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CAPÍTULO 3 – O DESENVOLVIMENTO DO PRODUTO E A

3.2 Modelos de Referência

Segundo Romano (2003), a integração de aspectos técnicos e outros ligados ao gerenciamento do projeto como um todo, tem incorporado melhores práticas às atividades de desenvolvimento de produto, resultando num aprimoramento cada vez maior deste processo, obtendo destaque no meio empresarial. Como conseqüência desta postura, características como de qualidade combinada com a redução do custo total e do ciclo de desenvolvimento tornam-se cada vez mais evidentes.

De acordo com Araújo et al (2001), uma etapa comum a qualquer empresa que visa o esforço de melhoria deste contexto é o da modelagem ou levantamento dos processos atuais, cujo objetivo é o de conhecer e explicitar a forma como os mesmos são executados na prática. Além disso, para Lima (2001) e Barbalho et al (2002), os modelos estabelecem um modo de abordar, pensar e articular os problemas organizacionais, desempenhando um papel de referência àqueles que decidem sobre as práticas a serem adotadas nas operações e processos. Nyhuis (2003), diz que as habilidades empregadas para o planejamento e controle de atividades, podem ser medidas usando inventários, especialmente os que sinalizam os passos do processo de trabalho.

Muitas empresas dos mais diversos setores, segundo Smith (1997), alcançaram reduções significativas, como por exemplo, a Deere & Company, que diminuiu o seu ciclo de desenvolvimento de sete anos em 60%, reduzindo seu custo de desenvolvimento em 30% com a utilização da modelagem.

Pidd (1998), Gentner & Gentner (1983) e Curtis et al (1992), destacam que um modelo é sempre uma simplificação e uma representação de uma realidade projetada para algum propósito definido e como tal, deve ser feito com vistas a um uso pretendido do mesmo. Já para Rozenfeld (1998), nas ciências administrativas, os modelos são

construídos para auxiliar um gerente a exercitar um melhor controle e auxiliarem as pessoas a entenderem melhor as situações complexas, entendendo que um modelo é uma representação de um planejamento para ser usada por alguém responsável pelo gerenciamento ou entendimento da realidade, vista pelas pessoas que desejam usá-lo para entender, mudar, gerenciar e controlar.

Rozenfeld (1998), diz que ainda o processo de desenvolvimento de produto nas empresas tem sido monitorado no campo prático por meio da padronização dos processos expressos na construção de modelos de referência, que se mostram como representações da atividade contendo as etapas, atividades, recursos, informações e as responsabilidades organizacionais para o desenvolvimento de produtos. Além disso, um modelo é uma maneira de se representar, de forma útil algum objeto, expressa por meio de um método de modelagem para servir aos interesses do usuário (VERNADAT, 1996 e CARPINETTI, 2000). Para Keller e Teuffel (1998), os modelos devem apresentar os elementos de um sistema e seus respectivos relacionamentos, a fim de explicar como um sistema funciona, bem como suportar a comunicação por meio de uma formalização consistente.

O nível de detalhamento do modelo é outro aspecto que deve ser observado. Um modelo pouco detalhado pode sonegar informações importantes, assim como um modelo muito detalhado pode apresentar dificuldades na sua operacionalização, correndo-se o risco de até não ser utilizada alguma de suas informações (LINDHEIMER, 1996 e GREEN e ROSEMANN, 2000).

Scheer (1998), Bubenko (1985) e Gerrig e Banaji (1990), ressalta que a complexidade de um modelo pode ser reduzida, agrupando-se as classes com inter- relacionamentos de semântica similar em visões. Essas visões podem ser complementares, apesar de representadas de formas distintas. Também, os modelos de referência documentam o know-how de um processo e são desenvolvidos a partir de situações reais ou teóricas, podendo ser utilizados para modelagem de outro processo (MISER e QUADE, 1990).

Vernadat (1996) e Goulart (2000), sugerem que para descrever os vários elementos do processo de negócio, podem ser utilizados basicamente dois tipos de modelos:

• Modelos de Referência - Mais genéricos e de ampla aplicação, que podem ser utilizados como referência para o desenvolvimento de modelos específicos. Estes descrevem as fases, as atividades, os recursos, os métodos e as ferramentas, as técnicas de gerenciamento de projeto, as informações e a

organização do processo propriamente dito.

• Modelos particulares ou específicos – simplesmente chamados de modelos ou modelos de empresa, representando ou sendo utilizados por uma empresa específica, em uma situação específica.

De um modo geral, os modelos de referência representam processos dos mais diversos setores industriais, servindo de base para as empresas destes segmentos promoverem melhorias em seus processos (GREEN & ROSEMANN, 2000 e

STEWART-KNOW & MITCHELL, 2003), auxiliando no estabelecimento de seus

modelos particulares, permitindo assim, uma clara visão através de estratégias, atividades, informações, recursos e organização com suas respectivas inter-relações, possibilita simplificar radicalmente a descrição dos processos.

Para Vernadat (1996), os elementos de uma empresa que podem ser modelados e integrados compreendem os produtos (que envolvem modelo de produto, contendo todos os dados técnicos de um produto e modelos de processo, que compreende o processo de negócios), os recursos físicos, a organização da informação para a tomada de decisões, os processos de negócio (administrativos, gerenciais e técnicos) e de pessoal.

Assim, Romano (2003) afirma que a elaboração de modelos de referência muitas vezes é complexa, variando em função do grau de detalhamento da modelagem, mas principalmente, pela própria natureza do processo a ser modelado, sendo por isso muito importante uma visão muito clara dos objetivos a serem alcançados, como por exemplo, aquisição do conhecimento, solidificação do entendimento, etc. A aplicação da modelagem pode ser encontrada na literatura junto à modelagem e engenharia de processos (DAVENPORT, 1994), a modelagem organizacional (PADUA, 2000 e KOSANKE, 1995) e a modelagem de negócios (FURLAN, 1997 e RENTES, 1995).