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Mobility mapping com recurso a mapeamento por SIG

Capítulo V – Método, técnicas e modelo de análise

5.5. Mobility mapping com recurso a mapeamento por SIG

Nesta investigação conjugou-se o mapeamento de mobilidade (mobility mapping) com o posterior tratamento de informação com recurso a SIG.

A técnica de mobility mapping é uma representação visual das deslocações dos indivíduos dentro e fora da sua comunidade. Esta é uma técnica versátil que pode ajudar a identificar questões e problemas relacionados com a mobilidade bem como o acesso a recursos como a água, serviços de saúde, etc. Esta técnica pode dar-nos informações acerca de alguns indicadores sociais, como os diferentes níveis de pobreza, saúde, emprego, etc., dentro de uma comunidade, assim como nos pode mostrar as causas económicas, sociais e políticas e os impactos sociais da mobilidade (World Bank, 2014).

Um mapa de mobilidade (mobility mapping) é feito tendo em conta um ou mais elementos do agregado familiar, sendo elaborado o “desenho” dos sítios ou pessoas visitadas, isto é, demonstrada a rede geográfica e social de uma família na atualidade. Este mapa fornece contatos recentes, atividades, viagens, o que pode ajudar a perceber a frequência de deslocações de um agregado familiar (Lay, 2003).

A informação gerada pelos mapas de mobilidade podem incluir, embora não seja limitada informação sobre as seguintes questões (Lay, 2003, pp. 17, 18):

 Tipo, nível e frequência das atividades económicas de uma família;

 Ativos económicos, como terras, animais ou remessas;

 Participação nos assuntos da comunidade, tais como grupos religiosos e sociais;

 Participação em grupos de solidariedade, tais como associações;

 Grau de integração social ou isolamento dentro de uma comunidade;

 Atividades diárias de qualquer criança na família;

 Extensão e natureza de contato com os serviços de apoio social formais, por exemplo, centros de saúde, repartição das finanças, etc.;

 Nível e natureza dos contatos com autoridades do governo;

 Extensão e natureza das viagens efetuadas.

Os SIG são uma ferramenta importante, como potencial de iniciar e suportar interrogações de informação, análise e comunicação. A ideia da criação de uma rede de mapeamento por SIG pretende recolher e disponibilizar o máximo de informação acerca de “zonas naturais”, topográficas, aeroportos, como também centros de saúde e hospitais, etc. (Walker et al, 2005). É também uma ferramenta que pretende o processamento de

79 informação por forma a organizar e integrar diversos dados e compreender as suas relações espaciais.

Os SIG foram desenvolvidos para “proporcionar aos utilizadores a integração de informação georreferenciada num sistema informático permitindo, através de ferramentas de análise, a geração de nova informação, em função das necessidades específicas dos utilizadores” (Luz, et al., 2001, p. 3). Os SIG têm vindo a constituir instrumentos fundamentais para a gestão dos recursos naturais e para o ordenamento do território.

Os mapas abarcam várias camadas de informações geográficas, como estradas, distâncias entre locais, limites e características físicas e usos de terra.

Se por um lado facultam um mais fácil acesso à informação múltipla, integrada numa única base de dados, por outro lado também possibilitam a composição de diferentes cenários alternativos e a demonstração dos seus efeitos espaciais (Luz, et al., 2001).

Os SIG datam o seu início na década de 60 do século passado, a sua literatura refere a ocorrência paralela na América do Norte, na Europa, na Áustria, vindo a sua maior contribuição dos Estados Unidos da América. No entanto, pensa-se que o primeiro estado a usar esta técnica tenha sido o Canadá. Um pouco por todo o mundo, esta técnica tem ajudado na tomada de decisão acerca dos transportes públicos e outros problemas de índole social. Especificamente na Europa, a inovação dos SIG foi registada pelo Reino Unido (Hequer, 2011). No ano de 1967, o Laboratory for Computer Graphics da Graduate School of Design da Universidade de Harvard, foi responsável pelo trabalho de Howard Fisher e colaboradores, que levou à distribuição do SYMAP, o primeiro produto de mapas geográficos, seguindo-se outros softwares orientados para a análise espacial.

A internet é tida como grande impulsionadora do desenvolvimento e expansão dos SIG, a partir de 1970, proporcionando uma troca de experiências. Assim, os SIG evoluíram de programas informáticos para representar dados geográficos em níveis, voltando a sua atenção para a álgebra dos mapas e operações de análise espacial. Os SIG concentraram-se, então, no fornecimento de serviços geográficos e espaciais na internet (Hequer, 2011).

Importa referir que, por si só, os SIG não garantem a eficiência nem eficácia na sua aplicação, as ferramentas novas só podem ser eficientes se se conseguirem integrar adequadamente em todo o processo de trabalho, o que pressupõe investimento na formação pessoal. Nesta investigação recorremos aos softwares Google Maps e Concept Draw para produzir os mapas de mobilidade.

No entanto, o mapeamento por SIG pode não ser muito preciso em termos geográficos descritivos, como por exemplo, “perto”, “distante”, “isolado”, etc. O “espaço real” o percecionado pelos indivíduos tem limites indefinidos e fluxos que não são bem expressos nos

Desigualdades de acesso e de mobilidade em meio rural – uma perspetiva de género

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SIG, pois não existem em isolamento e não são percecionados da mesma forma. Em terceiro lugar, os limites locais não são fáceis de converter em formato digital, pois estes podem variar. Em quarto lugar, o espaço nem sempre é igual à distância, pois o que geralmente mais importa é o ponto de interesse e não os espaços entre tais pontos. Em quinto lugar, as distâncias não são simétricas, parecendo maiores ou menores de acordo com o tempo e esforço envolvidos (McCall, 2006). Neste sentido, a conjugação de informação recolhida, o seu tratamento estatístico e o mapeamento conjugam-se para possibilitar mais leitura informada das mobilidades e acessibilidades da população estudada.