LEITORES-ESCRITORES
S. J.C 06/10/88 Querido Pedro,
Eu fiquei super contente como nosso encontro no Shopping mas ainda estou com saudades.
Estou em plena aula de Sociologia e me deu uma enorme vontade de escrever.
Quero que você nunca esqueça que você é muito importante e especial para mim.
Você é o meu melhor amigo.
Estou fazendo o melhor possível nos ensaios para que você se orgulhe de mim. Estou dando o máximo.
Não se esqueça, dia 20.
Gostaria se possível, que você ligasse para mim falando que horas mais ou menos você vai estar no Ane Teatro.
Beijos,
Chapeuzinho Vermelho
P.S. Acho que você tem meu telefone mas aí está –
(Carta a PB. CEDAE, Fundo “Memória de Leitura”. 18SJC21- Pasta 23)
São José dos Campos, 13 de novembro de 1988. Caro Pedro,
Foi uma emoção enorme ter feito a adaptação de Feiurinha.
Foram momentos, para a gente, de união, outros de discussão, momentos felizes e até de esquecimentos de coisas que a gente passa com as amigas (não suportá-las).
Mas tudo bem e foi tudo bem, com a graça de Deus.
Ah! No nervosismo todo e naquela agitação toda de que tudo esteja perfeito, esqueci meu livro em casa e nem lembrei de pedir emprestado uma folha para você me dar seu autógrafo. Fiquei tão triste e ao mesmo tempo arrependida de não ter pedido nada, que tive vontade de me matar, mas agora lhe peço seu autógrafo. Olhe bem caprichado, hein!
Mande um beijão para sua filha, ela é uma gracinha, fiquei muito contente de tê-la conhecido. Foi um prazer enorme!
Schumac! pra ela!
Desculpe não ter escrito antes pra você
porque não tive tempo de escrever direitinho do jeitinho que eu queria, a primeira carta que escrevi foi um fracasso e só agora que ficou melhorzinha.
Bem, vou terminando, espero que nós nos encontremos novamente, que para mim vai ser uma grande emoção.
Sabe, vou contar um segredinho, estou ficando com saudades daquele dia, o cine – teatro, as meninas nervosas, o cenário, as crianças, o filmador e em especial você. Você é quem nos deu forças naquele dia. Obrigada!
Bem, não esqueça do meu autógrafo e de mandar um schumac para sua filha, viu?
Pedro estou mandando uma folha solta para que nela você me dê seu autógrafo, uma cheio de coisinha, uma menininha, uma frase em baixo etc. Certo?
Shumaca pra você! ou senhor? Há, Há, Há!
Beijos mil de, (Princesa Bela-Fera)
P.S: Pedro, me diga o que você vai fazer com os nosso nomes? Estou curiosa! Ah! sabia que fomos convidadas para fazer novamente a apresentação? Depois eu contarei com mais detalhes pra você! Tá? (Carta a PB. CEDAE, Fundo “Memória de Leitura”. 18SJC8- Pasta 23)
São José dos Campos, 19 de julho de 1989 Oi , Pedro!
Como vai?
Já que você sugeriu, eu li “Agora estou sozinha”. Adorei. O suspense final, o romance, tudo me prendeu ao livro desde o começo até o final.
A Telmah me emocionou muito, pelo seu modo de pensar, de agir, de amar Filhinha e Tiago.
O modo como Telmah planejou sua vingança foi incrível! Bom... só posso dizer agora que lerei todos os livros que me recomendou.
Um beijo
(Carta a PB. CEDAE, Fundo “Memória de Leitura”. 18SJC4- Pasta 23
Caro Pedro Bandeira,
Suponho que esteja muito ocupado pois, não respondeu a minha última carta (coisa que nunca fez antes). Mas tudo bem, eu escrevo.
Em minha última carta eu disse como tinha adorado “E agora estou sozinha...” Esse livro foi um dos melhores que eu já li. Quando se começa a ler, não consegue parar mais. É super legal!
Eu na verdade estou lhe escrevendo para fazer um convite, uma Feira de Livros da minha escola. Minha professora de Redação, Laís nos pediu para escrever um livro. Nós já escrevemos os livros e, aos poucos, a professora corrige e nos entrega para que possamos bater à máquina e encadernar. Então ela nos pediu para escrevermos pros autores convidando-os para feira. Como você me disse, uma vez, (no cartão de natal) que já tinha vindo ao Olavo Bilac muitas vezes, pensei que pudesse vir de novo. A Feira de Ciências acontecerá na primeira semana de outubro (acho que de quinta à sábado) e se quiser comparecer, peço que entre em contato com a escola:
Olavo Bilac/ Ayres de Moura
R. Francisco Paes, 84 – Centro São José dos Campos Bom..., mesmo que não venha, me escreva.
Obrigada! Com carinho, (Carta a PB. CEDAE, Fundo “Memória de Leitura”. 18SJC5- Pasta 23)
São José do Rio Preto, 19 de março de 1991. Querido amigo Pedro,
E aí, tudo bom? Aqui está tudo ótimo.
Quanto tempo eu não te escrevo, né?
Sabe, estou te escrevendo para lhe falar que ADOREI “A marca de uma lágrima”.
É muito lindo esse livro. Gostei muito dele, de verdade.
Pra você ver, eu o li em 2 dias, porque quanto mais eu lia, não conseguia parar, pois queria saber o que ia acontecer.
Chorei bastante também. Sou muito sentimental. Sabe, aprendi bastante com esse livro.
Pedro, eu morro de vontade de escrever um livro, até tenho uma idéia, mas na hora de passar pro papel fica muito difícil, e eu já o
tentei.
Eu gosto muito de ler os seus livros. Todos eles me dão uma mensagem muito boa e bonita. De todos eles, os que eu mais gostei foram:
-A marca de uma lágrima, -Agora estou sozinha, -Pântano de Sangue, e -A droga da Obediência.
Sabe, sou muito romântica, e acho que é por isso que eu gostei muito de “A marca de uma lágrima”.
Bom, é isso que eu queria te falar. Um beijo e um abraço.
Estou na 8ª série e tenho 13 anos.
OBS: A 1ª vez que te escrevi estava na 2ª série. (Carta a PB. CEDAE, Fundo “Memória de Leitura”. 17SRP15- Pasta 23)
Niterói, 26 de maio de 1991 Pedro,
Se você não se lembra mais de mim, eu lhe escrevi uma carta sobre o livro “O mistério da Fábrica de Livros”. Há, adorei a carta que você me mandou.
Os poucos livros que li, adorei, eles são: “Anjos da Morte, O Fantástico Mistério de Feiurinha e A Droga da Obediência.”
Pedro, já faz mais ou menos 2 semanas que li esses 3 livros. Lí apenas esses 3 livros, porque apenas esses 3 livros tinhão na biblioteca de meu colégio, e a bibliotecária me disse que iria comprar os outros da listinha que você me mandou.
Marcelle
Continuação... Pedro, sempre quis ter um ídulo, e esse ídulo não é XUXA, Tom Cruiz... Esse ídulo é você.
Pedro, fiquei apaixonada por esses poucos livros que li e pela capacidade de sua inteligência e criatividade.
E você como meu ídulo, não tenho foto, poster, autografo nem nada. Mas também não preciso, porque você já está no meu coração. E você estando no meu coração, já me traz um emoção tão grande que você nem pode imaginar.
Mande um beijo pra todo o pessoal da gráfica editora conburg.
E uma BEIJOCA Principalmente para VOCÊ.
Me escreva
(Carta a PB. CEDAE, Fundo “Memória de Leitura”. 5SRo1- Pasta 23)
Santarém, 20 de novembro de 1991
Hoje terminei de ler um livro seu que emprestei de uma professora e achei fascinante a história dos Karas onde a ação e o perigo agem junto com a realidade juvenil. Não sei como expressar a emoção que sinto ao escrever para uma pessoa tão bem falado como o senhor.
Escrevo-lhe não só para lhe elogiar mais como para lhe fazer um grande pedido. Sou uma garota de 16 anos, humilde e que vive no mundo da imaginação vivido por personagens de livros, e que através desta carta quero lhe pedir, se possível, que me arrange os seus livros, pois não possuo grandes recursos financeiros para adiquirir seus livros.
Queria escrever p/ sua residencia porque tenho medo de que não chegue até suas mãos, mais mesmo assim desejo
Continuação... que esta chegue até você e que possa me ajudar.
Estaria muito agradecida se pudesse me ajudar e entender minha situação, não escrevo por escrever é a mais pura realidade. Mesmo que não possa me ajudar queria muito que me escrevesse dando uma resposta ao pedido e também queria lhe considera um amigo, pois seria um dos maiores orgulhos para mim poder dizer as minhas amigas que me correspondo com “Pedro Bandeira”.
Aqui termino esta pequena carta e deixo desde já os meus agradecimentos, a sua atenção e compreenção.
De uma nova amiga:
(Carta a PB. CEDAE, Fundo “Memória de Leitura”. 6Str1- Pasta 23)
Primeiramente gostaria de me apresentar: meu nome é Gisele, tenho 15 anos e estou cursando o 1º ano do segundo grau. Estou escrevendo porquê aconteceu comigo um milagre que nenhum outro autor, havia conseguido: prender minha atenção! Sabe, eu odiava ler livros, até que fui obrigada a ler um, já que a prova que iria salvar minha vida era sobre o livro. Esse livro era:_______________________. No começo eu odiei a ideia de ter que prender-me a um simples “livro”. Mas calma aí, aquele não era como os outros, aquele era atiçador, eu precisava ler, tinha que saber quem era aquele homem que estava destruindo a vida de jovens estudiosos. Então, eu não tirava os olhos daquele livro, estava dominada por uma fantástica droga que não permitia uma qualquer outra tipo de atenção, que não fosse apenas daquelas palavras, uma droga magnífica que me fez tirar “A” na prova de português. Quem era aquele autor que sabia como chamar a atenção dos jovens? Quem era aquele autor que criara aquele grupo de cinco jovens, “Os Karas”? Era incrivel! Resolvi procurar mais, então achei “Pântano de Sangue”. Perfeito, era melhor ainda. Quem desconfiaria numa velha tia fanatica por rosa choque. É isso que me impressionava em seus livros, o misterio, um enorme mistério que só lendo para ser revelado. Mas
minha turnê com os Karas, não acabou... eu li
agora_____________________________ muito diz. A única coisinha chata é que o Miguel é que o Miguel faz o favor de abrir a boca. E porquê o Calú se
Continuação...
apaixou por ela. Pôxa, eu o considerava meu namorado.
Bom... só tenho que parabeniza-lo pelos seus livros, assim que tiver uma folguinha vou comprar “Anjo da Morte” e “Droga do amor” com os Karas, é lógico. Fora da série dos Karas, eu já li: A marca de um lágrima”, amei! E “Agora estou sozinha”, que também é bem legal. Estou com uma lista de 16 livros seus que quero ler. Aos poucos quero todos em minha coleção que apelidei como__________________________________________________.
Meu pedido a você é que faça mais livros com os Karas, e se não fosse demais gostaria que quando tiver um outro livro com eles, você me avisasse por carta, e um autógrafo seu para eu guardar com carinho.
Eu fico por aqui.
Mais uma vez, parabéns! Um grande beijo.
(Carta cedida por Pedro Bandeira à Profª Drª Marisa Philbert Lajolo)
Foram mais de 14 anos tentando achar uma forma de escrever para você e que minha carta chegasse a suas mãos, e finalmente, esse dia chegou graças ao avanço da nossa tecnologia.
Posso me apresentar?
Eu me chamo Suellen Medeiros Crispim, moro em Rio Branco-Acre (uma acreana do “pé rachado”, tenho anos, sou jornalista e trabalho na filial da TV Globo do meu estado, sou atriz de teatro desde pequenina e cresci lendo seus livros. Há é faço faculdade de Artes Cênicas agora (risos).
O caso de amor entre seus livros e eu começou lá pelos meus 12 anos de idade. Eu morava em uma rua em que meninos reinavam e não tinha com quem brincar. As férias do meio do ano estavam chegando e reclamei para minha professora de português, Simone, que eu não gostava dessa “folga” porque eu não tinha com que brincar, ficava sozinha e me sentia triste. Minha querida professora, hoje respeitada e famosa por executar seu trabalho com excelência, perguntou se eu gostaria de ler alguns livros. Respondi que sim.
E assim foi feito. Ela me entregou uma sacola com 12 livros (onde cinco deles eram seus). Acho que o primeiro livro que li foi “Sempre Haverá um Amanhã” de Gisella Nicolelis, e logo dei de cara com “A Droga do Amor”. Foi amor a primeira leitura! Era divertido. Era fantástico! Os Karas eram o grupo de amigos que sempre sonhei em ter. Eu reli o livro não sei quantas vezes e depois dele li seus outros livros que também estavam na sacola. Mas nenhum deles era continuação dos Karas. Fiquei curiosa em ansiosa para saber o que acontecia nas outras aventuras desses cincos adolescentes notáveis. Sem esquecer-se de dizer que Crânio e Magrí eram (e ainda são) meus Karas favoritos.
Na hora de devolver a “sacolinha mágica” me agarrei com A Droga do Amor e comecei a chorar. Contei a Simone que me apegara ao livro e que não tinha coragem de devolvê- lo, que o livro era meu amigo e não tinha condições de comprar um igual (eu era bolsista no colégio).
Ele me deu de presente. E ele dormiu durante anos ao meu lado, sendo substituído muito tempo depois, pelo meu esposo.
A Droga da Obediência, Pântano de Sangue, Anjo da Morte e Droga de America também foram chegando a minha vida. Alguns deles, passei muita fome no recreio para comprá-los, um Simone me deu, e o último, Droga de Americana eu ganhei de presente da dona da livraria onde toda a semana batia ponto.
Seus outros livros também me encantaram. “A Marca de uma Lágrima” ganhei quando completei 13 primaveras. Logo, tinha toda a coleção dos Karas, A Marca de uma Lágrima, Mariana, O Grande Desafio, Agora Estou Sozinha... Posso simplificar? Eu tenho quase todos os Continua...
seus livros! Quando completei 15 anos a professora Simone me perguntou quais eram seus livros que eu ainda não tinha e foram eles meus presentes...
Quando tinha que decidir o que iria seguir em meu caminho profissional, lembrei-me que você também era jornalista. Essa foi minha escolha. Quando decidi deixar o teatro de fantoche da minha infância, lembrei-me que você era ator. E sai da cortina dos fantoches que me escondida e foi para frente dos palcos. Onde até hoje estou. Hoje seus livros estão na minha estante, no lugar mais especial. Mas é principalmente no meu coração que eles estão, guardados, estampados, tatuados com uma tinta que jamais se apagará.
Obrigada, por existir.
Obrigada, por me tirar da solidão e me mostrar um mundo de histórias fantásticas que me possibilitaram crescer como pessoa.
Obrigada, por ter me dado as asas da imaginação e ter me ensinado ao voar no céu mais maravilhoso que existe: o da leitura.
Obrigada, simplesmente, obrigada!
Hoje eu sou Magrí, a Isabel, a Telmah, a Laurinha, a Mariana, a Carla, a Iara... Eu sou todas elas porque vc me ensinou a sonhar.
Não tenho mais palavras porque meus olhos e meu coração já estão cheios de lágrimas...
Pensei em mandar uma foto minha e dos meus livros, mas nem sei se esse email vai chegar ao seu coração...
Agora resta esperar apenas uma resposta sua... A resposta que aguardo a mais de 14 anos...
Mas antes duas últimas exigências:
“Magrí e Crânio para sempre juntos! “Meus personagens preferidos, queridos, lindos e perfeitos...
“Não dá para vc dar uma chegadinha ao Acre para autografar meus livros?” Será que escrevi demais? Coisa de jornalista...
Finalizando... Bjos no coração...
Jornalista, Atriz e fã do Pedro Bandeira (Carta cedida por Pedro Bandeira à Profª Drª Marisa Philbert Lajolo)
Rio Branco – Acre, 23 de setembro de 2009 Querido Pedro Bandeira:
Alguém perguntou-me porque estava escrevendo a mão. Eu respondi que achava que assim era bem mais carinhoso.
A mais ou menos 15 anos atrás perguntava-me: como uma carta minha chegaria em suas mãos. Esperei muito e finalmente realizei essa proeza, os anos não são barreiras quando se deseja realmente algo.
Um dia, assisti uma entrevista, sua que postaram no 158ndes onde você falava que foi uma criança solitária. Eu também fui. Meus amiguinhos eram os patos e as galinhas que meu avô criava no quintal. O galinheiro era minha nave espacial (ou nave da Xuxa) ou esconderijo secreto contra “irmão 158ndesejável” que teimava em entrar na brincadeira. O que fazia com frequência era a festa de aniversário de um pato chamado “precioso”, o coitado deve ter morrido com uns 400 anos porque 365 dias ele tinha lá uns 4 aniversários, com direito a bolo de lama e uma caneca bem cheia de milho.
Certa vez, vi 4 pintinhos graciosos ciscando no quinta. Olhei para a mãe deles: uma galinha gorda e preta. “Se a galinha é preta porque seus filhos são amarelos?” Na intenção de fazer com que os pintinhos se parece com a mãe pegei uma lata de tinta e pin-
tei os coitadinhos de preto. Largei todos no quintal e fui embora feliz com meu feito”. Minutos depois, meu avô encontrou os quatro “duros”, mal consegiam se mecher, a tinta secou e os pintos ficaram imóveis, pareciam estátuas. Uma coisa estranha de se descrever. Como a tinta era guache meu avô “lavou” os bichinhos e os soltou novamente no quintal. Fiquei de castigo... Mas é claro que realizei muitas peripécias infantis. Algumas em destaque:
Já fiquei com a língua presa no congelador depois de tentar lamber o gelo. Subi em uma cadeira pra tentar alcançar. Imagine a cena...
Andando de bicicleta atropelei um homem e seu carrinho de churros.
Quebei o vidro da vizinha (com uma “baladeira”) e coloquei a culpa no amiguinho “bobão” que só estava olhando.
Pintei uma pedra de dourado e enganei o mesmo amiguinho dizendo que era pepita de ouro.
O que eu mais gostava de fazer era escrever histórias da “Menina Susu e o pato Precioso” (o pato do aniversário). Lembro-me que uma das historias eram das galinha egoístas que não sabiam colocar ovos e os roubaram das patas, jabutis, codornas... “Menina Susu e o pato Precioso” desvendavam o mistério do sumiço dos ovos. Gostaria de ter uma dessas histórias hoje comingo. O desenho (ilustração) era mais Continua...
23/09/09
Um pouco sinistro não acha? Pato Precioso Menina
Susu Eu nunca soube desenhar... Mas ao longo dos anos criei muitas historinhas como essa. Também gostava de livros e gibis. Uma pena que dificilmente comprovam “pra” mim. Meus pais diziam que gastar dinheiro com livros era besteira.
Eu tinha tanto amor pelas palavras que com 5 anos ajudava os amiguinho da escola a aprenderem a ler. As letras me faziam tão feliz! Lia jornais (com 5 anos), lia bula de remédio, lia lista telefônica e até o diário de minha tia adolescente (coitada, nunca descobriu)...
O problema era que não consegia controlar minha ansiedade, e isso estava piorando a cada dia, eu acordava de madrugada, não consegia durmir, e ficava criando histórias da “Menina Susu” até amanhecer. Levaram-me a uma psicóloga, que falou que eu precisava de uma atividade que ajudasse a controlar esse problema. A psicóloga disse que tinha que “estravazar” minha “ansiedade criativa”.
Foi ai que entrei para o “Barracão Fatoche” uma escolinha de teatro infantil. Lá aprendi a
confeccionar fantoches de todos os jeitos (de meia de pano, de papelão, dedoche...), a fazer brinquedos reciclados, massa de modelar...
Aos 8 anos fiz minha primeira peça de teatro com bonecos, várias vieram depois.
Como já contei no e-mail conheci seus livros através da profª Simone. Tinha 11 anos. Suas histórias tocaram meu coração, e em todos esses anos, nada consegiu se igualar a elas. Eu viajei por mundos e aventuras que nunca imaginei em toda a minha existência. Seus livros me proporcionaram uma alegria tão verdadeira que encheu meu espírito de sorriso, eu sempre soube que as palavras traziam felicidade. Principalmente para mim.
Depois de ter ganhado “A Droga do Amor”, da Simone comecei a ler e colecionar seus livros. Como contei no e-mail, passei muita fome para compra-los. Juntava moedas em um cofrinho de vaquinha até ter o suficiente. Ia até a livraria e “esparramava” aquele monte de moeda no balção, a vendedora sorria. Esse foi meu ritual. Depois de algum tempo virei íntima da livraria fazendo amizade com todos os funcionários passando um bom tempo lá foleando sua dezenas de livro.
- Como O Pedro Bandeira consegiu escrever tantos livros? – eu pens pensava.
Seus livros eram meu mundo encantado das palavras...
Um dia uma das vendedoras perguntou-me: - Porque compra livros do Pedro Bandeira?