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3 COMPORTAMENTO INFORMACIONAL

3.1 Modelo de comportamento informacional de Ellis

O pesquisador David Ellis, no ano de 1989, desenvolveu um modelo de comportamento de busca e uso da informação a partir de pesquisas empíricas, “quando identificou os padrões de comportamento na busca de informação por cientistas sociais” (CUNHA; AMARAL; DANTAS, 2015, p. 105), sendo resultado do estudo desenvolvido em 1987, para elaborar sua tese de doutorado, realizada na Inglaterra (CUNHA; AMARAL; DANTAS, 2015).

Este modelo empreendeu seus esforços na compreensão do comportamento dos usuários ao utilizar o sistema, e não se debruçou sobre as capacidades técnicas do sistema em si (TERUEL, 2005). Inicialmente, apresentou seis categorias, a saber:

inicialização, encadeamento, navegação, diferenciação, monitoramento e extração. Após sua publicação, foi testado por muitos pesquisadores em grupos de

usuários diferentes, resguardando a sua pertinência, e os ajustes foram feitos no sentido de ampliá-lo, não de alterar sua forma de correção (TABOSA; PINTO, 2016).

Em meados de 1993, o modelo de David Ellis foi ampliado por ele pela primeira vez, em parceria com Cox e Hall, acrescentando mais duas categorias:

verificação e finalização, após estudos nas áreas de física e química.

Posteriormente, em 2005, foi incorporada mais uma categoria, a personalização, pelo pesquisador Crespo, o qual identificou a necessidade depois de desenvolver estudos nos campos da biologia molecular e biotecnologia (TABOSA; PINTO, 2016).

Em 2008, o pesquisador Barros acrescentou a categoria transcrição, depois de realizar estudos com usuários do Arquivo Público do Maranhão. Por fim, no ano

de 2015, os pesquisadores Tabosa e Pinto, após estudos sobre comportamento de busca e uso da informação em dissertações e teses nos programas de Pós- Graduação em Ciência da Informação do Brasil, propuseram a inclusão de mais uma categoria: compartilhamento (TABOSA; PINTO, 2016).

Nesta perspectiva, é interessante destacar que o modelo original, mesmo sendo bem antigo (1989), ainda é bastante relevante hoje em dia, uma vez que recebeu contribuições de pesquisadores ao longo dos anos e, por isto, tornou-se um modelo cada vez mais pertinente, conforme o detalhamento de suas categorias no quadro 4.

No entanto, faz-se necessário compreender que não se trata de um modelo de etapas lineares, pois são ações independentes, que podem ser retomadas a qualquer momento durante o processo, bem como se sobrepor. Desta forma, de acordo com Teruel (2005, p. 110, tradução nossa), “podem acontecer sequências diferentes, com pessoas diferentes ou com a mesma pessoa, em momentos diferentes”20

.

Quadro 4 – Categorias do modelo de David Ellis

Continua...

20

Sino aspectos del comportamiento que pueden suceder em diferentes secuencias com diferentes personas o com la misma persona em diferentes momentos.

ANO CATEGORIAS DESCRIÇÃO

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8

9

Inicialização

A necessidade de informação é preeminente para que esta etapa se instale. O usuário percebe uma lacuna informacional que se inicia em uma visão panorâmica e que poderá gerar demandas posteriores. Os usuários poderão ter maior ou menor experiência, assim como poderão iniciar o processo ao se reportar a pessoas do seu próprio meio de convivência.

Encadeamento

Busca aprofundada em que o usuário utiliza as primeiras fontes como subsídio para conectar mais fontes. O encadeamento pode ser realizado “para frente” ou “para trás”. Neste último, o usuário, por meio de uma primeira fonte, localiza as referências citadas; enquanto o encadeamento para frente sugere o contrário.

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9

3

Verificação

Conferência realizada pelo usuário com vista a checar a confiabilidade da fonte, a completeza e atualização. Requer uma certa experiência do usuário.

Finalização

O usuário verifica se já existe algum trabalho igual ou semelhante ao seu, ou uma nova publicação que altere os resultados de sua pesquisa.

20

0

5

Personalização

O usuário utiliza as ferramentas tecnológicas ao seu favor, já que customiza ou interage com os recursos oferecidos pelo buscador na web, banco de dados, ou até mesmo o próprio navegador. Consegue alterar luminosidade, tamanho e cor da fonte, adicionando páginas favoritas, entre outros.

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0

8

Transcrição Transcrição de trechos realizada pelo usuário, incluindo anotações, sublinhados e grifos.

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1

5

Compartilhamento

O usuário divulga a informação de uma maneira geral, seja para treinar, lecionar, transmitir a alguém, veicular em meios de comunicação, disseminar em redes sociais, entre outros. Fonte: Elaborado pela autora, baseado em Teruel (2005) e Tabosa e Pinto (2016).

ANO CATEGORIAS DESCRIÇÃO

Navegação

Busca semiestruturada, informal e não sistemática, em áreas de potencial interesse. Na modalidade presencial, podemos considerar a análise das lombadas dos livros, o folhear de materiais informacionais, uma análise superficial, com vista a satisfazer sua demanda. Na modalidade virtual, a busca em catálogos, ou repositórios digitais.

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8

9

Diferenciação

Capacidade que o usuário desenvolve ao conseguir selecionar as fontes de informação relevantes, auferindo critérios como, por exemplo, qualidade da fonte, atualidade do material, autoria, entre outros.

Monitoramento

O usuário acompanha as atualizações das fontes de informação do seu perfil de interesse. Com o avanço da tecnologia, este procedimento foi facilitado, uma vez que os usuários podem criar perfil de interesse para receberem demandas relevantes da área sinalizada, como os serviços já bem conhecidos de Disseminação Seletiva da Informação (DSI).

Extração

O usuário consegue identificar, através de uma análise sistemática, o que de fato é relevante em uma fonte de informação.

Os modelos criados na década de 1980 são passíveis de ajustes, uma vez que é preciso contemplar a inserção da tecnologia no contexto de busca e uso da informação. Por isso, Tabosa e Pinto (2016, p. 226) enfatizam que “o comportamento de busca e uso de informação tem se alterado, acompanhando as transformações da sociedade em torno das facilidades proporcionadas pela tecnologia da informação e comunicação”. Neste sentido, o modelo escolhido para este estudo, por exemplo, já recebeu ampliações oriundas da literatura científica da área da CI (TABOSA; PINTO, 2016), as quais já foram mencionadas no início desta seção.

Portanto, tendo compreendido como se dá o comportamento informacional dos usuários pautado no modelo de David Ellis, no capítulo a seguir, adentrar-se-á no panorama de atendimento às demandas informacionais do usuário, apresentando o serviço de referência, desde a forma tradicional até o serviço de referência virtual, fruto das transformações advindas da tecnologia e do novo perfil dos usuários.