VALOR DA CAUSA Valor “estimativo”, em cumprimento ao disposto no artigo 291 do CPC/2015.
HABEAS DATA COM PEDIDO DE LIMINAR
2.4 HABEAS CORPUS
O habeas corpus pode ser considerado como remédio constitucional ou ação constitucional, pois sua gênese está no texto da Constituição Federal de 1988, conforme artigo 5º, inciso LXVIII, como um direito e garantia fundamental. É encarado como cláusula pétrea e não pode ser suprimido do bojo da Constitui- ção, nem mesmo por emenda constitucional (artigo 60, § 4º, da CRFB/88).
Também pode ser encontrado, no Código de Processo Penal, nos artigos 647 a 677, e como toda garantia, o habeas corpus tutela o direito à liberdade de locomoção (por exemplo: o direito de ir e vir, entrar, sair e permanecer no país com seus bens em tempo de paz — artigo 5º, XV, da CRFB/88).
Ressalta-se a existência de duas espécies de habeas corpus24: o preventivo
— remédio constitucional utilizado para evitar a consumação da lesão à liber- dade de locomoção, hipótese na qual é concedido o “salvo-conduto”; o repres-
sivo — também conhecido como suspensivo ou liberatório, que é utilizado com
o propósito de liberar o paciente quando já consumada a coação ilegal ou abu- siva ou a violência à sua liberdade de locomoção. O pedido é o alvará de soltura.
2.4.1 Legitimidade Ativa e Passiva
O acusado de ferir seu direito é denominado “coator”, e será processual- mente conhecido como “impetrado”. Por outro lado, qualquer pessoa física, nacional ou estrangeiro, que se achar ameaçada de sofrer lesão a seu direito de locomoção tem direito de impetrar habeas corpus em benefício de si ou de ter-
ceiro e sem a necessidade de capacidade postulatória (patrocínio de advogado).
Aquele que impetra o habeas corpus é denominado impetrante, que pode coin- cidir ou não com a pessoa ameaçada de sofrer a lesão, conhecida por “paciente” no processo. Cabe ressaltar que o direito abrange menores de idade sem repre- sentação ou assistência, presos, analfabetos e mesmo pessoas jurídicas.
Nesse sentido é o seguinte julgado:
EMENTA: HABEAS CORPUS. PROCESSO PENAL. LINGUAGEM DA INI- CIAL. EXPRESSÕES DE BAIXO CALÃO. CASO DE NÃO CONHECIMENTO.
24 Descrição do Verbete: (HC) Medida que visa proteger o direito de ir e vir. É concedido sempre que alguém sofrer ou se achar ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder. Quando há apenas ameaça a direito, o habeas corpus é preventivo. BRASIL. Disponível em: http://www.stf. jus.br/portal/glossario/verVerbete.asp?letra=H&id=155. Acesso em: 01 de maio de 2015.
FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO. INEXISTÊNCIA. SUSPEIÇÃO DO STJ. PRE- TENSÃO JURIDICAMENTE IMPOSSÍVEL. 1. A LINGUAGEM DA INICIAL. A ação de HABEAS CORPUS pode ser ajuizada por qualquer pessoa, indepen- dente de sua qualificação profissional (CF, art. 5º, LXVIII e LXXIII c/c CPP, art. 654). Não é exigível linguagem técnico-jurídica. [...] (STF, HC nº 80.744, Rel. Min. Nelson Jobim, DJ, 28.06.2002).25
Necessário se faz no habeas corpus a indicação do coator (legitimado passi- vo), responsável pela ilegalidade ou abuso de poder que originou a ameaça ou violência de liberdade de locomoção.
Embora seja plenamente cabível a interposição de habeas corpus contra ato de ilegalidade de um particular, como por exemplo, clinicas e hospitais, é certo que, em grande parte dos casos, a autoridade coatora, é uma autoridade pública.
2.4.2 Competência
No habeas corpus é a autoridade coatora que servirá de base para fixação da competência.
A competência do Supremo Tribunal Federal, segundo artigo 102, I, “d” e “i” da CRFB/88, para julgar o processo se dá nos seguintes casos:
Ações originadas no próprio STF:
a) Quando for paciente qualquer dessas pessoas: • Presidente da República e Vice;
• Deputados Federais e Senadores; • Ministros de Estado;
• Procurador-Geral da República;
• Comandantes da Marinha, Exército e Aeronáutica;
• Integrantes dos Tribunais Superiores e os do Tribunal de Contas da União; • Chefes de missão diplomática de caráter permanente.
b) Quando for coator qualquer dessas pessoas: • Tribunal Superior;
• Autoridade ou funcionário cujos atos estejam sujeitos diretamente à ju- risdição do Supremo Tribunal Federal.
25 BRASIL. Disponível em: http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/listarJurisprudencia. asp?s1=%28hc+80744%29&base=baseAcordaos&url=http://tinyurl.com/lptgprv. Acesso em: 03 de maio de 2015.
A competência do Superior Tribunal de Justiça para processar e julgar o pro- cesso se dará nos casos previstos no artigo 105, I, “c”, da CRFB/88.
Ações originadas no próprio STJ:
a) Quando for paciente qualquer dessas pessoas: • Governador;
• Desembargador, membros do Tribunal de Contas dos Estados e do Distrito Federal, membros dos Tribunais Regionais Federais, dos Tribunais Regionais Eleitorais e do Trabalho;
• membros dos Conselhos ou Tribunais de contas do Município;
• membros do Ministério Público da União que oficiem perante os Tribunais, ressalvada a competência da Justiça Eleitoral.
b) Quando for coator qualquer dessas pessoas:
• tribunal sujeito à sua jurisdição, Ministro de Estado ou Comandante da Marinha, do Exército ou da Aeronáutica, ressalvada a competência da Justiça Eleitoral.
Compete aos juízes federais processar e julgar os habeas corpus em matéria criminal nos casos de sua competência (artigo 109, VII, da CRFB/88).
No que tange ao âmbito estadual, dependerá da organização judiciária do respectivo Estado; no caso de o ato coator advir de Promotor de Justiça e juiz de primeira instância no âmbito estadual, a competência será do Tribunal de Justiça do Estado, da mesma forma que será do Tribunal Regional Federal, se a autoridade coatora for do Ministério Público Federal ou juiz federal de primei- ra instância (artigo 108, I, “d” da CF).
No que tange ao habeas corpus impetrado contra decisão de Turma Recursal dos Juizados Criminais, há decisão do STF, restando superada a Súmula 690 do STF, conforme Informativo nº 437, no seguinte sentido:
O Tribunal, por maioria, mantendo a liminar deferida, declinou da sua competência para o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, a fim de que julgue habeas corpus impetrado contra ato da Turma Recursal do Juizado Criminal da Comarca de Araçatuba - SP em que se pretende o trancamento de ação penal movida contra delegado de polícia acusado da prática do crime de prevaricação — v. Informativo 413. Entendeu-se que, em razão de competir aos tribunais de justiça o processo e julga- mento dos juízes estaduais nos crimes comuns e de responsabilidade,
ressalvada a competência da Justiça Eleitoral (CF, art. 96, III), a eles deve caber o julgamento de habeas corpus impetrado contra ato de turma recursal de juizado especial criminal. [...] (HC 86834/SP, rel. Min. Marco Aurélio, 23.8.2006).26
2.4.3 Considerações Gerais sobre o Habeas corpus
A petição de habeas corpus não possui maiores formalidades, uma vez que pode ser impetrada por qualquer pessoa (diga-se, sem capacidade postulatória); con- tudo, o artigo 654, § 1º, do CPP prevê que deverá conter o nome do paciente e a designação de sua residência, assim, como o nome da autoridade coatora; a declaração da espécie de constrangimento ou da ameaça e das razões em que se funda o temor; deve ser assinada pelo impetrante, ou alguém a seu rogo (caso esteja impossibilitado de assinar).
Sempre que possível, o habeas data deverá ser instruído com os documen- tos necessários a evidenciar a ilegalidade, inclusive para que o juízo competen- te ordene a cessação imediata do constrangimento.
É possível, segundo a jurisprudência, a concessão de liminar em habeas corpus, sempre que presentes o fumus boni iuris e o periculum in mora.
Em princípio, não há necessidade de intervenção do Ministério Público, nos casos de competência do juízo de primeira instância, e quando impetra- dos de forma originária nos tribunais. Atenta-se ao que dispõe o Decreto-lei nº 552/1979, concedendo-se vista dos autos por dois dias ao Ministério Público.
Ademais, restará prejudicado o habeas corpus, por perda do objeto, se ve- rificado que não há mais violência ou coação ilegal, conforme dispõe o artigo 659, do CPP.
Vamos conferir as Súmulas do STF sobre o habeas corpus:
Súmula 695: Não cabe habeas corpus quando já extinta a pena privativa de liberdade. Súmula 694: Não cabe habeas corpus contra a imposição da pena de exclusão de militar ou de perda de patente ou de função pública.
Súmula 693: Não cabe habeas corpus contra decisão condenatória a pena de multa, ou relativo a processo em curso por infração penal a que a pena pecuniária seja a única cominada.
26 BRASIL. Disponível em: http://www.stf.jus.br/arquivo/informativo/documento/informativo437.htm. Acesso em: 01 de maio 2015.
Súmula 692: Não se conhece de habeas corpus contra omissão de relator de extradi- ção, se fundado em fato ou direito estrangeiro cuja prova não constava dos autos, nem foi ele provocado a respeito.
Súmula 691: Não compete ao Supremo Tribunal Federal conhecer de habeas corpus impetrado contra decisão do Relator que, em habeas corpus requerido a tribunal supe- rior, indefere a liminar.
Súmula 690: (CANCELADA) – Compete originariamente ao Supremo Tribunal Federal o julgamento do habeas corpus contra decisão da Turma Recursal dos Juizados Espe- ciais Criminais.
Súmula 606: Não cabe habeas corpus originário para o Tribunal Pleno de decisão de turma, ou do plenário, proferida em habeas corpus ou no respectivo recurso.
Súmula 431: É nulo julgamento de recurso criminal, na segunda instância, sem prévia intimação ou publicação da pauta, salvo em habeas corpus.
Súmula 395: Não se conhece de recurso de habeas corpus cujo objeto seja resolver sobre o ônus das custas, por não estar mais em causa à liberdade de locomoção. Súmula 208: O assistente do Ministério Público não pode recorrer, extraordinariamen- te, de decisão concessiva de habeas corpus.
2.4.4 Caso concreto
Joaquim Bastos, brasileiro, solteiro, médico, residente e domiciliado na Rua X, RJ, está sendo executado por seus filhos, Marina e Marcos Messias Bastos, menores com onze e oito anos, respectivamente, representados por sua mãe, Margarida Messias, pelo rito do artigo 911 do CPC.
Na execução de alimentos que tramita perante o juízo da 2ª Vara de Família da Capital, Joaquim foi citado no dia X do mês X do corrente ano para pagar a quantia de R$ 4.000,00 (quatro mil reais), relativa aos últimos quatro meses não pagos dos alimentos fixados por sentença pelo juízo da mesma Vara de Família, em processo que tramitou no ano de 2008.
Como não tinha dinheiro para pagar por estar desempregado há 6 meses, Joaquim quedou-se inerte. Ocorre que o juiz da 2ª Vara de Família decretou a prisão de Joaquim pelo prazo de sessenta dias.
A filha de Joaquim, Marina, de onze anos de idade, no último domingo, te- lefonou para o pai avisando-o da decisão judicial de decretação de sua prisão.
Desesperado, Joaquim procura você, advogado(a) JOÃO DA SILVA e vizi- nho(a), pedindo ajuda. Informa que não tem dinheiro para quitar o débito ali- mentar. Afirma que deixou de pagar os alimentos, não por negligência, e sim por absoluta impossibilidade, não tendo procurado advogado antes porque não tinha dinheiro, e porque achou que não pudesse procurar a Defensoria Pública por ter nível superior. Promova a medida judicial necessária.
Quadro Sinótico
PEÇA
PROCESSUAL
E REQUISITOS
FORMAIS
Habeas corpus com pedido de Liminar. Requisitos dos
artigos 319, 320 e 106 da Lei 13.105/2015 (CPC); ar- tigo 654, § 1º do CPP.