3.3 Fontes de conhecimento
3.3.5 Modelo de usu´ ario
Segundo Kobsa,[27], modelo de usu´ario ´e um conjunto de suposi¸c˜oes levantadas pelo sistema sobre alguns aspectos da intera¸c˜ao com o usu´ario que sejam relevantes para um dom´ınio em particular. Tais aspectos s˜ao: objetivos do usu´ario, planos do
usu´ario para alcan¸car esses objetivos e conhecimento (cren¸cas) do usu´ario sobre um dom´ınio espec´ıfico.
Esses aspectos s˜ao importantes para o controle do di´alogo, uma vez que a partir deles o sistema identifica fatores da comunica¸c˜ao que o ajudem a dialogar de forma mais flex´ıvel ou natural e tamb´em cooperativa, fornecendo meios para o sistema levar em considera¸c˜ao: quais informa¸c˜oes s˜ao necess´arias para os objetivos e planos do usu´a- rio, o que o usu´ario sabe ou n˜ao sobre determinado ponto do di´alogo, o que evitar´a respostas sem sentido ou redundantes e as cren¸cas do usu´ario sobre do dom´ınio [27].
A quest˜ao de flexibilidade do di´alogo pode ser entendida quando se considerar o tratamento de mal entendidos e erros de reconhecimento de emiss˜oes do usu´ario. Mui- tos desses erros e mal entendidos s˜ao causados pela falta de conhecimento do usu´ario por parte do sistema. Se o sistema n˜ao sabe quais as caracter´ısticas do usu´ario que interage com ele, ent˜ao t´ecnicas de recupera¸c˜ao de erros ter˜ao de ser empregadas para corrigir a¸c˜oes futuras do sistema. Entretanto, se o sistema possuir algum tipo de co- nhecimento sobre o usu´ario ent˜ao ele poder´a fazer suposi¸c˜oes sobre como interagir em um di´alogo. Essas suposi¸c˜oes pode ser utilizadas para evitar mal entendidos [28].
As suposi¸c˜oes podem ser identificadas segundo Kobsa [27] como: padr˜oes a serem obtidos pelas contribui¸c˜oes do usu´ario e do sistema. Onde o primeiro tipo agrupa informa¸c˜oes que s˜ao extra´ıdas de cren¸cas e objetivos espec´ıficos a um dom´ınio, e que podem definir caracter´ısticas comuns a qualquer usu´ario desse dom´ınio, ou seja, o sis- tema considera que qualquer usu´ario de um dom´ınio ter´a inicialmente um conjunto semelhante de cren¸cas e objetivos. Essas suposi¸c˜oes se referem ao conhecimento geral do usu´ario sobre o dom´ınio, suas cren¸cas sobre o mesmo e seus objetivos, outro conjunto de suposi¸c˜oes diz respeito `as cren¸cas do usu´ario sobre as cren¸cas e objetivos do sistema.
As suposi¸c˜oes obtidas das contribui¸c˜oes do usu´ario s˜ao mais confi´aveis que as apre- sentadas anteriormente, pois s˜ao fornecidas pelos pr´oprios usu´arios durante sua inte- ra¸c˜ao com o sistema. As formas de obten¸c˜ao dessas suposi¸c˜oes s˜ao: questionamentos
47 diretos sobre cren¸cas e objetivos, utiliza¸c˜ao da forma sint´atica para a inferˆencia da suposi¸c˜ao e pistas ling¨u´ısticas fornecidas por certas palavras, tamb´em usadas para inferˆencia. No caso das contribui¸c˜oes do sistema, existe a no¸c˜ao de que o sistema planejou contribui¸c˜oes futuras para coletar informa¸c˜oes sobre o usu´ario e dessa forma atualizar seu modelo de usu´ario [27].
A forma de agrupar essas informa¸c˜oes e suposi¸c˜oes em um modelo de usu´ario pode seguir dois tipos de abordagens: abordagem estereotipada e forma¸c˜ao de hist´orico de intera¸c˜ao. Outras formas podem ser utilizadas para este fim, por´em estas duas s˜ao mais simples e se ajustam ao prop´osito de criar um modelo de usu´ario para uso em sistema de di´alogo.
Os estere´otipos s˜ao elementos que armazenam as informa¸c˜oes caracter´ısticas a um grupo de usu´arios. Quando um sistema os utiliza, algumas de suas caracter´ısticas marcantes s˜ao comparadas as obtidas pela primeira intera¸c˜ao de um usu´ario com o sistema, isto visa a identifica¸c˜ao ou classifica¸c˜ao desse usu´ario em um estere´otipo. As- sim, o sistema poder´a preencher um modelo de usu´ario individual com as informa¸c˜oes obtidas da intera¸c˜ao e das obtidas pela classifica¸c˜ao [29]. Logo, o sistema pode obter algumas suposi¸c˜oes sobre usu´ario sem a necessidade de uma intera¸c˜ao completa, o que se bem feito pode melhorar a qualidade e coerˆencia do di´alogo.
Uma segunda abordagem considera a grava¸c˜ao de grupos de dados extra´ıdos do comportamento do usu´ario na intera¸c˜ao com o sistema, onde cada grupo ´e associado a um conjunto de usu´ario ou parte espec´ıfica de um plano para ent˜ao generalizar os dados obtidos e descobrir padr˜oes de intera¸c˜ao. Assim quando novos usu´arios intera- girem com o sistema, padr˜oes de intera¸c˜ao coletados anteriormente ser˜ao usados para classific´a-los e ent˜ao guiar sua intera¸c˜ao. Outra abordagem ´e atribuir novos usu´arios a grupos pr´e-existentes por meio de algumas de suas informa¸c˜oes caracter´ısticas, e desse modo generalizar seu comportamento na intera¸c˜ao para padr˜oes de cada grupo de usu´ario mantido pelo sistema [29].
A utiliza¸c˜ao do modelo de usu´ario por um sistema de di´alogo depender´a da aborda- gem de controle de di´alogo e do modelo de intera¸c˜ao. Assim, para sistemas baseados em estados finitos e varia¸c˜oes simples (sistemas do tipo pergunta-resposta) um modelo de di´alogo pode n˜ao ser necess´ario, uma vez que a estrutura do di´alogo j´a est´a definida e a natureza do dom´ınio pode n˜ao necessitar de informa¸c˜oes adicionais de usu´arios para melhorar a intera¸c˜ao deles com o sistema.
Entretanto para sistemas de pergunta e resposta, baseados em quadros e sistemas baseados em agentes que adotem a no¸c˜ao de di´alogo cooperativo o uso de um modelo de usu´ario que utilize qualquer tipo de abordagem, pode ajudar no controle de di´alogo. Isso devido a um modelo de usu´ario possuir informa¸c˜oes relevantes ao di´alogo [15].