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3 OS IDOSOS DA CONTEMPORANEIDADE E O ENVELHECIMENTO

3.3 IDOSOS E QUESTÕES DE USABILIDADE E NAVEGAÇÃO

Em sistemas hipermídia, o usuário recebe diversos estímulos visuais e auditivos, que disputam a atenção e podem dificultar a navegação do usuário. Essa diminuição das capacidades sensoriais e cognitivas em idosos altera a qualidade da navegação em sistemas digitais, deixando-os dispersos e perdidos no percurso.

Rocha e Padovani (2016) utilizam conceitos de usabilidade e de

acessibilidade para explicitar os problemas que podem ser encontrados na utilização de smartphones por idosos, tais como: problemas cognitivos e fisiológicos comuns à idade avançada que diminuem a percepção, atenção, memória além de diminuir o controle de movimentos e a sensibilidade tátil.

Para entender o conjunto de processos inerentes ao envelhecimento que podem prejudicar a usabilidade de interfaces por idosos, Rocha e Padovani (ibidem) criaram uma tabela que elenca as principais consequências da falta de cuidados com o projeto de interfaces em relação aos idosos:

Tabela 10 - Interação entre elementos de interface de smartphone e sistemas sensoriais de idosos. Elemento de interface Sistema sensorial Consequência

Texto Visual Dificuldade de distinção de letras e palavras;

Cor Visual Alteração na percepção das cores e diminuição da sensibilidade do contraste podem prejudicar a compreensão de significados adotados

por convenção;

Ícones Visual Dificuldade de percepção e interpretação da aplicação;

Feedback Sonoro

Auditivo Dificuldade de percepção se uma função foi ativada ou tarefa realizada com sucesso;

Tela Sensível ao toque

Háptico Dificuldade para sentir a quantidade de pressão aplicada sob a tela e movimento gestual com os dedos ineficaz.

Fonte: Rocha & Padovani (2016)

Existem alguns guias sobre a aplicação dos princípios do design em projetos para smartphones, Padovani e Napo (2016) sugerem, entre outros aspectos: modelo descritivo, listas de verificação e roteiros para avaliação de aplicativos e interfaces, elas ainda indicam quatro categorias de princípios para interfaces digitais:

Contexto: relativo ao contexto no qual o smartphone é utilizado; Personalização: sobre a possibilidade de customizar o smartphone; Diálogo: interação proporcionada pelo feedback da interface;

Design: eficiente e agradável ao uso.

Associando os princípios aos processos cognitivos, as autoras propõem que seja utilizado o feedback tátil pois muitas vezes, por conta do contexto, os usuários não podem olhar o smartphone enquanto o utilizam e perdem avisos na tela,

ocasionando em falta de controle sobre as ações que estão sendo realizadas. Além disso, elas ressaltam que na questão estética, é necessário observar que a interface móvel não é apenas uma miniaturização do desktop. Sobre a interação de idosos com o smartphone destacam-se:

Interação eye-free: alguns idosos apresentam movimentos trêmulos nas mãos, aconselha-se que a disposição de elementos na tela não seja tão próxima;

Feedback: muitas vezes eles não percebem que uma ação foi iniciada e é

necessário que o sistema informe sempre o que está acontecendo; Estética: Configuração da interface de acordo com o gosto do idoso a fim de

facilitar a visualização;

Unidade: mudanças de marcas e cores podem alterar a percepção do

sistema pelo idoso, é necessário haver uma unidade gráfica do sistema como um todo.

Miniaturização: Por conta do déficit dos sistemas háptico e visual, o idoso pode encontrar problemas nos movimentos de zoom para poder visualizar as informações.

Sobre o Princípio da atenção dividida: Padovani e Napo (ibid., p.43) informam que "Utilizar o smartphone, em geral, não é a principal tarefa do usuário. Projete interfaces que minimizem a necessidade de atenção, prioridade para o

reconhecimento e uso de imagens e diferenciação", ainda sobre os princípios, eles sugerem que seja utilizada a operação one-hand "Na maioria das vezes, o usuário não tem as duas mãos disponíveis para interagir com o smartphone. Evite

movimentos gestuais complexos ou que necessitem de acionamento sequencial em partes opostas da tela."

Sobre o princípio da movimentação:

"Interagir em movimento diminui a precisão do usuário. Evite a necessidade de movimentos gestuais muito pequenos. Exija confirmação para ações de consequência grave, pois o usuário pode ter acionado algo sem querer enquanto se move." (PADOVANI & NAPO, ibid.)

Como síntese da interação relativa à ATENÇÃO dos idosos, os autores trazem:

Atenção dividida: eles não têm problemas em focar a atenção, mas, ao utilizar o smartphone, está sujeito a vários estímulos ao redor. O que pode gerar confusão ou até irritabilidade;

Operação one-hand: com o déficit do sistema háptico, exigir o uso de duas mãos pode dificultar o uso do smartphone;

Movimentação: a presença da tela de confirmação é necessária para que o usuário possa cancelar uma ação que possa causar a perda de dados e frustração do usuário;

Entrada de dados: utilizar complementação automática de palavras pode reduzir o tempo perdido na tentativa de digitar no teclado padrão do sistema;

Condução: O sistema precisa se auto explicar pois os idosos nem sempre têm alguém que possa explicá-los como fazer determinadas tarefas. Sem isso pode haver perda de tempo e frustração;

Controle: Cada etapa da tarefa deve estar bem explicitada para que o idoso tenha noção do que ele pode fazer, inclusive de que se ele encerrar a tarefa ele pode ser obrigado a refazer tudo outra vez;

Onde estou? o idoso necessita saber em que etapa e local está, deve-se informar a localização da tela para que ele não se perca;

Gestão de erro: criar mensagens que não o confundam. Muitas vezes os idosos interpretam os erros do sistema como sendo erros pessoais. É importante lembrar que os idosos possuem algumas restrições relativas a memória, para isso é necessária uma certa flexibilidade, segundo Padovani e Napo (ibid.) "Muitas vezes o usuário é solicitado enquanto interage com o smartphone. Permita que tarefas sejam interrompidas, pausadas, salvas (mesmo que

incompletas) para retomada posterior.", eles ainda dizem: "Permita que a mesma tarefa seja realizada por diferentes caminhos e utilizando diferentes estilos de interação".

O segundo princípio do grupo de personalização é a possibilidade de criar atalhos, que Padovani e Napo (ibid.) detalham como: "Agilidade é uma das maiores exigências dos usuários em mobilidade. Permita que os usuários criem atalhos para as ações que realizam com mais frequência." ainda sobre personalização, eles sugerem que se invista em lembrança, compreendido por Padovani e Napo (ibid.) como "Salve as configurações e preferências dos usuários para seus aplicativos usados em rede. Permita que acessem-nos do seu jeito, independente do dispositivo em que façam o acesso."

Adaptabilidade, que Padovani e Napo (ibid.) informam como: “Conheça a maneira como seu usuário interage e suas preferências (perfil de interação). Quando ele se conectar, filtre, reposicione, sugira opções, com base nesse perfil de

interação”.

Quanto ao grupo de princípios design, tem-se o princípio consistência,

explicado por Padovani e Napo (2016, p. 46): “Elementos de aparência semelhante devem funcionar de maneira semelhante. Esse princípio se aplica à diagramação, áreas sensíveis, ferramentas, indicadores de localização”.

Metáforas, que Padovani e Napo (ibid., p. 46) elucidam: “Utilize metáforas para facilitar o aprendizado de ações e ferramentas da interface. Assim o usuário pode trazer seu aprendizado do mundo real para dentro do digital”.

A relação entre a memória e os princípios citados na interação do usuário idoso com um smartphone é exposto da forma que segue:

Interrupção: possibilidade de ele não lembrar o que estava fazendo ou do caminho para chegar onde estava.

Flexibilidade: os idosos podem esquecer de como realizaram uma nova tarefa, e tentar fazê-la por outro caminho.

Atalhos: este princípio ajuda os usuários idosos a não precisarem memorizar caminhos complexos que por vezes podem ser esquecidos.

Lembrança: um idoso que adquire outro smartphone, pode esquecer de aspectos configurados no aparelho anterior e terá que lidar novamente com possíveis dificuldades da interface.

Adaptatividade: para o idoso esse princípio auxilia para que este não dependa tanto da memória (que está comprometida) para realizar suas tarefas.

Consistência: este princípio é essencial para que o usuário idoso não sinta que perdeu tudo o que foi aprendido sobre a interface de um smartphone em relação a um smartphone novo, importante também para que não realize ações erradas e favoreça a memória de longo prazo e

intermediária (que não são afetadas pelo processo de envelhecimento). Metáforas: este princípio propicia especialmente a memória de longo prazo,

permitindo ao idoso fazer associações entre os elementos presentes na interface do smartphone com objetos que eles já conhecem.