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Fractions of Capital. Economy of Pernambuco.

Articulation Mercantile. Production Integration. Economic Development.

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Recebido para publicação em 20.07.2011

Fruticultura e Economia dos Custos de

Transação: Determinantes das Estruturas de Governança dos Pequenos Produtores do Polo Petrolina-Juazeiro

DOCUMENTOS TÉCNICO-CIENTÍFICOS

Tiago Farias Sobel

‡ Doutor em Economia pelo Programa de Pós-Graduação em Economia (Pimes) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

Leonardo Ferraz Xavier

‡ Doutorando em Economia pelo Pimes (UFPE);

‡ Pesquisador Bolsista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Pollyana Jucá Santana

‡ Doutoranda em Economia pelo Pimes (UFPE);

‡ Pesquisadora Bolsista do CNPq.

Ecio de Farias Costa

‡ Professor Adjunto II, Departamento de Economia/Pimes (UFPE);

‡ Bolsista de Produtividade em Pesquisa I, CNPq.

RESUMO

Tem como objetivo analisar as relações

transacionais existentes entre os pequenos produtores de frutas do Polo Petrolina-Juazeiro e os agentes localizados logo à frente no canal de distribuição, identificando os principais fatores que determinam as relações vigentes, tendo como base a Teoria da Economia dos Custos de Transações (ECT). Para tal, lança mão de um modelo de regressão logística ordinal e de dados obtidos em pesquisa de campo.

Como resultado, no geral, observa haver no polo uma relação positiva entre a maior parte das variáveis testadas e associada ao arcabouço teórico da ECT e a probabilidade de o pequeno produtor de fruta do polo variar a sua intensidade de coordenação vertical junto a seu elo a jusante. Deste modo, aqueles produtores que possuem um maior grau de especificidade e atributos, dentre os considerados pela ECT, acabam tendo também uma maior capacidade relativa de transacionar suas frutas por meio de estruturas de governança mais intensificadas.

PALAVRAS-CHAVE

Economia dos Custos de Transação. Fruticultura.

Pequenos Produtores. Polo Petrolina-Juazeiro. Modelo de Regressão Logística Ordinal.

Premiado em 3º Lugar no XVI Encontro Regional de Economia, realizado pelo Banco do Nordeste do Brasil e Anpec, em Fortaleza, em 19 e 20 de julho de 2011. Dois trabalhos obtiveram esta classificação.

1 – INTRODUÇÃO

A partir dos anos 1990, em função de uma série de fatores ocorridos, tais como os casos da “vaca louca”

e da “gripe aviária”, intensificação dos processos de abertura comercial, mudanças de hábitos alimentares dos consumidores, entre outros, observou-se uma elevação na intensidade das exigências dos principais mercados consumidores de alimentos ao redor do mundo, para que bens agrícolas pudessem entrar em suas fronteiras e serem comercializados, em que o foco passaria principalmente por questões relacionadas ao atendimento dos requisitos de biossegurança. No entanto, para se atender a estas exigências, deve-se levar em consideração a atual realidade da atividade agrícola, em que, para se chegar até o consumidor, normalmente, o bem passa por uma série de elos referentes não só à produção do bem como também à sua comercialização e processamento. Assim, o controle de qualidade exigido pelos mercados deve-se dar não só no elo produtivo propriamente dito como também ao longo do percurso que o bem faz até chegar ao consumidor final.1

Deste modo, as transações entre os diferentes segmentos integrados a este tipo de cadeia produtiva ganham importância, à medida que elas se tornam um dos principais determinantes de sua competitividade no mercado. Neste sentido, na análise da eficiência de quaisquer atividades agrícolas, é importante que se levem em consideração todos os esforços realizados para que as transações entre os seus diferentes agentes/elos ocorram da melhor forma possível. Ou seja, é indispensável levar-se em consideração o que é comumente denominado de custos de transação, cuja análise deve passar, dentre outros fatores, por questões relacionadas ao comportamento e ao modo como se articulam os participantes do sistema em estudo, o que pode ser feito lançando-se mão do arcabouço teórico conhecido como Economia dos Custos de Transação (ECT).

1 Como aponta Dörr e Marques (2006), não adianta mais ao produtor agrícola ser eficiente “dentro da porteira”, se o Sistema Agroindustrial (SAG) do qual ele faz parte não apresentar eficiência ao longo da distribuição do bem.

Inserida neste mesmo contexto, encontra-se a atividade da fruticultura, em que, devido às suas particularidades, tais como alta perecibilidade, elevado grau de incerteza quanto à variação de preços e da qualidade do bem (diante das incertezas naturais), entre outros aspectos, as relações contratuais entre as diversas partes deste setor têm forte impacto sobre a sua eficiência. Deste modo, localidades que veem na fruticultura uma importante atividade econômica devem atentar a tais aspectos, caso queiram manter-se de modo competitivo no mercado mundial de frutas. E neste contexto, inclui-se o Polo Petrolina-Juazeiro, já que, ao mesmo tempo que é considerado por vários autores, como Sampaio e Sampaio (2004); Fávero (2008); Lima e Miranda (2000), entre outros, como o mais importante polo produtor de frutas do Nordeste, apresenta uma grande quantidade de produtores com dificuldades no momento do escoamento de sua produção, dos quais, os pequenos produtores são os mais afetados. Nestes termos, fazendo uso da Teoria da ECT, é possível investigar quais seriam os meios mais adequados para que estes pequenos produtores se tornem mais eficientes em termos transacionais.

Neste sentido, este trabalho tem como objetivo analisar as relações transacionais existentes entre os pequenos produtores de frutas do Polo Petrolina-Juazeiro e os agentes localizados logo à frente no canal de distribuição das frutas, identificando os principais fatores que determinam estas relações vigentes, tendo como base a Teoria da Economia dos Custos de Transações (ECT). Com isso, acredita-se ser possível apontar críticas e sugestões para que estes produtores possam valer-se de meios mais eficientes/benéficos no momento em que forem escoar seus bens.

Vale destacar um traço distinto desta pesquisa relativamente a outros trabalhos que também utilizam como base a ECT: o seu enfoque é todo direcionado ao setor da fruticultura para o caso dos pequenos produtores, propondo-se um modelo empírico específico para comprovar as relações teóricas descritas. Adicionalmente, em se tratando de um estudo de caso para uma microrregião com as características do polo, essa importância aumenta pelo elevado índice de pobreza local, contudo, com um elevado nível de competitividade da atividade frutícola,

podendo esta, assim, ser vista potencialmente como um setor-chave para alavancar os indicadores sociais da microrregião.

Para se alcançarem os objetivos pretendidos, este trabalho encontra-se organizado em seis itens básicos.

Após esta introdução, no item 2, é feita uma descrição geral do polo e de sua atual estrutura transacional referente aos pequenos produtores de frutas. Em seguida, no item 3, é apresentada uma revisão sobre a Teoria da ECT e aplicações empíricas já realizadas com esta base teórica. No item 4, encontra-se a metodologia de análise, onde são descritos, com maiores detalhes, como foi obtida a base de dados e os métodos/modelos aplicados. Na sequência, no item 5, são apresentados os resultados encontrados nas regressões e sua análise. Por fim, o item 6 apresenta as conclusões e as implicações deste trabalho.

2 – A CADEIA PRODUTIVA DA FRUTA NO

No documento Volume 42 Nº 04 Outubro - Dezembro 2011 (páginas 67-72)