Memética e suas visões teóricas sobre o conceito de meme

No documento Jaime de Souza Júnior (páginas 31-38)

Esquema 2 – Princípios constitutivos do processo de propagação de fenômenos

1 MEMÉTICA, MÍDIAS E LINGUÍSTICA

1.1 O conceito de meme por Dawkins (1979)

1.1.1 Memética e suas visões teóricas sobre o conceito de meme

De acordo com Tim Tyler (2013b), a Teoria Memética e sua constituição podem ser entendidas a partir das seguintes orientações principais: 1) Memética Internalista; 2) Memética Externalista; 2.1) Memética Informacionalista.

Toda discussão e divisão de visões no âmbito da referida Teoria, conforme Tyler (2011a) explica, se pautou no fato de, desde os primórdios de concepção da Memética, ter havido “preocupações a respeito da possibilidade de os memes poderem ou não, proveitosamente, ser incorporados a imagens, vídeos e textos; ou se memes seriam coisas que só existiriam dentro da mente humana”6 (TYLER, 2011a).

Em um primeiro momento, surge o Paradigma Internalista da Memética que é aquele que, de acordo com Tyler (2011a), adota os preceitos postulados por Dawkins – mais especificamente a partir da obra The Extended Phenotype (DAWKINS, 1982) – levando os internalistas a verem um meme como uma forma de transmissão cultural, ou seja, uma herança, que pode ser copiada e alocada no cérebro dos indivíduos. A materialização do meme é considerada na esfera interior das mentes, portanto.

Tyler (2011a), abaixo, nos traz a voz dos internalistas e mostra-nos como estes veem um meme

Um meme é uma unidade de informação em uma mente cuja existência influencia eventos de maneira que mais cópias daquela informação são criadas em outras mentes.[...] Aaron Lynch definiu os memes como sendo um tipo de memória.

Robert Aunger escreveu um livro chamado “The Electric Meme”, no qual tentou determinar os memes localizados no âmbito das estruturas mentais. Nesse livro escreve: “se memes pudessem existir nos cérebros, na fala e nos artefatos, seriam os superherois do mundo dos replicadores, sendo capazes de

parasitize my brain, turning it into a vehicle for the meme's propagation in just the way that a virus may parasitize the genetic mechanism of a host cell. (DAWKINS, 1979, p.192)

6 “(…) since its early days concerns whether memes can be usefully said to be embodied in images, videos, and texts, or whether memes are things that only exist inside human minds.” (TYLER, 2011a) Disponível:

<http://on-memetics.blogspot.com.br/2011/09/tim-tyler-internalism-vs-externalism-in.html>.Acesso em 03 jun. 2012.

assumir qualquer forma, quando quisessem, como o Proteu da mitologia grega. Ao invés disso, os memes devem estar confinados em um único substrato físico, assim como seus irmãos, os genes replicadores biológicos e os príons o são. Portanto, argumento que só um substrato pode ser associado aos memes.7 (TYLER, 2011a)

Assim, nesse Paradigma, os memes estariam confinados aos cérebros dos indivíduos e não aos artefatos que essas pessoas criam. Os cérebros transmitindo e acomodando informações em outros cérebros representariam o único substrato capaz de abrigar tal informação, na concepção internalista. Essa postura, que coloca as pessoas e seus cérebros como meros veículos para as vontades dos memes, e pautada em sua evolução algorítmica (homogênea), causa o aparecimento de críticas e, por consequência, o surgimento do Paradigma Externalista da Memética.

O segundo momento da Teoria Memética surge com a instauração do Paradigma Externalista. Tyler (2013a) e autores como Daniel Dennett (1995) e Susan Blackmore (1999;

2002) compartilham das ideias propostas em um Paradigma Externalista, como o próprio Tyler (2013a) afirma

Primeiramente, o meu posicionamento é o de que memes são informações herdadas culturalmente, existindo tanto fora quanto dentro de nossos cérebros. Esse posicionamento parece ser aquele compartilhado por Dennett, Blackmore, Williams, Wilkins, Hull, e por outros estudiosos.8 (TYLER, 2013a)

Daniel Dennett (1995) – que é um dos autores mais respeitados no campo da Memética, apesar de não se declarar pertencente ao escopo dessa Teoria – levanta (em seu livro Darwin’s Dangerous Idea: Evolution and Meaning of Life) duas questões importantes para as investigações de nosso trabalho.

Em primeiro lugar, Dennett (1995, p. 347) argumenta sobre a possibilidade de memes existirem fora das mentes das pessoas. Nesse sentido, os memes poderiam ser depositados em

7 A meme is a unit of information in a mind whose existence influences events such that more copies of itself get created in other minds. […] Aaron Lynch defined memes as being a type of memory.

Robert Aunger wrote a book called "The Electric Meme" about attempts to pin memes onto mental structures. In that book he wrote: If memes could exist in brains, in speech and in artifacts, they would be the superheros of the replicator world, able to transform themselves into any shape or form at will, like the Proteus of Greek mythology. Instead, memes must be confined to one physical substrate, just as their brethren, the biological replicators genes and prions, are. I thus argue that only one substrate can be associated with memes. (TYLER, 2011a) Disponível em: <http://on-

memetics.blogspot.com.br/2011/09/tim-tyler-internalism-vs-externalism-in.html> Acesso em: 31 jul. 2012.

8 Firstly, my own position is that memes are inherited cultural information, and they exist both outside and inside brains. This position appears to be shared by Dennett, Blackmore, Williams, Wilkins, Hull - and others. (TYLER., 2013a) Disponível em:

<http://on-memetics.blogspot.com.br/2013/06/the-excesses-of-externalism.html> Acesso em: 31 jul. 2013.

formas não-cerebrais ou artefatos – tais como, por exemplo, computadores, vídeos, e-mails, textos e palavras. Segundo Dennett (1995, p. 347-348), só os cérebros não dariam conta de abrigar todos os memes, por isso, os genes da cultura precisariam ser incorporados em artefatos físicos para continuarem existindo e sendo repassados adiante.

Dennett (1995) vê o meme como “uma designação útil e um item cultural saliente (memorável), algo que disponha de uma alta carga de elaboração (design) para que seja armazenado – surrupiado ou replicado9” (DENNETT, 1995, p. 143). Assim sendo, o autor contribui com um primeiro elemento fundamental para o presente estudo, ao indicar a característica constitutiva de design10 como um dos traços definidores dos memes, expandindo o modelo já apontado por Dawkins (1979) – de fidelidade, fecundidade e longevidade.

O segundo ponto importante para este trabalho, apontado por Dennett (1995), é o fato de existir a possibilidade de o processo de propagação de memes não se dar majoritariamente de forma algorítmica, conforme o autor argumenta, a seguir

A evolução darwiniana, como vimos, depende de um algum grau de fidelidade de cópia – cópia quase, mas não tão perfeita [...] Mentes (ou cérebros), por outro lado, categoricamente não funcionam exatamente como máquinas copiadoras. Pelo contrário, ao invés de só passarem adiante obedientemente suas mensagens, corrigindo a maioria dos erros, à medida que eles ocorrem, os cérebros parecem ser projetados para fazer exatamente o oposto: transformam, inventam, interpolam, censuram e normalmente misturam o “input” antes de fornecer o “output”. [...] Nós raramente passamos um meme adiante inalterado (...) 11 (DENNETT, 1995, p. 354-355) (itálico do autor citado)

O autor (1995) chama a atenção para a figura dos agentes (os “designers”) que contribuem para o processo de propagação dos memes. Ele alerta que os envolvidos nesse referido processo nem sempre terão participação passiva aí. Isso afeta como um todo a relação que se percebe entre memes e seus propagadores. Na perspectiva externalista, os memes não comandariam os imitadores, como postulariam os internalistas da Memética, baseando-se em

9 (…) use the term as a handy word for a salient ( memorable) cultural item, something with enough Design to be worth saving—or stealing or replicating”. (DENNETT, 1995, p.143)

10 Em Souza Júnior (2013b), defendíamos a “utilidade” (BLACKMORE, 2002) como característica constitutiva dos memes.

A partir do presente estudo, a “utilidade” passa a ser substituída pela característica de “design” (DENNETT, 1995), pois, com base em reflexões posteriores, entendermos que a característica de “utilidade” pode atender tanto ao “ponto de vista das pessoas” quanto ao “ponto de vista dos memes” (BLACKMORE, 2002). Ou seja, as pessoas poderiam atribuir “utilidade” a um meme, mesmo que ele não fosse “útil”. Entendemos com isso que a “utilidade” não pode ser considerada como uma característica fixa dos memes como Dennett (1995), por outro lado, propõe considerar o princípio de “design”.

11 Darwinian evolution, as we have seen, depends on very high-fidelity copying—almost but not quite perfect […] Minds (or brains), on the other hand, aren't much like photocopying machines at all. On the contrary, instead of just dutifully passing on their messages, correcting most of the typos as they go, brains seem to be designed to do just the opposite: to transform, invent, interpolate, censor, and generally mix up the "input" before yielding any "output."[…]We seldom pass on a meme unaltered (…) (DENNETT, 1995, p. 354-355)

Dawkins (1979; 1982). Há a figura do produtor inicial de uma informação, mas tal figura pode ser superada por aquela do propagador (aquele que recebe a informação a ser copiada e repassada adiante). Isso acontecerá toda vez que estratégias de design afetarem a estabilidade ( e a fidelidade) de replicação de um meme. Deste modo, Dennett (1995) coloca que

Memes não são unanimidades restritas a seu próprio domínio. [...] A vida e todas as suas dádivas estão reunidas sob uma única perspectiva, mas algumas pessoas acham que essa é uma versão detestável, proibitiva e odiosa. Elas querem se erguer contra isso e, acima de tudo, querem tornar-se exceções a serem percebidas no âmbito desta atmosfera. Elas, exceto todas as outras pessoas, são feitas a imagem e semelhança de Deus – pelo próprio Deus – e, quando não são religiosas, essas pessoas querem ser o servidor central que comanda todo o sistema de máquinas. Elas querem ser, de algum modo, fontes intrísecas de Inteligência ou Criação, e não “meros” artefatos dos mesmos processos que inadvertidamente produziram o resto da biosfera. 12 (DENNETT, 1995, p. 144) (itálico do autor citado)

Susan Blackmore (1999; 2002) é, segundo Leal-Toledo (2013a, p.182), “considerada por Dawkins e Dennett a principal defensora da Memética”. A autora (1999; 2002) acrescenta um elemento importante para a fundamentação desta dissertação: o conceito de memeplexo. Assim sendo, Blackmore (2002) indica como um conjunto de memes pode se associar, quando do seu processo de transmissão e propagação na Rede. Tal conceito é importante para um trabalho de orientação linguística funcionalista (HALLIDAY, 1987) como o nosso, porque a característica híbrida dos ambientes digitais13 pode estar a serviço da produção e distribuição de formas de expressão (ou práticas de produção e distribuição por linguagem verbal/visual e práticas de produção e distribuição por mídias digitais14) propagadas através do uso externado da linguagem e, também, de formas de expressão híbridas e/ou complexas, quanto à sua maneira de composição e transmissão, conforme Blackmore (2002) explica

Um grupo de memes que trabalha junto é chamado “complexo co-adaptado de memes” ou “memeplexo”.

Um exemplo é um tipo comum de e-mail viral que impulsiona a transmitir uma comunicação urgente a

12 No meme is an island.[…] Life and all its glories are thus united under a single perspective, but some people find this vision hateful, barren, odious. They want to cry out against it, and above all, they want to be magnificent exceptions to it.

They, if not the rest, are made in God's image by God, or, if they are not religious, they want to be skyhooks themselves.

They want somehow to be intrinsic sources of Intelligence or Design, not "mere" artifacts of the same processes that mindlessly produced the rest of the biosphere. (DENNETT, 1995, p. 144)

13 Doravante, esses espaços serão entendidos como aqueles que incluem o âmbito das redes sociais.

14 Maiores aprofundamentos a partir de 1.3. No decorrer do estudo, a terminologia “práticas de produção e distribuição linguístico-midiáticas”, ou simplesmente “práticas linguístico-midiáticas” poderão fazer as vezes do elemento em questão, sem prejuízo de sentido. Quando focarmos especificamente a linguagem visual, poderemos utilizar o termo “práticas de produção e distibuição de imagens”, diferenciando-o do foco dado às práticas de produção e distribuição por linguagem verbal.

todos os amigos. Essas mensagens frequentemente contêm um aviso inexistente, por exemplo, avisam que existe um vírus que destruirá tudo o que existe no disco rígido. Ao acreditar nessas mensagens e transmiti-las, esse pequeno memeplexo poderá ser copiado muitas outras vezes: é a própria mensagem que já é um vírus. Não somente tem-se tal tipo de vírus que entope todo o sistema, mas quando as pessoas compreendem os próprios erros, esses mesmos mandam novas comunicações dizendo aos amigos precedentemente contatados para não acreditar, obstruindo novamente o sistema. Alguns desses vírus já duraram por cinco anos ou até mais.15 (BLACKMORE, 2002)

Por fim, Tyler (2013b) aponta a necessidade de reformulação da definição de externalismo, não em termos de postulação teórica, e sim em termos de abordagem dos memes, sugerindo uma perspectiva denominada “informacionalismo” (TYLER, 2013b), conforme argumenta, a seguir

Eu venho usando o termo “externalismo” para fazer referência à ideia de que memes poderiam existir fora de nossas mentes – por exemplo, em artefatos culturais. Entretanto, outros [autores externalistas] parecem ter usado o termo “externalismo” para se referir à ideia de que os memes existem somente fora de nossas mentes. [...] Eu abordarei o tópico em questão em termos de “internalismo”, “externalismo” e

“informacionalismo”. “Internalismo” se refere à ideia de que memes só existem dentro de nossas mentes.

“Externalismo” se refere à ideia de que memes nunca existem dentro de nossas mentes.

“Informacionalismo” se refere à ideia de que memes são informações culturais e não-dependentes de um substrato.16 (TYLER, 2013b)

Com vistas ao que Tyler (2013b) aponta, de um ponto de vista dos paradigmas da Memética, adotamos a posição do autor (2013b) como uma possível abordagem interpretativa para indicar o que entendemos ser um meme neste trabalho – sem abandonar, no entanto, as já destacadas contribuições de Dennett (1995) e Blackmore (2002), as quais não se chocam totalmente com a visão de Tyler (2013b). Assim, consideramos a visão de Tyler (2013b) mais integradora, no sentido de que pode responder melhor aos objetivos de uma investigação de base linguística, como a que propomos neste estudo.

Com o cumprimento da presente etapa – denominada análise conceitual –, objetivamos chegar a uma concepção do que se entende pelo conceito de meme e suas respectivas formas de transmissão. Nessa discussão, tomamos por base mais amplamente os

15 Disponível em:<http://www.susanblackmore.co.uk/Conferences/OntopsychPort.htm> Acesso em: 02 ago. 2013. (itálicos da autora).

16 I had been using "externalism" to refer to the idea that memes could exist outside minds - for example, in cultural artifacts.

However, others seem to have used "externalism" to refer to the idea that memes only exist outside minds. […] I'll discuss the topic in terms of "internalism", "externalism" and "informationalism". "Internalism" is the idea that memes only exist inside minds. "Externalism" is the idea that memes never exist inside minds. "Informationalism" refers to the idea that memes are cultural information and are substrate-independent. (TYLER, 2013b) Disponível em: <

http://on-memetics.blogspot.com.br/2013/07/internalism-externalism- informationalism.html> Acesso em: 02 ago. 2013.

Paradigmas da Memética e as conceituações que fundamentam esse referido entendimento.

Uma retomada gradativa dessas referidas conceituações, integrando-as diretamente com as questões de propagação através de práticas de produção e distribuição linguístico-midiáticas será apresentada nas subseções a seguir. Como resultado do que aqui expusemos, apresentamos o quadro 1, para ilustrarmos toda a discussão conduzida até o momento:

Quadro 1 – O meme e suas diferenças conceituais. Fonte: Elaborado pelo autor.

A partir deste ponto, é importante apresentar as críticas relacionas à Teoria Memética. De acordo com o filósofo Leal-Toledo (2009; 2013a),17 “ao estudarmos a Memética, encontramos sempre diversos problemas e questionamentos, alguns perfeitamente pertinentes, outros nem tanto, mas todos com respostas possíveis.” (LEAL-TOLEDO, 2013a). Vejamos como o autor relata as controvérsias acerca da Teoria dos Memes

Muitos antropólogos sentiram sua área invadida. Adam Kuper diz que a definição de cultura usada pela memética é extremamente ingênua e levanta mais problemas do que resolve. Maurice Bloch diz que a ignorância dos defensores da memética nos conceitos e pesquisas antropológicas é indefensável. Robert

17 O primeiro, no Brasil, a defender uma tese tendo como tema a Memética e os memes. (cf.

http://cbn.globoradio.globo.com/programas/caminhos-alternativos/2012/01/21/ENTENDA-O-QUE-SAO-OS-MEMES-RCRUSHIR-O-SUSHI-VIVO-E-UMA-AULA-DE-MUAY-THAI.htm).

Aunger critica a memética por ser muito ampla. Mas a maioria das críticas tenta mostrar que memes não são semelhantes ao gene e que a evolução cultural darwinista é só um sintoma da “inveja do gene”.

(LEAL-TOLEDO, 2013b)18

No que tange aos empecilhos que interferem na possibilidade de a Memética se tornar uma ciência, Leal-Toledo (2013b) aponta os seguintes argumentos-problema

1- Problema da unidade: qual a unidade do meme? O refrão de uma música é um meme ou é a música inteira?

2- Problema ontológico: qual é o substrato do meme? Qual a base física dele?

3- Problema do fenótipo: onde está a demarcação fenótipo/genótipo? A idéia de uma casa é o genótipo enquanto a casa é o fenótipo ou vice-versa?

4- Problema Lamarkista: os memes são passados de maneira Lamarkista e não Darwinista. Existe um processo de escolha direcionado.

5- Problema da homologia: não temos como saber se um meme foi transmitido por cópia ou se foi uma criação independente.

6- Problema da velocidade: A transmissão do meme é rápida demais e com muito pouca fidelidade para permitir um processo evolutivo. (LEAL-TOLEDO, 2013b)

O autor (2013b), citando outros estudiosos do tema, nos informa que

os zoólogos Kevin Laland e Gillian Brown estavam certos em dizer que “virtualmente quase todos os

‘problemas’ comuns da memética são irrelevantes ou reservas que se aplicam igualmente à evolução biológica”. Em concordância com isto, o filósofo David Hull sugere que os problemas conceituais da memética não são mais graves que os problemas conceituais da genética e que, por este motivo, devemos parar de discutir conceitos e simplesmente fazer memética. Já o próprio criador dos memes é mais cético.

Dawkins nos diz que não sabe o suficiente sobre o desenvolvimento da cultura para defender uma memética e acredita que o seu principal valor não está em explicar a cultura e sim em melhorar a nossa compreensão da evolução genética. No entanto, Dennett em seu último artigo diz que apesar de os avanços na memética ainda serem largamente conceituais, ou seja, filosóficos, e apesar do fato de ainda não termos uma ciência memética empiricamente testável, ele aposta que ela surgirá. (LEAL-TOLEDO, 2013b)

As críticas feitas à Teoria Memética, atribuídas ao fato de as bases da referida Teoria serem majoritariamente, ainda, conceituais, conforme Leal-Toledo (2013a) afirma, corroboram a necessidade de um trabalho de base linguística, como o que propomos, no qual a Teoria Memética pode ser vista como uma abordagem integrada à de nossa investigação.

Tal integração talvez nos permita chegar a algumas conclusões e, se possível, também, a generalizações a respeito da propagação de práticas de produção e distribuição

18 Disponível em:<

http://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:6P3QWQCb6aQJ:www.filosofiadamente.org/images/stories/textos/

memes.doc+&cd=1&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br > Acesso em: 02 ago. 2013.

midiáticas, enquanto um complexo de memes carregados no interior de suas unidades de propagação19. Esperamos, também, chegar a algumas conclusões a respeito do funcionamento da linguagem, principalmente, quando são consideradas as relações entre produtores e receptores/propagadores no contexto das redes sociais.

Assim sendo, os fenômenos de memes da Internet podem ser mais bem compreendidos se conseguirmos delimitar unidades de propagação passíveis de análise, o complexo de memes que essas unidades carregam no processo de evolução desses fenômenos, suas naturezas (i.e. linguísticas ou midiáticas?), determinar seus princípios/critérios constitutivos e reconhecer seus padrões de propagação. Discutiremos as ampliações de entendimento do conceito de meme, a partir do advento da Internet, a seguir.

No documento Jaime de Souza Júnior (páginas 31-38)