• Nenhum resultado encontrado

Característica v isuais da edificação

4.1 – MÉTODO HEURÍSTICO

O método heurístico foi construído para o município de BH com a intenção de mapear as regiões mais susceptíveis aos movimento de massa, e a partir desta identificação, selecionar uma região para aplicar a modelagem determinística

SHALSTAB.

Na metodologia aplicada ao mapeamento das susceptibilidades aos movimentos de massa gravitacionais pela técnica heurística, buscou-se atender ao fundamento do termo modelagem, ou seja, a busca de uma representação ideal e simples de formas complexas, de fenômenos, ou idéias; ou apenas uma sistematização consistente do entendimento de um fenômeno e dos fatos a ele concernentes. Um modelo pode ser uma teoria, uma lei, uma hipótese ou uma idéia estruturada. Pode ser função, uma relação ou uma equação. Pode ser uma síntese de dados. Logo, do ponto de vista geográfico, é importante a inclusão de argumentos sobre o mundo real por meio de translações no espaço (para dar modelos espaciais) ou no tempo (para dar modelos temporais).

Desta forma, o método heurístico aplicado aqui baseia-se na combinação qualitativa de documentos cartográficos, em que os profissionais envolvidos aplicaram o conhecimento especialista para atribuir valores ou classes, para uma série de parâmetros, em geral, distribuídos numa carta.

As classes das intensidades da susceptibilidade deviam garantir uma representatividade do evento em questão, bem como tornar a metodologia prática. Ainda, observou-se durante a construção da metodologia, as possibilidades da automação dos processos.

O método heurístico foi aplicado para o município de BH, na escala de 1:50.000. Valeu-se para este mapeamento, algumas reuniões junto à secretarias da PBH (URBEL, SMURBE e PRODABEL), na coleta de informações, cartas e banco de dados.

Ainda, no produto final desta análise, aplicou-se uma matriz denominada “modificadora” (atributo referente ao padrão de uso e ocupação do solo), de forma a alterar as intensidades atribuídas e construir a carta de eventos perigosos. Os resultados são apresentados no Capítulo 4.

A metodologia proposta baseia-se na filosofia, conceitos e definições já discutidas nos Capítulos 1 e 2, e com base na caracterização do município (Item 3.1). As cadeias causais de eventos em análise foram os escorregamentos de solo e as quedas de rochas e detritos.

Como o objetivo inicial tratava-se de um mapeamento a nível regional, a primeira definição foi a escolha dos atributos predisponentes. Para tal, adotaram-se apenas condicionantes geológicos e geomorfológicos.

Apesar da opção em adotar apenas estes condicionantes, indiretamente os outros atributos apresentados no Item 3.1.1 (pedologia, hidrografia e drenagem urbana e hidrogeologia) auxiliaram na tomada de decisão da equipe especialista, ao atribuir os graus de intensidades do evento em estudo.

Na combinação dos atributos condicionantes e consequente atribuição das intensidades da susceptibilidade, faz-se destaque na busca da metodologia ideal, por estar baseada numa opinião especialista. Para tal apoiou-se em:

– cartas diversas (geologia, hipsometria, hidrografia, uso e ocupação do solo, declividades, etc.), produzidas por Tuler et al. (2007a e 2007b), PBH (2007a, 2007d e 2008), dentre outros;

– bancos de dados de ocorrência, contendo laudos de avaliação do tipo de evento e sua intensidade, por localidade (PBH, 2007b);

– conhecimento técnico–especialista, da equipe envolvida (URBEL, GIND, SMURBE, dentre outros);

– carta de riscos, elaborada pela URBEL/PBH (PBH, 2007b);

– referências bibliográficas, como a de Silva et al. (1995), especificamente nas premissas para construção da carta de predisposição a eventos perigosos de BH, em que a susceptibilidade da ocorrência dos movimentos de massa também apoiava–se em predisponentes geológicos e geomorfológicos;

– entrevistas com os autores da referência Silva et al. (1995); e

– verificações de campo e entrevistas a funcionários da URBEL, para validar algumas intensidades atribuídas para determinada localidade.

As reuniões formais na URBEL-PBH totalizaram-se 12 encontros técnico-científicos e 10 visitas técnicas. A equipe criada para atribuição dos graus de intensidade foi composta por 03 geólogos, 01 geógrafo e 02 engenheiros. Entre os desafios vencidos nessa etapa, citam-se:

– dificuldade em definir os limites entre as unidades, ou seja, as mudanças de propriedades geológico-geotécnicas e comportamentos geomecânicos, para a escala de trabalho; e

– uniformização do conhecimento especialista da equipe de trabalho, para a escala proposta, principalmente na definição das classes de comportamentos geomecânicos e zonas morfológicas;

– acesso a determinadas localidades, por muitas se encontrarem em áreas de “favelas”;

– A busca da simplificação da modelagem, permitindo a automação, sem perder a garantia de retratar o evento em questão;

– A busca das melhores referências bibliográficas, para embasar os procedimentos adotados; e

– A carência de banco de dados atualizados, principalmente dos digitais.

Enfim, a metodologia adotada apóia-se na simplificação da Figura 2.4 e está sintetizado pela Figura 4.1, na qual será discutida nos seguintes itens:

– Item 4.1.1 - Condicionantes geológicos, com base nas unidades geológicas mapeadas pela Figura 3.1;

– Item 4.1.2 - Condicionantes geomorfológicos, através de uma combinação entre unidades morfológicas e classes de declividades, mapeadas pelas Figuras 3.5, 3.8, 3.12;

– Item 4.1.3 – Combinação dos atributos predisponentes, definidos nas alíneas anteriores; e

– Item 4.1.4 – Construção do atributo modificador, a partir de metodologia para construção da matriz modificadora, com base na Figura 3.15 e de Silva et al. (1995).

C APÍ T U LO 4 – M AT E R IAL E M ÉT 15 2

Figura 4.1 – Metodologia heurística adotada para mapear a susceptibilidade aos movimentos de massa gravitacionais em BH

Carta do zoneamento de movimentos de massa gravitacionais Carta do zoneamento de movimentos de massa gravitacionais

Carta de Eventos Perigosos

Carta de Eventos Perigosos

Condicionantes Geomorfológicos

Condicionantes Geomorfológicos

Condicionantes Geológicos

Condicionantes Geológicos

Unidades Geológicas

Unidades Geológicas Unidades Morfológicas Unidades Morfológicas Classes de declividades Classes de declividades Unidades Morfológicas Unidades Morfológicas Classes de declividades Classes de declividades Zonas Morfológicas Zonas Morfológicas

Eventos naturais e induzidos

Movimentos de massa gravitacional

Movimentos de massa gravitacional

Queda de rochas e detritos

Queda de rochas e detritos

Escorregamentos de solo Escorregamentos de solo Atributo Modificador Zoneamento do solo (Leis 7166/96 e 8137/00) Zoneamento do solo (Leis 7166/96 e 8137/00) Grau de Urbanização

Grau de Urbanização Matriz padrão de uso e ocupação do solo

Matriz padrão de uso e ocupação do solo Conjunto de atributos Cenários Combinação de atributos Cadeias causais de eventos em análise Análise da ocorrência do evento Possibilidade de ocorrer o evento perigoso