1. RESPONSABILIDADE SOCIAL EMPRESARIAL
3.6 Linhas orientadoras Global Reporting Initiative (GRI)
Muitas são as opiniões do que deverá ser exposto sobre a RS, pelo facto de a divulgação ser voluntária, e não existir um padrão de referência, ocorrendo em muitos casos insuficiência e baixa credibilidade, tem existido um conjunto de esforços com o objectivo de harmonizar e criar um padrão de referência, com um conjunto de directrizes e princípios. Sendo por isso o modelo de relato mais predominante, assim surge a necessidade de encontrar um referencial.
Como forma de colmatar as necessidades atrás referidas a CERES (Coalition of Environmentally Responsible Economies) - uma associação de investidores, sindicatos, gestores de fundos de investimentos, fundações e associações - empenhou-se em alcançar uma matriz comum de avaliação do desempenho sustentável das empresas, que fosse abrangente e consensual. Em 1997, em parceria com o Programa Ambiental das Nações Unidas (UNEP) foi criado o GRI
Global Reporting Initiative, cuja missão é desenvolver linhas orientadoras globais (guidelines)
para a elaboração de Relatórios de Responsabilidade Social. A estrutura das linhas orientadoras mais recente é do ano 2006.
Resumidamente o GRI apresenta as Directrizes para elaboração do relatório de Sustentabilidade (ou relatório de Responsabilidade Social) um conjunto de princípios orientadores.
Fonte: Elaboração própria.
• Materialidade – Os indicadores deverão ter impactos económicos, ambientais e sociais significativos que possam influenciar a avaliações pelos stakeholders;
• Identificação dos stakeholders – que permita uma informação mais direccionada; • Contexto da sustentabilidade – apresentação do desempenho da organização;
• Abrangência – definição dos conteúdos, que deverão incidir os impactos económicos, ambientais e sociais que permitam aos stakeholders avaliar o desempenho da organização relativamente ao período em causa.
Princípios para assegurar a qualidade do relatório apresentados pelo GRI:
Princípios para definição do conteúdo do relatório Materialidade Contexto da Sustentabilidade Abrangência Inclusão dos Stakeholders
Fonte: Elaboração própria.
• Equilíbrio – deverá ser transmitido os aspectos positivos e negativos do desempenho que permitam uma avaliação equilibrada e razoável da organização;
• Comparabilidade – as informações deverão ser seleccionadas, compiladas e relatados de forma consistente, para que os stakeholders possam comparar as informações de diferentes períodos e mesmo com dados de outras empresas;
• Exactidão (precisão) – a informação deverá ser precisa e detalhada de modo a permitir uma avaliação objectiva da organização e possibilite tomadas de decisões;
• Periodicidade – o espaço de tempo a que refere as informações e entre os relatos, deverá ser regular, em tempo útil que permita a tomada de decisão pelos utilizadores; • Clareza – as exposições deverão ser feitas de forma clara, concreta e compreensível; • Confiabilidade – a informação e os processos para a preparação do relatório deverão
ser recolhidos, registados, tratada e divulgados de modo a garantir a qualidade e materialidade da comunicação.
Ainda de acordo com as Directrizes para o Relatório de Sustentabilidade (GRI), os relatórios deverão conter três tipos de conteúdos:
• Perfil – refere-se a informações que tem como objectivo de expor o contexto geral para a compreensão do desempenho da organização, a estratégia, perfil e governança; • Informação sobre a Forma de Gestão – deverá referir o contexto no qual deve ser
interpretado o desempenho da organização numa determinada área específica; • Indicadores de Desempenho – deverão referir as comunicações de âmbito económico,
ambiental e social da organização.
O GRI não oferece nenhum modelo de Balanço Social. O que propõe baseia-se no conceito de sustentabilidade. Procura transformar a elaboração destes relatórios sobre sustentabilidade em uma rotina e conferir-lhes credibilidade como as demonstrações financeiras em termos de comparabilidade, rigor e verificabilidade
Qualidade do Relatório Equilíbrio Comparabilidade Exactidão Periodicidade Clareza Confiabilidade
Várias são as empresas que ao referirem a prática de RS e os respectivos relatos, referem as orientações do GRI. Verifica-se que empresas especializadas que prestam serviços de consultadoria referem nas suas mensagens o seguimento das linhas orientadoras do GRI. Nos estudos académicos ou de investigação após 1997, também há uma forte referência ao GRI, como por exemplo: Dawkins e Fraas (2008), Kotonen (2009), Kraemer (2005), entre outros. Em Portugal a própria Ordem dos Revisores Oficiais de Contas (OROC) incentiva a utilização das directrizes emanadas pelo GRI, como relata Manuel Caseirão (ROC, Coordenador da Comissão Técnica para o Desenvolvimento Sustentável em 2004).
Para Trebucq (2008) a adopção da estrutura proposta pelo GRI será uma excelente premissa para a divulgação da informação voluntária, uma vez que permite ganhar visibilidade e controlo da triple botton line na organização. No entanto defende o desenvolvimento quanto à verificabilidade. Segundo o GRI, para que um relatório possa estar sujeito a verificação deverá estar documentado, identificando as partes interessadas.
De destacar que Sampaio (2007) refere que existe um notório consenso entre a avaliação requerida pelo GRI e, as que os analistas financeiros consideram essenciais para o desempenho de uma empresa, concluindo-se que as directrizes do GRI são exigentes quanto ao relato de informação sustentável.
De acordo com Hollingworth (2009) a divulgação das informações de RS permite que haja uma transparência, um controlo mais restrito, maior responsabilidade dos membros do conselho de administração em relação ao que acontecerá no período seguinte.
Por outro lado, uma maior divulgação reflecte uma maior responsabilização da empresa para com a sociedade e evidência de que forma se abraçam os valores dominantes na sociedade. Serve também para integrar na empresa stakeholders de outras empresas, da comunidade, desenvolvendo e fortalecendo laços com os seus stakeholders (Woodwar, et al, 1996).