CAPÍTULO II MUSEU E ESCOLA

O MESTRADO EM NÚMEROS

Ao apresentarmos o mestrado em números pretendemos contribuir para a análise da dimensão da formação e qualificação encontrada na área do setor da cultura no Brasil. Esse relato tem como objetivo colaborar para a reflexão sobre a dificuldade enfrentada pelos profissionais da área museológica e pedagógica que atuam em museus distanciados dos centros acadêmicos do Estado de Minas Gerais.

Algumas questões relacionadas à necessidade de viajar, se hospedar e investir financeiramente em estudos serão destacados para um melhor entendimento dos aspectos práticos primordiais no contexto da conservação das coleções e ao papel educacional dos museus.

Subjetivamente, o fato de ser servidora efetivada, pedagoga, sem desfio de função dentro da instituição que atuo não facilitou as condições para cursar o mestrado.

Não houve dispensa para as viagens, as horas de ausência foram repostas nos fins de semana e nos bancos de horas, assim como não houve ajuda de custo para cobrir quaisquer despesas.

Tais fatos revelam o porquê da construção disciplinar da museologia ultrapassada e negligenciada praticada a partir de procedimentos experimentais e arbitrários à nova museologia cujo objetivo consiste claramente em fundar a museologia como disciplina científica e em definir, simultaneamente, as profissões do museu e o quadro da pesquisa em seu âmbito. (Poulot, p.129)

A expectativa é que os dados aqui apresentados ofereçam parâmetros orientadores para a investigação relacionada a este campo e que possam propor novos rumos aos nossos museus.

5.1 Pontos que devem ser refletidos para a profissionalização.

5.1.1 A construção da área educativa segundo a edição Museus em Números

Os museus, por se tratar do campo das humanas, sempre se preocuparam com apenas dados de levantamento quantitativo de público e de acervo.

Museus em Números apresentadas pelo IBRAM compostas por três edições apresentam elementos que avançam para dados estatísticos mais precisos em relação aos vários aspectos de relevância nos museus brasileiros.

Ao publicar Museus em Números, elaborado a partir dos dados disponibilizados pelas instituições museológicas ao Cadastro Nacional de Museus, damos sequência a um dos elementos fundamentais para o monitoramento do Plano Nacional Setorial de Museus: a produção de indicadores que possam contribuir para partilhar visões sobre um panorama diversificado com todos os agentes do setor museológico, em cada Estado (IBRAM - XII)

Essa nova visão sobre os números definem que as instituições museológicas brasileiras são capazes de aprimorar suas atuações a partir da análise de dados que apontam desconexões regionais, concentrações, dificuldades de acesso e outros desafios relacionados à democratização da experiência museal.

Para que surgisse essa publicação a equipe multidisciplinar do IBRAM envolveu milhares de profissionais que trabalharam com o objetivo de compartilhamento de dados em parceria com o ICOM e a UNESCO, foram utilizados dados estatísticos do antigo SPHAN, do IPHAN e dos Ministérios da Cultura, da Educação e da Saúde.

Esse esforço vem de encontro às necessidades de criação de ferramentas e instrumentos para se trabalhar no campo museal pois as avaliações indicam novos caminhos e apontam para a revisão e reformulação de políticas públicas para os museus.

De acordo com os dados levantados em 2011, hoje são mais de três mil museus no país, aproximadamente 3025, 82% dos museus brasileiros possuem algum tipo de ação educativa (atendimento à escolas e público em geral), a maioria localizados nas capitais, menos de 60% fazem avaliação desse processo.

Segundo o CNM – Cadastro Nacional de Museus – apenas 48,1% possuem setor educativo constituído, 80,6% promovem visitas guiadas, sendo 76,4% com agendamento.

Antes dessas edições foi lançado em 2006 a publicação Cultura em Números com dados de suma importância:

Constatou-se que houve evolução porcentual da presença de museus nos municípios brasileiros de 41,3% em 7 anos (1999-2006).

Todas as regiões apresentaram elevação no número bruto de municípios com museus. Percentualmente, se verificou a elevação de 1% na Região Nordeste e o mesmo porcentual de redução na Região Sul.

Os números indicam disparidade da presença de museus nas regiões. A maior quantidade dos equipamentos é observada nas Regiões Sudeste e Sul, respectivamente. A região sudeste é a que mais tem museus cadastrados pelo IPHAN, especialmente enunciada pelos números dos Estado de São Paulo e Minas Gerais.

No entanto, por se tratar de uma publicação de 2010 ainda não consta no levantamento os cursos de museologia implantados em Minas Gerais.

As informações mostram que são poucos os cursos de graduação em Museologia no Brasil, sendo 2 na Bahia e 1 em cada estado – Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Sergipe.

Certamente que estes dados serão atualizados após o Fórum Nacional de Sistemas de Informações Culturais realizado pelo SNIIC – Sistema Nacional de Informações e Indicadores Culturais ocorrido em outubro de 2015, na Paraíba, e que tem entre as propostas apresentadas a atualização de dados cadastrais.

Diante dos números temos um parâmetro referencial para a compreensão do museu não apenas como instituição, mas como processo.

5.1.2 O Mestrado Profissional em números

Ao apresentarmos os números do Mestrado Profissional saímos da humanidade dos Museus e partimos para o mundo das ciências exatas com a intencionalidade de contribuir para as futuras estratégias de democratização do PROMESTRE.

Os números que veremos a seguir referem-se aos anos de 2014 e 2015. As planilhas identificam a rotina da pesquisadora durante o percurso do mestrado.

Conforme o gráfico apresentado na página 98 foi verificado os custos em relação às viagens num percentual de 35% gastos com hospedagem; 54% gastos com passagens e combustível e 11% gastos com alimentação e transporte urbano.

Observa-se que os dados referentes às planilhas constituem praticamente 100% do resultado final, pode-se considerar uma variação mínima estimada em 1% sobre o total apresentado.

Apresentação das planilhas:

No documento Ação educativa nos museus do sul de Minas Gerais: uma prática direcionada aos educandos e/ ou necessária para docentes? (páginas 89-92)