2. CONTEXTO EDUCACIONAL
2.2. Justificativa de oferta do curso
O curso de Graduação em Zootecnia, com visão ampla acerca dos processos de produção animal, incorpora variáveis sociais, econômicas, políticas e ambientais inseridas em um contexto de significativo crescimento das empresas como também, o fortalecimento, da agricultura familiar.
Alegrete é o maior município, do Rio Grande do Sul em extensão. As propriedades rurais ou unidades produtivas foram estratificadas conforme o tamanho da
área. No município, 56% dos estabelecimentos tem menos que 100 ha e apenas 8,6%
mais de 1000 ha.
As oportunidades de renda e qualidade de vida, a nova geração ligada ao meio rural vislumbra um futuro promissor também nas propriedades que fazem o Produto Interno Bruto (PIB) gaúcho inflar com reflexos de supersafras e crescente produção animal.
A economia atual é constituída basicamente pela agricultura, com predomínio do arroz irrigado, e pecuária de corte. Os indicadores econômicos mostram um PIB total de R$ 1.022.330, 821 mil e um PIB per capita de R$ 12.851,75 (Fonte: IBGE, 2008). No entanto, frente às dificuldades enfrentadas pelo setor nos últimos anos, há uma crescente demanda por atividades agrícolas diversificadas, explorando as potencialidades regionais, como também pela modernização e eficientização das já existentes, desafio este que o curso de Zootecnia passa a assumir.
A região apresenta ainda alguns problemas ambientais ligados à própria dinâmica natural, agravados pelo tipo de uso do solo ou atividades econômicas. Assim verifica-se na área, por exemplo, a ocorrência de erosão e arenização, além da crescente escassez de água relacionada especialmente ao aumento da utilização do recurso pela lavoura arrozeira em épocas de estiagem. Pode-se constatar na área, também o desmatamento das margens dos rios que colabora para o agravamento dos problemas resultantes de períodos de chuvas concentradas com a consequente ocorrência de enchentes. Há ainda a contaminação do solo e da água pelo uso de insumos químicos e agrotóxicos, por isso a área apresenta, segundo a FEPAM, alta prioridade para o controle dos impactos da atividade agrícola.
Contudo, o Brasil configura-se como potencial fornecedor de alimentos para o mundo. Razões pelas quais, tradicionais parceiros comerciais como a União Europeia e os Estados Unidos, além de novos compradores, como o Oriente Médio, os países do Sudeste Asiático e a Europa Oriental, tem estreitado relações comerciais. Essa conjuntura torna imperativa a formação de Profissionais com sólido conhecimento científico, possuidor de consciência ética, política, com visão crítica e global da conjuntura econômica, social, política e cultural da região onde atuam do Brasil e do Mundo.
Em 2011, o rebanho bovino brasileiro totalizou 180 milhões de bovinos (ANUALPEC, 2012). Segundo este mesmo anuário, o abate sob fiscalização, aproximou-se de 41,2 milhões de cabeças, que resulta numa taxa de abate de 23,3%. As
exportações de carne bovina, em 2010 alcançaram mais de 1.700.000 toneladas de equivalente carcaça (TEC), colocando o Brasil, desde então, como maior exportador de carne do mundo. Mesmo com destaque no cenário internacional pela capacidade competitiva, a produção de carne bovina brasileira está muito aquém do seu potencial.
Nesse escopo, Alegrete, é detentora do maio rebanho bovino do estado, com aproximadamente 540 mil animais. Além disso, o município conta com ampla estrutura para criação dos animais, abate e processamento da carne.
Em relação à produção de leite brasileira, ocupamos o ranking dos maiores produtores mundiais. O Rio Grande do Sul produz mais de 4 bilhões de litros de leite por ano. A produção envolve 121 mil produtores e um rebanho de 1,5 milhão de vacas. O parque industrial reúne mais de 200 indústrias de laticínios, com Inspeção Federal, estadual ou municipal. O Estado é o segundo do país, atrás apenas de Minas Gerais, na atividade leiteira, que responde por 2,13% do PIB gaúcho, o que equivale a cerca de R$
6 bilhões (ANUALPEC, 2012). Porém, no município de Alegrete, apenas nesses últimos anos, a atividade leiteira tem ganhado visibilidade, aja visto grande empenho dos gestores locais em desenvolver a produção firmando Alegrete, como nova fronteira produtiva.
Em relação a outros principais rebanhos brasileiros, o maior crescimento populacional ocorreu na suinocultura (35,2 milhões de unidades), com 3,3%, seguida da de aves (821,5 milhões), com 1,1%. No período, todos os produtos de origem animal registraram aumento, com destaque para o leite de bovinos (25,4 bilhões de litros) e os ovos de poedeiras comerciais (2,9 bilhões de dúzias), com 2,9% e 5,8%, respectivamente (IBGE, 2008).
Outra atividade ligada ao agronegócio que tem grande importância econômica no Brasil é a criação de frangos, sendo o terceiro maior produtor mundial (FAO, 2006). Este quadro se mantém, sendo que no ano de 2010 a produção de carne de frango foi de 16.222, 12.500 e 11.420 mil toneladas, respectivamente para EUA, China e Brasil (ANUALPEC - 2012). Historicamente, a região da fronteira oeste do estado do Rio Grande do Sul, não possui tradição na criação de aves e suínos. Bem por isso, vislumbra-se, pelo avança dos cultivos de grãos nessa região, grande potencial a essas atividades.
Já os ovinos têm apresentado grande crescimento do efetivo gaúcho, conforme levantamentos pecuários realizados pelo Departamento de Produção Animal da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Pesca e Agronegócio (2012), sendo que a
distribuição da população ovina gaúcha continua concentrada na região sul do Estado, em especial, nas mesorregiões sudoeste e sudeste. Corroborando, o mercado da carne ovina encontrasse em franca ascensão. Nos últimos anos têm-se evidenciado um processo sólido de valorização da carne ovina no mercado doméstico, por meio do crescimento linear, dos preços nominais. Dessa forma, o progresso da pecuária gaúcha deve muito ao desenvolvimento da ovinocultura. Atentos a essas prerrogativas, o governo do estado do Rio Grande do Sul criou a câmara setorial da ovinocultura (SEAPA, 2012).
Oportunamente, Alegrete possui todos os atributos necessários para ser um grande exportador, pois, como já mencionado, conta com o segundo maior rebanho ovino estado (ARCO, 2010).
Neste sentido, o Zootecnista, tem muito a contribuir na melhoria desta situação, visto que o emprego de tecnologias e conhecimentos desse Profissional pode alavancar os setores produtivos regionais, revertendo-se assim, o cenário atual.
Nessa perspectiva, o presente Projeto Pedagógico de Curso (PPC) se justifica por almejar atender em plenitude o princípio da indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão, isto porque constituem as três funções básicas da Instituição, devendo ser equivalentes e merecer igualdade em tratamento. Implica, ainda, favorecer processos de ensino-aprendizagem que atendam às expectativas dos discentes, do mercado de trabalho e da sociedade.
O curso tem uma trajetória recente, que data o ano de 2010, quando foi autorizado o seu funcionamento. Desde então, tem passado por atualizações curriculares para atender as novas diretrizes da educação superior e as correções apontadas pelo Núcleo Docente Estruturante (NDE) do Curso, Colegiado de Curso e demais envolvidos no processo.
Considerando-se a dinâmica evolutiva dos processos de ensino-aprendizagem, dos conhecimentos abordados no curso e da própria sociedade, torna-se importante afirmar que a construção e (re) avaliação do projeto político pedagógico deve ser um processo contínuo visando seu constante aperfeiçoamento para acompanhar o desenvolvimento Institucional e os avanços da profissão no cenário brasileiro.
Assim, o curso de Zootecnia proporciona uma consciência comunitária e um incentivo para seus egressos criarem novos empreendimentos, novas perspectivas, valorizar os produtos regionais, valorizar a prática da diversidade produtiva, atender as demandas do pequeno proprietário rural. A multidisciplinaridade do curso de Zootecnia vai ao encontro
das soluções para esses entraves, além de oferecer ao mercado brasileiro, profissionais capacitados a enfrentar as demais realidades do nosso país.