7. HIPÓTESES E MODELOS DE ESTUDO
7.3 Modelos de Estudo
Muitos dos procedimentos estatísticos padrão não oferecem uma maneira conveniente de diferenciação entre as variáveis manifestas (ou observadas) e as variáveis latentes (KLINE, 2005, p. 11). Uma variável latente é um conceito teorizado e não observado, que apenas pode ser aproximado mediante as variáveis observáveis ou mensuráveis (HAIR JR. et al., 2005, p. 470).
Partindo da revisão da literatura, este estudo irá se apoiar na tese de que a origem tecnológica (OTE) e seu estilo comportamental inovador (ECI) modulam o seu perfil de adoção (PAD) e que esta relação influencia a forma como indivíduo processa o reconhecimento da necessidade (RNE), desencadeando o processo de busca de informações (BIN) que conduz à avaliação das alternativas (AVA).
Para Rogers (2003), existem condições primárias que antecedem a adoção de uma tecnologia e que incluem práticas prévias, necessidades e problemas. Assim, o modelo NULO traz como antecedentes do conhecimento, conforme proposto por Rogers (2003), a prática prévia caracterizada pelo construto OTE e o estilo comportamental inovador (ECI) como variável moderadora ao modelo de decisão-inovação, incluindo as variáveis de personalidade definidas hipoteticamente pela distribuição dos adotantes ao longo do tempo.
Embora o construto OTE permita uma operacionalização mais direta, o mesmo não se dá com o construto ECI, uma vez que é parte de uma construção hipotética formulada por Rogers (2003) dentro de um continuum que se inicia com os inovadores e termina com os retardatários, mas sem indicação de tempo para difusão e adoção integral de uma inovação por todo um grupo social.
Deste modo formulam-se as hipótese 1 e 2:
H2 = o estilo comportamental inovador do indivíduo é definidor de seu perfil
de adoção
A variável latente: perfil de adoção (PAD) antecede o processo decisório e atua similarmente ao estilo comportamental inovador, como variável moderadora do modelo de Rogers (2003), incluindo aspectos sócio-econômicos e práticas prévias do indivíduo como moduladores e condicionadores do processo decisório.
A ênfase dada nos aspectos sócio-econômicos e práticas prévias do construto PAD, se devem à teorização proposta por Hirschman (1980) da inovação vicária, inovação adotada e inovação usada.
Por esta teorização, a inovação vicária ocorre quando o conceito que subjaz à inovação é incorporado ao repertório do indivíduo embora não tenha existido ainda a adoção ou experimentação. Fatores sócio-econômicos podem influenciar o processo de adoção uma vez que restringem o acesso à inovação para uso e experimentação, mas não limitam o grau de conhecimento sobre determinada inovação que alguém possa ter, mesmo sem possuí-la.
Já a inovação usada diz respeito àquela que foi colocada à disposição do indivíduo a despeito de seu interesse ou necessidade e cujo uso contínuo consolida o repertório de práticas prévias que podem influenciar seu processo decisório.
Deste modo, surge a hipótese 3:
H3 = o processo decisório é definido em função do perfil de adoção do
indivíduo
Nesta assunção, o modelo nulo escolhido a priori para representar as relações entre os construtos é o modelo NULO, apresentado abaixo, cuja característica principal reside em definir os construtos origem tecnológica (OTE) e estilo comportamental inovador (ECI), como antecedentes aos demais construtos.
Assim, os construtos OTE e ECI serão abordados como variáveis independentes (ou exógenas), uma vez que suas causas são independentes do modelo em análise e, neste entendimento os construtos PAD, RNE, BIN e AVA estão relacionados como variáveis dependentes (ou endógenas) no modelo em função do construto OTE.
A figura 3, apresentada abaixo, mostra a representação gráfica e esquemática para a suposição proposta como modelo nulo.
Após a seleção de um diagrama de caminhos dentro das alternativas, os modelos equivalentes (ou rivais) devem ser considerados.
Os modelos equivalentes pressupõem as mesmas correlações ou covariâncias prenunciadas, mas com uma configuração diferente dos caminhos dentro das mesmas variáveis observadas. Para um dado diagrama de caminhos (ou modelagem de equações estruturais) pode haver múltiplas variações equivalentes, contudo convém ao pesquisador esclarecer as razões que o levaram a escolher pelo modelo final dentre aqueles matematicamente idênticos. (KLINE, 2005, p. 153)
Considerando que a construção de modelos estruturais pressupõe a
ECI OTE
AVA
PAD RNE BIN
ECI ECI OTE OTE AVA AVA PAD
PAD RNERNE BINBIN
OTE e ECI – variáveis independentes
(exógenas)
RNE, BIN, AVA e PAD – variáveis
dependentes (endógenas) H1
H2
H3
Figura 3 – Relação estrutural do modelo NULO
quanto ao processo decisório (ROGERS, 2003; BLACKWELL, ENGEL E MINIARD, 2005; SHETH, MITTAL E NEWMAN, 2001; DEWEY, 1910), todos os modelos apresentados terão como critério que o processo decisório definido como RNE ®BIN ® AVA será apresentado com a precedência do Reconhecimento da Necessidade (RNE) sobre a Busca de Informações (BIN) no tempo e desta em relação à Avaliação das Alternativas.
O primeiro modelo equivalente é o modelo ECI. Neste modelo, considera-se como hipótese 1 (H1) que o estilo comportamental inovador (ECI) é modulador do processo decisório (RNE ®BIN ® AVA) e, hipótese 2 (H2), que o resultado deste processo define o perfil de adoção (PAD), constituindo a origem tecnológica (OTE) do respondente, formando assim a hipótese 3 (H3).
A figura 4 mostra a relação estrutural do modelo ECI.
O segundo modelo equivalente é o modelo PAD. Aqui se considera como hipótese 1 (H1) que o perfil de adoção do respondente (PAD) é o responsável pela construção da origem tecnológica (OTE), e como hipótese 2 (H2), que o resultado deste processo modula o processo decisório (RNE ® BIN ® AVA), que define o estilo comportamental inovador, apresentando esta formulação como hipótese 3 (H3) do modelo estrutural, conforme apresentado por meio da figura 5, abaixo.
OTE ECI RNE BIN AVA PAD OTE ECI RNE BIN AVA PAD
ECI – variável independente (exógena) RNE, BIN, AVA, PAD e OTE – variáveis
dependentes (endógenas) H1
H2
H3
Figura 4 – Relação estrutural do modelo ECI – Estilo Comportamental Inovador
O terceiro modelo equivalente é o modelo OTE e ECI. Neste modelo, a hipótese 1 (H1) estabelece que tanto a Origem Tecnológica quanto o Estilo Comportamental Inovador define o processo decisório (RNE ® BIN ® AVA) e como resultado, apresentado como hipótese 2 (H2), é definido o Perfil de Adoção (PAD) do indivíduo.
A figura 6, mostrada abaixo, apresenta o modelo estrutural OTE e ECI.
O quarto modelo equivalente é o modelo OTE e PAD. Para este modelo, a hipótese 1 (H1) tem como pressuposto que tanto a Origem Tecnológica (OTE) quanto o Perfil de Adoção (PAD) são antecedentes do processo decisório (RNE ®
ECI PAD OTE RNE BIN AVA ECI PAD OTE RNE BIN AVA
PAD – variável independente (exógena) OTE, RNE, BIN, AVA e ECI – variáveis
dependentes (endógenas) H1 H2 H3 ECI OTE PAD
RNE BIN AVA
ECI ECI OTE OTE PAD PAD RNE
RNE BINBIN AVAAVA
OTE e ECI – variáveis independentes (exógenas)
RNE, BIN, AVA e PAD – variáveis dependentes (endógenas)
H1
H2
H1
Figura 5 – Relação estrutural do modelo PAD – Perfil de Adoção
Fonte: elaborado pelo autor
Figura 6 – Relação estrutural do modelo OTE e ECI
BIN ® AVA) e que o Estilo Comportamental Inovador (ECI) é influenciado por estas relações, criando assim a hipótese 2 (H2), conforme apresentado na figura 7.
O quinto modelo equivalente é o modelo OTE/PAD/ECI, cuja única hipótese (H) é formulada ao estabelecer que a Origem Tecnológica (OTE), o Perfil de Adoção (PAD) e o Estilo Comportamental Inovador (ECI) antecipam, ocorrem concomitantemente e definem o processo decisório (RNE ® BIN ® AVA). A relação estrutural deste modelo é apresentada na figura 8 abaixo.
O último modelo equivalente é o modelo OTE, apresentado na figura 9 abaixo. A hipótese 1 (H1) deste modelo é que a origem tecnológica (OTE) antecede e define o estilo comportamental inovador (ECI) e que este modula o processo decisório (RNE ® BIN ® AVA), sendo sua hipótese 2 (H2) e como conseqüência, a
PAD OTE
ECI
RNE BIN AVA
PAD PAD OTE OTE ECI ECI RNE
RNE BINBIN AVAAVA
OTE e PAD – variáveis independentes (exógenas)
RNE, BIN, AVA e ECI – variáveis dependentes (endógenas)
H1
H2
H1
ECI OTE
PAD RNE BIN AVA
ECI ECI OTE OTE
PAD
PAD RNERNE BINBIN AVAAVA
H
H
H
OTE, PAD e ECI – variáveis independentes (exógenas) RNE, BIN e AVA – variáveis dependentes (endógenas) Figura 7 – Relação estrutural do modelo OTE e PAD
Fonte: elaborado pelo autor
Figura 8 – Relação estrutural do modelo OTE/PAD/ECI
hipótese 3 (H3) é formulada, considerando que o indivíduo forma seu perfil de adoção (PAD) em função destas relações.