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4. RESULTADOS E DISCUSSÕES

4.1 RESULTADOS DA FASE QUALITATIVA

4.1.3 Modelos de inovações de produtos e processos

No que tange aos modelos de inovações, percebeu-se como ocorrem as inovações de produto e processos nas empresas, considerando a contribuição e a participação de agentes internos e externos à empresa nos anos de 2010 e 2011.

Na Randon S.A. Implementos e Participações, as inovações de produto apresentam a participação de agentes internos (90%), os fornecedores (10%), bem como o fomento do governo por meio da Pesquisa Desenvolvimento e Inovação (PD&I) e da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP). Além disso, a empresa está iniciando um projeto com uma Instituição de Ensino (Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS) que futuramente aperfeiçoará os critérios de validação dos produtos no campo de provas. Já as

inovações de processo ocorrem através de agentes internos, tais como a equipe de engenharia de processo e a área de ferramentaria e de parcerias com fornecedores.

(...) na inovação de produto ocorre a participação de agentes internos e também fornecedores (...) temos a participação do governo através do PD&I via FINEP (...) (E1).

(...) não temos muito a interface com universidades, 90% dos desenvolvimentos de produtos partem internamente e 10% de fornecedores (...) entretanto, estamos com um projeto em parceria com a UFRGS, onde estamos criando critérios de validação no campo de provas das empresas Randon (...) vamos fazer um mapeamento de 25.000Km de estradas brasileiras, é um projeto nosso em parceria com a Wolkswagen, nós vamos mapear, rodar esse 25.000Km, esse produto e o caminhão vai coletar todos os dados (...) vamos criar correlações dos impactos nesse produto de 125 censores, acelerômetros e várias outras coletas de dados, para trazer para o campo de provas aqui, diminuindo assim o percurso (...) pois hoje temos padrões para a aprovação de produtos, por exemplo 5.000Km vazios, 5.000Km carregado (...) assim essas correlações podem trazer novidades para eu validar um produto aqui mais rápido (...) mas esse caso com universidade é raro (...) com fornecedores temos vários produtos, até fizemos patentes em conjunto (E1).

(...) temos dois caminhos bem distintos na inovação de processo, na máquina de pneus e no gabarito de soldagem de vigas, é via nosso recurso interno, a gente concebe aqui e planeja e projeta esse recurso e também aciona empresas para nos suportar com alguma tecnologia específica, que a gente não tenha domínio, isso é uma linha que segue muito a engenharia de processo e a ferramentaria, e também tem soluções que a gente compra pronta, como por exemplo, uma máquina de corte a laser, vamos para o mercado e procuramos uma melhor tecnologia (...) (E3). Na Empresa Alfa, a inovação de produto ocorre com a participação de agentes internos, realizada pela equipe de engenharia experimental, no entanto, em alguns produtos customizados, o cliente também participa no desenvolvimento da inovação. Já na inovação de processo, além dos agentes internos, das áreas de ferramentaria, processos, tempos e movimentos, os fornecedores também participam dessas inovações.

(...) a inovação de produto é basicamente por agentes internos, a engenharia experimental dentro da empresa faz a maioria dos testes dos produtos (...) alguns clientes também participam da inovação, quando é um ônibus específico para aquele cliente (...) alguns clientes participam para testar alguns protótipos (...) (E5).

(...) os fornecedores também participam das inovações de processo (...) internamente, a área de ferramentaria, a área de tempos e movimentos, a área de processos trabalham diretamente na invocação de processo (...) são cerca de 145 pessoas internamente que quando necessário se envolvem com o desenvolvimento de inovação de processos (...) (E2).

Quanto à empresa Beta, esta desenvolve as suas inovações de produto através de capital humano, de ideias e sugestões dos funcionários, de testes internos feitos pela equipe de engenharia, pelo centro de pesquisas, de parcerias com instituições de ensino, científicas e tecnológicas (Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC, UFRGS, Universidade de Caxias do Sul – UCS), bem como de financiamentos via FINEP e parcerias com o cliente. Já,

na inovação de processo, emerge a participação dos mesmos agentes internos e externos, exceto o cliente.

(...) temos duas formas de trabalhar a inovação de produto, uma forma é nós utilizarmos nosso capital humano, as ideias e sugestões que vem para alterações, e o próprio resultado de testes que é feito na engenharia e no centro de pesquisas (...) buscando-se melhoria de performance e melhoria de redução de custo, este é um processo que ocorre basicamente dentro da empresa (...) existe um outro processo em nós buscamos uma fonte que vai financiar o projeto (...) buscamos a Instituição Científica Tecnológica, normalmente nos trabalhamos com Universidades, com a UFSC e a UFRGS, trabalhamos também com a UCS mas em caso de levantamento de dados, ensaios, testes com equipamentos que nós não temos aqui no centro de pesquisa (...) juntamente com estas instituições, mais um órgão do governo que normalmente faz o financiamento, normalmente nós trabalhamos com o FINEP (...) temos casos também que além da empresa, da universidade, do FINEP, envolvendo também nosso cliente, então esses quatro se juntam para trabalhar nessa inovação (...) no caso desses materiais novos, e por isso o resultado em patentes, foi a empresa nossa, mais a universidade, mais o FINEP e o cliente, a partir de uma necessidade do cliente, necessidade estratégica, o desenvolvimento desses materiais (...) no caso da inovação de processo só não temos a participação dos clientes, mas neste caso a área de engenharia de materiais da UFSC atua fortemente nas inovações de processo (...) (E7).

Perante o exposto, as inovações de produto e processo, apresentadas pela Randon S.A. Implementos e Participações e pela Empresa Beta, mostram a participação de agentes internos, bem como dos externos, por meio de fornecedores, clientes, instituições de ensino e órgão governamental de financiamento, conforme a Figura 32. Já a empresa Alfa não apresenta a participação de instituições de ensino e órgão governamental para financiamentos, porém o cliente e os fornecedores participam da inovação de produto e processo.

As três empresas analisadas apresentam o modelo de inovação aberta (CHESBROUGH, 2006), pois houve a participação de diferentes agentes no desenvolvimento das inovações de produto e processo. Porém, na Randon S.A. Implementos e Participações e na Empresa Beta, são reafirmados os pressupostos de Etzkowitz e Leydesdorff (1995, 2000), os quais propõem uma interação coparticipativa entre governo, empresa e universidade, tentando fortalecer um ambiente inovador, com iniciativas para o desenvolvimento econômico.

Figura 32 – Participação de agentes internos e externos nas inovações de produto e processo Empresa

Inovação de produto Inovação de processo

Agentes internos Agentes externos

Agentes internos Agentes externos Randon S.A. Implementos e Participações Engenharia de processo; Ferramentaria. Fornecedores; Governo (PD&I, FINEP); Universidade. Engenharia de processo; Ferramentaria. Fornecedores. Empresa Alfa Engenharia experimental; Ferramentaria; Tempos e movimentos; Processos. Cliente. Engenharia experimental; Ferramentaria; Tempos e movimentos; Processos. Fornecedores.

Empresa Beta Equipe de engenharia; Centro de pesquisas. Universidades; Governo (FINEP); Cliente. Equipe de engenharia; Centro de pesquisas. Universidades; Governo (FINEP). Fonte: Dados provenientes da pesquisa qualitativa (2013)

As práticas ambientais, empregadas nas inovações de produto e processo, passam a ser o foco desta pesquisa.