A partir do que foi exposto nas falas das participantes dessa pesquisa, optou- se por organizar quadros explicativos. Dessa maneira, acredita-se que os leitores conseguem ter uma melhor percepção a respeito do mapeamento de alunos que foram identificados com AH/SD, ou que estão passando por esse processo, nas escolas municipais e estaduais de Agudo.
A seguir, está exposto o quadro com informações das escolas estaduais do supracitado município.
Quadro 2: Informações sobre alunos com AH/SD nas escolas estaduais
Escolas Estaduais
Nº de Alunos
identificados com AH/SD
Nº de Alunos em processo de identificação Escola A 0 0 Escola B 2 1 Escola C 0 3 Fonte: Autora
O segundo quadro explicativo traz dados a respeito de alunos com possíveis características das AH/SD nas escolas municipais de Agudo.
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Quadro 3: Informações sobre alunos com AH/SD nas escolas municipais
Escolas municipais
Nº de Alunos
identificados com AH/SD
Nº de Alunos em processo de identificação Escola D 0 2 Escola E 1 0 Escola F 0 0 Escola G 0 0 Escola H 0 0 Escola I 0 0 Fonte: Autora
A partir dos quadros, é notório que a rede municipal de educação precisa ter um olhar mais assíduo para os alunos, no intuito de perceber características de AH/SD entre seu corpo discente.
Desta forma, quando as escolas não estão preparadas para receber, diagnosticar e desenvolver as potencialidades de educandos com altas habilidades/ superdotação deixam de investir não apenas nesses indivíduos, mas também em toda a sociedade que poderia se beneficiar com futuras contribuições que seriam construídas por esses sujeitos no decorrer de suas vidas acadêmicas e profissionais. (SILVA, PAIXÃO, 2010, p. 462)
Ao identificar e promover o atendimento no AEE para esse alunado, além de estar contribuindo para a sociedade, conforme o excerto acima, as escolas estão fazendo-se cumprir o que está exposto na legislação a respeito desse público (BRASIL, 2001, 2006, 2008, 2011, 2015). Logo, urge que as escolas de Agudo promovam uma maior sensibilização para as AH/SD.
As escolas estaduais já iniciaram essa mobilização pelo processo de identificação desse alunado. Apesar, de haver um caminho longo a ser percorrido, estão indo em direção ao reconhecimento de que “os estudantes com altas habilidades/superdotação são descritos como Público-Alvo da Educação Especial
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por suas características singulares e pela necessidade de acompanhamento e orientação” (FREITAS, NEGRINI, 2014, p. 166).
Ao fazer uma relação entre os dados disponibilizados pelas coordenadorias de educação, municipal e estadual, com as informações das entrevistadas, constata- se que falta uma maior comunicação entre essas coordenadorias e as Educadoras Especiais. Quanto à rede estadual, o fato de que esse processo se iniciou no presente ano, pode justificar a informação inicial de que não teria alunos com AH/SD nas escolas estaduais de Agudo.
Porém, no que se refere à rede municipal, essa necessidade de maiores trocas dialógicas entre as profissionais da Educação Especial e a Secretaria de Educação se faz notória, a partir da diferença nos números apontados pela coordenadoria e das próprias falas das educadoras que mostraram esse desejo.
Sobre os dados encontrados, infere-se que o reconhecimento das AH/SD é extremamente baixo se comparado com outros públicos da Educação Especial. Fato que se agrava nos dados do Censo Escolar, em que não consta o registro desse alunado no município.
Talvez mais estigmatizados que os alunos com deficiência, os alunos com AH/SD não conseguem sair de sua invisibilidade sistêmica, que se reflete nos censos escolares, que não recebem informações adequadas das escolas e, portanto, apresentam números insignificantes dentro das matrículas escolares. (PÉREZ; FREITAS, 2011, p.112)
Um fator que chama a atenção e nutre reflexões importantes para a área, é o fato da formação de professores ter sido destacada nas falas das entrevistadas, de modo que, houveram participantes que relataram não ter tido os conhecimentos necessários em sua formação inicial. Contudo, ao se pensar que as AH/SD são Público-Alvo da Educação Especial, se reflete sobre a importância desse conhecimento para a atuação com o público mencionado.
Logo, seria interesse repensar alguns aspectos da organização curricular dos cursos de Educação Especial, tendo como referência a atuação dos profissionais com os diferentes públicos: alunos com deficiência, transtorno global do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação. Revela-se que essa reestruturação curricular já está sendo proposta no curso de Educação Especial Diurno da UFSM.
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relataram necessitar de maiores saberes e de formação mais voltada para a área, os professores da sala regular, que, em seus cursos de graduação, têm poucas ou nenhuma disciplina sobre a Educação Especial, o que se agrave em relação às AH/SD, devem sentir de forma mais intensa essa carência por formação.
Ao longo dos enunciados das profissionais, se realçou a Formação de Professores e o Desconhecimento na maioria das respostas para os questionamentos levantados. Ou seja, essa falta de saberes mais sólidos sobre a temática é considerada um dos fatores com maior impacto para a realidade no número de matrículas de alunos com AH/SD em Agudo.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Essa pesquisa trouxe um acalento pessoal, pois os questionamentos iniciais foram respondidos e, a partir das entrevistas, foi possível verificar o que permeia as AH/SD no município de Agudo, seja em relação aos conhecimentos sobre o assunto, a (não)identificação desse alunado e a percepção a respeito do atendimento educacional para esse público.
Dessarte, ao retomar o objetivo desse trabalho que foi problematizar o Atendimento Educacional ao aluno com AH/SD no município de Agudo a partir do mapeamento de matrículas na rede municipal e estadual de educação, alguns dados se sobressaíram.
Os achados contemplaram um número total de três alunos identificados com AH/SD, sendo uma estudante matriculada numa escola municipal e dois pertencentes a uma escola estadual. Outros seis alunados se encontram em processo de identificação, dentre esses, dois estudam numa escola municipal e quatro em escolas estaduais. Contudo, nenhum dos alunos identificados estão registrados no Censo Escolar, o que justifica a incoerência das informações prestadas pelas Coordenadorias de Educação e pelas Educadoras Especiais e a invisibilidade desse público frente às deficiências.
As falas evidenciaram que a falta de formação inicial e continuada é um dos principais fatores que interferem na identificação - quase ausência de - desses alunos.
Por conseguinte, a imposição por maiores conhecimentos sobre quem são e como promover o atendimento educacional desse aluno foi mencionado pela maioria das entrevistadas. Essa falta de saberes permeia não apenas os professores da Classe Regular, mas algumas das Educadoras Especiais entrevistadas, que, mesmo sendo egressas de um curso que deveria preparar para a atuação com esse público, não possuem o suporte necessário para a prática.
Essa prerrogativa aponta para a necessidade de se pensar a estrutura dos Cursos de Educação Especial, em prol de uma maior qualificação dos profissionais da área, principalmente no que diz respeito às AH/SD. Ao mesmo tempo, se realça a importância de os profissionais da educação estarem em constante busca pelo conhecimento, por meio da formação continuada.
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atendimento aos demais Público-Alvo da Educação Especial, dificulta em relação ao tempo para realizar o processo de identificação nas escolas de Agudo.
Por meio das exposições, constatou-se que o olhar mais atento para as AH/SD se acirrou esse ano, no que concerne à rede estadual de educação. No entanto, na rede municipal de educação, ainda falta uma maior atenção para esses alunos, seja na sua identificação quanto no seu atendimento educacional.
Uma das queixas das participantes esteve voltada para a necessidade de maior investimento da Secretaria de Educação do Município no que diz respeito ao processo de identificação das AH/SD e o atendimento educacional dos mesmos.
Como a identificação de AH/SD dentro das escolas do município é considerada baixíssima, sendo nula em alguns espaços educacionais, consequentemente o Atendimento Educacional é preocupante, pois, não está sendo ofertado o AEE para esses alunos devido à invisibilidade deste público. Essa mesma inquietação se volta para a sala de aula regular, afinal, conforme relatado pelas Educadoras Especiais, muitos professores não conseguem reconhecer essas habilidades, o que, se faz pensar que os alunos (com possíveis características de AH/SD) não recebem um atendimento coerente com seu potencial.
A realização de pesquisas assume um papel de extrema relevância no que se refere à contribuição para verificar como se efetiva a organização do sistema educacional, nesse caso, o sistema da rede municipal e estadual de Agudo.
Ao repensar a organização das ações pedagógicas e da educação, pondera- se que investigar o que pode ser aprimorado é desejar, cada vez mais, a efetivação de uma educação de qualidade, que atenda a todos realmente.
Ao depreender energia indo em busca das informações sobre o número de matrículas e o atendimento educacional oportunizado para alunos com AH/SD no referido município, almejou-se colaborar com as escolas, os profissionais da educação e com os próprios alunos, que estão camuflados em suas carteiras.
Por ser agudense e ter atuado como professora na cidade de Agudo, sabe-se dos potenciais que há na região. Assim, as indagações diante da inexistência de tal alunado nos discursos e em registros formais, impulsionou a busca desses achados. Logo, colocar-se no lugar do outro foi a mola propulsora para que essa pesquisa pudesse ser realizada.
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mesmo tempo preocupação. Leveza, pois acredita-se que, a partir de agora, algo poderá ser feito para mudar esses dados. Preocupação, pois não se sabe quanto tempo levará para que as habilidades, daqueles que se emudecem ou dos que se tornam inquietos, sejam percebidas, valorizadas e potencializadas.
Nesse instante, fica a certeza de que não se pode parar de pesquisar sobre o assunto. É preciso deixar a sugestão de que novos estudos podem surgir, tendo como sujeitos os professores das classes regulares ou os próprios alunos, que devem ter muito a dizer. Ainda, pesquisar sobre a realidade de outros municípios também se faz importante, corroborando para que um número cada vez maior de professores e leitores tenham acesso à realidade das escolas e a essa temática tão rica e importante que ainda precisa ser divulgada.
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APÊNDICE A- CARTA DE APRESENTAÇÃO DA PESQUISA DE TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO E SOLICITAÇÃO DOS DADOS DO ESTUDO PARA AS COORDENADORIAS DE EDUCAÇÃO DO MUNICÍPIO DE AGUDO
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APÊNDICE B- MODELO DE ENTREVISTA PARA OS PROFESSORES DE EDUCAÇÃO ESPECIAL DO MUNICÍPIO DE AGUDO
UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA CENTRO DE EDUCAÇÃO
EDUCAÇÃO ESPECIAL NOTURNO
TRABALHO FINAL DE CONCLUSÃO DE CURSO ORIENTADORA PROFESSORA DRª TATIANE NEGRINI
Formulário de Entrevista sobre Alunos com Altas Habilidades/Superdotação (AH/SD) no Município de Agudo
Nome:
Escola (s) em que atua:
Tempo de atuação no município:
1- Você possui conhecimento sobre quem são os alunos com AH/SD? Descreva seus conhecimentos sobre estes alunos.
2 - A partir dos seus conhecimentos, como você acredita que pode ser realizada a identificação de alunos com AH/SD?
3 - Há/houve formação dos professores municipais/estaduais acerca do tema das AH/SD? Em caso afirmativo, como foi promovida essa formação?
4 - Há casos de alunos que passaram/estão passando pelo processo de identificação nas escolas nas quais você atua, na rede municipal de ensino? De que forma é realizado esse processo?
5- Como você promoveria o atendimento educacional para um aluno com AH/SD? Como seria organizado este atendimento dentro do sistema educacional municipal?
5 - O que você considera que pode estar relacionado a (não) identificação de aluno com AH/SD nas escolas municipais/estaduais de Agudo?
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APÊNDICE C- TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO PARA OS PROFESSORES DE EDUCAÇÃO ESPECIAL DO MUNICÍPIO DE AGUDO
UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA CENTRO DE EDUCAÇÃO
EDUCAÇÃO ESPECIAL NOTURNO
TRABALHO FINAL DE CONCLUSÃO DE CURSO ORIENTADORA PROFESSORA DRª TATIANE NEGRINI
TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO
Título do estudo: Altas Habilidades/Superdotação: problematizações a respeito do número de matrículas no município de Agudo/RS
Pesquisador responsável: Angélica Regina Schmengler Instituição/Departamento: Centro de Educação/UFSM
Telefone e endereço postal completo: (55) 996829476. Avenida Roraima, 1000, prédio 16, sala xx, 97105-970 - Santa Maria - RS.
Local de realização da pesquisa: Escolas do município de Agudo
Eu Angélica Regina Schmengler, responsável pela pesquisa Altas Habilidades/Superdotação: problematizações a respeito do número de matrículas no município de Agudo/RS, o(a) convidamos a participar como voluntário(a) deste