2.1 METODOLOGIA DO TREINAMENTO
2.1.2 Característica do Modelo
2.1.2.3 Habilidade do Talento
A habilidade do talento está vinculada a vários fatores, dentre os quais contam- se a experiência esportiva prévia da criança, o ambiente de apoio, a expectativa e o sucesso esportivo dos pais, razão por que, no processo de seleção não se devem levar em conta somente as habilidades esportivas da criança, senão também o interesse e o comportamento dos pais nas atividades esportivas dos filhos.
2.1.2.4 Seleção de Talento
Esta é a etapa mais importante no processo de desenvolvimento do talento em atletas jovens dentro das atuações juvenis. Na etapa de pré-adolescência e adolescência inicia-se o treinamento a longo prazo, todavia há falta de informação de diversos esportes quanto ao modo como selecionar o candidato certo para o treinamento.
A seguir, exporemos os problemas e os distintos critérios de seleção de talentos.
2.1.2.5 Diagnóstico de Problemas
Nos anos 60 e 70, a principal preocupação com a investigação do talento centrava-se na herança genética, pois investigações da época estimavam, em alto grau a dependência genética relativa às capacidade físicas, como, por exemplo, o fato de que 90% da resistência aeróbia fosse determinada pela genética. Hoje em dia esse valor é de aproximadamente 77% (BOUCHARD, MALINA, PÉRUSSE, 1997). A incerteza referente às outras capacidades quanto à proporção genética é ainda maior.
A restrição metodológica aos estudos em gêmeos é motivo de controvérsia, uma vez que as pesquisas com gêmeos referem-se geralmente a participantes não treinados, pouco treinados, os atletas normais; os limites genéticos individuais variam
ao longo de sua vida dada a existência dos genes de treinamento (indivíduos com alta ou baixa resposta ao ambiente, subdivididos em resposta precoce ou tardia).
A herança genética de certos desempenhos resultou não ser tão importante como se previa anteriormente, pois as estabilidades das atuações do desenvolvimento motor e da história do treinamento dos atletas jovens mostram que a estabilidade apresentada por algumas capacidades físicas na etapa da infância não se manteve na adolescência e vice-versa outras não apresentaram estabilidade na infância, porém apresentaram na adolescência.
Hoje em dia inclina-se para a direção de que não só as diferenças de habilidades são importantes, como também a capacidade de treinamento do atleta constitui um fator ainda mais importante (BOUCHAR, MALINA, PÉRUSSE, 1997).
Assim, parece estar claro que a herança pode estar no mesmo nível de importância que a educação do talento em um esporte mono estruturado, ao passo que nos demais esportes, nos quais a ação tática é predominante, a prática intencional permanece dominante.
O uso exclusivo do modelo genético foi responsável pelo abandono de pré- púberes e adolescentes submetidos a treinamento durante muitos anos.
A superação do dilema, segundo HOHMANN (2003), está na adoção de métodos matemáticos mais flexíveis que evitem cortes drásticos no início do processo, pois um atleta pode compensar as baixas probabilidades de talento em uma habilidade com outras probabilidades mais altas em outras. Afinal, cada jovem apresenta diferentes momentos de maturação de suas capacidades e habilidades, como também de seu talento para diferentes esportes. Em outras palavras, permita-se à criança experimentar de tudo, para que depois ela possa escolher a caminhada que julga mais adequada ao seu corpo e mente.
2.1.2.6 Critérios Diagnóstico
HOHMANN (2003) estabeleceram quatro critérios para identificação do talento. 1 – Atuação juvenil: por meio de disciplinas determinadas por poucos componentes de execução, a qual permanece eqüitativamente estável durante a
puberdade. A atuação na competição favorece uma informação sobre futuros resultados atléticos. Em outros esportes isto não é possível;
2 – Desenvolvimento da velocidade de execução: quanto mais próximo do limite estiver o talento, menores são os prognósticos de progresso no futuro. Para evitar os prejuízos provocados pela melhor execução da atleta, a execução do começo do período de interesse deve ser dividida entre os resultados alcançados neste período de tempo. Em algumas disciplinas esportivas, a importância da velocidade de desenvolvimento é óbvia;
3 – Utilização de condições de atuação: até que ponto uma atleta utiliza suas habilidades gerais ou específicas para produzir uma atuação competitiva? Existe diferença quando analisamos qualidades mais gerais ou mais específicas. As qualidades gerais não requerem capacidades grandes em uma ou várias habilidades básicas; por outro lado, as qualidades específicas requerem um número maior das qualidades gerais.
4 – Tolerância a Carga: este critério está relacionado com a tolerância a cargas altas e máximas de treinamento sem lesionar-se. Atletas com propensão a lesões não estão integradas ao conceito profundo de talento. Esse critério de talento (tolerância a carga) não seria tão crítico hoje em dia, se os treinadores trocassem suas estratégias de treinamento desde o começo da reabilitação, em caso de o atleta lesionar-se, por uma estratégia que previna as lesões, incrementando as qualidades de formas preventivas de treinamento no começo do treino.
2.1.2.7 Treinamento de Talentos
O fator chave para alcançar o mais alto nível em um esporte é um processo de treinamento muito efetivo e suportável. Para isto, é necessário que o treinamento aconteça a longo prazo, envolvendo, pelo menos, três etapas da formação atlética; treinamento especializado e alto desempenho (BOMPA, 2002):.
Não existe evidência suficiente de que a carga de progressão necessária e o crescimento da especialização do processo de treinamento a longo prazo de grupos de idade de atletas de elite necessitem ser incrementados substancialmente.
Há uma diferença sistemática na capacidade de treinamento de crianças com respeito à velocidade e à resistência, em que a carga de progressão deve incidir sobre o treinamento da velocidade antes do treinamento da resistência, como também existe diferença para força, flexibilidade e coordenação.
As típicas demandas de treinamento para crianças e adolescentes em grupo exigem certos perfis de qualificação do profissional que trabalha nas diferentes faixas etárias.
2.1.2.8 Predição de Talento
Durante esta fase do processo de seleção de talento, espera-se que o atleta alcance sua execução máxima. Quanto aos aspectos de identificação de talento, os problemas que cercam a predição não são menos graves que as questões estatísticas e metodológicas.
Os modelos estatísticos, por melhores que sejam, não conseguem evitar os fatores específicos discriminatórios entre os atletas, como estes: a retirada de atletas não só de suas carreiras atléticas senão também do abandono de estudos longitudinais; o número pequeno de amostra afeta de forma dramática as soluções estatísticas; a longa duração do estudo apresenta inconveniente quanto à troca de vigência de alguns testes e a não atração pelos jovens nesse processo de investigação.
2.1.2.9 Promoção do Talento
O passo final do processo de promoção de talento é a perfeição de alta execução do atleta de elite. A transição de atuação da elite de infantil para juvenil é provavelmente o passo mais difícil de todos. Não existe, todavia, solução fácil. Parece ser necessária uma planificação de atrativas competições para o atleta juvenil, com o fim de motivá-lo por um período maior de tempo, pois caso contrário, o abandono de sua carreira é inevitável, assim como o atleta, privado da oportunidade de ascender a um treinamento de alta qualidade, faz promessa de trocar de clube.
2.2 MODELO DE DESENVOLVIMENTO AUSTRALIANO DE DETECÇÃO DE