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3. EDUCAÇÃO AMBIENTAL EM ESCOLAS DO PARNASI

3.3 PRINCÍPIOS DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL EXPLORADOS NAS ESCOLAS DO

3.4.1 Identidade profissional dos professores das escolas do PARNASI

Após tudo que foi discutido até aqui, acreditamos ser importante acrescentar uma discussão sobre formação inicial e continuada dos professores que atuavam nas escolas do PARNASI. Compreender a formação como um processo contínuo e permanente no exercício da formação docente.

As entrevistas realizadas com os professores contemplaram inicialmente informações sobre a formação inicial e continuada desses profissionais, bem como, tempo de exercício no magistério e relação com a comunidade. No primeiro momento das entrevistas obtivemos dados pessoais e informações sobre a trajetória profissional de nossos entrevistados. Eles responderam ainda sobre o tempo de exercício profissional na escola investigada. Além da relação dos profissionais da educação com as comunidades buscamos levantar informações sobre a formação acadêmica deles. Buscamos compreender o nível de especialização dos professores e a frequência com que eles se dedicavam à formação continuada. Tudo isso nos ajudou a situá-los frente a suas práticas pedagógicas.

Constatamos que os professores pesquisados são pedagogos e trabalham com o primeiro ciclo do Ensino Fundamental; destaque para dois professores que possuem uma segunda graduação em ciências biológicas. Algo que identificamos na fala dos entrevistados e consideramos relevante foi o fato de todos os entrevistados possuírem alguma especialização e estarem ligados a um curso de formação continuada, mostrando que os docentes não encerraram a formação na graduação, pelo contrário, deram continuidade aos estudos.

A participação em cursos de formação continuada na maioria dos casos ocorre através de órgãos como as Secretarias Municipal e Estadual de Educação, além de cursos oferecidos pela Universidade Federal de Sergipe, seja em parceria com as secretarias ou durante iniciativas individuais. As especializações na maioria dos casos eram cursadas em instituições de ensino privadas, enquanto que, na formação continuada os entrevistados geralmente davam preferência aos cursos gratuitos.

Além das dificuldades de formação muitas vezes não há capacitação para os professores. Esses profissionais em muitos casos não encontravam o apoio e a estrutura necessários para dar continuidade aos trabalhos. A ausência de coordenador pedagógico,

em uma das escolas investigadas, foi apontada como um dos motivos que dificultava a articulação de atividades nas quais toda a comunidade escolar estivesse envolvida.

Acredito assim, um coordenador pode observar o que a escola está precisando e fazer um projeto em cima, em cima daquilo que a escola precisa trabalhar, mas lá não tem projetos que a gente realiza. Tem o apoio da diretora, mas não tem esse apoio pedagógico, vamos dizer assim, de um coordenador. Uma escola que tem um coordenador ele sempre vê, observa alguma coisa, ai diz vamos fazer um projeto disso, um projeto de leitura vê o que está precisando. (Professor 4)

É importante ressaltar que é justamente a escola que não contava com suporte pedagógico de um coordenador, que enfrentava maiores dificuldades em realizar projetos, inclusive projetos de educação ambiental, e que não realizava atividades sobre o PARNASI, nem tão pouco ocorriam discussões sobre a UC . Quando a escola não contava com o apoio de um coordenador pedagógico as responsabilidades que seriam exercidas por esse profissional acabavam sendo delegadas ao diretor da instituição de ensino, nesses casos o profissional acabava assumindo a dupla função e o que ocorre é a sobrecarga de responsabilidades. Não bastante, era comum que os gestores dedicassem maior atenção às questões administrativas e burocráticas, deixando o apoio pedagógico em segundo plano.

Mesmo com a ausência de orientação pedagógica os professores se uniam para promover espaços de conhecimento acerca da problemática ambiental, ficava evidente na fala dos entrevistados o esforço de promover momentos de reflexão e contato com a natureza, ações que visavam envolver os alunos em atividades práticas, nas quais eles possam protagonizaram e socializaram os conhecimentos adquiridos em sala de aula.

A gente sempre faz projetos na semana do meio ambiente, faz uma semana de, onde cada turma realiza atividades e apresenta para outras, entendeu? A gente faz assim: monta o projeto e vai executando ao longo da semana e ai tira o último dia mais próximo do dia do meio ambiente pra fazer a culminância de uma turma apresentar paras demais. (Professor 1)

A fim de analisar a relação e o grau de identificação dos professores com a comunidade, pré-estabelecemos alguns pré-requisitos:

A ideia inicial era entrevistar professores com tempo de exercício na escola igual ou superior a três anos, mas encontramos dificuldades em encontrar professores com esse perfil. Isso se deve ao fato dos profissionais serem constantemente removidos de

suas lotações. E assim entrevistamos professores com tempo de trabalho nas escolas igual ou superior a dois anos. A abordagem desse grupo de sujeitos também teve como preocupação descobrir a relação que eles possuem com a comunidade, investigando os motivos que os fizeram escolher a Escola na qual trabalham. Na maioria dos casos os professores não residiam nos povoados e as relações que estabeleciam com a comunidade se restringiam às atividades da própria escola.

Saber quem são os moradores que ali residiam, de onde vieram ou se eram naturais do povoado, foi uma questão que nos ajudou a esclarecer a dinâmica populacional da comunidade e o quanto a UC investigada contribuiu para o aumento ou diminuição do fluxo de pessoas, pois todos esses elementos são fatores que podiam estar relacionados entre si. De acordo com Ennes (2010, p.33) identificar a ligação do morador com o povoado no qual residia permitiu “verificar há quanto tempo o ancestral mais velho da família mudou-se para o povoado, auxiliou a obter informações que permitiam construir a trajetória de moradores nos povoados e o seu nível de enraizamento histórico e cultural”.

3.4.2 Parque Nacional Serra de Itabaiana e a construção identitária nas