Il PARTE Planificação e Organização Empírica do Estudo
itens 1 Factor 1 Factor 2 Factors Factor
4- Inventário do Grau de Incómodo
O Inventário do Grau de Incómodo constitui a tradução de uma escala idealizada por Broussard e Hartner (op. cit.) -Degree of Bother Inventory. Este instrumento indaga, através de cinco itens, até que ponto o choro, o bolsar ou o vomitar, o sono, a alimentação e as funções de eliminação intestinal (evacuação) do bebé têm incomodado a mãe na dispensa dos cuidados maternos à criança. Um sexto item pede uma avaliação relativa à dificuldade sentida em lidar com o(a) filho(a). As respondentes fazem as suas estimativas recorrendo a uma escala de
tipo Lickert cuja pontuação se estende de 1 a 5. De acordo com as autoras, o somatório dos pontos dos itens permite a obtenção de uma nota que representa o grau de incómodo experienciado com o bebé.
Sensibilidade dos itens
Tomando como referência os resultados das 97 participantes que, por volta do primeiro mês após o parto, responderam ao inventário, o quadro 14 refere a média, o desvio padrão, a variação, a assimetria e a curtose dos scores obtidos em cada um dos seis itens.
Conforme se pode constatar, as médias situam-se, genericamente, mais próximas do limite mínimo do que do máximo da escala de pontuação. Não obstante, as respostas registam uma variabilidade que cobre todo o espaço de dispersão possível. Os valores dos coeficientes de assimetria situam-se em três dos seis casos acima de 1.00. Quanto aos coeficientes de curtose essa mesma situação verifica-se em dois dos itens.
Quadro 14. Indicadores de sensibilidade dos itens do Inventário do Grau de Incómodo.
Kens1 Média D. P. Variação Assimetria Curtose
i. Relativamente ao choro quão incomodativo 2.54 1.11 1-5 0.45 -0.51
é o bebé
2. Relativamente ao vomitar quantos 1.75 0.99 1-5 1.51 2.14 aborrecimentos tem dado o bebé
3. Relativamente ao sono quantos 2.34 1.13 1-5 0.86 0.20 aborrecimentos tem dado o bebé
4. Relativamente à alimentação quantos 1.62 0.91 1-5 1.52 1.91 aborrecimentos tem dado o bebé
5. Relativamente à evacuação intestinal que 2.08 1.25 1-5 0.83 -0.58 aborrecimento tem dado o bebé
6. Qual a dificuldade de cuidar do bebé 147 0.71 1-3 1..17 -0.02 ' A menção ao conteúdo dos itens não corresponde, obviamente, à sua formulação textual.
Poderemos, pois, afirmar que os itens não apresentam, globalmente, os melhores indicadores de sensibilidade.
Estrutura factorial do instrumento
Um dos pressupostos do Inventário do Grau de Incómodo é o de que os itens se organizam segundo uma estrutura unidimensional. A fim de avaliarmos a plausibilidade de uma tal hipótese, procedemos à análise factorial dos resultados, recorrendo ao método das componentes principais. O valor da determinante matricial (D= .466), o índice de Kaiser-Meyer-Olkin (KMO= .663) as medidas de adequação da amostra (MSA) referentes a cada item (situados entre .777 e .609) a que se junta o coeficiente do teste de esfericidade de Bartlett (X2= 71.14; P=.00O)
justificam a legitimidade estatística do procedimento.
Os valores próprios (eigenvalues) referentes às seis componentes do inventário só num dos casos atingiram valores superiores a um (cf. quadro 15). Perante tal resultado, sai reforçada a hipótese de que os itens se organizam segundo uma única dimensão. Aliás, o elevado coeficiente de consistência interna que pôde ser verificado (alpha de Cronbach= .82) traz apoio adicional a esta conclusão.
Quadro 15. Componentes extraídas e percentagens da variância explicada
Componentes Valores próprios (Eigenvalues) Percentagem 3 da variância Componente 1 2.17 36.199% Componente 2 .98 16.387% Componente 3 .94 15.709% Componente 4 .81 13.481% Componente 5 .66 10.986% Componente 6 .43 7.237%
Assim, a tese de que as estimativas de cada respondente podem ser descritas através de um único score, resultante do somatório das pontuações
obtidas nos vários itens é compatível com os resultados das análises efectuadas. A suposição em causa sai reforçada quando verificamos o elevado nível de consistência interna dos itens deste mesmo instrumento (o valor do alpha de Cronbach foi igual a .87).
Sensibilidade da escala
O quadro 16 mostra as médias, a variação bem como os valores do desvio padrão e dos coeficientes de assimetria e curtose referentes às pontuações globais do Inventário do Grau de Incómodo.
Quadro 16. Variação, média, desvio padrão, e coeficientes de assimetria e de curtose.
Variação Média D.P. Assimetria Curtose
6-21 11.80 3.61 0.38 -0.23
Conforme se pode apreciar, os scores distribuem-se por um largo espaço de variação delimitado pelos valores de 6 e 21. A tendência geral das participantes para responderem seleccionando os pontos da parte inferior das seis escalas de Lickert, reflecte-se na média dos somatórios que é inferior a 18.00 (representará o ponto intermédio entre os limites teóricos de 6 e de 30). Não obstante, os coeficientes de assimetria e de curtose -próximos de zero- revelam que os resultados se dispersam segundo o modelo da distribuição normal. Por conseguinte, o instrumento parece ter demonstrado capacidade razoável para diferenciar as mães a partir das suas respostas.
Síntese dos resultados
Pudemos confirmar através das análises efectuadas que o Inventário do
Grau de Incómodo possui os seus itens organizados de acordo com uma estrutura
unidimensional. Se, por um lado, os indicadores de sensibilidade dos itens não se revelaram plenamente aceitáveis em todos os casos, já os resultados globais evidenciam uma capacidade de diferenciação susceptível de reflectirem a variabilidade existente entre as respondentes. Estamos, pois, perante um
instrumento cujas características legitimam, em princípio o seu uso no contexto da investigação.
Considerações Finais
Quando procedemos ao planeamento do nosso estudo, seleccionámos, entre outros, quatro instrumentos que, por constituírem adaptações ou traduções de medidas originalmente utilizadas junto de populações não portuguesas, exigiam um estudo prévio com o objectivo de avaliarmos a sua aplicabilidade à amostra por nós investigada. Nesse sentido, recorrendo em dois casos -Escala de Atitudes e
Sentimentos Matemos e Escala das Funções de Apoio- a amostras compostas por
várias centenas de respondentes e nos restantes -Inventáho de Percepção
Neonatal e Inventário do Grau de Incómodo- ao conjunto de mães que integravam,
inicialmente, o trabalho, procurámos ver até que ponto os instrumentos preenchiam atributos psicométricos aceitáveis. Os resultados obtidos permitiram-nos concluir pela positiva.
Encontradas bases de legitimidade para a sua utilização, apresentaremos no próximo capítulo o conjunto de análises que visam responder mais intencionalmente às questões da nossa investigação.