formada por anfibólios, granadas, biotitas e raramente plagioclásio e olivina. Ocorre como minerais acessórios a calcopirita e a bornita (Brito, 2000; Gomes, 1991).

Os cristais de Ti-magnetita são anédricos, com dimensão de 0,4mm a 0,5mm, exibindo contatos retos entre si e com a ilmenita. A maioria dos cristais apresentam ex-solução.

A ilmenita ocorre sob a forma de grãos anédricos com tamanho médio em torno de 0,6mm.

3.2.4 - Meta-gabro de Leste

Trata-se de uma rocha fanerítica média, de cor cinza (Foto 7), constituída de 60% de plagioclásio, 10%-25% de anfibólio, 10% de biotita. Ocorre com minerais acessório, granada e opacos (magnetita).

Os cristais do plagioclásio possuem tamanho que varia de 0,45mm a 3,4mm. São ripiformes e geminados pelas leis albita e albita-periclina, com exceção dos cristais menores. É comum observar-se as ripas de plagioclásio dispostas em ângulos, envolvendo ou sendo envolvidas por anfibólios, às vezes formando texturas blasto-ofitica ou blasto-subofítica (Gomes, 1991).

Os anfibólios são representados por hornblenda e cummingtonita. A hornblenda exibe dimensões variando de 0,35mm a 3,8mm, sob a forma de cristais subédricos. A cummingtonita possue tamanho médio de 0,67, onde seus cristais, juntamente com o plagioclásio, conferem à rocha a textura grano-nematoblástica.

Os cristais de granada são subédricos e chegam a medir até 5,8mm, trazendo incluso pequenos grãos de hornblenda e raramente plagioclásio, os quais podem ocorrer como poiquilóblastos.

Os opacos, são representados basicamente por Ti-magnetita e ilmenita, podendo chegar até 6% do volume da rocha. A presença de magnetita nesses gabros o diferenciam daqueles do oeste, esses últimos desprovidos desse mineral.

A biotita, o quartzo e a apatita são encontrados em pequenas porcentagens.

3.2.5 - Meta-anortosito

Os meta-anortositos ocorrem no campo como lentes descontinuas, com espessura de poucos metros (Figuras 6 e 7), de cor esbranquiçada, devido a grande quantidade de porfiroblastos de plagioclásio. Em geral exibe contato brusco com meta-gabros. Apresentam textura de cumulus e granulometria fanerítica grossa (Foto 8).

Foto 8 – Meta-anortosito do Sill do Rio Jacaré.

Segundo Brito (2000) e Gomes (1991) os estudos petrográficos desta litologia revelam que elas são constituídas por mais de 75% de plagioclasio (andesina), 5 a 20% de anfibólio (hornblenda) de tendo como acessórios granada, óxido de Fe-Ti, quartzo e em raros casos a titanita. Em alguns exemplares observou-se a preobservou-sença da biotita e moscovita, responsáveis pela textura granolepidoblástica, dada devido à orientação dessas micas (Gomes, 1991).

Os plagioclásios estão geminados segundo as leis albita, albita-periclina e, mais raramente, Carlsbad. Ocorrem como porfiroblatos, com tamanho de 0,8mm a 1,2 mm, rodeados por anfibólios ou grãos menores de plagioclasio (com tamanho de

0,2 a 0,4mm) que formam a matriz da rocha (Foto 8). Em algumas porções a rocha exibe uma textura granoblástica.

Os anfibólios (hornblenda) são encontrados como grãos subédricos, com tamanho variando de 0,4mm até 1mm.

A biotita apresenta um “eudralismo” variando de subédrica a euédrica, com tamanho médio de 0,7 mm. Algumas vezes parece substituir o anfibólio.

Os grãos de quartzo ocorrem com tamanho máximo de 0,4mm, com forma anédrica e em contato tríplice com o plagioclásio.

3.3 – Rochas encaixantes de oeste (Greenstone Belt Contendas-Mirantes)

Na área de estudo os representantes do Greenstone Belt de

Contendas-Mirante são os meta-andesitos e quartzitos da Formação Jurema-Travessão (Figuras 4, 5 e 6), metamorfisados na fácies xisto-verde.

3.3.1 – Meta-andesitos

São rochas de tonalidade esverdeada, de granulometria afanítica, formadas essencialmente por quartzo e vidro. No campo este litotipo exibes fácies que variam de andesito maciço a andesito porfirítico ou até mesmo andesito amigdaloidal. Fazem contato tectonico com o gabro de oeste do Sill do Rio Jacaré através de zona de cizalhamento (Figuras 4, 5 e 6).

3.3.2 – Quartzito

São rochas de coloração acinzentada, exibindo textura fanerítica, fina a média. São formados por quartzo (predominantemente), óxidos de Fe-Ti, epidoto e opacos.

3.4 – Pegmatitos

Ocorrem na área como veios centimétricos a métricos com tonalidade ora esbranquiçada, e ora rosada devido à alteração intemperica. Compõem-se de feldspato, quartzo, moscovita e às vezes turmalina e granada, esta ultima nos contatos com outras litologias. São geralmente encontrados truncando a foliação regional evidenciando que foram formados em situação pós-tectonica (Foto 9).

Foto 9 - Pegmatitos que cortam as rochas da área de estudo.

3.5 – Coberturas tercio-quaternárias

Na área estudada com mais detalhe essas coberturas ocorrem de forma restrita (Figura 6). São sedimentos detríticos aluvionares com tonalidade variando de cinza a alaranjado. São imaturos, inconsolidados, mal selecionados com granulometria variando de areia fina a seixos. Esses últimos são composto por grãos de quartzo subangulosos a angulosos, além de fragmentos de rocha.

Pegmatitos

Foliação tectônica

__________________CAPITULO IV________________

Documentos relacionados