ATIVIDADES 01 (UNIVAG/2020) Analise a pirâmide ecológica:
INTERDISCIPLINARIDADE: História, Filosofia.
Sejam bem-vindas e bem-vindos a nossa segunda semana do PET VI de Sociologia. Nesta semana, va- mos falar do surgimento do capitalismo e das perspectivas dos sociólogos clássicos a respeito das mudanças que estavam ocorrendo.
O CAPITALISMO
Rafael Devilson dos Santos Junior A chamada transição do feudalismo para o capitalismo (ou do sistema econômico feudal para o siste- ma econômico capitalista) começou no período da Baixa Idade Média, especificamente a partir do sé- culo XIV. Entretanto, a expressão “transição” supõe um processo de continuidade progressiva, como se não houvesse, nesse período, processos complexos de avanço e retrocesso econômico tanto no cam- po, quanto na cidade medieval. Fato é que o sistema feudal entrou em profunda crise no século XIV em razão de fatores como a ascensão da burguesia nas cidades medievais, que passaram a ter uma intensa movimentação comercial nesse período, a crise no campo, as revoltas camponesas, a Peste Negra, entre outros. Com o passar do tempo, novos interesses ligados ao comércio e ao mercado formaram o eixo central da nova sociedade capitalista que se estruturava. Esse processo resultou, a partir do século XVIII, no chamado capitalismo industrial, uma sociedade em que predominava a produção nas manufaturas e nas primeiras indústrias.
Karl Marx e a divisão do trabalho
Durante a constituição do capitalismo industrial, no século XVIII, firmou-se o trabalho assalariado, re- servado aos cidadãos sem posses. Por isso precisavam alugar ou vender sua força de trabalho, energia física e mental despendida para realizar uma tarefa, em troca de uma remuneração. No entanto, o pa- gamento não correspondia ao valor daquilo que era produzido. Marx acreditava que a produção e seus excedentes geravam a divisão do trabalho entre quem administrava (gerente/diretor) e quem produzia (operário). Para Marx nascia, assim, a divisão de classes, que existia em todas as sociedades modernas. Portanto, a divisão social do trabalho gera a divisão de classes.
Para Marx, as sociedades se dividem em classes sociais antagônicas, um grupo dominante que subjuga os demais grupos, impondo as formas de governo, política e cultura. No capitalismo, as classes anta- gônicas eram formadas pelos burgueses capitalistas, donos dos meios de produção (dinheiro, equipa-
mentos, terras, etc.), e do proletariado, trabalhadores assalariados que vendiam sua força de trabalho, pois não dispunham dos meios de produção.
Outra consequência do capitalismo para Marx era a alienação do trabalhador, que ocorria quando o operário distanciava do que era produzido pela força do seu trabalho, pois tudo que produzia era pro- priedade privada, ou seja, pertencia à outra pessoa, geralmente o dono dos meios de produção ficava com o produto do trabalho do operário.
Outro ponto de observância de Marx em relação ao trabalho diz respeito à remuneração. O trabalhador era contratado por valor X para trabalhar oito horas diárias na produção, com quatro horas diárias o fun- cionário já produzia o valor relativo ao seu salário, mas, ainda sim, ele continuava a cumprir sua carga horária de oito horas. Marx chamava de mais-valia o que era produzido entre a hora que o empregado já tinha produzido para pagar seu salário e a hora que ele tinha para largar o serviço.
Max Weber e o protestantismo
Max Weber, um dos sociólogos clássicos, propõe uma perspectiva bem diferente a respeito do cres- cimento do capitalismo, em relação ao também alemão Karl Max e ao francês Émile Durkheim. Para Weber, o capitalismo industrial tem sua origem na ideologia puritana calvinista. No século XVI, com o surgimento da reforma protestante, a igreja católica deixou de ter o monopólio religioso na Europa. Ao analisar puritanos e os calvinistas, foi notada uma presença significativa de protestantes entre os empresários e trabalhadores qualificados nos países capitalistas mais industrializados. Frente a esses dados, Weber sugeriu que haveria uma ligação entre valores calvinistas e puritanos e a gênese do capi- talismo moderno. Ele chamou de espírito capitalista ao apontar conexões entre as mudanças religiosas e as transformações na economia.
Os protestantes acreditavam que a forma mais óbvia de mostrar que estavam garantindo a salvação espiritual era através do sucesso no mundo, especialmente em questões econômicas. Essencial a esse resultado era uma ética do trabalho específica, que enfatizava o trabalho como um valor social em si, bem como a necessidade absoluta de austeridade, automonitoramento e autocontrole na conduta das questões econômicas. Weber se referia a isso como o “espírito do capitalismo”. Prosperar economica- mente é demonstrar a si mesmo e aos outros a adesão à noção do “chamado”: quanto mais esforçados no trabalho, austeros e autocontrolados forem os indivíduos em suas ações, maior será a recompensa que irão colher. E quanto maior a riqueza acumularem, mais isso poderá ser entendido como prova de sua pureza religiosa e indicativo da salvação.
Mais de um século se passou desde a publicação da teoria de Weber sobre a ética protestante e o tema ainda é debatido entre os sociólogos e historiadores contemporâneos. Luciano Pellicani, sociólogo ita- liano, argumenta que desde o período medieval já estava presente o espírito do capitalismo, portanto muito antes do que Weber sugeriu. Já o historiador inglês Guy Oakes, diz que o capitalismo medieval foi movido mais pela cobiça do que pelo senso sóbrio de dever secular promovido pelo calvinismo. Mas como o capitalismo industrial ocorreu primeiro nos países protestantes europeus, como Alemanha, Ho- landa e Grã-Bretanha, confirma a relação que Weber fez entre o protestantismo e o empreendedor que foi necessário ao capitalismo. Colin Campbell, no livro A Ética romântica e o espírito do consumismo moderno (1987), usa a teoria de Weber para dar conta do crescimento da cultura de consumo nos EUA
e na Europa. Essa extensão das ideias de Weber confirma que seu relato da ascensão do capitalismo inspirado na religião ainda exerce poderosa influência no pensamento sociológico.
Émile Durkheim e a divisão social do trabalho
crítica, Durkheim argumenta que a divisão social do trabalho se consolida como um dos fatores que possibilita a existência de coesão social.
Durkheim desenvolveu a ideia de que o trabalho representava todo tipo de característica ou elemento que explicava a harmonia entre os indivíduos em uma sociedade. Conforme Durkheim, a especialização do trabalho, independente da sua maior ou menor intensidade, pode gerar dois modelos de solidarie- dade, que são:
A solidariedade mecânica: Típica das sociedades pré-capitalistas, onde a coesão social é construída por meio da forte identificação dos indivíduos com os costumes e tradições da comunidade na qual está inserido. Nesses casos, a consciência coletiva exerce intenso poder de coerção nas ações dos indivíduos.
A Solidariedade orgânica: A grande diversidade de funções e de trabalhos produzidos nas sociedades capitalistas faz com que se fortaleça a interdependência entre os integrantes. Nesse caso, a coesão social não é garantida apenas pela coerção do coletivo sob as ações dos indivíduos, mas baseia-se na exigência de que sejam supridas as necessidades individuais a partir do que é produzido pelos outros membros da sociedade. Neste caso, Durkheim interpreta as tensões criadas pela exploração capita- lista como um problema moral, ou seja, se a divisão do trabalho não produz coesão social é porque as relações entre os diversos setores da sociedade não estão adequadamente regulamentadas pelas ins- tituições sociais existentes, o que gera anomia.
PARA SABER MAIS
Coesão social: Coesão social é um mecanismo de organização da sociedade, é o conjunto de regras e procedimentos padronizados socialmente, reconhecidos, aceitos e sancionados pela sociedade, cuja importância estratégica é manter a organização do grupo e satisfazer as necessidades dos indivíduos que dele participam.
Anomia: Anomia significa a ausência de “nomia”, ou seja, de norma, de regras. Esse termo é usado para retratar fatos em que o indivíduo está diante de uma situação na qual não encontra regras que balizam seu comportamento, sentindo-se, por isso, emocionalmente perdido frente a uma situação caótica. Esse sentimento é comum aos seres humanos porque este procura pautar suas ações em regras coletivas impostas pela própria sociedade, não de maneira direta, mas por meio de traições e comportamentos que são tidos como padrões.
ATIVIDADES
01 – (Unicentro) Max Weber, um dos fundadores da Sociologia, tinha amplo conhecimento em muitas áreas afins a essa ciência tais como economia, direito e filosofia. Assim, ao analisar o desenvolvimento do capitalismo moderno, buscou entender a natureza e as causas da mudança social. Em sua obra, existem dois conceitos fundamentais, ou seja:
a) cultura e tipo Ideal; b) classe e proletariado; c) anomia e solidariedade; d) fato social e burocracia; e) ação social e racionalidade;
02 – A Ética protestante e o espírito do capitalismo é um dos trabalhos mais conhecidos e importantes de Max Weber. Nessa obra, o autor evidencia o papel do protestantismo na formação do comportamento típico do capitalismo ocidental moderno. Weber estabelece algumas características da doutrina sobre o desenvolvimento do capitalismo. Essas características têm como base.
a) Os valores do protestantismo como: a disciplina ascética, a poupança, a austeridade, a voca- ção, o dever e a propensão ao trabalho, atuando de maneira decisiva sobre os indivíduos para formação de uma nova mentalidade, um ethos propício ao capitalismo.
b) A motivação do protestante que, segundo Weber, é o lazer enquanto dever e vocação, como um fim absoluto em si mesmo.
c) Vocação, indisciplina e o dever.
d) Os valores do catolicismo presentes nos indivíduos que revelam a tendência ao racionalismo econômico que predomina no capitalismo
e) A disciplina voltada para a construção de condutas de comportamento exteriores aos indiví- duos.
03 – (FCC) O conceito de mais-valia está relacionado à valorização: a) Do trabalho, é um conceito de Marx.
b) Produtividade, e é um conceito de Taylor. c) Da comunidade, e é um conceito de Durkheim. d) Da racionalidade, e é um conceito de Weber. e) Da cultura, e é um conceito de Malinowski.
04 – (FUMARC-2013) Em relação ao pensamento sociológico de Émile Durkheim, NÃO é correto afirmar: a) A solidariedade orgânica se dá pela semelhança entre indivíduos e funções que eles desem-
penham na sociedade.
b) A solidariedade mecânica é o tipo de vínculo entre os indivíduos de uma determinada socieda- de, que ocorre devido à pouca diferenciação social entre eles.
c) Um fato social deve possuir três características: exercer coerção sobre os indivíduos, ser in- dependente das consciências individuais e apresentar traços gerais para a média dos mem- bros de uma sociedade.
d) Nas sociedades industriais, pode-se observar que os indivíduos são diferentes porque não são todos socializados do mesmo modo ou no conjunto das experiências da sociedade, e nem isso seria possível.
SEMANA 3
UNIDADE(S) TEMÁTICA(S):Modernização dos modelos de produção no século XX. OBJETO DE CONHECIMENTO:
Modernização e padronização dos meios de produção no século XX. HABILIDADE(S):
Identificar as características dos modelos de produção Toyotismo, Fordismo e Taylorismo. INTERDISCIPLINARIDADE:
História, Geografia, Português (Redação).