Dimensão IV (estilos Seqüência e Global) os resultados revelam que, enquanto
4.3.5 Mapas cognitivos e o aproveitamento dos estudantes
Como forma de averiguar o aprendizado dos estudantes no método PBL, foram construídos mapas cognitivos com o uso da técnica SODA (Strategic Options Development and Analysis - Análise e Desenvolvimento de Opções Estratégicas), que permite o agrupamento de diversos mapas, para auxiliar nessa investigação. A construção desses mapas e a técnica utilizada fundamentam-se nos conceitos de Eden e Simpson (1989) sobre esse assunto.
Após o encerramento da disciplina alvo deste estudo, tanto o grupo de estudantes que participou da experiência, quanto o grupo que freqüentou a mesma disciplina, no mesmo período, mas ministrada de forma “tradicional” por outro docente, participaram de uma atividade no primeiro semestre de 2008, possibilitando a confecção dos mapas cognitivos. Esses mapas foram construídos com base nas respostas ao questionário de avaliação do aprendizado (Quadro 3, p. 55), contendo cinco questões elaboradas pelo docente responsável pelas inovações pedagógicas.
As questões abrangeram os conceitos de planejamento e análise de sistemas de transportes, bem como a aplicação prática dos conhecimentos e técnicas abordadas na disciplina concluída em 2006. Os estudantes responderam às três primeiras questões em sala de aula e, as duas últimas no laboratório de informática com acesso à internet para pesquisa.
Tendo em vista que um mapa representa, graficamente, a percepção de um indivíduo acerca de um problema, ele assume um caráter particular ou subjetivo e, portanto, pode fazer mais sentido ou ter maior significado para aqueles envolvidos em sua construção (PIDD, 2003).
Nessa perspectiva, os mapas cognitivos confeccionados neste estudo representam de forma sintética a estrutura e conteúdo dos assuntos tratados na disciplina, na percepção dos alunos. São mapas construídos com o intuito de investigar os efeitos do método PBL no aproveitamento dos estudantes, mediante a comparação das respostas fornecidas pelos participantes e não participantes da experiência.
Dentre as diversas possibilidades de uso, o mapeamento cognitivo pode ser visto como uma tentativa de isolar e representar os constructos de um indivíduo e dispô-los de maneira hierarquizada. Neste sentido, um mapa pode ser visto como uma rede de idéias que, capturadas diretamente daquele que as expressa, são conectadas para refletir a forma como, na perspectiva desse indivíduo, elas se relacionam.
Os conceitos dispostos nos mapas expressam os entendimentos, explicações, estratégias e dados utilizados pelos estudantes, ao passo que as ligações entre conceitos são representadas por setas, que indicam como um conceito conduz ou tem implicação sobre outro. Sabendo-se que os conceitos refletem, de modo geral, o entendimento dos alunos sobre as questões abordadas, os mapas estão traçados de maneira a fluírem do centro para as extremidades.
Neste sentido, os mapas representam o entendimento dos estudantes sobre os conceitos e técnicas abordados na disciplina Planejamento e Análise de Sistemas de Transportes e, as setas indicam as ligações percebidas entre eles.
A Figura 5 representa o entendimento dos estudantes sobre as questões 1, 2 e 3 e, nesse mapeamento estão agrupadas as respostas dos alunos expostos às inovações pedagógicas.
Figura 5. Mapa cognitivo dos estudantes submetidos às inovações pedagógicas
Observando o mapa como um todo, pode-se verificar o conceito central unindo o conteúdo das três primeiras questões, sendo que as ligações, representadas por setas partem do conceito central em direção às extremidades, indicando as respostas dos estudantes a essas questões. Ademais, as ligações entre os conceitos indicam ainda, como um conceito conduz ou tem implicação com o conceito subseqüente.
Nota-se por meio das respostas expressas no mapa que, em linhas gerais, os estudantes apreenderam os conceitos mais abrangentes da disciplina, apontando seus significados, funções, finalidades e exemplos de utilização, principalmente no que se refere aos conceitos de planejamento, análise e sistemas de transportes, como indicado no mapa.
Pode-se observar, ainda, que o nível de abrangência e profundidade com que as questões foram respondidas sugere que o método PBL teve um efeito positivo na forma como os estudantes solucionaram os problemas. Tal forma é apontada por Barrows (1996) como técnicas fundamentais na resolução no método PBL.
No entanto, no que se refere ao aprendizado, a análise das respostas dos estudantes que freqüentaram a disciplina ministrada da forma convencional, como indicado na Figura 6, mostra que em relação à teoria não houve diferenças entre as respostas dos estudantes, independentemente do formato em que as aulas ocorreram, uma vez que o método tradicional permite o desenvolvimento de técnicas de memorização que permitem responder às questões, mesmo sem a apreensão dos conceitos nelas envolvidos.
Figura 6. Mapa cognitivo dos estudantes no método “tradicional”
Outro resultado observado está relacionado ao impacto que o PBL poderia causar aos alunos, em virtude do tempo de exposição em ambientes convencionais de ensino, afetando negativamente no aproveitamento até que desenvolvessem novos hábitos de estudos, como apontado por Albanese e Mitchell (1993) e Dochy et al. (2003). Entretanto, esse impacto negativo não foi verificado na pesquisa, ao contrário, os estudantes envolvidos com as alternativas instrucionais demonstraram que, mesmo com o uso do método PBL obtiveram um bom aproveitamento no que se refere às questões de cunho teórico.
Por outro lado, quando se considera as questões A e B, relacionadas à aplicação prática dos problemas propostos é possível notar diferenças significativas entre as respostas
dos estudantes participantes e não participantes da nova proposta pedagógica, como demonstrado nas Figuras 7 e 8.
Observa-se na Figura 7 uma maior riqueza de detalhes com o uso de procedimentos, sugestões, idéias, tempos e estimativas, sugerindo, de forma geral, um aproveitamento significativo dos estudantes participantes da experiência, tendo em vista o nível de abrangência e profundidade com que as questões foram respondidas.
Observa-se ainda que, mesmo para as questões envolvendo a aplicação prática, os estudantes demonstraram apreensão efetiva dos conceitos trabalhados na disciplina, como se pode perceber pelas opções e possibilidades indicadas, tais como meios de transportes viáveis, custos envolvendo a oferta e demanda dos produtos que fazem parte dos problemas abordados, melhores vias de acesso, sejam elas terrestres, aéreas ou marítimas, problemas para o transporte das mercadorias, deficiências, possíveis locais para embarque e desembarque, gastos com terceiros e desgaste de veículos.
Os estudantes também realizaram pesquisas utilizando o acesso à internet, buscando as informações que não sabiam, tais como valores de transportes e de serviços fornecidos, distâncias percorridas entre uma localidade e outra, indicação de rotas com base em mapas rodoviários. Por intermédio da internet, os alunos tiveram a iniciativa de entrar em contato com empresas especializadas em transporte de cargas para obter informações sobre os aspectos relacionados às questões, tais como os mencionados anteriormente, colocando em prática os conhecimentos e técnicas aprendidas na disciplina.
A exposição dos estudantes a respeito das questões abordadas, ou seja, as formas adotadas para solucionar os problemas refletem de modo claro as características do método PBL. Esta constatação indica o desenvolvimento de certas habilidades relacionadas ao método, pois é possível perceber uma expressiva autonomia no processo de resolução.
A comparação dos mapas construídos a partir das respostas dos estudantes submetidos às alternativas instrucionais com aquelas fornecidas pelos estudantes que aprenderam por meio do modelo convencional revela que, embora as duas turmas tenham procurado resolver os problemas propostos no questionário, as respostas dos estudantes submetidos ao PBL indicaram o uso dos conhecimentos e técnicas trabalhadas durante a experiência.
Figura 8. Mapa cognitivo das respostas às questões A e B – Método “tradicional”
Pode-se notar certas diferenças não apenas na forma como as questões foram respondidas, isto é, nas técnicas utilizadas, mas nas soluções encontradas, que se mostraram viáveis para os problemas expostos, tanto de maneira geral, quanto, especificamente, em relação às duas últimas questões, demonstradas nas Figuras 7 e 8.
Em suma, embora os estudantes tenham sido expostos à experiência por curto período de tempo, as mudanças no ambiente educacional, o uso de novas tecnologias e, principalmente, a aprendizagem ativa e a pesquisa independente proporcionadas pelo método PBL promoveram a construção de conhecimentos e o desenvolvimento de habilidades necessárias para o bom desempenho nessa atividade, reforçando, assim, a quinta hipótese formulada para a pesquisa – o método PBL possibilita o desenvolvimento de comportamentos e atitudes desejáveis aos futuros profissionais.
Os resultados analisados e apresentados nesse capítulo sobre o aproveitamento dos estudantes mediante sua experiência com o método PBL, o uso da modalidade de ensino semipresencial e os estilos de aprendizagem, ou seja, a nova proposta pedagógica permitiu expressar nessa pesquisa algumas conclusões e considerações que serão abordadas no próximo capítulo.