4. PARTE EXPERIMENTAL
4.1. MATERIAIS (REAGENTES, SOLVENTES E OUTROS MAIS)
Acetona (Synth), anidrido acético (Fmaia), anidrido hexanoico (Aldrich Chemistry), β-ciclodextrina (Roquette e Sigma-Aldrich), clorofórmio (Vetec Química Fina), N, N - dimetilformamida (Synth), dimetilsufóxido (Synth), metanol (Dinâmica Química Contemporânea Ltda). Todos os reagentes são de grau P. A. e foram utilizados como recebidos. Piridina (Synth) foi previamente seca com agente dessecante hidróxido de potássio com posterior destilação ocorrida a 110 °C e pressão ambiente. 75
4.2. METODO APLICADO PARA A MODIFICAÇÃO DA β-CD
Foram testados diferentes condições de reação para efetuar a modificação da E -CD com o anidrido hexanoico (AH). As condições reacionais estão resumidamente descritas na Tabela 2. Segue abaixo a descrição detalhada de uma das metodologias empregadas para a modificação da E-CD para exemplificar o procedimento adotado nas reações.
4.2.1. Metodologia de modificação da E-CD com AH
Inicialmente foi utilizada a metodologia de Hussain e colaboradores, com algumas modificações 61, seguindo trabalhos anteriores já desenvolvidos pelo grupo.
Nesta metodologia a reação foi realizada utilizando piridina tratada. O tratamento do reagente foi realizado por meio de destilação fracionada seguida de armazenamento em frasco contendo peneira molecular o qual foi tampado com septo.
Considerando que cada mol de E-CD contem 14 hidroxilas disponíveis para reagirem com o anidrido, então, para cada 1 mmol de E-CD são necessários 14 mmols de anidrido hexanoico, considerando uma reação com 100% de rendimento. Para se obter um melhor resultado, foi adicionado o dobro da quantidade necessária de anidrido favorecendo a formação dos produtos. Então, ao meio reacional foi adicionado 0,25 mmol de E-CD, 7 mmol de anidrido hexanoico e 22,7 mmol de piridina como catalisador. Assim, o anidrido,
a piridina e a E-CD foram colocados em um balão de fundo redondo sendo este acoplado a um suporte sobre uma chapa de agitação e em temperatura ambiente. A reação ocorreu por 72 horas em atmosfera inerte e o produto foi precipitado em água gelada, filtrado, solubilizado em etanol e re-precipitado em água gelada, novamente filtrado e seco em temperatura ambiente.
Foram testadas novas reações com diferentes condições experimentais para reproduzir o produto obtido na metodologia descrita anteriormente. Abaixo são mostrados os dados (Tabela 2), informando resumidamente cada condição de reação realizada:
Tabela 2: Condições de reação empregadas para a modificação da β-ciclodextrina
Reação
4.3. CARACTERIZAÇÃO DOS PRODUTOS DE REAÇÃO
Todos os produtos das reações foram caracterizados, preliminarmente, por espectroscopia na região do infravermelho com transformada de Fourier (IVTF). O produto da reação 7 descrito na Tabela 2, que indicou, por IVTF, potencial na modificação da E -ciclodextrina foi analisado por outras técnicas descritas abaixo.
4.3.1. Espectroscopia na região do infravermelho com transformada de Fourier (IVTF)
Os produtos resultantes das reações foram analisados, preliminarmente, por espectroscopia na região do infravermelho com transformada de Fourier (IVTF) [Equipamento BOMEM (Departamento de Química – UFPR)] na faixa espectral de 4000-400cm-1 com 64 scans.min-1 e resolução de 4 cm-1. Para a análise dos produtos sólidos
foram utilizadas pastilhas de KBr e, para a análise dos líquidos, foi utilizada a técnica de formação de filme ou lâmina de composto depositada sobre um cristal de KBr.
4.3.2. Ressonância magnética nuclear de hidrogênio (RMN 1H), de carbono (RMN
13C), heteronuclear single quantum coherence (HSQC) e heteronuclear multiple bond correlation (HMBC)
As análises por RMN de 1H, 13C, HSQC e HMBC foram obtidas à temperatura ambiente em um espectrômetro Bruker AVANCE 600 (Departamento de Bioquímica – UFPR), operando a 14.1 Tesla, observando o núcleo de hidrogênio a 600,13 MHz e o núcleo de carbono a 150 MHz, equipado com uma sonda multinuclear de observação direta de 5 mm. Para isso, foi dissolvida certa quantidade de cada amostra em dimetilsulfóxido deuterado e as soluções foram transferidas para tubos de 5 mm de diâmetro. Os deslocamentos químicos foram expressos em ppm, em relação ao sinal do TMS em 0,0 ppm, como referência interna.
4.3.3. Análise termogravimétrica (ATG)
A análise termogravimétrica (TGA) foi realizada em um equipamento TGA – Balança termogravimétrica, fabricante NETZSCH, STA 449F3, (Departamento de Química - UFPR), em atmosfera inerte de N2 (50 mL.min-1), desde a temperatura ambiente até 600 °C com variação de 10 °C por minuto.
4.3.4. Difração de raio-X (DRX)
Os difratogramas foram obtidos em um difratômetro de raios X Shimadzu XRD-6000 (Departamento de Química – UFPR), scan de 2º.min-1 e 2θ de 3º a 80º, radiação Kα do cobre (λ=1,5418Å), corrente de 40 mA e voltagem de 30 kV.
4.3.5. Calorimetria exploratória diferencial (CED)
A calorimetria exploratória diferencial foi realizada no equipamento DSC 200 F3 Maia da NETZCH (Departamento de Química – UFPR). Aproximadamente 10 mg de amostra foram pesadas, colocadas nas cápsulas de alumínio. Estas foram seladas e submetidas a uma taxa de aquecimento constante de 10 ºC.min-1, de – 35 até 350 °C a
qual foi a temperatura adequada para identificação da E-ciclodextrina com e sem modificação, sob constante fluxo de nitrogênio de 40 mL.min-1.
4.3.6. Microscopia eletrônica de varredura
A avaliação morfológica e de superfície das ciclodextrinas sem e com modificação foram realizadas no microscópico eletrônico de varredura SSX–550 Superscan da marca Shimadzu Co. (Departamento de Química – UEPG). As CDs foram levadas à estufa a vácuo TE 395 (Tecnal) e fixadas em suporte metálico. Após, foram submetidas à metalização com ouro no equipamento IC–50 Ion Coater (Shimadzu Co.). As micrografias foram obtidas em diferentes ampliações, após a visualização das amostras, empregando voltagens de aceleração de 10 ou 15 kV. O registro das imagens ocorreu por meio da utilização do software específico.
4.3.7. Avaliação da capacidade de encapsulação da ciclodextrina modificada
Para o estudo da capacidade de encapsulação da CD modificada, primeiramente foi preparada uma solução de fenolftaleína, 3,75 x 10-3 mol.L-1 numa proporção de 94 % em etanol e 6 % em água (v/v). Posteriormente, foi preparada uma solução aquosa de carbonato de sódio anidro, 1 mol L-1, a qual foi utilizada para ajustar o pH da solução de fenolftaleína para aproximadamente 10.
Depois da solução trabalho preparada, foram colocados em frascos, massas crescentes das βCDs com e sem modificação e, nestes frascos foram adicionados 1 mL da solução de fenolftaleína a pH 10 e 9 mL de água. Após a homogeneização destas soluções, os frascos foram deixados em banho de ultrassom Elma, Transonic Digital, Singen (Germany), por 4 horas a temperatura ambiente. Após este período, as amostras foram centrifugadas por 2 minutos em um equipamento Hettich, modelo Universal II. Os sobrenadantes das amostras foram retirados e analisados num espectrofotômetro UV-vis Shimadzu, modelo UV-2401 PC. A leitura das amostras foi realizada no comprimento de onda de 552 nm que corresponde ao máximo da absorbância da fenolftaleína 76.
Tabela 3: Quantidades das amostras utilizadas para o estudo com a fenolftaleína Código Tipo de Amostra Tubo 1 Tubo 2 Tubo 3 A β-CD (pura) A1 = 0,0102 g A2 = 0,0203 g A3 = 0,0311 g B β-CD modificada com
anidrido hexanoico B1 = 0,0109 g B2 = 0,0200 g B3 = 0,0311 g
4.4. TESTE DE DEGRADAÇÃO DO FÁRMACO
O fármaco anlodipino, utilizado neste estudo, foi avaliado quanto a estabilidade frente a luz e ao contato com oxigênio. Para isso, foram realizados dois teste, sendo um teste qualitativo e o outro sendo desenvolvido pelas normas da Anvisa.
4.4.1. Teste não normalizado de degradação
Para verificar se o fármaco não sofre um processo de degradação com a luz ou com o oxigênio foi realizado um teste qualitativo de degradação.
Para isso foram preparadas 4 soluções aquosas de anlodipino na concentração de 1 mM. Estas soluções foram preparadas em capela com lâmpada de argônio, ao abrigo da luz. Duas soluções foram tampadas, uma deixada no escuro e outra ficou sob exposição da luz. As outras duas soluções foram deixadas abertas uma no escuro e outra sob ação de luz direta. As soluções ficaram nestas condições por 72 h e, posteriormente, foram feitas as leituras das mesmas em espectrofotômetro de UV-Vis, em modo de varredura de 450 a 190 nm, para verificar a possível degradação.
4.4.2. Teste de fotoestabilidade
O método utilizado para este teste foi baseada na literatura, 77, 78, 79 com algumas modificações. Para este teste, foi preparada uma solução aquosa de anlodipino concentração de 1 mg.mL-1. Amostras de 3 mL desta solução foram distribuídas em 8 cubetas de quartzo e em seguida expostas à radiação UV (lâmpada de Phillips UV-254 nm, 30 W), durante 6 h numa câmara espelhada (1 m x 25 centímetros x 25 cm), a uma distância fixa. Em tempos predeterminados (0, 1, 2, 3, 4, 5 e 6 h) de exposição à luz, foram retiradas alíquotas de 3 cubetas na quantidade de 400 uL e diluídas em água (concentração final 40 ug.mL-1 de anlodipino). Após a retirada das alíquotas, foram adicionadas, as cubetas utilizadas no teste, o mesmo volume retirado, de solução do fármaco, afim de as cubetas de teste tenham sempre o mesmo volume. Este volume de reposição foram retiradas de outras três cubetas colocadas na câmara. As alíquotas diluídas foram então, lidas em espectrofotômetro de UV-Visível Shimadzu, modelo UV-2401 PC em 366 nm (comprimento e onda de máxima absorbância do fármaco). Outra cubeta foi coberta com papel alumínio (controle) e ao final do teste foi tirada uma alíquota de 400 uL desta e, diluída em água (concentração final 40 ug.mL-1 de anlodipino), posteriormente foi lida em espectrofotômetro. Uma última cubeta, ainda, disposta na câmara, foi mantida exposta durante todo o teste, ao final do mesmo foi retirada uma alíquota desta cubeta e repetido
o mesmo procedimento realizado para as outras amostras. A cinética de degradação foi determinada e o melhor ajuste foi utilizado para indicar o fim da reação. Os modelos cinéticos utilizados foram: ordem zero (C = Co - kt), primeira ordem (ln C = ln Co - kt) e equação de segunda ordem (1 / C = 1 / Co + kt).
4.5. CURVA ANALÍTICA DO FÁRMACO ANLODIPINO
Para a obtenção da curva analítica para a quantificação do fármaco foram preparadas 10 soluções aquosas, em concentrações crescentes, de anlodipino (de 0,05 até 0,14 mmol.L-1). Posteriormente estas soluções foram lidas em espectrofotômetro na região do UV-Vis no modo varredura de 400 a 190 nm para a verificação do perfil de absorção do fármaco e para o desenvolvimento da curva analítica foram escolhidas as absorbâncias obtidas no comprimento de onda máximo de 366 nm.
4.6. INCLUSÃO DO FÁRMACO ANLODIPINO NA β-CICLODEXTRINA (β-CD)
A complexação entre o fármaco anlodipino e a β-CD ocorreram por dois método e mistura física. A primeira por complexação por suspensão em solução aquosa, a segunda pelo método de malaxagem e a mistura física simples. Segue abaixo a descrição das mesmas.
4.6.1. Complexo de inclusão por suspensão entre β-CD e anlodipino
Os complexos entre β-CD e anlodipino foram obtidos pelo método de suspensão, sendo que a método foi baseada, com algumas alterações, no procedimento descrito por Loftsson e colaboradores. 80 Em um becker de 50 mL foi adicionado 20 mL de uma solução aquosa 15 mM da ciclodextrina e 15 mM do fármaco anlodipino. Em seguida, as suspensões foram sonicadas em banho de ultrassom Elma, Transonic Digital, Singen (Germany) por 30 minutos e depois deixadas em agitação magnética por 48 horas, à temperatura ambiente. Após o tempo de agitação, as misturas foram filtradas em membrana de 0,45 μm. Os filtrados foram posteriormente liofilizados e os sólidos obtidos foram caracterizados.
4.6.2. Encapsulação método malaxagem entre β-CD e anlodipino
Os complexos entre β-CD e anlodipino foram realizados pela metodologia de malaxagem na relações de 1:1 e molaridade de 0,5 mmol.
O procedimento consiste em adicionar em um almofariz a β-CD, o fármaco e quantidades do solvente metanol para a formação de uma pasta e então com um almofariz macerar a amostra até a completa mistura dos produtos e secagem do solvente. A amostra foi macerada por 20 minutos e, para isso foram utilizadas 4 alíquotas de 1 mL de metanol.
O solvente escolhido foi o metanol porque o mesmo tem um ponto de ebulição baixo favorecendo a evaporação e também porque o fármaco em questão é solúvel neste solvente favorecendo assim, a encapsulação 26, 27.
4.6.3. Mistura física entre β-CD e anlodipino
Foi realizada também a mistura física entre β-CD e anlodipino. A mistura física foi preparada na proporção molar de 1:1, sendo os dois materiais misturados no estado sólido, sem trituração nem maceração. Este procedimento é necessário para que se tenha um meio contendo o hospedeiro (β-CD) e o hóspede (fármaco anlodipino) para posterior avaliação do grau de interação entre as matrizes sem encapsulação 28.
4.7. INCLUSÃO DO FÁRMACO ANLODIPINO NA β-CICLODEXTRINA MODIFICADA (β-CDM)
As metodologias utilizadas para a complexação do fármaco anlodipino na β-CDM foram as mesmas utilizadas para as ciclodextrinas sem modificação porém, em proporções menores de reagentes. Os procedimentos utilizados foram o complexo por suspensão, malaxagem e mistura física e os métodos foram descritos anteriormente nos itens: 4.6.1;
4.6.2 e 4.6.3.
4.8. CARACTERIZAÇÃO DOS COMPLEXOS FORMADOS
Todos os produtos das metodologias de complexos foram caracterizados por todas as técnicas descritas abaixo.
4.8.1. Espectroscopia na região do infravermelho com transformada de Fourier (IVTF)
O fármaco e os complexos foram caracterizados por espectroscopia na região do infravermelho com transformada de Fourier (IVTF) [Equipamento BOMEM (Departamento de Química – UFPR)] na faixa espectral de 4000-400cm-1 com 64 scans.min-1 e resolução de 4 cm-1. Para estas análise foram utilizadas pastilhas de KBr.
4.8.2. Ressonância magnética nuclear de hidrogênio (RMN 1H)
As análises por RMN de 1H, foram obtidas à temperatura ambiente em um espectrômetro Bruker AVANCE 600 (Departamento de Bioquímica – UFPR), operando a 14.1 Tesla, observando o núcleo de hidrogênio a 600,13 MHz e o núcleo de carbono a 150 MHz, equipado com uma sonda multinuclear de observação direta de 5 mm. Para isso, foi dissolvida certa quantidade de cada amostra em dimetilsulfóxido deuterado e as soluções foram transferidas para tubos de 5 mm de diâmetro. Os deslocamentos químicos foram expressos em ppm, em relação ao sinal do TMS em 0,0 ppm, como referência interna.
4.8.3. Análise termogravimétrica (ATG)
A análise termogravimétrica (TGA) foi realizada em um equipamento TGA – Balança termogravimétrica, fabricante NETZSCH, STA 449F3, (Departamento de Química - UFPR), em atmosfera inerte de N2 (50 mL.min-1), desde a temperatura ambiente até 600 °C com variação de 10 °C por minuto.
4.8.4. Difração de raio-X (DRX)
Os difratogramas foram obtidos em um difratômetro de raios X Shimadzu XRD-6000 (Departamento de Química – UFPR), scan de 2º.min-1 e 2θ de 3º a 80º, radiação Kα do cobre (λ=1,5418Å), corrente de 40 mA e voltagem de 30 kV.
4.8.5. Calorimetria exploratória diferencial (CED)
O fármaco e os complexos foram caracterizados por calorimetria exploratória diferencial a qual foi realizada no equipamento DSC 200 F3 Maia da NETZCH (Departamento de Química – UFPR). Aproximadamente 10 mg de amostra foram pesadas, colocadas nas cápsulas de alumínio e estas foram seladas, e submetidas a uma taxa de aquecimento constante de 10 ºC.min-1. A análise por calorimetria exploratória diferencial da β-CDM e do complexo por suspensão e posterior liofilização ocorreu em apenas uma rampa de aquecimento de -35 a 300 °C. As outras análises, referentes ao complexo por malaxagem e a mistura física foram realizados por três rampas: A primeira aquecendo de -35 a 150 °C, a segunda resfriando de 150 a -35 °C e a terceira um aquecimento de -35 a 300 °C. Todas com constante fluxo de nitrogênio de 40 mL.min-1.
4.8.6. Microscopia eletrônica de varredura
A avaliação morfológica e de superfície da β-CD, do anlodipino e dos complexos formados com a β-CDM, foram realizadas no microscópico eletrônico de varredura SSX–
550 Superscan da marca Shimadzu Co. (Departamento de Química – UEPG). Os complexos foram levados à estufa a vácuo TE 395 (Tecnal) e fixados em suporte metálico.
Após, foram submetidos à metalização com ouro no equipamento IC–50 Ion Coater (Shimadzu Co.). As micrografias foram obtidas em diferentes ampliações, após a visualização das amostras, empregando voltagens de aceleração de 10 ou 15 kV. O registro das imagens ocorreu por meio da utilização do software específico.
4.8.7. Estudo de liberação in vitro pelo ensaio de dissolução
O ensaio de dissolução possibilita determinar a quantidade de substância ativa dissolvida no meio de dissolução quando o produto é submetido à ação de aparelhagem específica, sob condições experimentais descritas.
Os ensaios de liberação in vitro foram realizados para o fármaco anlodipino puro e para os complexos entre β-CD e alnodipino e, β-CDM e anlodipino. Para a definição da quantidade de fármaco utilizado no ensaio foi realizada uma curva analítica de 7 pontos na qual a concentração foi dada em μg.mL-1 e, as soluções foram analisadas em 366 nm no espectrofotômetro UV-Vis Genesys 10 UV Scanning. Para calcular a quantidade de fármaco para o ensaio foi utilizada a concentração mais alta da curva analítica que revelou absorbância próxima de 1. Esta concentração foi multiplicada pelo volume da cuba e novamente multiplicada por 5, para se obter o ensaio em condições sink.
A definição do termo sink pode variar de acordo com a fonte bibliográfica. Pode ser definido como não menos que três vezes o volume de meio necessário para obter a solução saturada do fármaco dentro de uma faixa de 500 – 1000 mL. Entretanto, atualmente, aceita-se que um volume de 5 a 10 vezes é necessário para que a saturação aceita-seja suficiente para manter as condições sink. Isto deve ser mantido para evitar que a velocidade de dissolução seja influenciada, artificialmente, pela aproximação da saturação durante a realização do teste 81, 82.
Para o ensaio, foi empregado como agitador uma haste de aço inoxidável, cuja extremidade apresenta a forma de pá (aparato 2) para o dissolutor de cubas 299/6 (Nova Ética) como representado na Figura 9. A temperatura do meio de dissolução foi mantida em 37 ± 0,5ºC, a agitação em 50 rpm, por um período total de 6 h. O meio de dissolução utilizado foi água, em volume de 900 mL em cada cuba. Em intervalos de tempo pré-determinados, amostras de 5 mL foram coletadas, com a reposição do meio de dissolução
em igual volume, e analisadas em 366 nm no espectrofotômetro UV-Vis Genesys 10 UV Scanning.
A pá e a cuba não estão na mesma proporção
Figura 9: Esquema ilustrativo do meio de dissolução utilizando o aparato pá 83
4.8.8. Avaliação dos perfis de liberação
Os perfis de liberação in vitro foram obtidos plotando-se a porcentagem de fármaco liberado em função do tempo. Posteriormente, esses resultados foram analisados por meio do teste da razão (eficiência de dissolução) e dos métodos modelo-dependentes.
A eficiência de dissolução do fármaco anlodipino foi determinada e comparada com a eficiência de dissolução das diferentes complexações com ciclodextrinas. A eficiência de
dissolução é uma avaliação modelo independente, definida pela área sob a curva de dissolução e expressa como a percentagem da área de um retângulo que descreve 100%
da dissolução, em um determinado período de tempo (Equação 1).
ࡱࡰ ൌ
࢟Ǥࢊ࢚࢚
࢟Ǥ࢚
࢞Ψ
(Equação 1)Na qual: y é a porcentagem de fármaco dissolvido no tempo t.
A avaliação matemática dos perfis de liberação in vitro foi realizada pelo ajuste dos dados experimentais ao modelo monoexponencial (Equação 2), ao modelo biexponencial (Equação 3), ao modelo de ordem zero (Equação 4) e ao modelo de Weibull (Equação 5), considerando os resultados do critério de seleção de modelo (MSC), do coeficiente de correlação, do ajuste gráfico e da coerência dos valores encontrados para as constantes de velocidade para cada modelo.
Ψࡰ ൌ ൫ െ ࢋ
ି࢚൯
(Equação 2)Ψࡰ ൌ ൣ െ ൫ࢋ
ିࢻ࢚ ࢋ
ିࢼ࢚൯൧
(Equação 3)Ψࡰ ൌ ࢚
(Equação 4)Ψࡰ ൌ ሾ െ ࢋ
ିሺ࢚ ࢀࢊሻ࢈Τ(Equação 5)
Na qual: %D, percentual do fármaco dissolvido no tempo t; k, α e β, constantes cinéticas de dissolução verificadas; A e B, concentrações iniciais do fármaco que contribuem para as duas fases de dissolução; Td, tempo no qual 63,2 % do fármaco são dissolvidos; b, parâmetro relacionado às características estruturais e geométricas da forma farmacêutica.
O modelo semi-empírico de Korsmeyer-Peppas (Equação 6) ou lei das potências foi também aplicado, permitindo a obtenção dos parâmetros a e n, com a finalidade de
ampliar a informação sobre o mecanismo de liberação do fármaco a partir dos sistemas de encapsulação.
ࢌ࢚ ൌ ࢇ࢚
(Equação 6)
Na qual: a, constante que incorpora as características estruturais e geométricas da forma farmacêutica; n, expoente de liberação que é indicativo do mecanismo de liberação;
ft, fração do fármaco dissolvido no tempo t 84. Os métodos modelo-dependentes destinados à avaliação dos perfis de liberação foram aplicados com o auxílio do software MicroMath Scientist® (versão 2.01, Saint Louis, Estados Unidos).
5. RESULTADOS E DISCUSSÃO
A modificação da β-ciclodextrina ocorreu pela esterificação das hidroxilas presentes na estrutura. Esta reação ocorre pelo mecanismo genérico representado na Figura 10.
No mecanismo, Inicialmente ocorre um ataque nucleofílico da piridina ao carbono da carbonila do anidrido. Forma-se um ânion carboxilato e um derivado da piridina, sendo este derivado da piridina mais reativo do que o próprio anidrido, o qual, então, atacado pelas hidroxilas da ciclodextrina, formando o éster e regenerando a piridina 85.
Figura 10: Esquema genérico representando a reação entre o anidrido hexanoico e a β-ciclodextrina, em meio de piridina 85
O produto da reação entre β-ciclodextrina e anidrido hexanoico tem um aspecto de óleo amarelado e viscoso e após a recristalização e secagem do mesmo ele se apresenta em formato de pó também amarelado e com aspecto de aderência.
O produto apresentou reduzida solubilidade em água e parcial em metanol. O mesmo revelou boa solubilidade nos solventes N, N – dimetilformamida e dimetilsulfóxido.
Algumas técnicas de caracterização foram aplicadas ao produto para averiguar se a reação ocorreu e uma das técnicas preliminares é a análise por infravermelho com transformada de Fourier, por apresentar bandas características do produto.
5.1. ANÁLISE POR INFRAVERMELHO (IVTF) DOS REAGENTES DE PARTIDA
Para estabelecer uma referência, primeiramente foram feitas análises por espectroscopia na região do infravermelho com transformada de Fourier (IVTF) para os reagentes de partida utilizados na reação de modificação da β-CD, a β-CD in natura e o anidrido hexanoico. Abaixo seguem as análises de cada reagente e a respectiva discussão.
Figura 11: Espectro na região do infravermelho (IVTF) da β-ciclodextrina
350030002500200015001000500 Wavenumber (cm-1)
0
816
24
32
40
48
56
64
72
80
88
%Tr ansm ittanc e
444 480 530 610 579
756 708
858 947 1001 1028
1157 1078 1302 1335
1368 1414 1645
2928
3375
Trans mitânc ia (
%)
Número de onda (cm-1 )
A ciclodextrina tem espectro de absorção de infravermelho peculiar devido ao grande número de grupos –OH (Figura 11). Pode-se observar uma banda alargada em 3375 cm-1, característica do estiramento dos grupos –OH com ligações de hidrogênio intramoleculares. A banda em 2928 cm-1 é atribuída à vibração do estiramento assimétrico e simétrico da ligação C-H dos grupos metilênicos da ciclodextrina. Na região de 1440 a
A ciclodextrina tem espectro de absorção de infravermelho peculiar devido ao grande número de grupos –OH (Figura 11). Pode-se observar uma banda alargada em 3375 cm-1, característica do estiramento dos grupos –OH com ligações de hidrogênio intramoleculares. A banda em 2928 cm-1 é atribuída à vibração do estiramento assimétrico e simétrico da ligação C-H dos grupos metilênicos da ciclodextrina. Na região de 1440 a