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J C WILLIAME, 1983 45 R ANSTEY, 1977, p 1.

No documento HISTÓRIA GERAL DA ÁFRICA (páginas 138-141)

O impacto da Segunda Guerra Mundial nos territórios sob domínio britânico e belga

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cedor relativamente pequeno de homens para os exércitos aliados (uma unidade congolesa juntar -se -ia ao corpo expedicionário que liberou a Etiópia dos ita- lianos e homens seriam incorporados às unidades sul -africanas e rodesianas), a população civil seria mobilizada de forma quase militar para garantir o aumento da produção. Camponeses eram constrangidos ao trabalho forçado em canteiros de construção de estradas ou organizados em equipes de extração nos seringais. Colheitas eram requisitadas. Um dos pontos essenciais da política belga no Congo consistira, desde o pré -guerra, em exigir de todo africano vivendo em “sociedades de costumes” a realização de 60 dias de trabalho obrigatório (remu- nerado ou não) na comunidade local. Estes trabalhos comportavam a construção e a manutenção das estradas assim como a produção de gêneros alimentícios. Esta política, sancionada por um decreto de dezembro de 1933, contribuíra ao combate dos efeitos da crise e era aplicada, desde então, com ainda maior rigor, em razão das necessidades relativas ao prosseguimento da guerra. Se a Bélgica não podia combater ao menos podia prover aos Aliados os meios para fazê -lo. Em 1944, o número máximo de jornadas de trabalho obrigatório passara a 120. Aqueles que se ausentassem deste dever compareceriam perante tribunais de polícia, de tal forma que o braço da justiça de Estado seria também requerido, pela administração, com o intuito de também fazer aplicar a sua política de aumento da produção47. Evidentemente, os principais agentes desta política

eram os chefes, apesar do aumento da sua impopularidade. Em seu conjunto e durante a guerra, os esforços suplementares impostos aos camponeses do Congo foram, segundo as palavras de Jean Stengers: “consideráveis e, por vezes, muito penosos48”.

Na África britânica recorreu -se muito menos ao trabalho obrigatório. Os principais exemplos foram, após a conquista das Filipinas e da Indonésia pelos japoneses, os trabalhos forçados nas minas de estanho da Nigéria49 e o recruta-

mento de trabalhadores nas plantações de sisal da Tanganyika. Este alistamento visava satisfazer as necessidades em matéria de cordel para amarração dos ame- ricanos50 e dos agricultores brancos do Quênia. No tangente a estes últimos e

segundo os termos do protesto manifestado à época por Arthur Creech -Jones: “eles teriam garantido para si, sob a cobertura das necessidades da guerra, uma

47 R. ANSTEY, 1977, p. 147. 48 J. STENGERS, 1983, p. 11.

49 A propósito do escândalo provocado por esses acontecimentos no Parlamento, consultar M. CROW- DER, 1980, p. 495.

figura 4.1 Peça de artilharia antiaérea manobrada por soldados africanos durante a Segunda Guerra Mun- dial. (Fonte: Ministério da Informação do Reino -Unido. Foto: Topham, Londres.)

nova concessão em detrimento dos africanos51”. Mas, se o recrutamento dos sol-

dados e da mão de obra para a armada se fazia, em grande parte e teoricamente, com base no voluntariado, na prática ele era amiúde obrigatório. Uma vez mais, os chefes constituíram -se nos principais agentes recrutadores. Quando se lhes impunha coagir, intuindo fornecer os efetivos solicitados pela administração, a sua impopularidade aumentava ainda mais. Se os bamangwatu cujo chefe havia sido Tshekedi Khama, por aproximadamente um quarto de século, depuseram- -no em 1949, isto se deveu parcialmente ao papel por ele desempenhado no recrutamento para os britânicos52. No entanto, como demonstrado por David

Kiyaga -Mulindwa, este rei era animado pelas melhores intenções pois, ao for- necer aos britânicos os homens que eles necessitavam para formar uma unidade militar inteiramente distinta da armada sul -africana, ele e os outros chefes espe-

51 Citado por R. SMYTH, 1985.

ravam que os britânicos se sentissem em débito em relação aos botsuanos os quais assim estariam certos de jamais serem extraditados para a África do Sul53.

Em suas colônias, belgas e britânicos efetuaram a mobilização da população africana segundo diferentes modalidades, desenvolvidas com base em concepções incomparáveis entre si. Os belgas, não projetando para os africanos instruídos nenhum futuro político relativamente à gestão do Estado colonial, não apresenta- riam nenhum constrangimento ao não fazer distinção entre suscitar e exigir apoio. Nas colônias britânicas, inclusive naquelas dominadas pelos brancos, tal qual na Rodésia do Norte54, fora penoso persuadir os africanos a participarem do esforço

de guerra, apresentando -se como voluntários ao serviço militar, aumentando a produção ou, ainda, depositando a sua contribuição nas caixas de guerra, tudo em troca da promessa de uma melhoria, ao final da guerra, na sua situação econômica, social e política. Por meio de anúncios radiofônicos, em sessões de cinema itine- rante e nos balcões de informação, repetia -se aos africanos serem eles os parceiros dos seus mestres coloniais na luta pela democratização e na promessa do melhor

dos mundos, este último a esperá -los no pós -guerra55. Os funcionários coloniais

“encontrar -se -iam assim projetados ao papel, para eles inabitual, de propagandistas do império. Eles postar -se -iam em praça pública e utilizariam todos os meios à sua disposição para seduzir a opinião pública56”.

Precisamente no limiar da guerra, o novo Colonial Development and Welfare

Act fora promulgado e marcaria, embora não abrisse ao conjunto do império

nada além de um crédito anual de 5 milhões de libras, uma importante mudança na atitude dos britânicos, no que diz respeito à gestão das suas colônias: pre- liminarmente, o esforço de desenvolvimento deveria ser empreendido, desde logo, não com vistas às vantagens oferecidas ao país doador mas, em adverso, em função das necessidades imediatas das colônias interessadas; sem dúvida igualmente importante, o governo colonial deveria prover os fundos necessá- rios ao bem-estar social da população, desenvolvendo serviços educacionais ou criando hospitais; em desenlace e constituindo talvez o traço mais significante, o velho princípio, qual seja, o autofinanciamento das colônias, seria definitiva- mente abandonado57. No Ministério das Colônias e no Gabinete, o debate em

53 D. KIYAGA -MULINDWA, 1984.

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