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4 - MATERIAL E MÉTODO

No documento ELZA SILVIA COELHO POLLIS (páginas 32-44)

4.1 – Comitê de Ética

O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética no Uso de Animais da Universidade Federal Fluminense (CEUA/PROPPI/UFF) sob o protocolo número 616/15 (Anexo 1).

4.2 - Desenho e Caracterização da Área do Estudo

Procedeu-se a um levantamento nos Livros de Registros de Exames realizados no Setor de Radiologia da antiga Policlínica Veterinária e do HUVET-UFF, com o intuito de se determinar a quantidade de exames radiográficos realizados no período do estudo.

As radiografias referentes ao período estudado que foram encontradas passaram por uma avaliação prévia com o objetivo de selecionar quais exames seriam incluídos no estudo. Dessa forma, os exames cuja técnica radiográfica não estava satisfatória ou cujos dados estavam incompletos, ou seja, sem a identificação da espécie do paciente, foram descartados. Os exames radiográficos referentes ao acompanhamento da evolução do quadro clínico apresentado, num total de 13 exames, não foram contabilizados na determinação das afecções diagnosticadas, somente no montante total de radiografias realizadas.

Todos os exames radiográficos utilizados foram realizados de modo convencional com técnica simples na maioria e em alguns casos técnica especial contrastada, empregando o sulfato de bário como meio de contraste radiográfico, e, nas incidências radiográficas necessárias (normalmente uma lateral e uma ventro-dorsal) e sem uso de contenção química.

Os aparelhos de raios - x utilizados para a realização das radiografias de 2004 a 2009 foram o Limex ou o Intecal, ambos de 90 Kv e 100 mA´s e, a partir de 2009 o CDK MAG VET 125Kv e 300 mA´s. Os filmes radiográficos utilizados variaram entre os tamanhos 13 X 18, 18 X 24 e 24 X 30 (de acordo com o tamanho da ave, a área a ser radiografada e disponibilidade no setor) e as marcas das películas utilizadas foram Kodak ou Fuji.

A revelação dos filmes radiográficos era realizada dentro de uma câmara escura de forma manual com revelador e fixador específicos até 2011 e, após esta

data, em reveladora automática CR-INTECAL. Durante a realização dos exames considerou-se sempre o estado de saúde da ave e o binômio risco-benefício. Em pacientes muito debilitados, por vezes, optou-se pela realização do exame em apenas uma incidência desde que isso não representasse perda na qualidade da avaliação nem prejudicasse o radiodiagnóstico minimizando, assim, o estresse do animal durante sua contenção e manipulação.

Para viabilizar a utilização dos exames realizados entre 2004 e 2013 foi solicitada ao responsável pelo animal a permissão do uso da imagem através de um termo de autorização por escrito constante do pedido de exame radiográfico padrão do Setor (Anexo 2).

4.3 - Método avaliativo das alterações radiográficas

Após a seleção dos exames, as radiografias foram avaliadas pela mesma pessoa com o auxílio de um negatoscópio a fim de descrever as principais alterações encontradas, correlacionando-as às principais doenças descritas na literatura e às espécies mais frequentemente afetadas. Todos os dados foram computados em um banco de dados.

4.4 - Análise estatística

Inicialmente foi realizada uma análise de consistência dos dados visando montar uma base de dados. Em seguida realizou-se a análise descritiva e o estudo de dispersão de frequência das diferentes alterações para cada ordem encontradas nessa base de dados.

5 - RESULTADOS

Foram contabilizados a realização de 175 exames radiográficos no período de 2004 a 2013. Destes 117 estavam com os dados completos, 13 eram de acompanhamento, 9 estavam sem condições de laudo e 36 estavam com os dados incompletos.

Dos 117 exames com dados completos 79 apresentavam pelo menos uma alteração radiográfica e 36 apresentavam-se radiograficamente normais. Vale ressaltar que o número total de alterações anátomo-radiográficas é maior que o número total de exames realizados, pois algumas aves apresentaram mais de uma afecção na mesma radiografia (Tabela 1).

Alterações

Radiográficas Ordem Família Nome Comum Número

Fratura escápula D Strigiforme Strigidae Coruja Orelhuda 1

Fratura úmero

Columbiforme Columbidae Pombo

Doméstico 1

Acciptriforme Acciptridae Gavião-Carijó 2

Psittaciforme

Cacatuidae Calopsita 1

Cacatua 1

Psittacidae

Papagaio-Vaerdadeiro 1 Fratura radio Psittaciforme Psittacidae

Periquitão-Maracanã 1

Fratura ulna

Columbiforme Columbidae Pombo

Doméstico 1

Psittaciforme Psittacidae

Papagaio-Verdadeiro 1

Fratura ísquio Anseriforme Anatidae Ganso-Bravo 1 Fratura fêmur Columbiforme Columbidae Pombo

Doméstico 1

Fratura tibiotarso

Columbiforme Columbidae Pombo

Doméstico 1 Passeriforme Estrididae Bico-de-Lacre 1 Thraupidae Sanhaço-Cinzento 1 Psittaciforme Cacatuidae Calopsita 4 Psittacidae Papagaio-Verdadeiro 2 Agapornis 1

Anseriforme Anatidae Pato Doméstico 1 Fratura falange

média II dedo MIE Pelicaniforme Ardeidae Savacu 1 Tabela 1: Relação das alterações anatomo-radiográficas por ordens, famílias e espécies taxonômicas radiografadas entre 2004 e 2013

Alterações

Radiográficas Ordem Família Nome Comum Número

Pseudoartrose

radio e ulna Columbiforme Columbidae

Pombo-Doméstico 1

Artrose artic.

Úmero-radio-ulnar Falconiforme Falconidae

Falcão-de-Coleira 1

Artrose coluna Galliforme Phasianidae Galo Doméstico 1

Artrose ACF Anseriforme Anatidae Ganso-Bravo 1

Artrite artic.

Úmero-radio-ulnar Columbiforme Columbidae

Pombo

Doméstico 1

Artrite artic. Radio-

ulnar-carpometacarpica

Columbiforme Columbidae Pombo

Doméstico 1

Artrite artic. Tibiotársica-tarsometatársica

Psittaciforme Cacatuidae Calopsita 1

Artrite artic.

Tarsometatarsica-falangeana

Galliforme Phasianidae Galo Doméstico 1

Edema artic. Tibiotarso-metatarsica

Galliforme Phasianidae Galo Doméstico 1

Luxação artic. Interfalangica

proximal

Galliforme Numididae Galinha

D´angola 1

Luxação cíngulo

escapular Columbiforme Columbidae

Pombo

Doméstico 1

Hiperostose

pliostótica Passeriforme Cacatuidae Calopsita 1

Mal formação óssea

Passeriforme Cacatuidae Calopsita 1 Anseriforme Anatidae Pato Doméstico 1 Psittaciforme Psittacidae

Papagaio-Verdadeiro 1

Osteoporose nutricional

Strigiforme Strigidae

Corujinha-do-Mato 1

Psittaciforme Psittacidae

Papagaio-Verdadeiro 1 Pneumonia Psittaciforme Psittacidae Agapornis 1 Cacatuidae Calopsita 3 Aerossaculite Psittcidae Papagaio-Verdadeiro 3 Cacatuidae Calopsita 4 Psittaculidae Loris-Ornatus 1 Ruptura de sacos aéreos Psittacidae Papagaio-Verdadeiro 1 Cacatuidae Calopsita 2

Sinusite Psittacidae

Alterações

Radiográficas Ordem Família Espécie Número

Hepatomegalia

Columbiforme Columbidae Pombo

Doméstico 1

Acciptriforme Acciptridae Gavião-Carijó 1

Piciforme Ramphastidae Tucanuçu 1

Psittaciforme Psittacidae

Papagaio-Verdadeiro 2

Passeriforme Fringilidae Canário-Belga 1 Galliforme Phasianidae Galo Doméstico 1 Hipomoitilidade Psittaciforme Cacatuidae Calopsita 1

Cacatua 1

Dilatação pró

ventrículo Psittaciforme Psittacidae

Papagaio-Verdadeiro 1

Divertículo em

inglúvio Psittaciforme Psittacidae Loris-Castanho 1 Hérnia

reg.abdominal

Psittaciforme Psittacidae

Papagaio-Verdadeiro 1

Passeriforme Thraupidae Curió 1

Tumoração reg. abdominal Psittaciforme Psittacidae Papagaio-Verdadeiro 3 Periquito-Australiano 1 Cacatuidae Calopsita 2

Galliforme Phasanidae Galo Doméstico 2 Passeriforme Fringilidae Canário-Belga 2 Tumoração reg.

cervical

Galliforme Phasanidae Galo Doméstico 1 Psittaciforme Psittacidae

Papagaio-Verdadeiro 1

Tumoração MID Psittaciforme Psittacidae

Papagaio-Verdadeiro 1

Cardiomegalia Psittaciforme Psittacidae

Papagaio-Verdadeiro 1

Periquito-Australiano 1

Retenção de ovos

Anseriforme Anatidae Pato Doméstico 1 Psittaciforme Psittacidae

Papagaio-Verdadeiro 1

Distocia Passeriforme Fringilidae Canário-Belga 1

As alterações determinadas por meio da radiografia se distribuíram pelos sistemas orgânicos em ordem decrescente, da seguinte forma: sistema musculoesquelético, sistema respiratório, sistema digestório, sistema tegumentar, sistema reprodutor e sistema circulatório (Quadro 1).

A ordem com maior número de indivíduos com alterações radiográficas foi a Psittaciforme com mais da metade do número total de alterações encontradas, seguida pela Columbiforme e pela Galliforme (Quadro 2).

As famílias taxonômicas Psittacidae e Cacatuidae foram as duas com maior número de alterações radiográficas, representando juntas mais da metade das alterações encontradas (Quadro 3).

Sistema Número de alterações encontradas Percentual Musculoesquelético 41 46,07% Respiratório 18 20,22% Digestório 13 14,61% Tegumentar 12 13,48% Reprodutor 3 3,37% Circulatório 2 2,25%

Ordem Número de Alterações

Radiográficas Percentual Psittaciforme 53 59,55% Columbiforme 9 10,11% Galliforme 7 7,87% Passeriforme 7 7,87% Anseriforme 5 5,62% Acciptriforme 4 4,49% Stringiforme 2 2,25% Falconiforme 1 1,12% Pelicaniforme 1 1,12%

Quadro 1: Alterações radiográficas encontradas por sistema

Quadro 2: Relação entre alterações radiográficas e a ordem taxonômica das aves radiografadas

Dentre as afecções mais comuns estão as fraturas, as tumorações, a aerossaculite e a pneumonia, que acometeram principalmente os indivíduos das famílias Psittacidae e Cacatuidae (Figura 1).

Dentro dessas famílias as espécies que apresentaram maior número de exames com alterações anatomo-radiográficas foram o Papagaio-Verdadeiro (Amazona aestiva) com 26,97% dos casos e a Calopsita (Nymphicus hollandicus) com 22,47% dos exames realizados. Essas duas famílias juntas somam 49,44% de todos os exames radiográficos selecionados para o estudo.

0 1 2 3 4 5 6 7

Fraturas Tumorações Aerossaculite Pneumonia

Psittacidae Cacatuidae Família Taxonômica Número de Alterações

Radiográficas Percentual Psittacidae 30 33,71% Cacatuidae 22 24,72% Columbidae 9 10, 11% Phasianidae 6 6,74% Anatidae 5 5,62% Acciptridae 4 4,49% Fringilidae 4 4,49% Strigidae 2 2,25% Thraupidae 2 2,25% Ardeidae 1 1,12% Estrildidae 1 1,12% Falconidae 1 1,12% Psittaculidae 1 1,12% Numididae 1 1,12%

Quadro 3: Relação entre as alterações radiográficas e as famílias radiografadas

Figura 1: Relação entre as afecções radiográficas mais frequentes e o número de indivíduos das famílias mais acometidas

As três alterações radiográficas mais comumente encontradas em ordem decrescente foram fratura, tumoração e aerossaculite (Quadro 4).

Alteração Radiográfica Número de Alterações

Radiográficas Percentual Fratura 24 26,97% Tumoração 12 13,48% Aerossaculite 8 8,99% Hepatomegalia 7 7,87% Pneumonia 6 6,74% Artrite 4 4,49% Artrose 3 3,37%

Mal formação óssea 3 3,37%

Ruptura de sacos aéreos 3 3,37%

Cardiomegalia 2 2,25% Hérnia 2 2,25% Hipomotilidade gastrintestinal 2 2,25% Luxação 2 2,25% Osteoporose 2 2,25% Retenção de ovos 2 2,25% Dilatação do pró ventrículo 1 1,12% Distocia 1 1,12% Divertículo em inglúvio 1 1,12% Edema articular 1 1,12% Hiperostose poliostótica 1 1,12%

Não união de fratura 1 1,12%

Sinusite 1 1,12%

6 DISCUSSÃO

A ordem com maior número de indivíduos com alterações radiográficas foi a Psittaciforme com 53 (59,55%) ocorrências. O mesmo ocorreu com outros estudos nacionais realizados somente com aves ou com animais selvagens em geral onde Castro et al. (2013) encontraram uma casuística de atendimento de Psittaciformes de 89,65% e Santos et al. (2008) encontraram uma casuística de 43,48% de aves dessa mesma família.

Os Columbiformes apresentaram a segunda maior quantidade de alterações radiográficas com nove (10,11%) exames alterados no total. Essa família é composta por animais de vida livre, mas urbana e sujeita aos mais diversos tipos de acidentes ou mesmo maus tratos. Esse índice se contrapõe aos resultados obtidos por Santos et al (2008) que encontraram a ordem Passeriformes como a segunda mais prevalente. Essa diferença pode ser explicada pelo fato da presença dessas aves ser variável de cidade para cidade.

O galo doméstico também pode ser apresentado como animal de estimação dependendo do local onde é realizado o estudo (Lennox, 2006). Essa ave, pertencente à ordem Galiforme foi a terceira mais radiografada, representando 7,87% dos exames realizados. Esse valor é próximo do encontrado por Santos et al. (2008) no qual essa ordem representou 7,51% dos atendimentos.

Santos et al. (2008) relatam em seu estudo que a ordem Passeriforme foi a segunda em número de atendimentos, com 26,88% dos casos. No entanto, nessa pesquisa ela está em quarto lugar representada por sete exames, os quais correspondem a 7,87% do total.

As fraturas foram a maior ocorrência musculoesqulética no presente estudo, com uma frequência de 26,97% de todos os exames, corroborando os achados de Santos et al (2008) que encontraram um total de 30,91% dessas alterações. No entanto dentre essas afecções observou-se uma maior ocorrência de fraturas em tibiotarso contrariamente ao estudo supracitado, no qual as fraturas de radio e ulna foram as mais frequentes. O alto número de afecções do sistema musculoesquelético inclusive como relatado por Santos et al (2008) pode ser explicado por erros de manejo e acidentes domésticos de modo geral, visto que as aves mais acometidas por essas afecções pertencem às famílias Psittacidae e Cacatuide, comumente mantidas domiciliarmente como pets nas cidades.

Doenças osteometabólicas estiveram presentes em dois exames radiográficos selecionados para esse estudo em aves das espécies Amazona aestiva e Megascops choliba. Na pesquisa realizada por Arnault (2006) foram encontrados 48 casos dessa afecção, sendo 13 de aves da espécie Amazona aestiva e duas da família Strigidae. A ocorrência dessas alterações mais comumente observada nessas aves pode estar relacionada ao fato de ambas serem vitimas do tráfico de aves silvestres e quando adquiridas, os proprietários não buscam orientação profissional. Dessa forma, frequentemente incorrem em erros no manejo alimentar favorecendo o surgimento dessas enfermidades.

Artrite foi uma alteração encontrada em quatro aves radiografadas nessa pesquisa. No entanto no estudo realizado por Bortolini et al. (2013) apenas um caso foi relatado. Esta divergência entre o número de casos em cada estudo pode estar relacionada à diferença das espécies de aves que habitam cada região e também ao fato das aves na região metropolitana do Rio de Janeiro serem, de modo geral, domesticadas (como no caso das espécies Nymphicus hollandicus e Gallus gallus) ou manterem um contato muito próximo com seres humanos (o que ocorre com a espécie Columba livia) fato este que acaba facilitando a chegada desses casos ao consultório veterinário.

As doenças respiratórias representaram 20,22% do total de exames realizados e todos os animais radiografados com essas alterações eram da ordem Psittaciforme, contrariando os achados do estudo realizado por Marietto-Gonçalves et al (2008) onde citam encontrar maior incidência em animais da família Galliforme. Esta diferença talvez possa estar relacionada ao local do estudo, considerando que os achados do presente relato referem-se fisiogeograficamente a um grande centro urbano, sendo pouco comum a presença de representantes dessa ordem.

A aerossaculite foi a doença do sistema respiratório com maior ocorrência, representando 8,99% dos casos em nossos achados, o que é também comunicado por Santos et al. (2008) que encontraram 37,5% das alterações respiratórias relacionadas à ocorrência de aerossaculite. A discrepância entre os percentuais dos dois estudos pode estar relacionada à diferença no número de animais atendidos incluídos em cada pesquisa, bem como à localização geográfica.

A ruptura dos sacos aéreos foi uma alteração presente em oito aves no total, sendo a Nymphicus hollandicus a espécie com maior número de indivíduos acometidos. No entanto, Piñeiro et al. (2007) encontraram aves da espécie Columba

livia como as mais acometidas por essa afecção. Essa diferença, também nesse caso, pode estar relacionada ao local de realização do estudo e o fato de se tratarem de aves comuns em ambientes urbanos reforça a possibilidade dessa alteração ser secundária a um trauma, por erro de manejo ou mesmo por maus tratos.

A sinusite esteve presente em apenas uma ave, representando 1,92% das alterações encontradas, contrariando os achados de Santos et al. (2008) que relatam essa alteração como terceira maior ocorrência, representando 10,0% das aves estudadas. Essa divergência pode estar relacionada às diferenças climáticas entre as regiões nas quais os estudos foram realizados.

Das alterações encontradas no sistema digestório, a hepatomegalia foi a mais frequente com sete exames (7,87%). Do total de aves acometidas, mais uma vez a ordem Psittaciforme foi a mais comum, acompanhada pelas ordens Passeriforme, Columbiforme, Galliforme, Acciptriforme e Ramphastidae. De acordo com Massaroto e Marietto-Gonçalves (2010) essa alteração foi encontrada em animais da família Ramphastidae associada à ocorrência de hemocromatose, não tendo sido encontrado estudos sobre a casuística dessa ocorrência nas demais famílias. No entanto, é possível que nas ordens mantidas domiciliarmente essa alteração esteja relacionada à erro de manejo alimentar.

A retenção de ovos/distocia foi diagnosticada em animais das ordens Anseriforme, Psittaciforme e Passeriforme, representando um total de 3,37% dos casos estudados. Castro et al. (2013) encontraram uma ocorrência de 3,45% de distocia também em aves da ordem Psittaciforme. O diagnóstico de distocia nessas aves pode estar relacionado a erros de manejo alimentar e/ou estresse por alterações ambientais e possivelmente seu registro esteja relacionado ao fato de serem animais domiciliados, o que favorece maior acesso aos cuidados veterinários.

A ordem mais acometida pelas tumorações foi a Psittaciforme com oito exames (15,38%) no total. Esse dado corrobora com o estudo realizado por Castro et al. (2013) que encontraram 46,55% de neoformações cutâneas em Psittaciforme. A grande presença dessas aves pode ter relação com o fato de serem as mais tidas como aves de companhia (SICK, 1997), portanto recebendo maiores cuidados veterinários o que torna a detecção mais fácil.

7 - CONCLUSÕES

Diante do estudo observou-se que todos os sistemas orgânicos passíveis de avaliação radiográfica estiveram presentes. Dentre esses o sistema mais acometido foi o musculoesquelético, sendo a fratura a alteração mais frequente.

Somado a isso percebeu-se, também, que a ordem taxonômica mais acometida por alterações radiográficas foi a Psittaciforme, representada principalmente pelas famílias Psittacidae e a Cacatuidae.

Dessa forma, o exame radiográfico provou ser um exame de apoio diagnóstico com excelente custo benefício para aves e de suma importância para a conduta clínica do Médico Veterinário de selvagens.

No documento ELZA SILVIA COELHO POLLIS (páginas 32-44)

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