CAPITULO II ACÇÃO PHYSIOLOGIC A DA UVA
1 Marvand Op cit.
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bicarbonato de potassa, actuam como ácidos diluídos, e dão por conseguinte ao sueco da uva novas propriedades tem- pérantes e antiphlogisticas; attenuam o erethismo circula- tório, moderam as secreções hepática e sudoral, e podem finalmente produzir, segundo as doses, effeitos diuréticos e purgativos.
1 2.°
AGUA — PRINCÍPIOS MINERAES
Exarar n'este paragrapho a importância physiologica da agua, elemento indispensável do sangue e dos tecidos, ve- hiculo de todas as secreções, base fundamental das opera- ções bio-chimicas que se passam no seio da economia, se- ria absolutamente impossível e de mais a mais supérfluo n'um trabalho d'esta ordem.
Limitar-nos-hemos tão somente a descrever as princi- paes modificações que experimenta o organismo n'aquelles casos em que a quantidade do liquido absorvido excede mais ou menos a cifra destinada a equilibrar as perdas, que diariamente tem logar pelas varias fontes d'eliminaçâo.
Rapidamente absorvida pela mucosa digestiva e incor- porada ao sangue, a agua, augmentando a massa do liquido sanguíneo, e dilatando um pouco o systema vascular, passa rapidamente pelos capillares geraes, e ahi, abaixando o grau de concentração dos fluidos nutritivos, favorece por este meio o trabalho de desassimilação. É, como muito bem faz notar Fonssagrives, uma espécie de purga intersticial, que n'um momento dado faz entrar no sangue uma maior somma de elementos resultantes da desaggregação dos teci-
dos. É por isso que a ingestão d'uma quantidade conside- rável de liquido arrasta como consequência não só o au- gmente da parte aquosa das secreções, mas ainda dos prin- cípios excrementicios n'ellas contidos, como facilmente se pôde verificar pelo estudo das experiências de Bõker, Falk, Schiffer e outros.
D'aqui se infere que a agua, além da importância physicv lógica que todos lhe conhecem, possue, quando intencional- mente administrada em quantidade sufficiente, effeitos al- térantes que podem ser aproveitados em estados mórbidos diversos. Se attendermos agora a que a agua entra na pro- porção de 80 °/o no sueco da uva, não devemos admirar- nos de que uma grande parte dos effeitos observados nas applicações ampelotherapicas sejam devidas á presença de uma quantidade notável d'esté liquido.
Saes — Bitartarato e sulfato de potassa. — É á presen- ça d'estes dois agentes da medicação évacuante que se deve uma grande parte dos effeitos purgativos da uva. O bitartarato de potassa existe em grande quantidade no sue- co, e, além da acção que exerce sobre as secreções intes- tinaes, tem propriedades tempérantes e diuréticas; segun- do Trousseau, distingue-se dos outros purgantes pelas pro- priedades hemostaticas que possue, diminuindo ou suspen- dendo mesmo os fluxos hemorrhoidarios e menstruaes ex- cessivos, e satisfazendo por isso mesmo a indicações espe- ciaes. O sulfato de potassa existe em pequeníssima quan- tidade no sueco da uva, e as suas propriedades laxantes e diuréticas nada apresentam digno de especial menção. Chlorureto de sódio e potássio.—Três ordens de fa-
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ctos demonstram bem claramente a importância do chloru- reto de sódio na alimentação: em primeiro logar a extrema diffusão d'esté principio pelos mais importantes líquidos da economia ; 2) o augmente de vitalidade que experimentam os indivíduos, que fazem uso de doses moderadas d'esté sal, e as graves consequências que pelo contrario podem seguir-se á ausência d'esté principio na alimentação diária, como é fácil de vêr pelas experiências de Boussingault e de Plouviez; 3) finalmente a influencia natural que obriga o animal a procurar os alimentos que melhor convém ás necessidades do seu organismo '.
Na impossibilidade de estudar detidamente este impor- tante assumpto, apresentaremos apenas as conclusões a que parecem ter chegado os physiologistas, sobre o papel re- presentado pelo chlorureto de sódio nas principaes funcções da economia.
No apparelho digestivo, e em dose moderada, produz uma estimulação que augmenta as secreções; em doses mais elevadas transforma-a em effeitos purgativos.
Rapidamente absorvido e misturado com o sangue, con- corre poderosamente não só para conservar a densidade do sangue no grau indispensável aos phenomenos osmoticos, mas ainda e principalmente para dar a este liquido a re- acção alcalina indispensável á manutenção das combustões, exagerando a hematose, e activando por conseguinte o mo- vimento de desassimilação orgânica. Eis a razão porque, in- gerido em doses excessivas e duradouras, perde a sua acção estimulante e reconstituinte, para dar logar a uma discra-
sia sanguínea, análoga á que se produz pelo uso immedia- to dos alcalinos.
Segundo as experiências de Zabeline e Dorogoff, o chlo- rureto de sódio, favorecendo a absorpção dos phosphatos, e oppondo-se em seguida á sua eliminação, ajudaria indirecta- mente o trabalho da reparação nutritiva.
O chlorureto de potássio, cujas propriedades são as mesmas approximadamente que as do chlorureto de sódio, existe em pequeníssima quantidade no sueco da uva, de- vendo por similhante motivo ter uma acção insignificante ou quasi nulla.
Phosphato de cal. — É esta uma das substancias mine- raes de maior importância, e que se encontra fazendo par- te de quasi todos os sólidos e principalmente líquidos da economia.
Entrando na composição das matérias albuminóides e das aguas potáveis, é principalmente affecto á nutrição dos ossos e das cellulas nervosas, fornecendo aos primeiros os dois elementos que os constituem, e ás segundas o phos- phoro apenas.
As observações e estudos de Boussingault, Dusart, Chossat e outros põem bem em relevo a importância phy- siologica do phosphato de cal pelas graves consequências que a privação d'esté principio traz comsigo, especialmen- te no período de desenvolvimento do tecido ósseo. Ë á au- sência d'esté sal em quantidade sufficiente que Mouries attribue o grande numero de affecções lymphaticas que dizimam as crianças domiciliadas nos grandes centros.
Completamente insolúvel na agua, o phosphato de cal acha-se em dissolução no sangue pela acção do acido car-
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bonico, dos bicarbonatos alcalinos e do assucar, que, como sabemos, é também um excellente dissolvente de carbonato de cal. É n'este estado de dissolução, e portanto de fácil absorpção, que encontramos o phosphato de cal no sueco da uva, onde por similhante motivo representa um dos mais importantes papeis.
Saes de ferro e manganês. — O ferro que se encontra nas uvas no estado de tartarato simples ou combinado com o tartarato de potassa, existe em maior quantidade nas castas tintas, e nas que se desenvolvem em terrenos ricos em saes de ferro; a importância d'esté elemento minerali- sador é tal que, segundo faz notar Carrière, ha uma re- lação constante entre a riqueza do solo em compostos de ferro e as qualidades vivificantes e reconstituintes dos vi- nhos produzidos.
Considerado justamente como um dos mais poderosos agentes da medicação tónica reconstituinte, o ferro actua de duas maneiras différentes: pela estimulação produzida já sobre a mucosa digestiva, já sobre as principaes funeções da economia; e secundariamente, fornecendo aos elemen- tos histológicos do sangue os materiaes indispensáveis para a sua existência, de modo a favorecer a transformação dos glóbulos lymphaticos em hematicos ou glóbulos rubros, prin- cipaes agentes da estimulação e combustão orgânica.
Como quer que seja, existindo o ferro no sueco da uva no estado de tartarato férrico potássico, encontra-se justa- mente nas melhores condições de actuar; porque é um fa- cto averiguado que n'este estado possue iodas as proprie- dades tónicas dos preparados marciaes, e menos adstrin- gente do que os saes ferricos dos ácidos mineraes, excita
em menor grau as vias digestivas* conservando a liberdade do ventre, o que pôde attribuir-se ás propriedades tempé- rantes e laxantes do tartarato de potassa.
É principalmente no tratamento da chlorose que o ferro e o seu succedaneo tem uma acção mais enérgica e prom- ptamente efficaz.
§ 3.°
ALBUMINÓIDES
Reina ainda alguma obscuridade sobre a natureza dos princípios albuminóides do sueco da uva. Para uns, é a al- bumina vegetal perfeitamente análoga á albumina animal; para outros é a glutina, principio do gluten; outros final- mente consideram a albumina como um conjuncto de sub- stancias variadas pertencente ao grupo dos alimentos azo- tados.
Qualquer que seja porém a opinião adoptada, o que é
#certo é que existe uma substancia albuminóide que, embo-
ra em quantidade minima de 1 \ %» a i nda assim entra co-
mo factor d'alguma importância nas propriedades nutriti- vas da uva. As analyses de Fresenius demonstraram que a quantidade de substancias azotadas contidas em 690 grammas d'uvas, equivale perfeitamente aos 5 grammas das mesmas substancias que se encontram em um ovo pe- sando 45 grammas.
Base fundamental de todos os tecidos, elemento indis- pensável das variadíssimas transformações orgânicas que se passam na economia, a albumina é considerada justa- mente como oceupando um dos primeiros logares na serie
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dos agentes nutritivos ; razão porque a presença o"esta sub- stancia no sueco da uva dá a este liquido uma importância tanto maior quanto é certo, como muito bem faz notar Cur- chod, que no soro do leite, cujos effeitos physiologicos e therapeuticos se approximam tanto dos da uva, não se en- contram senão accidentalmente vestígios de substancias azotadas.
Com relação aos principios aromáticos, e ao tannino contido nas grainhas e nas pelliculas, representam também, como veremos, um papel importante.
Além dos poderosos effeitos adstringentes de que gosa o acido tannico, modificando promptamente as secreções e exhalações exageradas, pôde ainda considerar-se como sy- nergico dos tónicos amargos e das substancias aromáticas, pela acção que exerce sobre a contractilidade dos músculos orgânicos, tonificando a fibra lisa. É por isso que a presença do tannino dá á uva uma grande parte da sua importância therapeutica, como veremos no decurso do nosso trabalho.
II
Acção pIíyNiologica do c o m p l e x o
Depois de ter percorrido rapidamente os principaes ele- mentos de que se compõe o sueco da uva, resumindo os da- dos que a sciencia possue sobre as propriedades de cada um d'elles, chegamos finalmente a uma das partes mais importantes do nosso trabalho —a acção physiologica do produeto formado tal como o encontramos, resultante, da
Àbstrahindo das variantes dependentes da diversidade do solo e das espécies d'uvas, faremos obra simplesmente pelos resultados obtidos na generalidade dos casos pelos clínicos das localidades, em que este meio therapeutico se acha em extremo vulgarisado.
Digestão. — Nos primeiros dias predominam os effeitos purgativos ou évacuantes, sendo as dejecções abundantes e em extremo diluídas. Passado algum tempo, attenuam-se estes effeitos consideravelmente, estabelecendo-se uma per- feita regularidade do ventre; por ultimo, a acção tónica da uva sobre toda a extensão do tubo digestivo revela-se promptamente pela facilidade da digestão, pelo augmento da secreção biliar e movimentos peristalticos do intestino.
Duas circumstancias, porém, modificam consideravel- mente os effeitos purgativos da uva.
Em primeiro logar, as influencias atmosphericas que em certos annos alteram sensivelmente as condições da ve- getação, podendo, no caso especial a que nos estamos re- ferindo, dar logar a mudanças sensíveis nas propriedades pbysiologicas das uvas. Tem-se effectivamente notado que em certos annos, precisamente n'aquelles em que o vinho produzido é de melhor qualidade, a applicação das uvas é seguida de effeitos purgativos quasi nullos, e em alguns ca- sos mesmo d'uma verdadeira constipação. Posto que o as- sucar pareça representar aqui um papel importante, não se sabe ainda ao certo a que principio será devida esta di- versidade de acção.
Em segundo logar temos ainda a casta. É n'este ponto que a divisão das uvas em fendentes e não fendentes tem uma importância capital : porque5 ao passo que as primei-
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ras produzem constipação, e são d'uma digestão mais labo- riosa, as segundas pelo contrario possuem effeitos purgati- vos bem claros, e tornam-se d'uma digestão sobremaneira fácil.
Circulação.—No apparelho circulatório notam-se phe- nomenos análogos aos observados no apparelho digestivo. Nos primeiros tempos da applicação e concomitantemente com a excitação do apparelho digestivo, observa-se uma maior actividade na circulação, traduzida pela frequência e plenitude do pulso, vermelhidão das faces, e em alguns ca- sos mesmo, conforme as circumstancias individuaes, podem produzir-se epistaxis, palpitações e hemoptysis.
Estas perturbações não tardam porém a dissipar-se, fi- cando apenas uma leve excitação circulatória que, estimu- lando as principaes funcções da economia, concorre pode- rosa e efficazmente para diffundir essa sensação de bem- estar, que experimenta a maioria dos indivíduos submetti- dos á influencia do meio therapeutico de que tratamos.
Devemos porém advertir que n'esta, como na funcção precedente, os effeitos não são constantes : porque casos ha, em que a excitação inicial ó substituída por uma de- pressão sensível. Gomo quer que seja, diz Herpin, é certo que o sangue adquire em geral uma fluidez notável.
Secreções. — A maior actividade funccional que se ma- nifesta em todas as secreções, debaixo da influencia da dieta pelas uvas, accentua-se principalmente na secreção renal. A cifra da ourina augmenta sempre e proporcional- mente á quantidade d'uvas ingeridas, salvo aquelles casos em que uma diarrhea ou uma diaphorese abundante faz de-
rivar uma parte dos líquidos, que naturalmente deviam ser eliminados pelo rim.
É assim que, segundo as experiências de Hauffmann, a ingestão de 3,060 grammas d'uvas por dia augmenta de i,020 grammas a quantidade de ourina, onde ao mesmo tempo se notam algumas modificações no tocante ás pro- porções relativas de certos princípios constituintes d'esté liquido excrementicio : ha um augmento constante de chlo- rureto de sódio, e os ácidos úrico e phosphorico conservam- se invariáveis, ou então pôde dar-se uma diminuição para o primeiro e um augmento para o segundo ; a cifra da urea não soffre alterações sensíveis.
Estas conclusões de Hauffmann devem porém ser acei- tes com grande reserva, visto ser o numero de observações sobre que assentam insufficiente para garantia da invaria- bilidade.
Systema nervoso. — A acção tónica ou levemente exci- tante que exerce a uva sobre os centros nervosos, especial- mente sobre o apparelho cerebral, pôde ter duas origens différentes : ou é devida a uma estimulação directa, produ- zida pela acção propria dos princípios aromáticos que se encontram principalmente nas castas tintas; ou resulta, como consequência necessária, das modificações que expe- rimentam as funcções digestivas, circulatórias, e principal- mente a composição do sangue. Sabe-se que o sueco da uva tem uma acção vitalisadora, incontestável e rápida, so- bre a crase do liquido sanguíneo í.
D'esté duplo mecanismo d'aeçao resultam duas ordens
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de indicações différentes ; e, segundo os casos que se nos offerecem, iremos procurar uma acção directa nos princí- pios aromáticos, ou uma acção indirecta, por intermédio das outras principaes funcções, nos restantes variadíssimos elementos, de que se compõe o sueco benéfico do frueto da videira.
Nutrição. — O modo porque actuam as uvas na nutri- ção geral deduz-se até certo ponto do conhecimento da sua influencia isolada sobre cada uma das principaes funcções que acabamos de percorrer, theoricamente justificada pelas propriedades dos elementos de que são constituídas.
De facto, se attendermos a que no sueco da uva se en- contram princípios azotados e hydrocarbonados associados aos princípios minera es que maior influencia exercem sobre os processos Íntimos da nutrição, e se nos lembrarmos de que todos estes elementos reunidos pelas forças orgânicas dão em resultado um produeto tendo a maior analogia com o leite da mulher, que por tanto tempo satisfaz ás impe- riosas necessidades da nutrição nas primeiras idades, não devemos de certo estranhar que o emprego methodico d'es- ta substancia alimentar traga importantes modificações no resultado final das operações orgânicas.
A influencia reguladora sobre os processos digestivos e eliminadores, as modificações favoráveis da crase do san- gue, e finalmente a acção tónica sobre os órgãos centraes d'innervaçao, explicam perfeitamente a efficaz influencia, confirmada pela pratica, sobre os processos da assimilação nutritiva. Não queremos aqui referir-nos somente á deposi- ção em maior quantidade de principios gordurosos nas ma- lhas do tecido conjunctivo que, como referem os hygienis-
tas, deve ser combatida pelo exercido e pelos passeios, mas sim ao desenvolvimento harmónico de todos os teci- dos, pois que a todos elles se estende a benéfica acção d'esté importante alimento.
Citaremos em abono do que deixamos escripto a obser- vação feita pelo dr. Cardona nos vinhedos da província de Toledo, observação que muito bem pôde ser confirmada pelos habitantes da nossa região vinícola do Douro : os guardas das vinhas, escolhidos nas classes ínfimas e mais desgraçadas da sociedade, tomam conta do seu cargo no primeiro período da maturação da uva, e ahi se alimentam exclusivamente de pão e do fructo cuja vigilância lhes é confiada. «É notável, diz o dr. Cardona citado por Curchod, a metamorphose que se tem operado n'estes indivíduos ao voltarem na época da vindima: é frisantissimo o contraste entre o estado anterior de depauperação orgânica evidente e as condições novas de saúde e de vigor revelando-se no aspecto e em todos os actos exteriores».
Muitos outros factos poderia ainda citar, porque a salu- tar influencia das uvas é conhecida de todos ; e no entre- tanto Payen na sua obra sobre as substancias alimentares, parece querer attenuar as vantagens d'esta alimentação, mostrando mesmo a nocividade d'ella em muitos casos, baseando-se para isso nos effeitos purgativos exagerados a que podem dar logar os fructos, principalmente n'um estado de maturação incompleta.
Deverão por ventura estas considerações de Payen le- var-nos a restringir o emprego therapeutico das uvas? Se nos lembrarmos de que os crescidos effeitos purgativos, a que se refere o auctor, dependem principalmente das con- dições variáveis do fructo, e do uso immoderado que d'elle
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possam fazer aquelles que o consideram como uma pana- cea universal, facilmente comprehenderemos o valor das asserções de Payen. Como muito bem adverte Curchod, es- sas conclusões devem chamar á nossa attenção para dois pontos principaes: em primeiro logar todo o excesso é no- civo, e, no caso especial a que nos referimos, pôde mesmo prejudicar um meio therapeutico d'um valor incontestável, ainda quando racionalmente instituído; em segundo logar, sendo a applicação das uvas um meio therapeutico, é .prin- cipalmente em estados anormaes, em que uma influencia altérante se torna indispensável, que ellas têem a sua maior importância ; e em terceiro logar finalmente acrescentare- mos nós ainda que, sendo os efeitos da dieta pelas uvas dependente de numerosas circumstancias, como tivemos oc- casião de enumerar, as conclusões de Payen deixam de ser applicaveis aquelles casos em que, pelo predomínio de certos princípios, a acção purgativa e debilitante desappa- rece quasi, para dar logar a efeitos tónicos e reconstituin- tes incontestáveis. Ainda aqui o estudo incompleto das dif- férentes faces do problema nos explica a diversidade de opiniões.