4 GEOPROCESSAMENTO E SISTEMA GEOGRÁFICO DE INFORMAÇÃO
4.5 Geoprocessamento no Planejamento Territorial
Para a realização de diagnósticos, através de análise ambiental, sobre a realidade de determinado território, com a intenção de sobre ele atuar de forma mais eficiente e melhor planejar seu desenvolvimento, serão necessários dados e informações os mais atuais e exatos possíveis, tanto sobre esse território quanto sobre a sociedade que o ocupa.
O estudo de cenários é etapa importante na gestão ambiental. Por gestão entende-se o acompanhamento monitorado das alterações no tempo e no espaço, e a interferência na realidade. Não parece razoável tratar acerca de gestão com um sistema que não possibilite a
entrada de dados, ou alimentação constante, dando à representação o caráter de quarta dimensão: a dimensão tempo (MOURA, 2005).
Para elaboração de planos e estratégias de desenvolvimento bem sucedidos e compatíveis com as características de cada sociedade e do espaço por elas ocupado, é preciso, entretanto, contar com informação confiável, precisa e rapidamente acessível e com ferramentas para análise da informação obtida, tanto para se ter uma ideia do que acontece, referente aos problemas existentes, quanto do que já foi alterado, ou dos efeitos das políticas e ações tomadas (SOUZA, 2004).
Quem investiga, portanto, os fenômenos que ocorrem em um determinado território faz uso de informação referenciada espacialmente sobre esse território. Esse espaço mapeado funciona como fator de integração dos dados obtidos sobre o ambiente e sobre a sociedade, enriquecendo os fundamentos para tomada de decisão.
Planos de ação e de gestão oriundos de um planejamento com vistas ao desenvolvimento e melhoria da qualidade de vida da população são alimentados por esses dados e dão suporte aos diferentes tipos de intervenção. Mas é preciso, primeiro, conhecer muito bem a sociedade e o espaço por ela produzido, para nele intervir. Conhecer implica obter informação correta e precisa. Quanto mais se conhece sobre a realidade em que se vai atuar, melhores e maiores as possibilidade de sucesso do plano ou estratégia de gestão. O grande volume de dados e registros, de fontes, de formatos e de escalas em que é gerada essa informação requer que seja manipulada empregando-se tecnologias robustas como as de geoprocessamento (XAVIER-DA-SILVA, 1999).
Na perspectiva moderna de gestão do território, qualquer ação de planejamento, estudo de potencialidades ou ordenação do espaço deve incluir a análise dos diferentes componentes de ambiente, como o meio físico-biótico, a ocupação humana, e seu inter- relacionamento. O conceito de desenvolvimento sustentado, aplaudido na Rio-92, estabelece que as ações de ocupação do território devam ser precedidas de uma análise abrangente de seus impactos no ambiente, a curto, médio e longo prazos (CÂMARA et al, 1998).
Segundo Moura (2005), as propostas de considerar fatores humanos, de trabalhar com planejamento participativo e de ter consciência da complexidade e da interatividade dos
fenômenos espaciais, resultaram, nas últimas décadas, na valorização da abordagem sistêmica que favorece o uso do geoprocessamento.
Câmara et al (1998) consideram que há, pelo menos quatro grandes dimensões de problemas ligados à pesquisa ambiental, para as quais têm contribuído muito o uso dos Sistemas de Informaões Geográficas:
• Mapeamento Temático: estudos que visam a caracterizar e entender a organização do espaço, como o estabelecimento das bases para ações e estudos futuros. Exemplos: levantamentos temáticos de (geologia, geomorfologia, solos, cobertura vegetal). • Diagnóstico ambiental: área que tem como objetivo estabelecer estudos específicos
sobre regiões de interesse, com vistas a projetos de ocupação ou preservação.
• Avaliação de impacto ambiental: projetos envolvendo o monitoramento dos resultados da intervenção humana sobre o ambiente.
• Ordenamento territorial: trabalhos que objetivam normatizar a ocupação do espaço, buscando racionalizar a gestão do território, com vistas a um processo de desenvolvimento sustentado. Neste cenário, existe hoje no Brasil muitas iniciativas de zoneamento, envolvendo desde estudos mais abrangentes como o de zoneamento ecológico-econômico da Amazônia Legal (BECKER et al, 1996) até o de aspectos específicos, como o zoneamento pedoclimático por cultura, coordenado pela EMBRAPA.
Para Câmara (1998), o planejamento é fundamental como instrumento de administração pública. No entanto, sem informações corretas, atuais e consistentes, não é possível planejar adequadamente, tendo em vista que o crescimento urbano é um processo espacial dinâmico, em que a compreensão da atualidade abrange a percepção histórica da evolução da cidade e também o potencial de mudanças para o futuro próximo. A utilização do sistema de informações geográficas para o planejamento permite a construção de um modelo, baseado em entidades espaciais, para diagnóstico do crescimento e dinâmica espacial urbana, permitindo também, o monitoramento do crescimento urbano; a definição das tendências de expansão; a identificação dos agentes que interferem neste processo de crescimento e a sua dinâmica de atuação.
Afirma, pois, esse autor que a interdisciplinaridade é uma característica básica de todos esses estudos. Decorre da convicção de que não é possível a compreensão perfeita dos
fenômenos ambientais sem analisar todos os seus elementos constituintes, estes projetos procuram sempre uma visão integrada da questão ambiental.
Segundo Xavier-da-Silva (2001) os SIGs permitem, assim, uma visão holística do ambiente e, pelas análises sinópticas ou particularizadas, que propiciam a aplicação de procedimentos heurísticos à massa de dados ambientais sob investigação. Acrescenta que, o Geoprocessamento, ramo da análise espacial, em geral é associado somente à aplicação ou proposição de técnicas, deve ser entendido em sentido mais amplo, pois é produto de um contexto científico que norteia o modo de compreensão da realidade. Nesta perspectiva, seu valor não se restringe ao lado pragmático de elemento-chave no apoio à decisão, mas também do ponto de vista metodológico, onde existem contribuições trazidas pelos SIGs e pelas técnicas associadas ao Geoprocessamento.
Carvalho (2010) defende que a análise geográfica como subsídio ao trabalho do urbanista deve apoiar-se na visão geossistêmica, para possibilitar a integração dos eventos sócio-espaciais, econômicos, ambiental e cultural que compõem a cidade, de modo a reproduzir o seu dinamismo e processo evolutivo. Ressaltando a importância da colaboração daqueles que mais conhecem o espaço urbano, dentre outros, os especialistas, servidores municipais e moradores.
A autora em apreço destaca o fortalecimento dessa vertente de estudos, em que diversos trabalhos relacionados à aplicação do geoprocessamento aos estudos urbanos e ambientais, como monografias, dissertações e teses utilizaram para suas pesquisas, a metodologia de análise de multicritérios, mapeamento temático, álgebra de mapas, entre outros.