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Intervenção educativa: Boas práticas na prestação de cuidados de enfermagem

PARTE III – ENQUADRAMENTO METODOLÓGICO

5.2 Fase 1 – Práticas de enfermagem no processo de punção venosa periférica e

5.3.2 Intervenção educativa: Boas práticas na prestação de cuidados de enfermagem

Para prestar cuidados de enfermagem assentes nas necessidades dos doentes e nas boas práticas, é requerido do enfermeiro uma atualização constante relativamente às inovações tecnológicas, tanto em termos de materiais como dos resultados das evidências científicas em saúde. Para tal, a capacitação por meio de formações e experiências clínicas tem demonstrado ser uma forma de obter conhecimento, promover o crescimento e o desenvolvimento das competências necessárias para prestar cuidados de enfermagem (Paschoal et al., 2007).

Diante dos resultados do estudo transversal e da importância do processo educativo para as práticas de enfermagem, realizou-se uma intervenção educativa que objetivou capacitar uma equipa de enfermagem para otimizar os cuidados prestados aos doentes na inserção, manutenção e vigilância do PICC. Esta atividade foi organizada em quatro momentos, sendo que o segundo deles incluiu a realização de quatro oficinas. A seguir serão descritas as atividades e os recursos utilizados.

No primeiro momento, realizou-se uma formação teórico-prática sobre os cuidados relativos à inserção do PICC nos doentes, os cuidados de manutenção e vigilância do doente portador de PICC. Esta formação ocorreu em dois dias, totalizando dezasseis horas de formação e contou com a participação de sete enfermeiros num primeiro momento (3 e 4 de novembro de 2015) e outros oito enfermeiros num segundo momento (25 e 26 de fevereiro de 2016). Esta atividade foi realizada fora do horário de trabalho, embora contasse como horas de formação em serviço para os enfermeiros.

Para implementar as formações obteve-se o apoio da Unidade de Investigação em Ciências da Saúde: Enfermagem e da empresa Vygon Portugal, nas questões relacionadas com a organização, espaço físico, logística para deslocação e alojamento da enfermeira convidada que ministrou a formação, e materiais para a realização da componente prática (PICC e demais insumos necessários para inserção em protótipo, e ecógrafo). Esse apoio possibilitou a realização da formação em ambiente de simulação, organizada em componente teórica e prática. Os conteúdos foram ministrados pela enfermeira convidada, com experiência e formação académica na temática (mestre e doutoranda, com estudos em acesso vascular). Ela é certificada para realizar este tipo de formação (PICC Accademy

Network - PAN) e coordena uma equipa de terapêutica endovenosa (Fundación Jiménez Díaz - Madrid, Espanha).

No segundo momento, os enfermeiros que participaram da primeira formação (novembro/2015) foram convidados a integrarem uma equipa em oficinas de trabalhos com a finalidade de elaborar os procedimentos de enfermagem relacionados com a inserção, a vigilância e a remoção do PICC nos doentes. Neste momento teve-se o cuidado de envolver os enfermeiros na construção e na elaboração dos procedimentos, para que eles pudessem apropriar-se das evidências e para que os conteúdos fossem adaptados às caraterísticas dos doentes, dos enfermeiros e da unidade. Pretendeu-se também, com essa dinâmica de trabalho, favorecer o reconhecimento desses procedimentos como pertencentes à equipa de enfermagem, propiciar um espaço para o esclarecimento de dúvidas, além de auxiliar na prestação dos cuidados de enfermagem, posteriormente.

As oficinas aconteceram em dias e horários previamente acordados com os enfermeiros e o enfermeiro-chefe da unidade, num período de duas horas no máximo e foram coordenadas pela investigadora. Abaixo descreve-se o conteúdo das oficinas:

Na primeira oficina (23/11, 3/12 e 5/12/2015) discutiram-se os objetivos, a justificação, a importância da elaboração dos procedimentos e fez-se um levantamento dos temas dos procedimentos, seguido da distribuição em três grupos. Grupo 1: Inserção ecoguiada do PICC; e Instrumento para registo da inserção e remoção do PICC; Grupo 2: Prevenção de complicações na inserção e vigilância com o PICC; Desobstrução do PICC; e Lavagem – flushing do PICC; e Grupo 3: Recolha de sangue pelo PICC; Troca do penso do PICC; e Remoção do PICC. No fim da primeira oficina foram disponibilizadas referências sobre os temas dos procedimentos para leitura antes da próxima oficina.

A segunda oficina (9/01 e 10/01/2016) foi realizada um mês após a primeira, tendo em vista o período das férias dos enfermeiros no mês de dezembro de 2015. Nesta oficina realizou-se a técnica de brainstorming, com a abordagem dos principais aspetos sobre os procedimentos em questão, de acordo com as evidências consultadas. As ideias foram registadas e transcritas para o modelo de procedimentos de enfermagem da unidade, que apresenta os seguintes elementos: nome do procedimento, definição, objetivos, informações gerais sobre quem executa e frequência, orientações quanto à execução indicações, material, procedimento, observação e bibliografia. No final, os enfermeiros planearam revisar os procedimentos para a próxima oficina.

Na terceira e na quarta oficina (11/1 e 12/1/2016; 13/1 e 14/1/2016) os enfermeiros apresentaram os procedimentos elaborados e discutiram com a investigadora as dúvidas que surgiram, as quais foram esclarecidas com consulta do referencial teórico oferecido. Depois da leitura dos procedimentos, foram efetuadas as adequações necessárias com a assessoria da investigadora. Quando necessário consultavam novamente o referencial teórico. As oficina encerraram com a conclusão dos procedimentos.

No terceiro momento foi planeada uma segunda formação em serviço (18/1 e 20/1/2016), com duração média de duas horas e com o objetivo de capacitar todos os enfermeiros para a prestação de cuidados de enfermagem aos doentes portadores de PICC na manutenção e vigilância, conforme os procedimentos elaborados. Esta formação foi realizada numa sala do hospital, fora do horário de trabalho assistencial, embora se tenha configurado como atividade de educação permanente. Realizou-se a apresentação teórica, com recurso a audiovisual, um filme para ilustrar a inserção do PICC para aqueles que não participaram do primeiro momento (de formação teórico-prática), e feita uma demonstração prática das técnicas de desobstrução e flushing. A investigadora e os enfermeiros que elaboraram os procedimentos ministraram essa formação.

No quarto momento, um dos enfermeiros membros da equipa, presente nas duas formações anteriores, participou de uma terceira formação externa com a equipa de terapêutica endovenosa da Fundación Jiménez Díaz, Madrid, sob a coordenação da enfermeira que ministrou as formações teórico-práticas, anteriormente. Esta formação foi realizada durante cinco dias (28/3 a 1/4/2016) e objetivou proporcionar ao enfermeiro a vivência e a aquisição de novas competências numa unidade de referência para a prestação de cuidados de enfermagem aos doentes, relativamente à inserção, manutenção e vigilância do PICC. Após o retorno da formação externa, os procedimentos de enfermagem elaborados durante as oficinas foram revistos pelo enfermeiro contemplado com a experiência, pela investigadora e pelo enfermeiro-chefe da unidade, permitindo adequação de ordem operacional e de uniformização, ou seja, não comprometeram o conteúdo.

Ulteriormente, os procedimentos foram disponibilizados para toda a equipa de enfermagem e médica, após aprovação e assinatura pelo enfermeiro que participou da formação externa, pela investigadora, pelo enfermeiro-chefe e pelo diretor clínico da unidade.

Foram utilizadas ainda notas de campo para registo das impressões, dúvidas, dificuldades e feedback das atividades realizadas durante a intervenção educativa.

5.3.2.1 Participantes da intervenção educativa: Enfermeiros

Os participantes da intervenção educativa, indicados pelo enfermeiro-chefe e sem interferência da investigadora, foram os enfermeiros que prestavam cuidados de enfermagem aos doentes da unidade de medicina onde a investigação ocorreu. Em cada momento da intervenção educativa, participou um grupo, definido numericamente a seguir:

1º momento – Formação teórico-prática: participaram quinze enfermeiros, incluindo o enfermeiro-chefe da unidade.

2º momento – Oficinas de trabalhos: os sete enfermeiros que participaram da primeira formação teórico-prática (indicados pelo enfermeiro-chefe da unidade) elaboraram os procedimentos de enfermagem.

3º momento – Formação em serviço: foi planeada com os vinte e sete enfermeiros da equipa de enfermagem, incluindo o enfermeiro-chefe.

4º momento – Formação externa: um enfermeiro da equipa foi indicado pelo enfermeiro-chefe. Um segundo enfermeiro foi indicado, no entanto, o Hospital não tinha disponibilidade para receber dois enfermeiros naquele momento (Figura 14).

Figura 14. Esquema representativo do número de enfermeiros que participaram em cada momento da

intervenção educativa.

Os conhecimentos obtidos durante a formação foram implementados nas práticas de enfermagem da unidade em estudo, após a conclusão da intervenção educativa e a aprovação dos procedimentos de enfermagem ligados aos cuidados de enfermagem que se referem aos doentes com indicação de utilização do PICC ou portadores do mesmo. Esse facto permitiu que se realizasse um estudo-piloto por meio do estudo de coorte, como se descreve a seguir. 15 Enfermeiros E le g ív e is P a rt ic ip a n te s

7 Enfermeiros 27 Enfermeiros 1 Enfermeiro 27 Enfermeiros 1º momento Formação teórico- prática 2º momento Oficinas de trabalhos 3º momento Formação em serviço 4º momento Formação externa

5.3.3 Estudo-piloto de coorte: Taxa de incidência de complicações na utilização do