ESCLARECIDO 112 APÊNDICE C MODELO DO TERMO DE CONFIDENCIALIDADE
2.7 GESTÃO DO CONHECIMENTO, NA ESFERA PÚBLICA
Nos dias de hoje, com uma sociedade muito “conectada” e que possui o conhecimento como elemento principal e a inovação como parte da rotina, os governos precisam se integrar a esse mundo, pois é ele que movimenta os mercados, atrai investimentos, fortalece e desenvolve organizações. Não se inserir nessa realidade comprometeria toda a gestão pública, reduzindo consideravelmente a capacidade de propor e implementar políticas públicas condizentes com as demandas da população (AGUNE ET AL, 2014). Ou seja, na administração púbica do Brasil, inovação, como as proporcionadas pelos SI, e gestão de conhecimento são fundamentais para tornar as instituições governamentais mais democráticas e participativas, permitindo que suas ações e políticas públicas sejam mais assertivas e eficientes, expandindo e desenvolvendo os saberes nas esferas do indivíduo, da sociedade e da organização nacional como um todo.
A gestão de conhecimento faz parte da administração organizacional que trabalha com a gestão das pessoas, da infraestrutura e dos processos organizacionais proporcionando uma melhoria dos métodos de conhecimento e auxiliando as organizações a alcançarem seus objetivos estratégicos (AGUNE et al, 2014).
Tendo-se como base o papel do conhecimento frente a nova estruturação organizacional mundial ocorrida a partir do fenômeno da “Sociedade da Informação”, onde sua importância passa a ser imprescindível dentro de todos os tipos de organizações e mercados, esse é um tema que deve receber maior atenção, principalmente pelos governos, visto que, o alcance de suas medidas de trabalho afeta a toda nação.
A Gestão do Conhecimento é ressaltada pela Organization for Economic Co-operation
and Development (OECD, 2005) como envolvendo atividades ligadas à apreensão, uso e
compartilhamento de conhecimentos pela organização, tratando também da relevância da existência de trocas de conhecimentos externas às organizações, bem como, a interação dos fluxos de conhecimento dentro delas.
No que toca ao setor público, com base em Agune et al (2014, p. 66) “o que se pode prognosticar à luz do que ocorre no mercado privado, é que em todos os níveis, do operacional ao estratégico, o insumo conhecimento subirá mais um degrau, passando de necessário a fundamental”. Seguindo a ideia de Agune et al (2014, p. 66), isso significa que “este novo cenário recomenda, portanto, uma ampla recalibragem organizacional dos governos, com vistas a priorizar a criação e o compartilhamento do conhecimento e o estabelecimento de um ambiente favorável à inovação continuada”. Mas, fazer uso de conhecimento pressupõe a sua existência e a noção de sua importância. Requer também um esforço organizacional estratégico para a sua criação, preservação, circulação e validação.
De acordo com Kanaane, Fiel e Ferreira (2010, p. 102):
As organizações públicas têm de implementar ousadia e avançar em prol da transformação e, mais especificamente, intervir assertivamente na esfera da gestão do conhecimento proporcionando aos seus membros e principalmente aos líderes e gestores uma compreensão cada vez mais ampla dos fatores inter-relacionados à referenciada gestão e o consequente desenvolvimento, de maneira estratégica, global e sistêmica.
De acordo com Kanaane e Ortigoso (2001, p. 55), a gestão do conhecimento é “o processo sistemático de identificação, criação, renovação e aplicação dos conhecimentos que são estratégicos na vida de uma organização. Trata-se da administração dos ativos do conhecimento da organização”. Nessa perspectiva, saber administrar o conhecimento é
fundamental e promove a análise e respostas práticas, inovadoras e inteligentes, além de simples, para o gerenciamento eficaz da informação e do conhecimento.
Batista (2004, p. 9) afirma que a gestão do conhecimento na administração pública, (...) além de aumentar a efetividade da ação pública no tratamento de temas relevantes para a sociedade de maneira competente, com o mínimo de recursos e tempestividade, as organizações públicas devem gerir o conhecimento para: i) tratar de maneira adequada e com rapidez desafios inesperados e desastres; ii) preparar cidadãos, organizações não-governamentais e outros atores sociais para atuar como parceiros do Estado na elaboração e na implementação de políticas públicas; iii) promover a inserção social, a redução das desigualdades sociais e um nível aceitável de qualidade de vida para a população por meio de construção, manutenção e ampliação do capital social e do capital intelectual das empresas; e iv) criar uma sociedade competitiva na economia regional e global por meio da educação dos cidadãos para que eles se tornem trabalhadores competentes do conhecimento, e mediante o desenvolvimento das organizações para que estas se tornem competitivas em todas as áreas do conhecimento.
A partir disso, pode-se dizer que o papel da gestão do conhecimento no setor público ultrapassa a finalidade de aperfeiçoar o desempenho organizacional, cumprindo importante função na sociedade democrática e na inserção do país na economia mundial.
Na visão de Kanaane, Fiel e Ferreira (2010, p. 102):
O paradigma do conhecimento contempla desafios e questões importantes para a gestão pública, tendo-se como exemplo: a imprevisibilidade e/ou instabilidade; a necessidade de cultivar posturas proativas e empreendedoras; a valorização do capital intelectual presente no macrocenário público; a criação e disseminação de estruturas flexíveis e virtuais; a resiliência e a consequente adaptabilidade a novos desafios e situações.
Além da busca pela obtenção de novos conhecimentos, a gestão do conhecimento requer a construção de métodos para o compartilhamento e o uso dos saberes adquiridos, o que inclui a implantação de sistemas de valores para o compartilhamento do conhecimento e práticas para a codificação de rotinas (OECD, 2005).
Para Lemos (1999), a relevância do conhecimento, como base da inovação no momento em que vivemos a “Sociedade da Informação”, exige a busca e interação de todas as fontes possíveis para seu alcance. Com todos os recursos disponíveis as mudanças vêm acontecendo de modo muito rápido, e há uma exigência crescente de combinação de fontes de informação e conhecimento, facilitados por esses recursos.
Para que haja uma real e efetiva gestão do conhecimento, dentro de qualquer ambiente organizacional, é necessário que existam dados fidedignos, que gerem informações corretas, que possibilitem a promoção desse conhecimento, e tomando-se por base a presente pesquisa
que trabalha com ferramentas governamentais, salienta-se a necessidade que seja visualizada e implementada a livre circulação de informações que geram conhecimentos de grande valia dentro dos órgãos estatais, para que os retrabalhos sejam evitados. É necessário, também, que as diferentes esferas e organizações tenham a mesma informação e possam trabalhar em suas estratégias com segurança, disseminando conhecimento a todos que tiverem interesse em obtê- lo.
Repensar sistemas governamentais, tornando-os adequados à gestão do conhecimento, certamente melhoram a competitividade da máquina pública, sua capacidade inovadora, e empoderam sua tomada de decisões, revelando-se em ganhos à sociedade.
Este capítulo demonstrará a forma como esta dissertação está metodologicamente pautada, com a descrição dos delineamentos e procedimentos da pesquisa, trazendo sua finalidade, natureza, método adotado, o universo da pesquisa, seleção da amostra, e as técnicas de coleta e tratamento de dados que foram utilizadas para a análise dos resultados.