CAPÍTULO 3: PROBLEMÁTICA E REFERÊNCIAIS TEÓRICOS
3.4 Metodologia e Procedimentos metodológicos
Iniciamos estes procedimentos com um estudo da evolução dos conceitos de trigonometria no triângulo retângulo nos livros de história da matemática e com o estudo de sua abordagem no processo de ensino-aprendizagem. Para isso, fizemos a análise do objeto matemático, dos livros atuais, a análise das propostas curriculares para o ensino de matemática e das pesquisas correlatas, para
30 Segundo Raymond Duval apud Saddo Ag Almouloud, no caderno de Fundamentos de
Didática da Matemática de 2000, p. 46. ignorar aspectos cognitivos significa não levar em consideração as condições de apropriação real de um conteúdo matemático e as razões
sabermos quais são as transformações e as escolhas que compõem o livro didático atual e quais são os rumos da pesquisa sobre o ensino-aprendizagem da trigonometria no triângulo retângulo.
Os materiais utilizados foram três livros de história da matemática, cinco livros didáticos de 8ª série e cinco livros didáticos de 1º ano do Ensino Médio, as Propostas Curriculares do Estado de São Paulo do Ensino Fundamental e do Ensino Médio, o PCN do Ensino Fundamental e Médio e o PCNEM plus, cinco artigos e quatro dissertações de mestrado.
Mediante essas análises, elaboramos uma seqüência didática composta de algumas situações-problema.
Para a aplicação e análise da seqüência didática, usaremos os princípios da Engenharia Didática, a qual trata de situações de aplicações de seqüências em sala de aula e seus respectivos fenômenos didáticos, os quais são observados e analisados nas análises a priori e na análise a posteriori (validação e conclusão).
3.4.1 – Análises prévias ou preliminares
Antes da elaboração da seqüência didática, foram feitas as análises do objeto matemático, das propostas curriculares e dos livros didáticos, cujas quais nos ajudam a revelar quais os fenômenos didáticos ligados aos erros e dificuldades dos alunos. Por essa razão, a análise prévia também nos auxiliou na concepção e análise a priori da seqüência didática, como podemos constatar adiante.
3.4.2 – Concepção e análise a priori
O objetivo da análise a priori32:
32 Segundo Saddo Ag Almouloud, no Caderno de Fundamentos de Didática da Matemática
[...] é determinar como as escolhas efetuadas permitem controlar os comportamentos dos alunos e os sentidos desses comportamentos:
- Descrever as escolhas feitas ao nível local e as características da situação adidática33 desenvolvida;
- Analisar no funcionamento quase isolado do professor a importância dessa situação para o aluno, em função, em particular, das possibilidades de ações, das escolhas, das decisões, do controle e da validação que o aluno terá, depois da devolução; - prever campos de comportamento possíveis e tentar mostrar como a análise feita permite controlar seu sentido e assegurar, em particular, que os comportamentos esperados, se eles intervêm, resultam do desenvolvimento do conhecimento visado pela aprendizagem.
Nossa análise a priori dos fenômenos didáticos ligados aos erros e dificuldades de ensino-aprendizagem é feita levando em consideração as formas de apreensão dos registros de representação semiótica e a dialética-ferramenta objeto.
Consideramos para a elaboração das situações da nossa seqüência didática, bem como para a análise das dificuldades dos alunos, as classificações da apreensão figural proposta por Duval (1994):
1) perceptiva 2) discursiva 3) seqüencial 4) operatória
Acreditamos que essa classificação da apreensão das figuras nos dá respaldo para a análise a priori e a posteriori dos erros e das dificuldades dos alunos, pois a referida classificação leva em consideração a complexidade do papel da visualização, da constituição de uma figura, fato essencial para a nossa pesquisa, a qual traz o tratamento figural como uma das fontes de exploração de solução das situações-problema propostas. Além disso, essa classificação permite a montagem de situações de exploração heurística da figura, pois facilita uma melhor compreensão dos elementos figurais.
3.4.3 Experimentação, análise a posteriori e validação.
Nessa fase são levantados os tipos de erros e dificuldades que os alunos apresentam na resolução das diferentes atividades da seqüência didática para serem confrontados com a análise a priori. Se os erros ou dificuldades não estiverem contemplados na análise a priori, procuramos, a luz de nossos referenciais teóricos, buscar entender e interpretar esses erros. Esse fato nos ajudou na conclusão da análise a posteriori e a responder questões, tais como: - Foram atingidos os objetivos propostos em cada atividade?
- As situações-problema foram bem elaboradas:
• são muito longas ou muito curtas?
• complicadas ou simples?
• levam muito ou pouco tempo ?
• mobilizam as estratégias previstas na análise a priori?
• conseguem articular os conhecimentos antigos na solução de problemas novos?
• conseguem provocar no aluno a exploração heurística da figura, seguida do tratamento figural, na solução dos problemas propostos?
• levam o aluno ao estudo das relações trigonométricas? - Quais as modificações possíveis e necessárias nas atividades?
- O professor deve interferir mais ou menos ao longo da solução das atividades1?
- Quais são os recursos ou métodos que o professor pode ou deve modificar na sua intervenção? (recursos: lousa ou software, método: discussão coletiva ou discussão com cada dupla, por exemplo).
- Houve confirmação das hipóteses de pesquisa no resultado obtido na aplicação da seqüência didática? A questão de pesquisa foi respondida de maneira afirmativa?
- Como os referenciais teóricos e a metodologia influenciaram nos resultados obtidos?
Portanto, a análise a posteriori avalia a eficácia da seqüência didática para o processo de ensino-aprendizagem, dando subsídios para a conclusão da pesquisa. Na conclusão, é analisada se a questão de pesquisa (“Uma seqüência
de ensino enfatizando as construções e transformações geométricas articuladas ao tratamento figural proporciona uma apreensão significativa para o aluno de 1º ano do Ensino Médio dos conceitos da trigonometria no triângulo retângulo?”) foi respondida de acordo com as hipóteses de pesquisa.