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HISTÓRICO DO DIREITO AMBIENTAL INTERNACIONAL E

A questão relativa à proteção do ambiente tornou-se assunto bastante discutido na seara do Direito, como resposta às significativas consequências negativas de alteração do meio devido à ação antrópica.

Freeland (2005) destaca que a depredação deliberada do ambiente pode gerar efeitos bastante negativos não só para ecologia, mas também sobre as populações humanas.

Fonseca (2007) menciona que os problemas relacionados ao meio vêm se tornando cada vez mais sérios, o que desperta interesse na comunidade científica para melhor compreender a problemática e suas consequências. Afirma também, que o tempo para propor ações preventivas ou corretivas é bastante longo e por conta disso, alguns impactos podem ser irreversíveis.

As mudanças ambientais globais estão associadas ao crescimento da população humana e ao modelo de desenvolvimento em que todos se inserem, que propicia a exploração dos recursos naturais, a intensa industrialização como forma de crescimento econômico e a utilização de combustíveis fósseis (FONSECA, 2007).

A transformação dos recursos naturais para produção de bens de consumo produz consequências na vida prática, dando, portanto, surgimento a novos conflitos de interesse, que passam a exigir a formulação de regulamentações a fim de preservar o equilíbrio social (MAGALHÃES, 2002).

Magalhães (2002) assevera que o direito ambiental nasce da necessidade social de se disciplinar novas relações que surgem na própria evolução da sociedade.

Assim, com o objetivo de proteger ambientes especiais, pelas suas características e sua importância ecológica, disciplinar e impor limitações às ações do homem em prol de um ambiente saudável e equilibrado, foram sancionadas leis ambientais e mecanismos de imposição de sanções em todas as esferas (FREELAND, 2005).

Freeland (2005) menciona que as questões ambientais constituem um componente importante dos direitos básicos do ser humano, afirmando, inclusive, que a destruição do meio restringe o direito das populações humanas a um ambiente seguro.

Verifica-se, assim, que há estreita relação entre os direitos humanos e o direito a um ambiente saudável e equilibrado, ao se considerar que violações de alguns direitos são as causas ou fatores de degradação ambiental, notadamente aos direitos à vida, à saúde, ao trabalho, à moradia, à alimentação, à participação, à associação, ao desenvolvimento, à paz e à segurança (FONSECA, 2007).

Na opinião de Santos (2009), o direito básico fundamental reconhecido universalmente é o direito à vida, que é a condição necessária para o gozo de todos os demais direitos. Frisa, ainda que esse direito não é “a qualquer vida”, mas à vida qualificada como digna, que será alcançada por meio do desenvolvimento sustentável, fator comum tanto aos direitos humanos quanto ao direito do ambiente.

Assim, o direito é um dos principais instrumentos para proteção do ambiente, pois através de suas normas se impõe punição e reparação ao dano ambiental e se viabiliza a prevenção de situações que possam ser danosas ao ambiente, além de se salvaguardar, por meio de mecanismos jurídicos adequados, o direito a um ambiente seguro, protegendo assim, o próprio homem (PINHEIRO, 2008).

A identificação da natureza como um bem que deve ser protegido é recente no ordenamento jurídico brasileiro, se comparada com a de outros institutos do direito, como a propriedade, a integridade física, o direito à vida, entre outros.

Para Galli (2007), o Direito Ambiental é fundamental para a proteção do ambiente e do homem, visto que este ramo auxilia e está diretamente ligado a outros segmentos das ciências jurídica, sociais e humanas, o que justifica o surgimento de

inúmeros documentos legais com princípios e fundamentos que regulam as relações e interesses entre o homem e o ambiente.

No início do século XX, alguns acordos ambientais para a proteção de determinadas espécies foram concluídos, mas apresentavam objetivos econômicos e não propriamente de preservação, como por exemplo, a Convenção para a Proteção das Aves Úteis à Agricultura, em 1902, e o Tratado para a Preservação e Proteção das Focas Marinhas, de 1911 (FONSECA, 2007).

Nas décadas de 1930 e 1940 foram elaborados alguns acordos internacionais visando à proteção da fauna e flora, e, entre estes, Fonseca (2007) cita a Convenção da Fauna e Flora em seu Estado Natural e a Convenção sobre a Proteção na Natureza e Preservação da Vida Selvagem, no entanto, estas convenções traziam abordagens apenas conceituais aplicadas à regulamentação dos recursos naturais.

No Brasil, em 1934, foi promulgado o primeiro Código Florestal com o Decreto Federal no 23.793, de 23 de janeiro de 1934 (BRASIL, 2011a) que considerava as florestas existentes no território nacional como um bem de interesse comum, limitando, assim, seu uso e exploração, e elevando a natureza à categoria de bem ambiental, instituto passível de regulação.

Também no ano de 1934 foi promulgado, pelo Decreto no 24.634, o Código de Águas (PINTO et al., 2011), ainda vigente. Neste código estabelecem-se diretrizes gerais para o uso e aproveitamento das águas de domínio público e privado, com os respectivos direitos e obrigações dos usuários, consideradas as necessidades e os interesses da coletividade nacional.

Com o intuito de proteger o patrimônio histórico e artístico nacional, foi criado o Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) no ano de 1937, com a Lei no 378 (BRASIL, 2014a). Embora o serviço fizesse parte do Ministério de Educação e Saúde Pública, está vinculado ao Ministério da Cultura. Esse documento representa a importância da proteção do ambiente construído/cultural e contribui sobremaneira para a promoção da educação ambiental.

Ainda no ano de 1937, foi criado o Parque Nacional de Itatiaia, no Rio de Janeiro e em 1939 dois novos parques foram instituídos, o Parque Nacional de Foz de Iguaçu, no Paraná e o Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Estado do Rio de

Janeiro. De acordo com Galli (2007), o que motivou a criação destes parques foi o interesse de explorar seus recursos naturais e só após alguns anos é que receberam o status de reserva ecológica.

Após a revisão do Decreto que instituiu o primeiro Código Florestal, no ano de 1965, com a Lei no. 4.771, estabeleceu-se novo Código Florestal (PINTO et al., 2011), com o condão de promover a preservação das florestas e demais formas de vegetação no território brasileiro, instituindo-se as áreas de preservação permanente (APP), nas quais a vegetação nativa, seja pela sua função protetora, seja por sua relevância ecológica, deve ser mantida em sua integralidade, sendo vedada qualquer exploração econômica.

Barral e Ferreira (2006) mencionam que:

“o direito internacional do meio ambiente se consolidou apenas no início da década de 1960, fruto de um processo de institucionalização do Direito Internacional em geral. Desde sua gênese possuiu a peculiaridade, em relação às outras vertentes do Direito Internacional, de ter sua importância potencializada ano a ano, devido, sobretudo, à crescente degradação, fruto da utilização desenfreada dos recursos naturais ou não e dos graves acidentes de destruição em massa ocorridos nas últimas décadas.” (p.25).

No Código Florestal foi mais específico o cuidado com o ambiente e inovou-se ao estabelecer em dois de seus artigos instrumentos vinculados à informação e educação ambiental. No artigo 42 mencionava-se que nenhuma autoridade poderia permitir o uso de livros escolares sem que estes contivessem assuntos relativos a educação florestal. No parágrafo primeiro deste mesmo artigo determinava-se que as estações de rádio e televisão divulgassem informações de interesse florestal.

Para Galli (2007), o fato de haver divulgação na rádio era um dos pontos fundamentais para a disseminação da informação a respeito do ambiente, tendo em vista que este tipo de mídia alcançava populações de diferentes níveis sociais, econômicos, culturais e educacionais.

Outro importante dispositivo desta lei, onde de forma implícita atentava-se para a importância da educação ambiental no país, era o artigo 43 onde se dispunha que as escolas e estabelecimentos públicos tinham de comemorar a Semana Florestal, cujo objetivo principal era o de identificar as florestas como recurso natural de elevado valor social e econômico.

No ano de 1968 a Organização das Nações Unidas – ONU aprovou a Resolução no 2.398, indicando a necessidade de se convocar uma conferência sobre o ambiente humano (BARRAL e FERREIRA, 2006).

Após a manifestação da ONU, dois grupos com teorias antagônicas surgiram, um constituído por países que defendiam o “desenvolvimento zero”, que propunha a redução das atividades industriais por um período e que acreditavam que a conferência deveria ser palco para discussão de assuntos relativos à deterioração ambiental; e outro, em sua maioria apoiado pelos países em desenvolvimento que, por acreditarem que a economia baseava-se exclusivamente na crescente industrialização, temiam que os temas tratados pudessem afastá-los ainda mais do desenvolvimento, este grupo ficou conhecido por instituir o “desenvolvimento a qualquer custo” (BARRAL e FERREIRA, 2006).

Desta forma, pode-se dizer que a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano, realizada no ano de 1972 em Estocolmo (JUNGSTEDT, 1999), foi proporcionada, também, em função do movimento ambientalista e do surgimento de uma consciência ecológica, fundamentais para a construção da base do direito ambiental (FONSECA, 2007), embora ainda houvesse, por parte de alguns Estados, a ideia de que o ambiente poderia fornecer recursos de forma inesgotável, a fim de satisfazer os desejos de conforto e consumo, possibilitado pelo rápido progresso da ciência e da tecnologia que conferiu ao homem o poder de transformar, de inúmeras maneiras e escala sem precedente, o ambiente.

Barral e Ferreira (2006) afirmam que a Conferência de Estocolmo reduziu, em parte, as diferenças entre os dois grupos, já que os Estados em desenvolvimento passaram a aceitar a importância de proteção ao meio natural, enquanto que os Estados desenvolvidos consentiram em incluir questões sobre o direito ao desenvolvimento.

No encontro foram discutidas questões sobre desenvolvimento e ambiente e propostas para proteção, preservação e melhoria deste bem, o que resultou na elaboração de vinte e seis princípios, objetivando-se a orientar e guiar os países, tendo em vista a necessidade de preservação da natureza de forma global, já que ambiente é

essencial para o bem-estar e para o gozo dos direitos humanos fundamentais (JUNGSTEDT, 1999).

No tocante ao crescimento econômico dos países em desenvolvimento, ressalta-se que este deve estar pautado na proteção e melhora do meio, seja natural ou construído, devendo-se, portanto, investir em políticas e medidas que possibilitem qualidade à vida.

Sem dúvida, a Conferência de Estocolmo foi um dos principais marcos para o direito ambiental (BARRAL e FERREIRA, 2006), pois instituiu-se a Declaração das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano, um plano de ação e a criação do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), uma agência do sistema das Nações Unidas (ONU) responsável por promover a conservação do ambiente e o uso eficiente de recursos no contexto do desenvolvimento sustentável. Este órgão tem entre seus principais objetivos manter o estado do ambiente global sob contínuo monitoramento; alertar povos e nações sobre os problemas e ameaças ao ambiente e recomendar medidas para aumentar a qualidade de vida da população sem comprometer os recursos e serviços ambientais das futuras gerações (JUNGSTEDT, 1999).

Com a perspectiva de que as questões ambientais deveriam ser discutidas num âmbito global, na Conferência de Estocolmo, ao introduzir-se a problemática do desenvolvimento, proporcionou-se o início da conceituação de desenvolvimento sustentável (BARRAL e FERREIRA, 2006).

É com a Declaração de Estocolmo que se reconhece que o direito de viver em um ambiente sadio e não degradado é um direito humano fundamental. Desta forma cabe ao homem a obrigação de proteger e melhorar o ambiente para as gerações presentes e futuras.

Galli (2007) aponta que, com um planejamento ambiental e adequada administração, planificação do desenvolvimento econômico compatível com a importância da conservação da natureza, se garantirá para as presentes e futuras gerações uma vida digna, pautada no desenvolvimento sustentável.

Na introdução da Declaração de Estocolmo de 1972 foi dada significante importância à harmonia que deve existir na defesa e melhoria do ambiente para as atual

e futura gerações com o desenvolvimento econômico e social, desta forma, se tornando evidente a estreita relação entre o direito ao desenvolvimento e os direitos humanos (FONSECA, 2007).

Os modelos de desenvolvimento devem ser capazes de enfrentar os desafios e os problemas econômicos, culturais e ambientais contemporâneos, e tendo sucesso, poderá ser denominado desenvolvimento sustentável (MORAES, 2009).

Para Fonseca (2007),

“as relações estabelecidas pela Declaração de Estocolmo, entre o meio ambiente, desenvolvimento, condições de vida satisfatórias, dignidade, bem estar e direitos individuais, incluindo o direito à vida, constituem um reconhecimento do direito a um meio ambiente saudável, que por sua vez, está intrinsecamente ligado, tanto individual como coletivamente, aos padrões e princípios humanos universalmente reconhecidos” (p. 130).

Barral e Ferreira (2006) mencionam que o desenvolvimento sustentável visa à promoção da harmonia entre a humanidade e a natureza e, para que isso se concretize, é importante que exista um sistema político que assegure a democracia representativa; um sistema econômico capaz de gerar excedentes e desenvolvimento técnico; um sistema social que dimensione as consequências de um crescimento a qualquer custo e, por fim, um sistema de produção que respeite a obrigação de preservar o meio natural.

Somado a isso, é fundamental que o princípio dezenove, da Declaração de Estocolmo, seja observado no tocante ao trabalho que deve ser realizado na área de educação, sendo levado aos jovens e adultos as questões ambientais, como forma de instituir a base para informação, participação e conduta responsável com relação à proteção e melhoria do ambiente em toda sua dimensão humana (JUNGSTEDT, 1999). Fonseca (2007) menciona que o direito internacional facilita a participação de todos nos processos de governança, tornando mais efetivo o cumprimento e a implementação do direito ambiental nos sistemas jurídicos nacionais.

Assim, alguns dos princípios e preceitos discutidos na esfera internacional foram recepcionados e incorporados pelos ordenamentos internos de vários países. Dentre esses preceitos, pode-se citar o primeiro princípio da Conferência Mundial sobre Meio Ambiente que menciona que o homem tem o direito fundamental à liberdade, à

igualdade e a condição digna de vida em um ambiente de qualidade, mas tem a obrigação de proteger e melhorar o ambiente para as gerações presentes e futuras (JUNGSTEDT, 1999).

A partir da definição da importância da ação educativa nas questões ambientais, a Declaração de Estocolmo propiciou que, em 1975 fosse elaborado o primeiro “Programa Internacional de Educação Ambiental”, pela Conferência de Belgrado, onde foram estabelecidos princípios e programas de orientação para o desenvolvimento de uma educação ambiental internacional (BARRAL; FERREIRA, 2006).

Neste encontro – Conferência de Belgrado – também foram tratados outros temas importantes como a necessidade de erradicar a fome, o analfabetismo e a poluição sob o enfoque da ética global baseada no desenvolvimento (GALLI, 2007).

Nove anos após a Declaração de Estocolmo, o Brasil promulgou a Lei no 6.938 que dispõe sobre a Política Nacional de Meio Ambiente, seus fins e mecanismos de formulação e aplicação (PINTO et al.2011).

A promulgação da Política Nacional de Meio Ambiente, de 1981 é, na opinião de Milaré (2001), o primeiro grande marco histórico da legislação ambiental brasileira, isso porque, aí se conceitua ambiente, como objeto específico de proteção em seus múltiplos aspectos, institui o Sistema Nacional de Meio Ambiente – SISNAMA, além de se estabelecer a obrigação do poluidor de reparar os danos causados ao ambiente, de acordo com o princípio da responsabilidade objetiva.

Para Wainer (1999), o ponto de destaque da Lei no 6.938/81 (PINTO et al. 2011) está na consagração da responsabilidade objetiva ao se determinar que o poluidor é obrigado, independentemente da existência de culpa, a indenizar ou a reparar os danos causados ao ambiente em decorrência de sua atividade.

Para a teoria da responsabilidade objetiva basta a existência do nexo causal entre a atividade do agente e o dano dela decorrido para que haja a obrigação de repará-lo.

Esta lei merece destaque no ordenamento brasileiro pelo fato de ter-se introduzido conceitos básicos e disciplinadores em matéria ambiental, quais sejam,

meio ambiente, degradação da qualidade ambiental, poluição, poluidor e recursos ambientais.

A elaboração de instrumentos processuais, para Wainer (1999), foi sem dúvida um avanço ao ordenamento jurídico brasileiro, no entanto, pondera que a Lei Federal no 6.938/81 somente legitimou o Ministério Público da União e dos Estados para pleitear ações contra aquele que causa danos ao ambiente, quando, talvez, a ampliação desta legitimidade pudesse conferir maior proteção e defesa dos interesses ambientais.

Figueiredo (2008) considera que o Direito Ambiental no Brasil atingiu autonomia na década de 1980 com a elaboração de instrumentos processuais hábeis para a construção de uma jurisprudência autenticamente ambiental.

Embora não haja menção expressa, essa lei foi pioneira na adoção do princípio do desenvolvimento sustentável, ao exigir a compatibilização das atividades industriais com a proteção ambiental (SANTOS, 2009).

Nesta Política também se inova ao mencionar a educação ambiental, asseverando-se que esta deverá ser tratada em todos os níveis de ensino, ressaltando que é através da educação ambiental que a comunidade participará ativamente na defesa do meio.

A educação ambiental, da forma como é disposta na Lei (PINTO et al., 2011), passa a ser instrumento fundamental para se preservar, melhorar e recuperar a qualidade ambiental propícia à vida; se promover condições favoráveis ao desenvolvimento econômico e social; aos interesses da segurança nacional e à proteção da dignidade da vida (GALLI, 2007).

No artigo 4o desta lei também se demostra a importância da educação ambiental e da informação, ao se estabelecer que a Política Nacional do Meio Ambiente vise à difusão de tecnologias de manejo do ambiente, à divulgação de dados e informações ambientais e a formação de uma consciência pública sobre a necessidade de se preservar a qualidade ambiental e o equilíbrio ecológico.

Outro importante marco para legislação ambiental brasileira foi a edição da Lei no 7.347 em 24 de julho de 1985 (PINTO et al., 2011), onde se disciplinou a ação civil pública como instrumento processual específico para a defesa do ambiente e dos outros interesses difusos e coletivos (MILARÉ, 2001).

Essa Lei, na opinião de Galli (2007) surge como resposta à crise ambiental e amparada pelos movimentos sociais da época que, entre outras coisas, reivindicavam a evolução dos direitos humanos e a retomada da democracia após longo período militar.

Figueiredo (2008) compartilha desta opinião ao ressaltar que a promulgação da Lei da Ação Civil Pública (PINTO et al., 2011) marca a autonomia plena do Direito Ambiental no Brasil, uma vez que institui-se instrumento processual adequado para promover a proteção dos bens ambientais, que anteriormente eram tutelados através da proposição de ações ordinárias, de desapropriação, de reclamações trabalhistas, e com maior eficácia, por meio da ação popular, que por si só eram insuficientes para tratar de questões ambientais.

Nesta norma amplia-se o rol de legitimados para propositura de ação principal e cautelar que agora passam a ser, além do Ministério Público, a Defensoria Pública, União, os Estados, os Municípios, autarquias, empresas públicas, fundações, sociedades de economia mista e associações constituídas nos ditames da lei.

Cumpre destacar que ao se legitimar as associações, há incentivo e promoção da participação social na defesa ambiental, além de se autorizar que, face à inércia do Estado, outros podem pleitear a proteção do meio, ou seja, assumir uma postura de intervenção estatal.

Outro importante momento ocorreu em 1988 com a promulgação da nova Constituição brasileira (PINTO et al., 2010), onde se reservou um capítulo para tratar da proteção ao ambiente. E, de acordo com Milaré (2001), após a Carta Magna, nas Constituições Estaduais também se incorporou a temática e, em seguida nas Leis Orgânicas dos Municípios, além de no grande número de leis esparsas demonstrando a importância da proteção e melhoria do meio ecológico.

Silva (1997) ressalta que a Declaração de Estocolmo foi fundamental para que na Constituição, promulgada após o encontro, desse-se importância à questão ambiental.

“A Declaração de Estocolmo abriu caminho para que as constituições supervenientes reconhecessem o meio ambiente ecologicamente equilibrado como um direito fundamental entre os direitos sociais do Homem, com sua característica de direitos a serem realizados e direitos a não serem perturbados (…). O que é importante é que se tenha a consciência de que o direito à vida como matriz de todos os demais

direitos fundamentais do Homem, é que há de orientar as formas de atuação no campo da tutela do meio ambiente” (SILVA, 1997.p.69).

O constituinte elevou esse direito à categoria de direito fundamental a todos, ao classificar o ambiente como bem de uso comum do povo, elevando-o a categoria de bem publico, de patrimônio coletivo e ao afirmar ser essencial à qualidade de vida, não apenas como imprescindível para a sobrevivência, mas também para o bem estar coletivo (SANTOS, 2009).

Ao tratar dos fundamentos constitucionais sobre a proteção do meio, Silva (2002) afirma que:

“a Constituição de 1988, como típica constituição transformista, busca superar o liberalismo pela configuração de um Estado Democrático de Direito, com marcado acento nos valores que emanam dos direitos de 2a geração (valores sociais) e 3a geração (solidariedade). E a proteção do meio ambiente, como se nota , manifesta-se como um direito fundamental de terceira geração. (…) Não tem apenas uma dimensão