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5. Trabalho Experimental

5.3 Materiais e Métodos

5.3.1 Explorações de vacas leiteiras

O trabalho experimental de campo foi realizado em 2 explorações de vacas leiteiras. A Exploração José Ribeiro Chula e filho S.A.P. Lda. (Exploração 1) situa-se na Freguesia da Moita, no distrito de Setúbal, sendo uma exploração em regime intensivo que tem como principal objectivo a produção de leite. A sua média de produção ronda 10.200 kg lactação

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305 dias, encontrando-se na actualidade com um efectivo de cerca de 750 animais de raça

Frisian-Holstein, dos quais aproximadamente 380 são submetidos a duas ordenhas diárias.

As vacas apresentam-se distribuídas por parques consoante o seu nível produtivo e o seu escalão etário.

A taxa de refugo anual é de aproximadamente 35%, estando a exploração estabilizada em relação ao número de fêmeas do efectivo.

Apresenta um programa de controlo reprodutivo e registos informatizados. Nesta exploração, o período voluntário de espera é de 60 dias, sendo todas as fêmeas que não apresentam sinais de cio até este estádio, examinadas para eventual tratamento indutor do cio. A detecção do cio é por observação visual.

É realizada a IA e apenas as vacas repetidoras são submetidas a monta natural com um touro na exploração. O diagnóstico de gestação é realizado cerca de 40 dias após a IA/monta.

A alimentação é fornecida em sistema de “unifeed”, com formulação apropriada para satisfazer as necessidades de cada parque produtivo/etário.

A exploração Agro-Pecuária Afonso Paisana, S. A (Exploração 2) está localizada na freguesia da Fajarda, concelho de Coruche, distrito de Santarém, apresentando um regime de produção intensiva, em que a principal actividade é a produção de leite. Atinge a produção média de 11.000 kg lactação 305 dias e o seu efectivo é constituído por cerca de 500 animais de raça

Frisian-Holstein, dos quais 240 são submetidos a três ordenhas diárias. As fêmeas são

distribuídas por parques, de acordo com a idade e o nível produtivo.

Apresenta um programa de controlo reprodutivo e registos informáticos integrados com a sala de ordenha. A confirmação da detecção de cios é por observação visual após análise diária dos registos provenientes da actividade locomotora fornecida pelos podómetros. É praticada a IA e a monta natural nas vacas repetidoras, utilizando um touro da exploração.

O diagnóstico de gestação é realizado por ecografia cerca dos 30 dias após a ultima IA/monta. O período voluntário de espera é de cerca de 50 dias, sendo as fêmeas sem registo de cio até este momento, examinadas para eventual tratamento indutor de cio.

A alimentação é fornecida em sistema de “unifeed”, com formulação apropriada para satisfazer as necessidades de cada parque produtivo/etário.

5.3.2 Animais

Foram monitorizados 186 fêmeas com parto registado durante o período referido para o trabalho experimental, das quais 126 na exploração 1 e 60 na exploração 2. A idade média das fêmeas foi de 4 ± 2,1 anos (média ± desvio padrão) e o número médio de lactações foi de 2,5 ± 1,6 (média ± desvio padrão).

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5.3.3 Métodos

5.3.3.1 Condição Corporal (CC)

A avaliação foi realizada sempre pelo mesmo operador. A escala utilizada foi descrita por Michel A. Wattiaux da Universidade de Wisconsin-Madison (2005) e apresenta uma classificação de 1 a 5, sendo ao valor 1 atribuído o grau de magreza severa e ao valor 5 o grau de obesidade severa.

Foi posteriormente calculada a diferença entre as CC aos D30pp e D0-10pp.

5.3.3.2 Temperatura rectal

A medição da temperatura rectal foi realizada com recurso a um termómetro digital. Este parâmetro foi classificado como normotermia, quando os valores se encontravam entre 38,4ºC e 39,5ºC e como temperatura anómala, sempre o valor obtido se encontrava acima ou abaixo do intervalo referido (Chen, 1998).

5.3.3.3 “Score” Vaginal

Para avaliar este parâmetro a higiene da zona perineal e vulvar é essencial. Para tal, o procedimento passa por lavar cuidadosamente a região vulvar e toda a zona circundante com água corrente, secar com toalhetes de papel descartáveis e posteriormente desinfectar os lábios da vulva com uma solução de iodopuvidona. De seguida, introduz-se a mão na vagina, devidamente protegida com uma luva de palpação limpa, e recolhe-se as secreções localizadas próximo do cérvix (Mortimer, Farin & Stevens, 1997; Williams et al, 2005).

A classificação foi realizada com base numa escala entre 0-4 (Dohmen et al, 1995), em que o valor 0 está associado a corrimento mucoso, transparente e limpo; o valor 1 a corrimento que apresenta vestígios (grumos) de pús; valor 2 ao corrimento com até 50% de conteúdo purulento; valor 3 ao corrimento com conteúdo purulento superior a 50%; o valor 4 a corrimento seroso e com cheiro fétido (Anexo 2).

5.3.3.4 Colheita processamento e armazenamento das amostras de sangue

Para a colheita de amostras de sangue foram utilizadas seringas monovette da Sarstedt® com cristais de heparina lítio e agulhas de 18G. Cerca de 9 ml de sangue foram colhidos através da punção da veia coccígea. Após a recolha, o sangue foi centrifugado a 3000 rotações por minuto durante 10 minutos, de modo a individualizar o plasma sanguíneo. Por fim, pipetou-se cerca de 2 ml de plasma para dois tubos eppendorfs de forma a obter amostras duplicadas de cada animal, etiquetou-se os tubos e conservou-se a uma temperatura de -20ºC.

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5.3.3.5 Colheita e armazenamento de amostras de Leite

As amostras de leite foram recolhidas para tubos de plástico com tampa de rosca e conservados a uma temperatura de -20ºC. O procedimento consistiu na limpeza do têto com um toalhete de papel descartável e antes da recolha procedia-se à rejeição dos primeiros jactos de leite. Sempre que possível colectou-se leite de pelo menos dois têtos num volume de aproximadamente 15 ml por vaca.

5.3.3.6 Mensuração de BHB e ureia

Após descongelação de uma das alíquotas de plasma, foi realizada a mensuração das concentrações de BHB e de ureia. Estas foram realizadas em duplicado, sendo o valor utilizado na análise a média dos duplicados. Sempre que a diferença entre duplicados foi superior a 15% (eventual erro de pipetagem) foi repetida a mensuração. Esta foi realizada por espectrofotometria, utilizando um aparelho de espectrofotometria UV/Visível (Pharmacia LKB – Ultrospec III) e kits disponíveis comercialmente (Ranbut (Hydroxybutyrate) RB 1007 para o BHB e Urea (manual only) UR 1068 para a ureia) segundo as instruções do fabricante. Os coeficientes de variação intra-ensaio foram de 5,79% para o BHB e, para a ureia no plasma, de 4,21% ao D8-10pp e de 4,55% ao D30pp.

A mensuração da ureia no leite recorreu ao mesmo método utilizado para as amostras de plasma sanguíneo.

5.3.3.7 Mensuração de BHB sanguíneo por “precision Xceed®”

O “precision Xceed” é um aparelho disponível comercialmente para mensuração, pelo utilizador, das concentrações de glucose e corpos cetónicos no sangue, em humanos.

A leitura realizou-se após colocação directa de uma gota de sangue da veia coccígea na fita descartável para corpos cetónicos do aparelho.

Esta análise foi apensa realizada na exploração 2 e o número de amostras foi de 41 devido a questões monetárias.

O objectivo foi de validar a leitura obtida, por comparação com o valor obtido pelo método laboratorial descrito acima.

5.3.3.8 Exame Ginecológico

Este exame serviu para avaliar, a ciclicidade, o score uterino e a involução cervico-uterina ao D30-37pp, assim como a presença de endometrite clínica.

Este exame recorreu à palpação trans-rectal utilizando as classificações proposta por Studer (1983) e LeBlanc et al, (2002) e ao exame ecográfico, utilizando um ecógrafo com sonda

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rectal linear de 5-7,5 MHz de frequência (ScanVet 200, Pie-Medial, Maastericht, The Netherlands)

A presença de corpos lúteos funcionais ou em regressão caracterizam a vaca como cíclica e a sua ausência como não cíclica (LeBlanc et al, 2002).

A classificação do cérvix e do útero, foi baseada nos respectivos diâmetros (Studer, 1983; LeBlanc et al, 2002).

O “score” uterino foi classificado na escala de 0-3 baseado no volume e na ecogenicidade do conteúdo uterino representando o valor 0 ausência de fluido, valor 1 altura do fluido até 3 mm, valor 2 altura do fluído intra-uterino até 7 mm e moderada ecogenicidade e o valor 3 altura do fluido intra-uterino > 7 mm e heteroecogenecidade (Barlund, Carruthers, Waldner e Palmer, 2008).

A presença de endometrite foi identificada através do “score” uterino, “score” vaginal (se corrimento purulento) e diâmetro cervical pontuado numa escala de 0-3 representando o valor 1 um diamêtro <5 cm, o valor 2 um diâmetro entre 5 e 7,5 cm e o valor 3 um diamêtro >7,5 cm, valor a partir do qual se considera a presença de endometrite.