2 Revisão de Literatura
2 REVISÃO DE LITERATURA
2.2 EDUCAÇÃO TERAPÊUTICA PARA PAIS DE CRIANÇAS DEFICIENTES AUDITIVAS
2.3.3 Materiais e programas para a educação ao paciente
Para que a educação ao paciente seja efetiva é necessário que os profissionais da saúde e os serviços tenham em sua rotina programas de educação ao paciente. Estes programas devem contar com materiais de apoio para a exposição das informações e acompanhamento dos pacientes e familiares.
As informações verbais podem ser combinadas com materiais educacionais escritos como livros, livretos e jornais, assim como outros tipos de mídia como vídeos, páginas da web e programas de computador a fim de auxiliar o entendimento e retenção da informação. Além disto, o gerenciamento pelo telefone ou diários podem ser utilizados para reforçar a educação ao paciente (FALVO, 2004; STRÖMBERG, 2005).
Alguns autores sugerem que sejam fornecidos aos pacientes endereços eletrônicos que contenham informações fidedignas para que possam acessar quando acharem necessário (MURPHY, 1998; RUSS et al., 2004).
Gravel e McCaughey (2004) relatam que muitas famílias de crianças deficientes auditivas não sabem o que perguntar no momento do atendimento e que as dúvidas começam a surgir após o contato com os profissionais. Desta forma é necessário disponibilizar um canal de comunicação entre o profissional e família para que tais dúvidas sejam esclarecidas rapidamente. Para isto podem ser organizados programas de orientação ou disponibilizar um telefone de contato ou um endereço eletrônico onde possam trocar informações.
Diefendorf e Arthur (1987) estudaram a efetividade de um programa de orientação aos pais a fim de reduzir os problemas de mau funcionamento nos aparelhos de amplificação sonora individuais de crianças de dois a seis anos. Este programa constou de aulas e demonstrações incluindo tópicos a respeito da audição e deficiência auditiva, avaliação audiológica, propósito da utilização do AASI, problemas comuns encontrados na utilização do AASI e procedimentos para resolvê-los. Após este programa, os autores documentaram uma redução na porcentagem de problemas encontrados nos AASIs daquelas crianças. As pontuações obtidas pelos pais em medidas pré e pós-intervenção foram consistentes com o sucesso dos mesmos em monitorar os aparelhos de seus filhos.
No caso de adultos e idosos, Kramer et al. (2005) estudaram o efeito de um programa de educação ao paciente e sua família e cuidadores, realizado em casa. O programa abordava o treinamento de estratégias de comunicação, leitura labial e informações sobre uso e cuidados com o AASI e dispositivos auxiliares. Para o programa foi desenvolvido cinco
2 Revisão de Literatura
Bárbara Guimarães Bastos 56
fitas cassetes e/ou DVDs de situações problemas interpretadas por atores, como por exemplo, a conversa de um deficiente auditivo em um ambiente ruidoso. Nos vídeos eram mostradas as soluções que podiam ser tomadas em cada situação e após eram discutidas quais estavam incorretas, quais as corretas e como deviam ser realizadas as estratégias. Participaram do estudo 24 idosos e 24 acompanhantes os quais receberam apenas a informação no momento da adaptação do AASI. Outros 24 idosos e 12 acompanhantes participaram também do programa de orientação. Os participantes recebiam pelo correio as fitas, estas eram enviadas quando a anterior era devolvida, o tempo permitido para ficar com cada era de duas a quatro semanas. Todos os participantes foram acompanhados por um período de seis meses. Os participantes responderam questionários relacionados à satisfação com o programa e/ou as informações fornecidas na adaptação, sobre aspectos emocionais e estratégias de comunicação relacionadas à deficiência auditiva. Foi observado que 90% dos participantes do programa estavam satisfeitos com este e utilizavam as estratégias de comunicação aprendidas. Houve melhora da experiência com os AASIs quando comparados ao grupo que recebeu apenas as orientações no momento da adaptação. Em relação aos acompanhantes não foi possível avaliar a efetividade do programa porque a escala utilizada não foi sensível, já que estes se mostraram dispostos a auxiliar e compreender as necessidades dos pacientes mesmo antes da participação no programa.
Aazh, Moore e Roberts (2009) criaram um painel educacional “Instrumento de gerenciamento do zumbido centrado no paciente” que abordava quatro opções de tratamento para o zumbido: (1) ignorar o zumbido e esquecer o assunto, (2) utilizar um gerador de som, (3) receber aconselhamento de um profissional ou (4) utilizar um aparelho de amplificação sonora individual. O impacto desse instrumento foi avaliado em 55 pacientes com zumbido, que, após a consulta com o otorrinolaringologista, eram solicitados a escolher uma ou duas opções de tratamento disponíveis neste painel. Os resultados mostraram que 42% queriam ser aconselhados por um profissional, 9% ignorar o zumbido e esquecer o assunto, 26% escolheram lidar com o zumbido com o uso de geradores de som e 24% escolheram utilizar AASI. Os autores observaram que o uso do painel reduziu o número de pacientes que seriam encaminhados para o aconselhamento profissional, sendo possível reduzir as listas de espera e aumentar o tempo utilizado para o aconselhamento para aqueles pacientes que realmente gostariam de receber este serviço.
Folmer et al. (2010) construíram um programa de conservação auditiva baseado em computador para militares com o objetivo de aumentar o conhecimento, provocar mudanças de atitudes e aumentar o uso de protetores auditivos em ambientes ruidosos. O
2 Revisão de Literatura
Bárbara Guimarães Bastos
57
programa constituiu-se de: uma cabina acústica na qual cada participante utilizou o programa, uma TV LCD na parte de fora da cabina com vídeos mudos e textos explicando as atividades que seriam realizadas dentro da cabina, um manequim antropométrico (Kemar) com um medidor de nível de pressão sonora do ruído acoplado na parede exterior da cabina para que os participantes inserissem o fone do iPod ou MP3 para saber a intensidade de suas músicas e dentro da cabina um computador com tela “touch” que permite o participante selecionar enumeras atividades e imprimir as informações, recomendações e resultados. Os autores separaram o conteúdo em oito módulos e em diferentes formatos: (1) Por que, quando e como proteger a audição? (vídeo); (2) Qual proteção é a certa para você? (telas interativas e vídeo); (3) Avalie a colocação de seus protetores auditivos (telas interativas); (4) O quão alto é alto? (vídeo e telas interativas); (5) Aprenda sobre o zumbido (vídeo); (6) Como a audição trabalha e (7) Como os sons altos a prejudicam? (vídeo animado); (8) Teste sua audição (telas interativas). O participante poderia selecionar o módulo que desejasse. O programa permite ajustes de volume para casos de deficientes auditivos e possuem recursos visuais adequados considerando os casos de deficientes visuais que participaram do programa. As autoras esperam que o programa de educação interativa e multimídia auxiliem as pessoas a estabelecerem estratégias para proteção da audição.