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2. REVISÃO DE LITERATURA

2.10. INFLUÊNCIA DO PESO CORPORAL E IDADE SOBRE A PUBERDADE

da remoção de um dispositivo com progesterona ou no momento da inserção do

dispositivo, poderia ser obtida uma maior taxa de crescimento do folículo dominante, do

que quando a prostaglandina é administrada no momento da remoção do dispositivo

com progesterona. O que foi demonstrado por Cutaia et al. (2007), tratando novilhas

cruza Bos indicus com dispositivos contendo 1 g de progesterona, e fracionando a dose

de prostaglandina em duas aplicações, uma administrada no dia da inserção do

dispositivo e outra no dia da retirada, obtiveram neste grupo de animais uma maior taxa

de prenhez à IATF em relação às novilhas que receberam a dose total de prostaglandina

no momento da retirada dos implantes (62,7 x 49,6% de prenhez, respectivamente).

Entretanto, em outros dois experimentos, Cutaia et al. (2007) não encontraram

diferenças entre as taxas de prenhez obtidas utilizando os mesmos tratamentos (35,3 x

40,8%; e 45,6 x 49%, para prostaglandina no D0/8 e no D8, respectivamente).

Adeyemo (1987), estudando os efeitos da aplicação da prostaglandina sobre os

níveis de progesterona plasmática em novilhas, observaram que nas tratadas a

progesterona plasmática caiu de 2 ng/ml uma hora antes da injeção de prostaglandina,

para 0,7 ng/ml 24 horas após e 0,2 ng/ml ao terceiro dia. Nas novilhas que não

manifestaram estro, antes da aplicação da prostaglandina os níveis de progesterona

variavam entre 0,2 a 0,9 ng/ml no plasma. Após o tratamento, os níveis plasmáticos de

progesterona nos animais aumentaram para 3,3 ng/ml. O pico de progesterona seguinte,

após a injeção de prostaglandina, foi observado antes nas novilhas que entraram em cio

(4-5 dias) em relação às novilhas que não entraram (6-7 dias). De outra parte, não houve

diferenças nos níveis de progesterona entre ciclos estrais não sincronizados e os

desenvolvidos após a aplicação de prostaglandina, sugerindo que o desenvolvimento do

corpo lúteo e a secreção hormonal não são influenciados ou alterados pela

prostaglandina exógena.

2.10.Influência do Peso Corporal e Idade sobre a Puberdade

Estipula-se, em geral, que as novilhas deveriam apresentar pesos corporais

pré-acasalamento correspondentes a 65% do peso maduro registrado para aquele genótipo.

Assim, apenas quando novilhas atingem um peso alvo pré-determinado geneticamente,

altas porcentagens de prenhez podem ser obtidas nesta categoria animal (PATTERSON

et al., 1999). Para a ocorrência da primeira ovulação na novilha, o peso é mais

importante do que a idade, devido ao fato de que a nutrição inadequada provoca atrasos

na puberdade. Em contrapartida, a melhora no nível nutricional proporciona um

crescimento e desenvolvimento corporal mais rápido, antecipando a maturação sexual

(NOGUEIRA, 2004). Em estudo conduzido por Chelikani et al. (2003), a maioria das

novilhas utilizadas atingiu a puberdade dentro de uma faixa de peso corporal

semelhante, entre 270 e 330 kg, de forma consistente com o fato de que a puberdade

ocorreria a um peso corporal crítico.

Burfening (1979) trabalhando com grupos de novilhas estratificadas por

categorias de peso corporal de 334 a 407 kg, para as novilhas classificadas como

pesadas, e de 239 a 243 kg, para as leves, e aplicando às mesmas um protocolo de

sincronização para a inseminação artificial utilizando implantes com norgestomet,

encontrou boas porcentagens de estros em ambos os grupos, com 91 e 81%,

respectivamente. Da mesma forma, obteve boas porcentagens de prenhez nas novilhas,

que foram de 67% para as pesadas e 63% para as novilhas leves. Acompanhando ainda,

o desempenho reprodutivo posterior destes animais na temporada seguinte, observou

um intervalo entre o parto e o primeiro estro 24 dias mais curto para as novilhas

anteriormente classificadas como leves, em relação às pesadas. Entretanto, foi

verificada uma taxa de sobrevivência de bezerros 16% inferior, para o grupo de novilhas

que eram mais leves ao início do experimento.

Rao et al. (1986) encontraram um peso corporal significativamente superior

para as novilhas que resultaram prênhes, em relação às novilhas que não emprenharam

após a aplicação de um protocolo de indução e sincronização do estro e da ovulação

para a inseminação artificial. Os autores observaram ainda, uma melhor fertilidade entre

os animais inseminados durante a estação fria. Neste trabalho, porém, as novilhas

utilizadas eram consideradas muito jovens e leves para que pudessem atingir a

puberdade. Entretanto, Tanaka et al. (1995), após um período de avaliações, não

observaram diferenças quanto ao peso corporal e à idade, no que corresponde à secreção

de estrógeno e progesterona, em novilhas de corte pré-púberes, que tiveram a

ciclicidade ovariana induzida por um tratamento com norgestomet.

O tratamento com somatotropina bovina (bST) em estudo de Buskirk et al.

(1996), proporcionou uma tendência ao aumento no peso à puberdade, de novilhas

tratadas em relação às controle. Entretanto, não foram verificadas, segundo os autores,

diferenças no que corresponde à porcentagem de novilhas púberes no período anterior à

estação reprodutiva, na taxa de concepção após o primeiro serviço e na porcentagem de

prenhez.

Avaliando os efeitos do peso corporal, idade, altura da cernelha, perímetro

torácico e condição corporal, sobre as taxas de prenhez à inseminação artificial e

posterior período de repasse por touros, em novilhas cruzas, Moraes et al. (2005)

verificaram que nenhuma das variáveis medidas apresentou efeito significativo sobre a

taxa de manifestação de estro. No que concerne às taxas de prenhez, apenas o peso

corporal apresentou efeito significativo, sendo o peso médio de 291 kg nas novilhas não

prênhes, e de 306 kg nas novilhas que emprenharam. Neste contexto, os autores

afirmam que para novilhas de 2 anos de idade e oriundas de cruzamentos, é necessário

que o peso corporal ao primeiro serviço seja superior aos 300 kg, no sentido da

obtenção de bons índices reprodutivos.

Neste mesmo sentido, Dahlen et al. (2003) trabalhando com novilhas

peripúberes, observaram que a variação no peso corporal relacionava-se com o escore

do trato reprodutivo e suas implicações sobre o desempenho reprodutivo, sendo que

para cada 18 kg de aumento no peso corporal, era verificado um aumento

correspondente a uma unidade, ou um ponto, no referido escore, mostrando ser esta

correlação alta e semelhante à correlação genética entre ambas as características (0,53).

Assim, novilhas mais pesadas tiveram melhores escores reprodutivos e por sua vez, uma

superior taxa de prenhez.

Dailey et al. (1983) encontraram que, novilhas púberes foram mais pesadas

(399 x 314 kg), tinham uma maior altura na cernelha e maior frame (5 x 3,2, em uma

escala de 1 a 9), em relação a um grupo de novilhas pré-púberes, sendo a maior

variabilidade no status puberal explicada pela regressão linear do peso corporal. As

demais variáveis contribuíram pouco, mas tiveram relativa importância para a entrada

na puberdade, como a idade, o frame e a altura. Apesar do frame e da altura terem sido

relacionados ao status puberal, o peso foi o mais seguro preditor da puberdade.

A idade à puberdade é um fator que passa a ser bastante importante como

característica de produção, quando as novilhas são acasaladas para parição aos 2 anos de

idade, e em sistemas que impõem períodos reprodutivos restritos. A decisão de acasalar

novilhas em idades muito jovens envolve uma cuidadosa consideração dos aspectos

econômicos da produção, além do status reprodutivo e do genótipo dos animais

envolvidas (PATTERSON et al., 1992; 1999).

Em experimento de Hall et al. (1997), em que foram utilizadas novilhas cruzas,

com peso corporal aproximado de 300 kg e idade entre 9,5 e 12,5 meses, tratadas com

implantes com norgestomet por 10 dias, observou-se um maior número de novilhas

púberes após a remoção dos implantes entre as que tinham 12,5 meses de idade, em

relação às novilhas mais jovens. Da mesma forma, foi observada uma interação entre a

idade e o ganho de peso sobre o número de novilhas ciclando, depois de terminado o

período de tratamento. O número total de novilhas ciclando, aumentou conforme

aumentou a idade após o tratamento. Apesar disso, as concentrações circulantes e a

amplitude dos pulsos de LH foram semelhantes, para as 24 e 72 horas após a remoção

dos implantes, entre as novilhas de 9,5 e 11 meses de idade, dado este, que não foi

avaliado nas novilhas que tinham 12,5 meses de idade.