Quando pensamos em teatro, nas peças a que já assistimos, nos atores, autores e diretores dos quais gostamos é difícil nos remetermos à sua origem, imaginarmos como essa arte surgiu e muito menos que, há muito tempo, era algo sagrado, que utilizava rituais como formas de invocar poderes sobrenaturais que controlavam todos os fatos necessários à sobrevivência (fertilidade da terra, casa, sucesso nas caças e batalhas). Isso mesmo!
Esses rituais se apresentavam sob a forma de dança, música, cantos e encenações de histórias dos deuses, que deveriam, assim, ficar felizes com a homenagem feita a eles pelos homens da época. Era assim que estes homens acreditavam serem perdoados e merecedores dos privilégios. No Oriente, ainda hoje, muitas espécies de teatro encenam as histórias de deuses e utilizam rituais sagrados.
O teatro não vem da época medieval, sua história é bem mais antiga, surgiu na Grécia Antiga, no século IV a.C., cabendo aos gregos o mérito de transformá-lo no maior e mais eficiente transmissor de cultura e de arte. Ao povo cabia o direito de frequentar o teatro como compromisso social. Os teatros eram patrocinados pelos cidadãos ricos e o governo chegava a pagar aos pobres para que eles frequentassem as apresentações.
O teatro grego surgiu de uma forma muito inusitada. Contam os historiadores que um participante resolveu vestir uma máscara humana, ornada com cachos de uvas, subir no tablado em uma praça pública e dizer: “Eu sou Dionísio!” Todos ficaram espantados com a coragem de um ser humano colocar-se no lugar de um deus, coisa que não havia acontecido até então,
História do teatro 126
Os Parâmetros Curriculares
Nacionais (PCNs) 129
O teatro e a educação 133
Construindo personagens 136 Psicodrama de Moreno e Boal 140 Jogos para programas em
empresa/instituição 152
Proposta de atividade 154
uma vez que um deus era para ser louvado, um ser intocável. Este homem chamava-se Téspis e foi considerado o primeiro ator da história do teatro ocidental.
Assim, os festivais anuais eram em honra ao deus Dionísio em representações de tragédias e comédias.
Nessa época, as peças eram representadas apenas por homens, não sendo possível a participação de mulheres.
Os romanos já tinham seu teatro, também, e apesar de se basearem nos moldes gregos, inovaram com a implantação da pantomima, na qual apenas um autor representava todos os papéis, utilizando uma máscara para cada personagem e sendo acompanhado de música e coro. Dois nomes importantes na história do teatro romano foram Plauto e Terêncio.
Com o aparecimento do Cristianismo, o teatro foi considerado pagão, não conseguindo patrocinadores e sendo, então, totalmente extinto.
Curiosamente, o teatro reapareceu através da igreja, na Era Medieval. Como assim?
Bom, o que aconteceu foi que novas
representações foram feitas para que se revivesse a história da ressurreição de Cristo. Assim, o teatro passou a ser um meio de propaganda dos conteúdos bíblicos.
A partir de meados do século XVI, o teatro medieval religioso foi declinando. Foi na Itália, em especial, que se pôde observar novas criações nas estruturas teatrais, através das representações do
teatro humanista. Os atores italianos eram amadores no início, mas a profissionalização destes se deu através da "Commedia Dell'Arte", em que alguns tipos representados provinham da tradição do antigo teatro romano: eram constantes as figuras do avarento e do fanfarrão. Foi nesse teatro que ficou marcada a participação da mulher que, aos poucos, foi se expandindo para outros países como Inglaterra e França, a partir do século XVII.
E no Brasil? Como se deu o surgimento do teatro?
A implantação do teatro no Brasil foi obra dos jesuítas, empenhados em catequizar os índios para o catolicismo e coibir os hábitos condenáveis dos colonizadores portugueses. Eles encontraram nas tribos brasileiras uma inclinação natural para a música, a dança e a oratória. Ou seja: tendências positivas para o desenvolvimento do teatro, que passou a ser usado como instrumento de "civilização" e de educação religiosa, além de diversão. O teatro, pelo "fascínio" da imagem representativa, era muito mais eficaz do que um sermão, por exemplo.
O padre José de Anchieta, em quase uma dezena de autos inspirados na dramaturgia religiosa medieval, sobretudo Gil Vicente, notabilizou-se nessa tarefa, de preocupação mais religiosa do que artística.
As peças eram escritas em tupi, português ou espanhol (isso se deu até 1584, quando então "chegou" o latim). Nelas, os personagens eram santos, demônios, imperadores e, por vezes, representavam apenas simbolismos, como o Amor ou o Temor a Deus. Com a catequese, o teatro acabou se tornando matéria obrigatória para os estudantes da área de Humanas, nos colégios da Companhia de Jesus. No entanto, os
personagens femininos eram proibidos (com exceção das Santas), para se evitar uma certa "empolgação" nos jovens.
Os atores, nessa época, eram os índios domesticados, os futuros padres, os brancos e os mamelucos. Todos amadores, que atuavam de improviso nas peças apresentadas nas Igrejas, nas praças e nos colégios.
No teatro moderno, século XX, um nome ganha destaque por suas ideias ecléticas e fazer o ator tomar consciência de sua representação, não colocando sua personalidade na vida do personagem. Bertolt Brecht, para auxiliar os atores a manterem sua imparcialidade em seus papéis, desenvolveu recursos que ajudavam a transformar qualquer ligação com a realidade nas encenações, para que os espectadores não criassem qualquer ilusão ou semelhança com a mesma. Ou seja, a cenografia tinha muitos efeitos não realísticos e as próprias atividades de mudança de palco podiam ser vistas pelo público.
Mas e hoje? Como é o teatro hoje?
Com tantas misturas, o teatro hoje é muito rico. Temos o teatro dos bonecos, a ópera, o teatro de rua, o teatro-dança e muitos outros. Hoje em dia, as regras não são tão rígidas e os espectadores exigem mudanças, inovações a cada dia.