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A Reação é uma Revolução?

Na revista “A Ordem”, Jonathas Serrano discute o conceito de Revolução. Questiona se tal conceito remete a uma simples mudança política institucional ou a uma transformação violenta da opinião pública em um Estado. Indaga a si e aos leitores o quanto os movimentos em prol de grandes conquistas sociais, como a abolição, não desembocam em lutas fratricidas. Termina a introdução do artigo oferecendo, como exemplo histórico, conflitos ocorridos em solo estadunidense. Para Serrano, a abordagem das Revoluções vem quase sempre equivocada ou confundida com termos como motins e revoltas: “Supor que revolução é rebeldia condenável é um erro. Nesse contexto limitado de revolução como casos de insurreição política, revoltas contra a autoridade, não considerando as revoluções sociais, fora mutilar o sentido do vocábulo75”.

Serrano busca ampliar sua discussão introduzindo o conceito de obediência e sua relação com o cidadão. Como também representa em sua formação intelectual a área jurídica, argumenta que é o primeiro dever do cidadão, em sua relação com o Estado, obedecer às leis. Serrano defende uma obediência que não seja originada pelas penas que possam ser aplicadas aos infratores, classificando este comportamento como a obediência dos pussilânimes, mas uma obediência oriunda em: “virtude íntima de que o indivíduo em consciência está obrigado a submeter-se às leis de seu país, desde que não sejam manifestamente injustas ou tirânicas (Serrano, 1922: 26). Dessa forma, conclui que só há liberdade para o cidadão quando a lei justa está garantida, pois apenas dessa forma é possível o exercício harmônico do direito de todos. Prossegue Serrano argumentando que obedecer é concorrer para o equilíbrio social, uma vez que sem obediência não há ordem e sem ordem a liberdade não pode existir76:

“E se todo poder legítimo deriva da fonte suprema de que promanam a Moral e o Direito, obedecer a lei é reconhecer praticamente a Ordem universal, e a desobediência fora uma inhúria à inteligência ordenatriz. Energicamente, o afirma São Paulo: „Qui resistiti potestati, Dei ordenationi resistiti77‟”.

75 Serrano, Jonathas. (1922). “Revoluções”. In Revista A Ordem. 2(14): 26-27, Rio de Janeiro,

setembro.

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Dessa forma, a Liberdade, não longe das argumentações de Montesquieu, pode ser entendida como qualquer ato humano regulado pelo Direito.

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Chega o momento de confronto entre o que Serrano entende por “teoria revolucionária” versus “doutrina cristã. O que Serrano toma por teoria revolucionária é facilmente reconhecido no contratualismo de Jean-Jacques. O jurista comenta que a teoria revolucionária defende a insurreição como um dever decorrente da soberania do povo. Ataca toda defesa de que:

“Se todo direito resulta apenas da vontade geral, se ao povo cabe escolher, ao seu bel prazer, seus governantes, se outro princípio mais alto não rege a própria vontade popular, a revolução é sempre lícita, nunca propriamente há insurreição, visto que o poder de mudar as instituições se conserva inalienável nas mãos do povo soberano78”. Para o autor, tal argumento é uma anarquia latente tendo como resultado lógico a anarquia de fato.

O argumento que trata da resignação cristã quanto a um dever de obediência é um claro argumento de defesa dos motivos da Reação Católica que faz Serrano, porém não o faz, como veremos, em aberto. O artigo ao qual estamos nos referindo é seu terceiro artigo publicado em A Ordem. Os dois anteriores trataram de temas como filosofia no Brasil e o pe. Júlio Maria e integraram capítulos do livro de Serrano sobre o padre. Seu quarto artigo, um poema dedicado ao centenário de Independência do Brasil (o qual também vamos trabalhar), também trataria dos interesses da Reação. Os seis próximos artigos comporiam o restante da biografia sobre o padre Júlio Maria. É plausível que Serrano tenha sido solicitado, ou levado por si mesmo, a se apresentar logo em defesa e justificativas dos interesses da Reação.

A doutrina cristã apresentada por Serrano defende que todo poder é divino em sua origem79. Porém, a personificação do poder político está sujeito às contingências humanas, sendo este por natureza amissível. Começam as críticas, as advertências e a legitimação:

“Se o poder legítimo quiser obrigar-nos a cometer uma injustiça, não devemos obedecer e resistiremos. Assim também se nos quiser oprimir, fazendo-nos então a nós próprios vítimas da injustiça. Resistiremos passivamente, dentro da lei. Se, porém, não basta a resistência passiva pelos meios legais, é lícito ir até a resistência ativa, à mão armada, até depor o tirano que abusa do poder, arruinando a sociedade80”.

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Serrano, jonathas. (1922). Op. cit, p. 26.

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Ibdem.

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Após esse forte discurso, o professor busca uma amenização de suas próprias palavras quanto ao recurso à violência: “Não é, porém, lícito usar de tais extremos quando o abuso do poder não vai a ponto de comprometer a estabilidade social, pois então pior seria o remédio do que o próprio mal81”. Onde residiria, então, a diferença entre a teoria revolucionária e a doutrina cristã? A doutrina da Igreja também não se rebela perante governantes que julga como déspostas ou tiranos? E a ponto de incitar a revolta à mão armada no caso de permanência da intransigência por parte destes? Não reside aqui a defesa do direito da Igreja se rebelar contra aqueles que a afastaram de suas áreas de interesse?

A primeira diferença reside no que o próprio Serrano criticou internamente no argumento da teoria revolucionária: “se outro princípio mais alto não rege a própria vontade popular”, o que mostra que para o autor a vontade popular por si só, como nas palavras do próprio em linhas acima, leva logicamente a uma anarquia de fato. A Igreja, por sua vez, é por excelência dotada do mais alto dos princípios. A legitimidade da Igreja está com Deus e ao povo não lhe resta outra vontade que não a de seguir os desejos de seu criador. Serrano recorre aos argumentos de Suarez e Bellarmino:

“Deus é a fonte do poder, mas o povo é o canal; quando se desfaz dele em favor de um determinado sujeito, individual ou coletivo, por assentimento expresso ou tácito, conserva-o potencialmente, radicalmente, pois o poder só pode ser concebido sob a condição de que a pessoa dele investida não abuse de forma que impossibilite o fim para o qual ele lhe foi dado: o bem comum. Está a sociedade em caso de legítima defesa82.

Serrano termina o artigo citando Chateubriand e seu estudo sobre revoluções, observando que, na argumentação do autor sobre a tarefa de penetrar nas causas destas, o historiador sempre se depara com algo que lhe foge: “um não sei o que, oculto em não sei onde, que parece ser a causa eficiente de todos os grandes movimentos83”. Seguindo as palavras de Chateubriand, argumenta o autor que uma revolução é consequência e princípio de outra (ação e reação?). Finda então seu artigo defendendo que cada teoria tem seu método e forma de explicar os acontecimentos (revolucionários), sendo as grandes épocas ricas de homens superiores.

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Serrano, Jonathas. (1922). Op. cit, p. 26.

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Ibdem.

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A Decomposição tem um propósito na Reação. A Palavra, sua Arte e sua Análise

Em linhas acima, nos referimos a uma determinada literatura conservadora e radical produzida por autores católicos. O contexto mundial de um pós-guerra e de uma crise econômica contribuía para a exploração emocional das massas quanto à elaboração de uma atmosfera messiânica de heróis salvadores, poetas do povo em uma necessária condição de transformação da atual situação política no que cunharam por Estado poético. Não é por menos que 1930 é também a década das publicações biográficas. Em todo século XX, nunca se produzira em outras décadas tantas biografias de personalidades políticas relacionadas às grandes épocas com seus Artesans (homens superiores). Vimos que Serrano defende em seus discursos que o artesan deve ser um exímio conhecedor da palavra e falar ao povo de sua pátria através da mais pura linguagem poética que, por sua vez (tal linguagem – poética/poesia), necessariamente converge com a religião. No capítulo anterior, mostramos o que é o Artesan e quais catacterísticas e qualidades este deve possuir. Daremos sequência agora ao discurso do autor quanto à formação (educação) tanto do Artesan quanto a do apostolado católico.

A ideia de que poesia e religião se encontram numa necessária relação de convergência reside no que o autor prega como o velho pensamento de Alexandre Herculano: “religião e língua são duas cadeias de bronze que prendem as gerações presentes as passadas e que, perpetuando-se através das idades, constituem a Pátria84”. O autor prossegue defendendo o idioma como um dos fatores que mais concorrem para a integração da alma nacional, sendo a defesa da língua necessária quando ferida em sua vernaculidade ou pureza, não devendo ser afigurada como: “um mero ofício de gramáticos ou de impertinentes fanáticos da forma, como que jansenistas do léxico85”. Serrano relata que o idioma nacional se vê rodeado de um perigo não imaginário, mas real e temível aos olhos daqueles que enxergam no desprezo do patrimônio cultural uma deliberada e, às vezes inconsciente, ameaça à consciência cristã dos homens livres e dispostos a conservarem e defenderem as diferenciais características católicas.

Serrano insiste no que denomina “aspecto psicológico da palavra”, que seria o efeito total produzido pela força da expressão e que também se relaciona com a vida integral do Eu. Não é apenas sensibilidade e inteligência, mas, sim, segundo suas palavras, também e, acima

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de tudo, vontade consciente, livre e responsável, dotada de capacidade de agir e de reagir, de querer e executar. O autor expõe uma grande preocupação com determinadas propagandas, órgãos de imprensa e peças de teatro, uma vez que a importância da arte da palavra reside em qualquer que seja o gênero em que esta seja empregada, e seu poder de sugestão ser proporcional à técnica e a sedução estética utilizada. Em um outro trecho do mesmo artigo, busca forças em uma citação de José de Alencar: “Todo homem, orador, escritor ou poeta, todo homem que usa das palavras, não como um meio de comunicação de suas ideias, mas como um instrumento de trabalho... deve estudar e conhecer a fundo a força e os recursos desse elemento de sua atividade86”.

Adverte o professor Serrano sobre um equívoco lógico que carrega o termo estilo. Apresenta como único meio para desfazer tal equívoco o exemplo de um conhecido filósofo, matemático, jurisconsulto e historiador: “o grande Leibniz, de quem disse Fontelle: il y avait plusieurs grands hommes em lui87”. Prossegue Serrano acerca de Leibniz (via Fontenelle) que para evitar incompreensões que com frequência degeneram em lamentáveis divergências, o melhor caminho é definir cuidadosamente, desde o início, cada um dos termos importantes do assunto versado. Segundo o professor, esse é um hábito de geômetra, mas digno de aplausos e de imitação. Convida seus leitores à imitação do exemplo, pois: “Estilo para nós é a maneira peculiar de exprimir cada um os seus estados de consciência88”. Nesses termos propostos, o estilo, nas palavras do autor, revela a fisionomia intelectual do indivíduo, suas feições psicológicas, sua expressão ou exteriorização de seu próprio eu interior. O estilo nesse ponto de vista não é apenas algo aplicável em literatura, mas no âmbito geral e a todos, como os sábios e iletrados, uma vez que todos sentem, pensam, exprimem, bem ou mal e a seu jeito, o que se passa no mundo interior.

O professor Serrano apresenta três categorias principais de estilo para, posteriormente, oferecer bons e maus exemplos a seus leitores. O estilo pode ser: 1) simples ou natural, b) médio ou apurado e, c) sublime ou pomposo. Os bons exemplos são apresentados na opção 1, na qual, em suas palavras, aparecem as incontestáveis qualidades de João de Deus e Manuel Bernardes, escritores irresistivelmente singelos e sem afeites rebuscados, mas de genuína e sedutora beleza e mestres da simplicidade. Exemplos ausentes de tais qualidades ficam por conta dos seguintes nomes: “os Vieiras, Castilho, Rui Barbosa e Alberto de Oliveira. Para Serrano, tais autores em suas obras procuravam “graça e louçainhas de estilo”, sendo tanto o

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Serrano, Jonathas. A Arte da Palavra. Op. cit, p. 2.

87 “Houve vários grandes homens nele”. Serrano, Jonathas. Estilo e Forma Literária. Fundo Jonathas

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erro destes quanto o de muitos pensarem que a pompa e a opulência verbal, os ornatos e figuras são o suficiente para dar valor à forma literária e ao próprio estilo pessoal. O professor entra na questão do alcance do sublime da velha retórica na produção literária. Coloca que o sublime em autores como Homero, Shakespeare, Corneille, Camões e Paulo de Tarso não é o rebuscado, o complicado ou dependente de galas da expressão, mas resultantes de formas simples e naturais. Dessa forma, o que Serrano transmite a seu público é a não preocupação em ser sublime ou pomposo. A opção 2 já fora apresentada pelo mesmo (em parágrafo anterior) como condição necessária para o estilo, logo o que se entende é que basta a seu público que seguir a opção 1 da simplicidade que o sublime será atingido naturalmente.

É na “lição” sobre as “Qualidades e Defeitos do Estilo89” que o professor Jonathas

Serrano associará as qualidades do estilo literário como os da fala poética – requisito de suma importância já visto para os artesans – em uma comparação com a música da frase: “A psicologia experimental confirma a influência do ritmo, a magia dos sons, o poder sugestivo de certas formas de expressão90”. Ressalta o professor que o verso possui efeitos específicos inegáveis sobre a memória e a sensibilidade, estando presente na linguagem humana desde épocas remotas. Aproveita o momento para atacar aqueles a quem chama de ingênuos inimigos do soneto e de toda poética tradicional, avisando que esta nunca desaparecerá e que, no atual momento em que vive, já é possível assistir ao retorno dos modelos antigos. Fala então sobre a poesia religiosa, tendo esta surgida no velho oriente com admiráveis recursos de imagens e metáforas originais ainda não superadas e com ritmos e música adequada ao gênio de cada idioma. Os exemplos fornecidos ficam por conta dos poemas indús, o Mahânhárata, o paralelismo hebraico, rico de elementos emocionais, nos Salmos, no Cântico dos Cânticos e em toda poesia bíblica.

O professor ressalta a importância do jogo das vogais. A preferência entre uma e outra está diretamente relacionada com o efeito procurado, juntamente com o emprego de certas consoantes para fins imitativos ou sugestivos que influem na música misteriosa. Serrano apresenta como as qualidades do estilo e da forma a eufonia, a propriedade, a pureza ou vernaculidade, a clareza, a concisão e a certeza. Estas devem seguir um critério de análise lógica que Serrano define como a complexidade crescente das operações intelectuais. Assim, devem ser consideradas a ordem das ideias, juízos e raciocínios: “as ideias se exprimem por

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Serrano, Jonathas. Qualidades e Defeitos do Estilo. Fundo Jonathas Serrano, caixa 10, pacote APSS, código: DP 110, p.1.

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termos, os juízos por meio de proposições e os raciocínios por argumentos91”. Segue o professor lecionando que na ordem das ideias a forma dos termos é a primeira consideração a ser feita e posteriormente o que se entende por seu valor significativo: a eufonia e a propriedade. A eufonia é a responsável pela música da frase, “o som agradável aos nossos ouvidos92”. A propriedade, também chamada nesse momento por Serrano de precisão, tem por função evitar os equívocos: “pois só empregaremos os termos adequados, próprios, precisos, unívocos, para expressão das ideias93”. Os defeitos opostos das qualidades são apresentados por Serrano através da cacofonia (cacófato, hiato, colisão, eco) e a impropriedade (sinonímia defeituosa, circunlóquio vicioso, estrangeirismo vocabular, hibridismo).

A pureza e a vernaculidade são apresentadas pelo professor como as qualidades da ordem dos juízos, opondo como seus defeitos a impureza de linguagem (solecismo, pleonasmo, estrangeirismo sintético) e a obscuridade (ambiguidade ou anfibiologia, sínquise ou hipérbato exagerado, laconismo vicioso e perturbador da exata compreensão). A ordem do raciocínio adentra no âmbito da lógica, sendo suas qualidades a concisão e a certeza e seus defeitos opostos a prolixidade e a falsidade. Por prolixidade, Serrano define tudo aquilo que abrange a verbosidade e a digressão. Apresenta um problema com relação à falsidade. Esta inclui sofismas e paralogismos, se tratando de raciocínios voluntários ou involuntários, ambos falsos, sendo uma distinção de ordem moral ou ética e não propriamente lógica, uma vez que esta, numa citação que Serrano faz de Sortais, não cogita das intenções. O professor finda essa lição com a seguinte observação: “No caso da arte da palavra tomada no seu sentido psicológico total, a força sugestiva da expressão muitas vezes sofre a influência grave e decisiva não só de sofismas como de paralogismos94”.

A procedência de uma análise literária correta é outra preocupação encontrada em Jonathas Serrano em seus artigos e palestras nas mídias católicas voltadas para o público fiel e expansão do mesmo. Serrano define análise como um processo de decomposição de um todo em suas partes, sendo um processo que consiste em ir do mais complexo ao menos complexo. Analisar um texto qualquer é decompô-lo, separando os elementos que lhes são constitutivos para melhor apreciar o que há nele de belo e de verdadeiro, percebendo assim o nexo das diferentes partes, penetrando no âmago da própria frase. Mais adiante, prossegue Serrano dizendo que analisar é dividir as partes heterogêneas e componentes, e fornece um prático

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Serrano, Jonathas. Qualidades e Defeitos do Estilo. Op. cit, p. 2. Os sublinhados constam no documento original e foram realizados pelo próprio Serrano.

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exemplo: “tanto o açougueiro quanto o anatomista cortam e separam, mas só o segundo analisa e disseca95”. Assim:

“Todas as ciências praticam a análise. O químico, ao decompor as substâncias; o anatomista, ao dissecar um órgão; o mecânico, ao desarmar máquinas; o botânico, ao examinar separadamente as diversas partes de uma flor; o psicólogo, que distingue n‟alma os fenômenos de inteligência, de sensibilidade e de vontade; o literato, que sabe tirar de uma tragédia as ideias que a compõem; um geômetra, ao reduzir os estudos dos sólidos ao das superfícies que o limitam e o das superfícies aos das linhas – todos fazem análises96...”.

Realizado o processo de análise, Serrano expõe a necessidade de se proceder à síntese, processo que envolve a recomposição das partes do todo que a análise decompôs. A síntese, diz o professor, não é apenas um trabalho de conhecimento minucioso das diferentes partes de um objeto, mas é também a apreensão das relações recíprocas e da parte de casa uma na ação conjunta:

“Diante de uma belo quadro ou de um magnífico panorama, temos uma primeira impressão de conjunto mais ou menos confusa; pouco a pouco, o olhar vai descobrindo o encanto desta e daquela minúcia, tomam relevo aspectos que nos primeiros instantes nem talvez houvéssemos percebidos bem; chegamos enfim a uma visão total e exata, muito mais rica e significativa97”.

A verificação da verdade do argumento é responsabilidade, segundo palavras do professor Serrano, da análise lógica, a qual atua em um ponto intermediário entre as análises léxicas e literárias98. A análise lógica – verificação da verdade – atua em conjunto com a análise sintática. Assim explica Serrano que a análise é sintática enquanto for apenas pesquisa sobre as relações existentes entre os termos internos da cada proposição, da construção, da ligação e da disposição das várias orações em cada período; passando a ser lógica quando tiver por objetivo a verificação da verdade ou força do argumento, a exatidão ou falsidade dos juízos, a propriedade ou impropriedade dos termos. Para que a análise lógica seja

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Serrano, Jonathas. Análise das Análises. Fundo Jonathas Serrano, caixa 10, pacote APSS, código DP 110, p. 1. 96 Ibdem. 97 Ibdem. 98

Serrano exemplifica em um pequeno quadro os quatro processos possíveis da análise de um trabalho escrito qualquer que seja: a) análise léxica; b) análise sintática; c) análise lógica e; por fim, d) análise literária.

corretamente realizada, é necessário que se conheça bem cada trecho (parte), as relações entre as partes existentes e o valor exato de cada termo. A análise literária corresponde ao que Serrano define como último processo de análise de um trabalho escrito, sendo também nomeada pelo professor por análise integral ou total desse trabalho escrito. Explica que “só a leitura definitiva e meditada a permite. Só então se torna possível apreciar a obra em toda a sua beleza e força de expressão99”. Após explicar a palavra, seu uso e sua arte e como o

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