Intervenções Pedagógicas

No documento De estudante a professor estagiário Relatório de Estágio Profissional (páginas 44-50)

Capitulo III: Realização da área profissional Área 1- Organização e Gestão Área 1- Organização e Gestão

11. Intervenções Pedagógicas

A intervenção pedagógica caracteriza-se como fundamental naquele que é o papel ativo de um docente, e está altamente relacionado com o sucesso de todo o processo de aprendizagem. Deste modo, segundo Siedentop (1983), as intervenções pedagógicas podem ser divididas em quatro principais domínios, sendo estes: a instrução, a gestão/organização, o clima e a disciplina.

O domínio da instrução diz respeito ao processo no qual o professor transmite a informação aos alunos, com base naqueles que são os objetivos pretendidos para a aprendizagem. Tendo isto em conta, torna-se essencial que

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o professor utilize os meios de comunicação adequados para a transmissão destas informações de modo a que os alunos consigam perceber, assimilar e acompanhar a mensagem previamente transmitida.

Quanto ao domínio da gestão/organização, este consiste na organização daquelas que são as atividades a serem desenvolvidas nas aulas, gerindo sempre os grupos e transições de tarefas. Para que esta gestão ocorra com sucesso o professor deverá ter atenção a questões como os tempos de transição e a partilha de instruções de organização aos próprios alunos.

O clima refere-se à capacidade do professor em estabelecer um ambiente positivo e relacional com os alunos, de modo a serem criadas as condições necessárias ao bom funcionamento das aulas e da aprendizagem. Alguns comportamentos a considerar por parte do docente para que o clima positivo posso ser alcançado é a procura por dar sempre que possível o feedback aos alunos e valorizar a prestação dos mesmos.

“Tenho sentido que existe um bom clima entre a turma de modo geral. Eles não só se respeitam mutuamente como também me respeitam a mim e procuram realizar as tarefas com base indicações. Este fator tem sido muito positivo no sentido em que as aulas fluem melhor, o que permite um processo de ensino-aprendizagem harmonioso.”

(Diário de Bordo, Reflexão Turma Residente 27/11/2019)

Por último, o domínio da disciplina procura definir, de forma clara, aquelas que são as regras a cumprir nas aulas de forma a eliminar quaisquer tipos de comportamentos inapropriados.

De um ponto de vista pessoal, considero que este modelo de intervenção facilitou bastante a minha compreensão acerca daqueles que são os domínios a ter em consideração ao longo daquela que foi a minha experiência profissional.

Contudo, senti algumas dificuldades no que diz respeito ao domínio da gestão.

Uma vez que por momentos não consegui organizar devidamente os exercícios planeados consoante o espaço, no sentido em que, poderia ter feito um melhor aproveitamento do espaço que tinha há minha disponibilidade, sendo este classificado como um dos pontos a melhorar pelo PC.

26 12. Avaliações

A avaliação apresenta-se como um processo que visa o acompanhamento do aluno de forma coerente e precisa ao longo de todo o seu processo de aprendizagem (Ribeiro, 1999). Este processo é sempre desempenhado pelo professor que apresenta aqui um papel fundamental e intrínseco, uma fez que implica planeamento e ação com o objetivo de recolher a informação necessária para tomar as decisões corretas, que são importantes para a vida do aluno e seu aproveitamento escolar (Arends, 1995).

No início do ano letivo, senti algumas dificuldades relativas à avaliação, isto porque sempre tencionei avaliar de forma mais justa possível cada um dos alunos. Como tal, esta foi uma temática que exigiu muita reflexão e preparação da minha parte, uma vez que enquanto estudante considero que tivemos pouco contacto com a prática das metodologias de avaliação ao longo do Mestrado, o que se traduziu numa fase inicial num certo desconforto para com a execução das tarefas de avaliação. Algumas destas dificuldades direcionavam-se mais para certas modalidades como o Atletismo, onde o meu conhecimento da modalidade não era tão aprofundado como as restantes, o que acabava por dificultar o processo de identificação das componentes críticas inerentes à avaliação. Considero ainda que outra dificuldade percecionada relacionou-se com a quantidade de componentes necessárias à avaliação, uma vez que se encontravam por vezes em excesso, o que associado ao tempo que tinha para realizar a sua observação se tornava de difícil realização.

De modo a colmatar estas dificuldades, procurei, juntamente com a ajuda do PC e do NE, partilhar estas experiências de modo a perceber quais seriam as soluções mais adequadas para lhes fazer face. Uma das soluções passou por reduzir as componentes criticas em avaliação para que se tornasse mais fácil identificá-las com sucesso dentro do tempo possível, sendo que a atribuição das componentes finais foi estipulada em grupo através de reuniões de NE. No que se refere às dificuldades sentidas em modalidades em que não tinha um conhecimento aprofundado, como por exemplo o Atletismo, procurei estudar mais acerca das mesmas, através de pesquisas bibliográficas, o que me permitiu aumentar os meus conhecimentos o que contribuiu para que nos momentos de

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avaliação se torna-se mais fácil a identificação daquelas que são as componentes criticas associadas.

Em seguida encontram-se explícitos os três tipos de avaliações usadas ao longo do estágio, sendo estas a avaliação diagnóstica (Anexo 5), avaliação formativa e por fim a avaliação sumativa.

12.1 Avaliação Diagnóstica

A avaliação diagnóstica (AD) procura verificar qual o nível dos alunos para dada modalidade, isto permite ao professor ter a perceção daquele que é o nível dos seus alunos e consequentemente da turma em questão, para que posteriormente se possa elaborar um plano adaptado aquelas que são as competências observadas nos alunos. Esta avaliação permite assim identificar os problemas numa fase inicial servindo de suporte para aquelas que são as determinações posteriores relativas ao ensino (Carvalho, 2017).

As AD foram elaboradas e executadas em conjunto com todos os elementos de NE uma vez que, por sugestão do PC, todos os estagiários ajudaram neste processo de modo a criar um ambiente de partilha de opinião relativa a todos os alunos. Isto facilitou muito este processo uma vez que, tal como referi anteriormente esta foi uma temática com a qual senti algumas dificuldades no início.

De modo a facilitar o processo de AD, foi elaborado pelo NE uma ficha de registo da avaliação diagnóstica linear a todas as modalidades de caracter coletivo (Anexo. 5). Os tópicos presentes nesta ficha foram: a Relação com a Bola, a Comunicação na Ação e Estruturação no Espaço. No que se refere à dimensão da relação com a bola, procurava verificar aqueles que eram os gestos de cariz técnico tais como os serviços, lançamentos, entre outros. Quanto à comunicação na ação, este apresenta como intuito analisar a relação do aluno com o/os colega/as da equipa adversária assim como a relação com a sua própria equipa, analisando fatores como as marcações. Por último, a dimensão da estruturação no espaço procura observar as competências direcionadas para

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o próprio aproveitamento do espaço pelo aluno, assim como a sua movimentação no mesmo, entre outros.

“Hoje realizei a minha primeira avaliação diagnóstica de Basquetebol, sinto que não percebi muito bem num primeiro momento a forma de observação relativa à comunicação na ação e estruturação do espaço, muito também devido ao pouco tempo que tinha para observar as mesmas. Depois de expor essas dificuldades, o PC mostrou-se logo disponível para

debatermos o assunto na reunião seguinte”

(Diário de Bordo, Reflexão Aula de Basquetebol 20/09/2019)

As modalidades com as quais apliquei este processo foram o Andebol, Badmínton, Basquetebol, Futebol e Voleibol. Nas modalidades de Atletismo e Ginástica foi usado como método de avaliação diagnóstica o vaivém correspondente ao Fitescola para o Atletismo e para a Ginástica uma avaliação mais específica no que se refere às habilidades motoras inerentes à modalidade, como por exemplo rolamento à frente, apoio facial invertido, entre outros.

“Sinto que já me encontro mais capaz relativamente às avaliações, isto porque em reunião com o PC e NE definimos novas medidas de avaliação que passaram por reduzir as componentes criticas, o que me está a facilitar muito o processo de observação tendo em conta o tempo que tenho para as executar”

(Diário de Bordo, Reflexão Aula de Voleibol 02/10/2019)

12.2 Avaliação Formativa

A Avaliação Formativa (AF) caracteriza-se como um momento que ocorre de forma continua ao longo da UD. Desta forma, esta permite identificar a respetiva evolução dos alunos no que se refere à aquisição e desenvolvimento de competências, sendo que este fator permite ao professor adaptar aqueles que são os conteúdos a lecionar consoante estes mesmos resultados. Tendo em conta o referido, podemos concluir a importância da AF que representa um papel regulador do processo de aprendizagem e um fio condutor para a avaliação sumativa (Ribeiro e Ribeiro, 1989).

Tendo em conta aquela que foi a minha experiência em estágio, procurei sempre registar aquelas que eram as minhas observações em contexto de aula, no sentido de documentar a informação relativa às competências dos alunos.

Importa salientar que no 2º Período devido à situação de Pandemia, as aulas

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terminaram de forma precoce impossibilitando assim a execução de mais avaliações, o que atribuiu à AF um papel ainda mais essencial uma vez que foi através desta que consegui analisar as competências dos alunos ao longo da UD.

12.3 Avaliação Sumativa

Ao invés da Avaliação Formativa, que representa um caracter contínuo ao longo da UD, a Avaliação Sumativa (AS) tem um caracter pontual, sendo desta forma associada a um determinado momento (s) que pode ou não estar pré definidos. Tendo em conta o referido, a AS permite fazer uma análise do ponto de situação dos alunos relativamente aquilo que são ou não capazes de realizar na respetiva UD. De modo geral a AS ocorre após os processos de aprendizagem e ensino e não ao longo dos mesmos tal como se observa na AF, permitindo assim determinar aquilo que os alunos aprenderam, atribuindo-lhes uma classificação final (Fernandes, 2019).

No que diz respeito aos domínios que foram avaliados na AS (Anexo 12), estes foram compilados em três áreas específicas de acordo com a sua percentagem correspondente: Saber-fazer (habilidades motoras) – 60%;

Saberes (cultura desportiva) – 20%; Saber-estar (conceitos psicossociais) – 20%. No que diz respeito à dimensão do saber-fazer, esta procura avaliar as habilidades técnicas nas diferentes modalidades, sendo que para o 1º Período, foram atribuídas diferentes percentagens consoante a quantidade das aulas das modalidades dentro das quais 35% ao Voleibol, 10% à orientação e 25% ao Atletismo. No 2º Período, o Futebol contou com 30% e o Basquetebol 30%. No 3ºPeríodo a área do saber-fazer não foi avaliada tendo em conta que não existia contacto presencial com os alunos.

Quanto à dimensão dos saberes esta tem como intuito avaliar os conhecimentos teóricos dos alunos relativamente aos conteúdos lecionados. No 1º Período foi realizado um teste teórico (Anexo 8), que abrangia as três diferentes modalidades (Voleibol, Orientação e Atletismo). Todavia, no 2º Período não foi possível realizar o teste teórico previsto, como tal a área da cultura desportiva foi avaliada através dos conteúdos recolhidos pela avaliação

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formativa, correspondente a 20%. No 3º Período, os saberes dos alunos foram avaliados consoante a realização de questionários e reflexões, com uma percentagem atribuída de 90%.

Por último, a dimensão do saber-estar procura atender a comportamentos como o empenho, interesse e relação com a turma. Para o 1º e 2º Períodos, esta avaliação foi realizada consoante a participação e cooperação (7%); empenho e autonomia (6%); assiduidade, responsabilidade e pontualidade (7%). No 3º Período, somente foi avaliada a componente de participação e empenho que correspondiam a 10%.

Importa salientar que no 3º Período foi-nos transmitido pelo PC que as notas dos alunos não seriam para baixar mas sim para manter ou subir. Como tal, o cálculo da nota final para este mesmo período, contou com 75% da nota do 2ºPeriodo, mais 25% da avaliação recolhida no 3ºPeriodo.

Considero que as avaliações finais correram de forma positiva, uma vez que consegui avaliar todas as componentes criticas nas diversas modalidades, contudo senti sempre uma grande pressão a nível pessoal no sentido de nunca prejudicar os alunos de alguma forma. Esta dificuldade acabou por ser ultrapassada à medida que me fui familiarizando com os critérios de avaliação, já referidos, uma vez que percebi que seria possível identificar a nota mais justa para cada um dos alunos. sentido em que facilitou todo o processo de inserção no local de estágio, uma vez que através da observação do PC consegui organizar melhor aquele que viria a ser o meu plano de estágio e consequentemente aquela que seria a minha postura relativamente ao novo desafio. O processo de observação não era

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