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4. MATERIAL E MÉTODOS

4.4. Método 2 – IQS Visual

Tabela 6 - Resultados dos indicadores da APA aplicados aos pesos e notas considerados para o IQS Quantitativo conforme tabela 3.

Indicadores Valor aferido para cada indicador na APA

Peso do indicador (W)

Nota atribuída (I)

MO (g dm-³) 30 19 3

Textura (%) 50 17 3

CTC (mmolc dm-³) 96,6 16 2

KS (mm h-¹) 0,22 10 2

P (mg dm-³) 8 10 2

K (mg dm-³) 63 10 2

m (%) 0,63 9 4

pH 7,2 9 3

Onde: IVQS = Índice visual de qualidade do solo W= Peso dos indicadores

I = Notas atribuídas a cada indicador

A partir das informações apresentadas na descrição morfológica dos perfis de solo do CCA – UFSCar (LIMA FILHO, 2000), foram utilizados os seguintes indicadores de qualidade do solo: cor, estrutura, consistência, presença de raiz e canais biológicos. Pesos numéricos de 2 a 4 foram atribuídos aos indicadores, de acordo com a relevância da função para o adequado funcionamento do solo. Seguindo as diretrizes do trabalho referência, os indicadores estrutura e presença de raízes receberam peso 4, cor do solo e canais biológicos receberam peso 3 e consistência com peso 2. As notas atribuídas para cada indicador, segundo as avaliações realizadas visualmente, foram: 0 (pobre), 1 (moderado) ou 2 (bom).

A classificação quanto à qualidade do solo foi estabelecida conforme a tabela 7.

Tabela 7. Classificação do IQS Visual.

Classificação Visual Índice

Muito boa > 25,00

Boa 20 – 25,00

Moderada 15 – 19,99

Pobre < 15,00

Fonte: Niero et al. (2010)

A metodologia referente à obtenção de cada indicador visual utilizado no presente trabalho é apresentada a seguir.

A cor do solo foi definida de acordo com a Carta de Munsell, observando o matiz, valor e o croma. Os perfis de coloração escura receberam nota 2, pois considerou-se que solos nessa tonalidade tenham maior teor de matéria orgânica, o que confere benefícios ao solo tanto do ponto de vista químico como físico. Os solos de coloração avermelhada indicam a presença de óxidos de ferro e Al, o que é resultante da elevada intemperização desses solos, indicando também ambiente bem drenados, portanto, receberam nota 1. Em relação à cor, a pior situação é relacionada

a cores claras, pois tendem a indicar áreas encharcadas, onde houve intenso processo de remoção do ferro, ou podem estar relacionadas a solos como elevado percentual de areia, em que normalmente apresentam reduzida capacidade de armazenamento de água e retenção de nutrientes. Portanto, esses solos receberam nota 0 (TEIXEIRA et al., 2009).

A estrutura do solo é classificada quanto à forma, tamanho e grau de desenvolvimento. As formas de solos foram descritas como granular, laminar e em blocos. A forma granular é referente a formação de estruturas arredondadas, característica de horizonte superficial rico em matéria orgânica, o que representa um bom atributo ao solo. Na forma laminar o arranjo das partículas se dá em torno de uma linha horizontal com lâminas de espessura variável, conferindo ao solo características de compactação, o que influencia de maneira negativa a qualidade do solo. Na forma em blocos as partículas estão arranjadas em forma de polígonos de tamanhos aproximados. Esse tipo de forma é comumente encontrado nos horizontes subsuperficiais (CAPECHE, 2008).

Na classificação de tamanho foram caracterizados como pequeno, médio e grande, segundo a tabela 8. O tamanho vai influenciar de diferentes maneiras cada forma do solo. Como exemplo, a forma granular de tamanho pequeno confere boa macro e microporosidade, já formas em blocos de tamanho pequeno tendem a reduzir a macroporosidade.

Tabela 8. Classificação de tamanho das formas do solo.

Tamanho (mm) Forma

Granular e Laminar Blocos

Pequeno < 2 < 10

Médio ≥ 2 a ≤5 ≥ 10 a ≤ 20

Grande > 5 > 20

Fonte: IBGE (2007)

O grau de desenvolvimento caracteriza a estabilidade da agregação e foram determinados como fraco, moderado e forte. São denominados fracos quando pouco resistentes a pressão; moderado quando os agregados são bem formados e moderadamente resistentes à fragmentação, e forte quando resistentes e observáveis no perfil.

As pontuações para estrutura do solo foram atribuídas observando a interação entre os 3 fatores descritos, sendo que obtiveram 1 ponto aqueles que apresentam a característica mais benéfica ao solo, os que tiveram 0,5 ponto são aqueles que apresentam características intermediárias, e para aqueles que tem condições ruins foi atribuído 0 ponto, podendo ser verificadas na tabela 9. Valores < 1,5 receberam nota 0, para valores ≥ 1,5 a nota atribuída foi 1, valores ≥ 2,5 tiveram nota 2.

Tabela 9. Pontuação para estrutura do solo.

Forma Tamanho Grau de Desenvolvimento Pontuação Geral

Pontos Pontos Pontos

Granular 1 Pequeno 1 Fraca 0 2

Granular 1 Pequeno 1 Moderada 0,5 2,5

Granular 1 Pequeno 1 Forte 1 3

Granular 1 Médio 0,5 Fraca 0 1,5

Granular 1 Médio 0,5 Moderada 0,5 2

Granular 1 Médio 0,5 Forte 0,5 2

Granular 1 Grande 0 Fraca 0 1

Granular 1 Grande 0 Moderada 0 1

Granular 1 Grande 0 Forte 0 1

Laminar 0 Pequeno 0 Fraca 0 0

Laminar 0 Pequeno 0 Moderada 0 0

Laminar 0 Pequeno 0 Forte 0 0

Laminar 0 Médio 0 Fraca 0 0

Laminar 0 Médio 0 Moderada 0 0

Laminar 0 Médio 0 Forte 0 0

Laminar 0 Grande 0 Fraca 0 0

Laminar 0 Grande 0 Moderada 0 0

Laminar 0 Grande 0 Forte 0 0

Bloco 0,5 Pequeno 0 Fraca 0 0,5

Bloco 0,5 Pequeno 0 Moderada 0 0,5

Bloco 0,5 Pequeno 0 Forte 0 0,5

Bloco 0,5 Médio 0,5 Fraca 0 1

Bloco 0,5 Médio 0,5 Moderada 0,5 1,5

Bloco 0,5 Médio 0,5 Forte 0,5 1,5

Bloco 0,5 Grande 0 Fraca 0 0,5

Bloco 0,5 Grande 0 Moderada 0 0,5

Bloco 0,5 Grande 0 Forte 0 0,5

Em relação à consistência, notas foram atribuídas de acordo com o comportamento apresentado em cada estado de umidade. Para a pior situação foi atribuída a nota 0, para uma situação intermediária 0,25 e 0,5 para a melhor condição.

Definido os pontos para cada estado de umidade, realizou-se a análise combinada

entre esses estados a fim de determinar uma nota final para a consistência. Com o valor da combinação, para pontos ≤ 0,75 a nota atribuída foi 0, quando os pontos foram >0,75 - ≤ 1,5 a nota foi 1, e para pontuação >1,5 a nota foi 2. A tabela 10 elenca a pontuação adotada conforme o comportamento apresentado pelo solo quando caracterizado pela situação referida.

Tabela 10. Pontuação para consistência do solo.

Seca Úmida Molhada

Plasticidade Pegajosidade

Pontos Pontos Pontos Pontos

Duro 0 Firme 0 Não Plástico 0,25 Não

Pegajoso 0,25 Ligeiramente

Duro 0,25 Friável 0,5 Ligeiramente

Plástico 0,5 Ligeiramente

Pegajoso 0,5

Macio 0,5 Muito

friável 0,25 Plástico 0 Pegajoso 0

As notas para os canais biológicos foram atribuídas de acordo com a presença ou ausência dos mesmos como descrito no levantamento. Quando relatado canais biológicos abundantes a nota atribuída foi dois, devido a importância da presença desses elementos para o solo. Segundo Silva (2006), a macrofauna existente no solo desempenha um papel fundamental no funcionamento do ecossistema, pois atinge vários níveis tróficos na cadeia alimentar do solo, afetando de maneira direta e indireta a produção primária. A macrofauna exerce influência sobre o ciclo de matéria orgânica, disponibilidade de nutrientes assimiláveis pelas plantas e também pode ser vetor de microrganismos simbióticos das plantas. As propriedades físicas do solo também podem ser influenciadas por meio da macrofauna, pois atividades desempenhadas principalmente por formigas, minhocas e larvas são responsáveis pela criação de galerias, ninhos e excrementos fecais, que atuam modificando as propriedades do solo e disponibilizando recursos para vida de outros organismos.

Quando descritos como poucos canais biológicos a nota dada foi 1. Já quando relatado canais biológicos escassos ou a ausência dessa informação a nota atribuída foi 0.

Através das trincheiras abertas em cada quadra do campus foi possível avaliar a presença de raízes no perfil do solo de acordo com cada horizonte. Visualmente foi observada a quantidade das raízes nos horizontes do solo, que foram descritas como:

abundantes, poucas ou escassas, onde nesse estudo foram atribuídas notas 2, 1 e 0, respectivamente. Segundo Vasconcelos e Garcia (2005) a quantidade e distribuição

das raízes tem influência direta na cultura da cana-de-açúcar, contribuindo para absorção de nutrientes disponíveis no solo, resistência a seca, capacidade de germinação, tolerância a movimentação de maquinário, etc.

A seguir será demonstrado como o índice de qualidade do solo visual foi encontrado através da equação (2). Para tanto, como exemplo serão utilizadas as análises químicas e física do solo referente à APA. A tabela 11 demonstra como foram atribuídas as notas e pesos aos indicadores.

Tabela 11. Resultados visuais dos indicadores da APA aplicados aos pesos e notas conforme tabela 13.

Indicadores considerados para o IQS Visual

Peso dos indicadores (W) Nota atribuída (I)

Cor do solo 3 2

Estrutura 4 1

Consistência 2 0

Presença de raiz 4 2

Canais biológicos 3 0

Quando aplicada a equação (2) temos:

IQS APA = (3*2) + (4*1) + (2*0) + (4*2) + (3*0) = 18

5. RESULTADOS E DISCUSSÃO

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