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5 A HISTÓRIA DAS CRIPTOMOEDAS

5.2 MINERAÇÃO DAS CRIPTOMOEDAS

Novos Bitcoins são criados como uma recompensa para o trabalho de processamento de transações, no qual os usuários oferecem seu poder computacional para verificar e registrar pagamentos. Segundo Hayes (2016, p. 3), podemos chamar esse processo como “mineração”, onde os indivíduos ou empresas participam dessa atividade em troca da chance de ganhar Bitcoins recém-criados.

A mineração é um componente necessário de uma rede de criptomoedas que é aberta ao público e que conforme Hayes (2016, p. 3) não censura os participantes a realizar transações nela. Essa atividade de validação intencional do processo é utilizada para justamente impedir que os participantes anônimos atuem com más intenções e que consequentemente prejudique o sistema. Em outras palavras, todo o sistema opera sob a suposição de que todo e qualquer nó ou transações será controlado por fraudadores e ladrões, e isso faz com que fique mais difícil para fraudar ou roubar, tornando-se caro explorar ou atacar a rede.

A mineração é realizada por hardware especializado que possui uma certa quantidade de poder computacional, medida em hashes por segundo. Hayes (2016, p. 3) explica que os hashes podem ser considerados de alguma forma semelhantes ao poder de processamento de um microchip da CPU (Unidade Central de Processamento), que é medido em hertz para definir quantos cálculos individuais podem ser obtidos por segundo. De acordo com Hayes (2016, p. 3), a rede agregada do Bitcoin - a rede que consiste numa central de comunicação

mineração empregado em todo o mundo. Para cada GigaHash por segundo (1 GH/ s = 109 hashes) qualquer minerador individual coloca online, por exemplo, esse montante que será adicionado à potência geral da rede.

Conforme o autor Houy (2014, p. 2), a recompensa para os mineradores é de 25 BTC (Bitcoins) por bloco. A recompensa fixa foi de 50 BTC nos primeiros dias do Bitcoin, mas este valor é reduzido para metade a cada 210.000 blocos. Assim, o número de Bitcoins emitidos é programado para atingir, no máximo, 21.000.000, e a recompensa variável é de 0,0001 BTC por transação. Ao minerar um bloco, um minerador é livre para escolher qual das transações na rede ele deseja incluir em seu bloco. Houy (2014, p. 2) afirma que calcular o problema matemático de mineração com mais transações incluídas nele não é mais caro em termos de disco de CPU. No entanto, deve-se considerar que quanto maior o bloco, mais tempo ele leva para se espalhar na rede Bitcoin e chegar a um consenso.

Observando num cenário mais econômico, podemos dizer que a recompensa dada ao minerador que está “criando” a moeda, se dá também para se ter um giro econômico no sistema monetário como uma forma de incentivo, pois assim as pessoas vão minerando Bitcoins, e consequentemente irá ter uma maior quantidade da moeda no mercado, e junto com a superprodução o valor da moeda cairia, o que a tornaria mais utilizável.

Segundo Nakamoto (2008, p.4),

A primeira transação em um bloco é especial, pois inicia uma nova moeda

pertencente ao criador do bloco. Isso adiciona um incentivo para que a rede seja suportada e para fornecer uma maneira de distribuir as moedas inicialmente em circulação, uma vez que não há autoridade central para emiti-las. A adição constante

da quantidade de novas moedas é análoga aos mineradores de ouro que gastam

recursos para colocar a moeda em circulação. No caso das moedas virtuais, é o tempo de CPU e a eletricidade que é gasta.

O incentivo também pode ser dado pelas taxas de transação. Ou seja, Nakamoto (2008, p. 4) cita que se o valor de saída de uma transação for menor que seu valor de entrada, a diferença será uma taxa de transação que é adicionada ao valor de incentivo do bloco. Uma vez que uma quantidade de moedas tenha entrado em circulação, o incentivo pode dar-se pelas taxas de transação e ainda ser completamente livre de inflação, o que o torna bem

diferente das moedas convencionais, regidas por bancos e governo. Estes incentivos podem fazer com que a moeda e toda essa transação seja feita de forma honesta, pois, de acordo com Nakamoto (2008, p. 4), se alguém com ganância for capaz de montar um CPU mais potente do que outras pessoas (honestas), ele teria que escolher entre usá-lo para fraudar as pessoas roubando seus pagamentos, ou usá-lo para gerar novas moedas. O próprio autor cita que, esta tal pessoa deveria achar mais lucrativo possuir moedas novas do que todos os demais, do que prejudicar o sistema e a validade de sua própria riqueza.

Segundo O'Dwyer e Malone (2014, p. 3), o Bitcoin é semelhante a outras moedas, em que o taxa de câmbio entre o Bitcoin e as outras moedas flutuam ao longo do tempo. Isso, por sua vez, impacta a viabilidade da mineração do Bitcoin, pois se o valor de um Bitcoin é menor que o custo da energia necessária para gerá-lo, então há um desincentivo para continuar a mineração, pois assim gastaria mais com a energia de todo o processamento do que ganharia Bitcoin. No entanto, como o custo da energia é uma limitação, o hardware mais novo terá que ter um maior taxa de hash (códigos processando para uma nova moeda) e menor gasto de energia, e assim, teria um lucro maior. Abaixo, encontra-se uma tabela (1) com a relação dos dispositivos utilizados para mineração (O'DWYER; MALONE 2014, p. 04):

Tabela 1

Analisando a tabela 1 ( ​table 1​), podemos perceber que o melhor dispositivo que geraria um maior lucro com um gasto maior, porém a curto prazo, seria o Monarh BPU 600

C, gerando 600000.0 Mhash por segundo com um gasto de 2196 dólares. O dispositivo considerado razoável, seria o ATI 5770 com um gasto de U$1,95 por Mhash, onde poderia gerar um bom lucro com “pouco” gasto comparando com o Block Erupter Sapphire, que gera 333.0 Mhash por segundo (não havendo muita diferença do ATI 5770) e gastando U$130, ou seja, há um gasto maior comparado com o ATI, mesmo não havendo muita diferença no processamento.

Sobre a privacidade, Nakamoto (2008, p. 6) cita que o modelo bancário tradicional atinge um nível de privacidade ao limitar o acesso às informações das partes envolvidas, e até mesmo ao terceiro de confiança. Com as moedas virtuais, a necessidade de anunciar todas as transações exclui publicamente esse método, mas a privacidade ainda pode ser mantida, como por exemplo as chaves públicas anônimas. O público pode ver que alguém está enviando uma quantia para outra pessoa, mas sem informações vinculando a transação a ninguém. Isso é semelhante ao nível de informações divulgadas pelas bolsas de valores, onde o tempo e o tamanho dos negócios individuais, são tornados públicos, mas sem revelar os indivíduos em si. Um problema de privacidade ao meu ver, é a senha utilizada para entrar na carteira virtual (blockchain), pois há pessoas que podem descobrir e talvez furtar as moedas virtuais existentes na conta do usuário.

Tendo um maior conhecimento sobre a origem das criptomoedas, podemos perceber como a intenção de criar um sistema de dinheiro autônomo, sem a intervenção de terceiros para a sua produção e funcionamento - além de ser contra o monopólio dos bancos - surgiu há muito tempo atrás, nos anos 1990. Porém, como naquela época ainda não exista uma tecnologia tão avançada como é atualmente pelo fato da globalização avançar muito rápido, havia esta dificuldade em criar uma moeda virtual em que funcionasse de forma correta e que as pessoas pudessem transacionar sem incertezas. As moedas virtuais possuem suas vantagens e seus desafios, mas ainda assim, continuam sendo uma novidade ao sistema internacional, tanto que, ainda não é uma moeda regularizada na maioria dos Estados.

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